A garota corria, corria o mais rápido que conseguia enquanto passava pelas centenas de árvores e pequenas pedras daquela intensa e escura floresta. Ela estava desesperada, sabia que a estavam perseguindo, mas não fazia ideia de quem ou o que era.

Ela não sabia se estava ou não longe da coisa, mas apenas uma coisa se passava pela mente da jovem.

Não olhe para trás em hipótese alguma!

A garota sabia que, se parasse de correr em algum momento, algo horrível aconteceria com ela. Ela podia sentir alguns galhos a cortando quando acabava por passar rapidamente entre alguns deles.

A floretsa estava escura e mesmo se ela encontrasse outra pessoa no caminho, dependendo do tipo dela, sabia que era capaz de a pessoa não ajudar a ela, e sim o que a persegue.

Infelizmente essa era a realidade do mundo em que ela vivia; se você é um Erro, era tratado pior que lixo. Se é Humano, era tratado com respeito. Mas se você é um Dodger, será tratado como uma divindade.

A garota sai de seus pensamentos no momento em que se vê cercada por várias colunas de pedras; e foi aí que ela percebeu o quão longe estava do lugar em que vive.

Desesperada, a garota começou a olhar ao seu redor em busca de alguma maneira de sair de lá.

A jovem pensou em usar seus dons para sair, mas ela não conseguia pensar em uma maneira de usá-los, pois, nessa situação em que ela se encontrava, tais dons seriam inúteis. Cada segundo que se passava, o desespero dela aumentava, até que ela ouviu passos se aproximando.

Isso a assustou mais, pois, desde que se tornara um Erro, a ensinaram a valorizar sua vida, pois ela poderia acabar a qualquer momento. Mas, quanto mais os passos se aproximavam, pior ficava sua situação, ela sabia que o seu medo de morrer crescia a cada passo que ouvia. Portanto, desistindo de fugir, a garota simplesmente se sentou no chão e abraçou suas pernas com medo.

Os passos ficaram extremamente altos, significando que, o que a seguia antes, acabou de a encontrar.

Como estava de olhos fechados, a jovem apenas escutou o barulho dos passos pararem, ela se assustou ao sentir uma mão passando pelos seus cabelos, confusa e receosa, lentamente a garota levantou sua cabeça, com medo do que encontraria, mas, para a surpresa dela, o que encontrara foi seu melhor amigo.

Rapidamente ela se levantou e abraçou o garoto que sorria de um jeito estranho para ela.

— Como você me encontrou? Me leva de volta pra Amaranthine! Tem alguma coisa vindo atrás de mim!— exclamou ela, um pouco assustada, mas se acalmando por conta da presença do maior.

O garoto apenas soltou um riso anasalado, como se tudo o que a garota havia dito fosse uma mera brincadeira.

— Não há nada vindo atrás de você, Luna — respondeu em um tom brincalhão.

— Como você pode ter certeza? — indagou Luna, desconfiando ao perceber que o garoto não havia respondido sua primeira pergunta.

— Porque eu estou bem aqui, não preciso mais correr atrás de você. — Antes que a garota conseguisse se afastar, sentiu algo afiado atravessar sua barriga. O garoto afundou mais a lâmina em Luna, que, como já tinha gastado suas forças enquanto corria, não conseguiu fazer nada. Após alguns minutos, o garoto simplesmente a solta, deixando-a cair no chão, em cima das folhas secas que haviam no local, que começavam a ficar cobertas com o sangue que escorria do ferimento.

As lágrimas desciam pesadas pelo rosto de Luna, e, a última coisa que a jovem pôde ver antes de tudo escurecer, foram o sorriso malicioso e os olhos verdes com um brilho louco daquele que um dia foi seu amigo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.