Relatos de uma traição



Londres, Inglaterra. 22 de novembro, 23:38 horas.



"Eu não poderia estar em um lugar melhor, naquele exato momento…"



Eles estavam sentados no sofá daquela mediana sala bem decorada. Parecia um momento comum, mas não era. A mulher apertava fortemente os punhos, creio que tentava se conter; o homem, de olhos arregalados, maquinava em sua mente qual desculpa usaria daquela vez, mas não havia como contestar, a prova estava lá.


No vídeo, cenas da consumação do ato sexual entre um homem e uma mulher. Ele e uma moça que talvez nem nome possuísse; era o fim, não havia escapatória.


Em um único impulso a moça se levantou. Os olhos cheios de lágrimas e os lábios… bem, coitados… eram tão fortemente mordidos que sangravam, o vermelho vivo, carmim da vida, combustível do corpo, salvação do moribundo…


"Eu já sabia…" "Era óbvio…" "Como foi tola…"


Eram os pensamentos da pobre mulher, jovem moça, alma ferida, criatura abandonada. Conseguia até ouvir os batimentos acelerados de seu coração…


Mas faltava o alarido, os gritos, a briga… Vamos lá, divirta-me!


Mas nada disso veio…



As mãos trêmulas pegaram um molho de chaves e os lábios sangrentos sussurraram "adeus" antes que ela passasse pela porta, sem volta.



Minutos depois aquela mesma sala se enchia de risadas e, quarteirões à frente, o barulho ensurdecedor da ambulância anunciava o fim de uma vida…

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