3 de Outubro de 2000

Rodo com o carro no asfalto. Bato no poste com violência, cai como cruz na minha frente. Nenhum ferimento, apenas poucos arranhões.

Há poucos minutos era dia, noite frente a igreja.

Retorno!

Não sou de ficar carregando a cruz, vi muitos bebendo no cálice e queimando as costas pelos “amigos”...

Tenho quatro filhos e o mais velho “aquele que amo com a alma e que tenho emprestado o carro”, me impôs ordens e faltou-me com respeito. Ficou louco e bebeu todas. Cheira como gasolina. A influência dele pode mudar a cabeça dos demais.

Assim ele me disse na ultima vez- Você construiu essas paredes solidas e nos quatro ventos ouvirá as minhas palavras: derrubarei este castelo, o dia virá — Maníaco desprezível, filho desonrador dos lares. Depravado, ousa seu pai!...

Fumaça, vento, cheiro, ascendo meu cigarro.

Que loira bonita, que bunda empinada, essa senta em minha bicicleta.

Eu vou lá!

Charme, olhar, distração, luz, prazer, explosão!

Fogo, pesadelo, cacos de vidro, rodas, amortecedor, placa de carro...

Todos olharam para mim... Duas rodas... Carro virou bicicleta...

Ótimo... Moro aqui perto.