Notas iniciais
Corrigi o nome do Colégio "Aria" para colégio Aliea.

Você quer mesmo saber o que me levou a fazer o que fiz? Tudo desde o começo? Tem certeza? Minha história não é interessante... Não é uma história alegre.

-Eu estou apenas coletando dados. – O detetive Onigawara explicava, sem mudar o tom frio de sua voz.

Eu estava em um estado deplorável. Depois que a Raimon destruiu o instituto Aliea, cada um de seus membros teve um destino horrível, pelo menos, eu presumo isso, pois o meu foi. Aqui estou eu, jogado à uma cela suja, fria e escura, trajando apenas uma camisa rasgada e velha, branca, porém cheia de marcas pretas de sujeira, que me cobria até os joelhos, com os cabelos sórdidos e bagunçados, tendo uma alimentação horrível a dias e com uma corrente amarrada a meu pescoço, basicamente, uma coleira, humilhante! Principalmente para um capitão como eu.

Qual é o meu nome? Reize... Não. Reize morreu. Meu nome é Ryuuji Midorikawa e me considero são enquanto ainda me recordo, pelo menos, disso.

Faz exatamente dez dias que Hiroto foi derrotado pelos garotos da Raimon, fazendo com que a academia Aria se desfizesse, consequentemente, todos nós, os outros “alienígenas”, perdemos o nosso apoio para ficarmos foragidos.

Que culpa eu tenho do que aconteceu? Ou seguiria Kira ou pereceria. Quem iria adotar uma criança que já estivesse tão crescida? E, além disso, com o sr. Kira eu pude experimentar algo do qual saboreei muito, poder.

-Apressese. — O tom do detetive era quase tão frio quanto o chão da cela a qual eu estava lançado.

Sentado no chão, com o olhar vago e um semblante exausto, resolvi contar-lhe tudo. Eu não tinha intenções de ajudá-lo com sua investigação, mas a solidão estava me enlouquecendo. Apenas dez dias e eu já estava à beira da insanidade, conversar me ajudaria naquele momento.

-E então, vai me contar? – Seus pretenciosos bloquinho e caneta me irritavam, eu me sentia um verdadeiro bandido com ele por perto, me fazendo perguntas, mas consenti.

-V... Vou.

Minha voz estava fraca, até porque não falava nada com ninguém a dez dias, mas decidi me esforçar. Vou lhe contar toda a minha história, desde o começo, desde a minha infância.

-Você desenha muito bem, Mi-chan! – Minha mãe sempre elogiava os meus desenhos quando eu era pequeno, por mais que eles fossem rabiscos sem sentido.

-Você gostou mesmo, mamãe?

-Claro que sim, isso é lindo. Então, me explique o que está acontecendo aqui.

-Certo! – Eu sempre apontava as pessoas nos meus desenhos e explicava qual era a “história” deles para minha mãe, todos tinham nome e propósitos, apesar de não passarem de rabiscos feitos por uma criança que mal tinha aprendido a falar. – Isso é um jogo de futebol! Esse que está chutando a bola sou eu e esse de preto é um homem malvado que está jogando contra mim.

-E qual é o nome desse homem malvado?

Engraçado eu ter lembrado disso justamente em um momento desses.

-O nome dele, mamãe, o nome dele é Reize!

-E por que você está enfrentando o Reize, filho?

-Ele odeia a felicidade e quer destruir tudo, mas eu não vou deixar!

Quem diria que minha luta contra Reize seria de um jeito completamente diferente? Eu tentava rir nesse momento, mas minha risada era falha.

-E quanto a seu pai? – O investigador me interrompia. “Nunca o conheci” foi minha resposta.

Minha vida com minha mãe foi boa até os meus seis anos de idade. Foi quando eu tinha seis anos que minha mãe morreu, ou melhor, que eu a matei.

Notas finais
Gostaria de saber sua opinião, leitor.