Relatos De Troian Fields
18 Capítulo 18 - O ultimo suspiro (Don\'t come back)
Notas iniciais
Fecho o diário ao som da porta batendo no primeiro andar. Meu Deus. Não há palavras para degustar o ultimo relato. Acabou, eu cheguei ao fim, e ainda assim tudo o que tenho é mais suspeitos de terem matado Troian, todos naquele barco poderiam ter feito isso. Ela causou o internamento de Mason no hospital. Ela lhe apagou por meses desde aquele dia e nunca vai saber disso, talvez ela tenha pensando que lhe matou, ou que ele levantou ali e ficou bem. Mas ele está lá, na mesma cama, tão morto quanto ela, respirando por aparelhos desde aquela noite. A ultima coisa que ele viu foi ela entrando em um barco e uma explosão em sua face.
Não há mais palavras para decifrar o que vem a seguir, não há mais historia a ser contada. Não há mais folhas, e ainda assim, a mesma pergunta que tenho no inicio é a que tenho no fim. O que houve com Troian Fields?
Ouço novamente o som da porta. Levanto da cama e deixo o diário embaixo do travesseiro.
-Alguém está ai? –Pergunto caminhando sobre o chão frio.
A porta é batida mais uma vez. Estou só em casa, ou deveria estar.
Abro minha porta, ando no corredor escuro, olho de cima da escada para o fim da sala, e lá me deparo com a porta abrindo e fechando com o vento que vem de fora.
Desço os degraus aos poucos, empurro a madeira firme e giro o trinco, toco no ferrinho que prende a porta e vejo que está quebrado. Eu havia trancado a porta, alguém entrou.
Abro a porta para sair de casa e vejo alguém encapuzado andando em minha direção. Bato a porta novamente e coloco uma cadeira na entrada enquanto a fechadura é movida na tentativa de entrarem.
Me abaixo até chegar no tapete e me escondo em baixo da mesa, fecho os olhos e ouço o som da energia sendo cortada em toda minha residência, olho para fora, as casas do outro lado da rua tem luz.
A porta é aberta e alguém está andando na sala. Calça jeans e um capuz preto. Sobe vagarosamente pela escada e eu saio de meu esconderijo quando acho que estou seguro. Onde os passos se calaram? Ele ou ela realmente subiu? Porque ou quem está invadindo minha casa?
Dou passos leves até a beira da porta e então uma cadeira voa para cima de mim.
-AH. –Grito.
Caio no chão e sou levantando por alguém puxando meu cabelo e tacando contra o chão, uma vez, duas, três, quatro. Até que eu lhe dou um chute e consigo levantar, estou correndo quando ele puxa o tapete, eu caio de cara no chão e ele sobe sobre minha costa, mira uma faca em minha direção e eu rolo para o lado enquanto ele enfia na tábua.
-TOMA DESGRASSADO. –Dou um chute na sua costela e ele cai.
Viro para a mesa e pego uma cadeira para tacar nele mas quando olho, já estou sozinho.
“Onde você estava em Junho deste ano?”
Ele taca uma cadeira em minhas costas mais uma vez e eu caio no chão, minha cabeça está sangrando, eu estou com dor nas costelas. Levanto.
“Em uma clinica de reabilitação para jovens”.
Puxo o vaso de cristal e taco em sua cabeça, ele se abaixa e me joga no chão da sala de jantar, levanto e lhe dou um soco. Ele puxa o abajur e taca em meu braço, me chuta e me empurra, caio contra a bancada da cozinha, levanto e pego o fosforo. Ele vem andando da escuridão e sai dela em minha direção na cozinha. E então, em suas costas aparecem mais dois encapuzados, e depois mais dois. Todos os cinco formam um triangulo, dois atrás, dois no meio e um na frente. Os assassinos de Troian, os meus assassinos.
Os dois últimos tiram o capuz. John e Lyla. Os dois do meio fazem o mesmo. Peter e Toddy. Idiota. Ordinário, eu e Troian confiamos em vocês. E por ultimo, o da frente dá um passo e tira o seu capuz. Jason! O irmão de Troian.
-Jason? –Pergunto espantado. Eu jamais pensei que ele tivesse algo haver com aquilo tudo.
-Olá Ethan. –Todos eles estão sorrindo.
-O que você...
-Não me diga que não sabia que era eu... Eu sei que você tem o diário, eu procurei por ele por tanto tempo desde aquela noite.
Não consigo pensar em nada que lhe culpe no diário. Como ele pode ter procurado? Estava com Toddy! E Toddy estava com ele!
Toddy coloca um dedo na boca disfarçadamente e me encara como se lesse meus pensamentos, olha para Peter e o mesmo balança a cabeça em concordância. O que isso quer dizer?
-Você sabe demais Ethan, como Troian sabia.
-Não há nada que lhe culpe lá.
-Mas eu e você sabemos que quem matou Troian foi eu. –Diz ele sorrindo.
O quê?
Chego em casa aterrorizada. Estou molhada e perdida em meu suor. Tranco a porta, todas as luzes da casa estão desligadas...
-Você não deveria ter feito isso Jason. –Entro em seu jogo.
-Ela não era mais minha irmã. Ela era o demônio. –Ele estava louco! Por causa da igreja, é claro.
-Jason? –Chamo.
Ele não responde. Subo as escadas vagarosamente, uma flecha de luz corre por baixo da porta do meu quarto. A noite brilha lá fora enquanto as janelas reluzem o terror. Toco em minha maçaneta. Abro a porta...
-Ela só estava sofrendo.
-Sua alma era do inferno, Deus me disse isso.
Há velas espalhadas por todos os lugares, uma figura negra está sentada no centro dela, tacando chicotadas em suas costas...
-Jason?
Ele vira de frente pra mim, seus olhos estão vermelhos como se chorasse por horas. Suas mãos estão tremulas, e entre elas está meu diário.
-Mas não foi Deus quem a-matou não é? Foi você. –Ainda estou no chão.
-Eu fui seu meliante. Eu precisava purificar ela. Mas eu tinha que me livrar do diário. –Por isso ela disse que escondia, por isso ela arrancou algumas paginas, ela sabia que não era seguro, ela sabia que tinha alguém lendo. Jason estava lendo. Jason matou a própria irmã.
-Eu sinto muito. –Diz Jason.
Arregalo os olhos. Ele tem uma corda na mão, ele leu o diário. Está assustadoramente chegando perto.
-O que você está fazendo?
-E então você simplesmente pegou uma pá, lhe acertou na cabeça e lhe matou, depois jogou o corpo no rio. –Falo decifrando o meu sonho.
-Eu só fiz o que ela teria feito.
Primeiro ele joga o diário em minha cara e eu rebolo no chão, Jason levanta a corda, põe na altura de meu pescoço e começa a rezar.
-Pai nossa que estáis no céu, santificado seja o vosso nome, perdoai a alma dos pecadores, levai ao teu reino aqueles que por abstinência não merecem a terra, limpai o sangue...
Começo a sufocar. Chuto entre suas pernas e ele cai pro lado, me arrasto pelo chão e me jogo degrau abaixo, rolando toda a escada e saltando com o diário em mãos. Saio pela porta e Toddy está vindo em minha direção. Bato a porta de casa...
-Troian, eu...
-CUIDE DISSO. ESCONDA. DEIXE A SALVO. –Grito e lhe empurro pra moita de grama na frente de minha casa. Ele cai exatamente quando meu irmão sai pela porta.
Não houve tempo para que um visse o outro. Corro para trás de casa, entro na floresta, preciso me esconder... Preciso me safar. Jason está louco. O que ele está tentando fazer?
-Ela nunca se machucaria.
-Ela era a maçã podre dessa casa, Deus não gosta de maçãs podres. –Ele é louco. Completamente louco. –Mas ela continuou rondando meus sonhos, e eu sabia que você era um mexeriqueiro que queria revirar o passado.
Ouço seus passos por trás dos meus. Corro sem direção para qualquer lugar, meus pulmões ardem com ausência do ar, sinto espasmos percorrer minha coluna. Olho para trás e de repente estou em queda. Caio em um retângulo pouco maior que eu. Tento me levantar e Jason chuta minha barriga. Me contraio em forma de ‘O’ sentindo minha costela estourar dentro de mim.
-O demônio tomou conta de você. Você é uma pecadora, você não é mais minha irmã. –Jason fala.
-Jason sou eu. –Digo.
-O demônio agirá como ela, falara como ela, mas não se engane, ele é o rei da mentira. –Ele fala consigo mesmo.
Meu irmão pega uma pá que já havia deixado ali e só agora noto que esta é minha cova. Ele havia feito um buraco no meio do nada para me deixar... Jason estava pronto para me matar...
Ele continuava jogando terra em cima de mim, diversas e diversas vezes. Quando tentava me levantar, ele chutava meu estomago de novo. Eu estava pronta para morrer quando ele despejou terra em minha boca, e por impulso, segurei a pá com as duas mãos, lançando o cabo contra a garganta dele. Meu irmão caiu para trás e eu levantei para correr novamente.
-Ela me aterrorizou. –Digo. Todos os quatro atrás dele estão em silencio.
-Eu não precisei de ajuda, a-matei sozinho. Sem mais ninguém, mas o diário sumiu, e eu vi em suas mãos depois. Então juntei um time que precisava que os segredos continuassem escondidos, tanto quanto eu.
Sinto-me em câmera lenta... Minha roupa suja, voando pelo vento como em um filme de terror. Meu coração bate rapidamente, me tirando e pondo na terra... Olho para trás, meus cabelos batem no ar e voltam a cair. Jason está vindo.
Saio da floresta, estou na campina onde pequenas flores nascem na grama que bate na altura de minha cintura. Todo mundo sempre disse que haviam cobras ali, mas eu sempre respondia com ‘Não haveria lugar mais belo para se morrer’.
Ali atrás há um pequeno chalé como nos contos românticos, ele é feito de madeira e tem uma pequena cerca que impede que você pule no rio que corre ao lado violentamente.
Entro ali. Permaneço calada até que meu irmão me encurrale contra a cerca.
-Que seja feita, a vossa vontade... –Ele termina.
-NÃO, POR FAVOR... NÃO. –Grito.
Ele taca a pá violentamente em minha cabeça, me queimando em um repleto choque. Minhas pernas tremem e quase caio no chão com a segunda tacada, mas ao invés disso, Jason me segura pela garganta, colocando minha costa contra a cerca, metade do meu corpo prestes a cair no rio.
-Morre. –Ele pede.
Não sinto dor alguma, simplesmente o mundo apaga e se ilumina como se alguém estivesse brincando com a lâmpada... Posso até lembrar de uma vez em que eu e Jason ficamos apagando e acendendo a luz no quarto até que ela queimasse.
Uma doce canção chega em meus ouvidos, como se alguém tentasse me fazer ninar. Não há dor, não há mais sofrimento. Soa como uma pausa para tudo de ruim que me aconteceu, então eu deixo de lutar. Meus olhos se fechando, o ferro batendo repetidamente em minha face, um liquido quente escorre entre meus cabelos. É bom. Bom como estar dançando na chuva...
Sinto o vento em minhas costas, suas mãos me largando, em meu ultimo fechar de olhos vejo meu irmão em um capuz preto me despejando no ar, seus olhos lagrimando enquanto eu desço para meu buraco negro...
A água toma conta de mim, me abraçando como se fosse me por para dormir. A escuridão gelada se apossando de meu corpo, minha alma relaxada, pronta para ir... Vou me perdendo, me afundando, sumindo na profundidade até que finalmente... Posso sorrir.
-Só que você só estava usando eles não é?
-Nós somos anjos curando a doença que nessa casa ficou. Você Ethan. –Jason diz andando mais para perto.
Ligo o isqueiro e digo:
-Vai pro inferno.
Puxo a mangueira do gás e tudo explode me lançando na cozinha. Vejo eles todos dispersados por outros lugares e corro pela escada enquanto John segura minha perna, a casa toda começa a pegar fogo.
-SOCORRO. –Grito.
Chuto sua cara e subo para o próximo andar, bato a porta do meu quarto e pego o diário, coloco dentro de minha calça e abro a porta novamente, o fogo está em todo lugar, se alastrou por tudo ser feito de pano e madeira na casa. Droga. John está no canto me esperando, entre a saída e uma vala.
Eu corro e ele pega uma perna da mesinha do corredor e bate em meu rosto. Deslizo para o fim, fechado entre a abertura do armário e ele. Lyla começa a caminhar escada acima e Peter lhe segura. Ela empurra ele e ambos ficam em uma briga enquanto rolam a escada.
-Somos só nós dois querido amigo. –Diz John.
-Isso não precisa ser assim. –Digo.
Ele puxa uma faca.
-Precisa sim.
O chão depois dele cai formando uma fenda que vai direto para as chamas, prendendo nós dois no mesmo lugar sem ter saída.
-É o seu fim.
-Não. –Peço quando ele levanta a faca.
-AH. –Ouço alguém gritar.
Então vejo Peter correndo do fim do corredor até onde estamos, se jogar, segurar na costa de John e ambos caem um andar abaixo gritando enquanto suas carnes queimam nas chamas ardentes. Lyla aparece no corredor e volta a correr em minha direção mais é impedida pelo buraco onde os dois acabaram de cair. Peter estava do meu lado! Ele morreu pra me salvar, porque?
-ELA CAIU RIO ABAIXO. –A voz de Jason surge do primeiro andar.
Lyla vem pelo canto, mas eu não tenho saída, a não ser... Abro a porta do armário, escalo as estantes e subo para o sótão, sua lamina corta minha perna mais estou a salvo na escuridão.
Ela sobe junto comigo e ambos sentimos as tábuas gemerem.
-EU VOU TE ALCANÇAR. –Diz ela.
-Você sabe o que acontece se essas tábuas podres romperem não é? Eu não ficaria no mesmo espaço se fosse você. Nós não sabemos o que tem aqui embaixo. –Digo.
-Eu vou arriscar. –Ela continua em minha direção.
Começo a chutar um jogo de tábuas e abro uma abertura, dá em chamas, preciso estar mais distante, me esfrego no chão e não posso levantar pois aqui é baixo.
Quebro mais tabuas e dá pra cair no corredor pouco antes do quarto de meus pais, mas é alto. Sem pensar, formo um buraco e me jogo. Minhas pernas ardem e tenho certeza que torci alguma coisa. As chamas aumentaram e eu posso ouvir a sirene do carro de policia. Talvez haja bombeiros e um grupo de pessoas, mas aqui, só há nós. Assassinos e um resistente.
Vejo o rosto de Lyla e ela vai se jogar, puxo outra perna da mesma mesa que John pegou e quando ela está caindo, ponho no lugar em que deve pousar e ela morre com a madeira enfiada em seu estomago.
-Menos uma. –Digo.
Jason sai correndo e ambos caímos pela escada. Levanto no chão da sala e saio correndo. Queimo minha perna e chego perto dos sofás que queimam chamas altas.
-É o seu fim. –Ele diz.
Corre para cima de mim, fecho os olhos e a lamina não me corta. Eu estou cansado de lutar.
-AH. –Ouço alguém gritando.
Abro os olhos. Toddy está entre Jason e eu, e no meio dele... A faca corta suas tripas.
Chuto Jason para longe e aparo Toddy em meus braços. Deito ele no chão e não entendo o que Peter e ele faziam no time se ambos se sacrificaram pra me ajudar.
-O que você fez? –Pergunto.
-Peter e eu... –Ele cospe sangue. Não vejo mais Jason. –Precisávamos te ajudar, você não podia estar nessa sozinho. As pessoas precisam saber o que aconteceu com Troian.
-Vocês se mataram por isso. –Falo chorando.
-Não morra. Não deixe que a mentira prevaleça.
-Vocês eram infiltrados. Você é louco?
-Ela não nos deixava dormir mais. Ela quer que as pessoas saibam o que lhe aconteceu. –Ele fala e apaga.
-Toddy. –Bato em seu rosto. –Toddy. –Chamo novamente.
Ele morreu.
Puxo a faca de seu estomago, levanto e subo a escada, atravesso as chamas e vou atrás de Jason, sei exatamente onde ele está. Em nosso quarto.
-Você teve sua chance de fugir. –Diz ele.
No chão há mais um buraco para o inferno, exatamente como o que John e Peter caíram. Lugares onde o chão do segundo andar desabou dando abertura para o primeiro.
-Eu quero acabar com isso agora.
-Boa escolha moleque.
Corremos um de frente para o outro e lhe dou um soco, recebo outro. Ele me empurra e eu caio de cara na cômoda.
-Filho da...
Pego o espelho com as duas mãos e enfio dentro de sua cabeça.
-AH. –Ele grita.
Me afasto e ele joga uma gaveta em cima de mim. Bate em minha perna e eu caio. Ele enfia a faca na minha barriga uma vez, mais uma e eu lhe empurro. Jogo o abajur em cima dele e depois puxo a cortina em chamas. Ele se queima e me empurra contra a parede, segura minha cabeça e bate por várias vezes. Chuto o meio de suas pernas e bato minha cabeça na dele. Quebro meu nariz. Meu corpo todo está dolorido, eu tenho cortes profundos. Estou morrendo aos poucos.
-Foi tão fácil inventar um fim pra Troian, mas agora, você acabou com o plano, o que diremos sobre isso? Eu vou ter que culpar os outros. –Ele fala me batendo.
Enfio a faca em sua coxa. Ele me bate mais uma vez.
Estou fraco, desisto, tenho que morrer. Não aguento mais, e dessa vez, não há mais quem me salve.
-Adeus Ethan. –Diz Jason. –Diga olá para minha irmã no inferno. –Ele complementa.
-Talvez você queira fazer isso sozinho. –Digo.
Então em sua costa ela surge, suas mãos agarrando ele, suas pernas ao redor de seu quadril, sua pele toda danificada, seus olhos completamente brancos, como um cadáver assustador perdido em um rio exatamente como é. Ela sorri e diz:
-Olá irmãozinho.
Os dois caem pelo buraco no chão na direção das chamas.
Quando paro para olhar, vejo ele surgindo no meio do fogo e sua pele derretendo sobre os nervos e músculos. Gritando de agonia enquanto a morte não chega e o fogo corrói sua carne.
Assisto sua dor por minutos até que Jason se cala e Troian tem o final que sempre quis.
Pés sangrando descalços sobre o asfalto quente. Uma figura vermelha com roupas velhas no amanhecer. Cortes profundos. Um livro nas mãos. Passo pela placa de bem-vindo á cidade. População: 789. Pego uma pedra, risco o nove e desenho um oito torto.
Continuo andando até que um carro azul pare e alguém saia gritando, eu não ouço mais nada, nem sinto nada.
-Não volte mais pra lá. –Peço ás mãos de minha mãe enquanto ela fala algo.
Caio no chão. Meu pai sai do carro.
-Não volta pra cidade. Nunca mais. Me tira de lá. Não volta. Não volta. Por favor. Não volta.
-Você está ferido. –Ouço ela falando.
-Não volta. Não volta. Não volta. –Apago.
Duas semanas se passaram desde o incêndio, eu ainda estou me recuperando em um hospital de Los Angeles, minha família mudou mais uma vez, o seguro cobriu as despesas da casa mesmo que não tenha sido acidente. A cidade pequena com menos três habitantes descobriu a verdade sobre Troian. O seu diário foi mandado para o Jornal local e viraria livro nas mãos de minha mãe. Meu pai arranjou outro emprego. Troian estava livre dos segredos. Eu estava livre de Troian. Tudo acabou como deveria acabar, todos pagaram pelo que fizeram, eu jamais voltei para aquela casa, eu jamais pisaria naquele chão novamente.
Ethan Saints.
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