Reis e Bruxos

3 Alexandra - Um dia longo


Notas iniciais
Eu pretendia só mostrar o lado dos bruxos nessa história, mas eu achei que iria ficar bem mais "diversificado" escrever sobre dois pontos de vistas. Bom, eu apresentei muitos personagens, mas alguns só serão fantoches na história. Esse capitulo mostra o que aconteceu com rei e eu queria mostrar um pouco da personalidade dos personagens "principais". Então chega de lenga lenga e boa leitura. ♥

Arlae é um país governado por um grande Imperador, têm oito províncias que são comandadas por reis, e uma desses reis é Fernando. Ele comanda a maior província chamada de reino do norte.

O castelo do reino do norte é rodeado por bosques e uma imensa floresta. O que separa os dois é uma grande aldeia, chamada de Cidade. As ruas da cidade são rodeadas de mercados por todos os lados, compradores e vendedores vêm e vão de toda parte, assim como muitas fofocas envolvendo o castelo e a corte, é hoje elas envolviam o rei.

― Eu preciso saber quem tentou envenenar meu pai. ― Alexandra andava de um lado para o outro nos seus aposentos. Ela tinha acabado de dispensar suas servas depois que Duque Knolys entrou.

― Porque a princesa acha que eu posso encontrar quem fez isso ao seu pai? ― perguntou o Lorde tentando parecer intrigado.

― Eu sei sobre os seus informantes que tem no reino e na cidade ― Alexandra disse de forma ríspida, odiava quando tentavam faze lá de boba. ― Você pode fazer isso pelo seu rei?

― Vou ver o que posso fazer. ― Se ele ficou incomodado pelo que ela disse não deixou transparecer e saiu pelas portas do aposento com a mesma expressão que tinha ao ter entrado no quarto.

Momentos depois Alexandra saiu do seu quarto para procurar seu meio irmão. Ela o encontrou em um dos corredores do castelo, ele estava escorado em uma das janelas, e olhava para fora do castelo de forma apática.

― Pedro? ― a voz de Alexandra chamando seu nome, fez com que ele voltasse a realidade. ― Você descobriu algo?

― Só algumas fofocas sobre algumas mulheres da corte. ― Pedro respondeu com um sorriso no rosto. Ele trajava uma camisa branca, sua bota estava suja de lama e seus cabelos castanhos ensopados de suor.

― Você foi caçar?

― Fui com alguns cavaleiros da corte do sul e o seu futuro marido. Conseguimos pegar um javali grande e algumas lebres. ― disse alegre pela conquista.

― O meu pai está numa cama e você foi caçar?

― O nosso pai com certeza ia querer que nós distraíssemos os convidados. ― Seus olhos claros olhavam para a meia-irmã procurando um agradecimento.

― Me desculpe. ― Disse e abraçou seu meio irmão. ― Obrigada.

― Princesa? ― Um homem baixo com poucos cabelos em sua cabeça a chamou. Era o curandeiro da corte e também um dos homens mais sábios que Alexandra conhecia. ― Me acompanhem até a minha sala, por favor.

Alexandra e Pedro seguiram o curandeiro pelos corredores silenciosos do castelo.A grande porta pesada por onde passaram dava á uma grande sala abarrota de frascos de remédios e livros antigos, o cheiro do lugar era uma mistura de erva doce com camomila.

Era ali que os enfermos e feridos de batalha eram tratados e curados, mas no momento que ela entrou só havia uma cama ocupada, mas não dava pra saber se era homem ou mulher pois o corpo estava cobrido com um lençol branco.

No fundo do seu coração ela tinha idéia de quem era, mas se agarrou a suas esperanças que fosse outra pessoa, até que o curandeiro retornou a falar.

― Eu fiz uma mistura das melhores ervas, mas o Rei não resistiu. ― Ele disse de forma cautelosa ― Eu sinto muito.

Para desespero de Alexandra, o curandeiro foi até a cama onde o homem estava deitado e o descobriu. Ali estava um homem com uma aparência pálida e ossuda. Havia veias roxas que percorria o seu corpo, como as raízes de uma árvore cobrem a terra, seus olhos estavam abertos e esbugalhados de uma forma grotesca.

Alexandra chegou próximo ao corpo de seu pai com algumas lágrimas transbordando pelo seu rosto, e segurou a mão pálida dele antes de sair da sala do curandeiro.

Fora Alexandra, Pedro e o curandeiro, apenas o padre viu as condições que o rei tinha ficado e quase pulou para trás quando o viu. E assim o padre concordou em adiantar o enterro o mais rápido possível e não contar a verdade sobre as causas da morte de seu pai antes de descobrir quem foi o assassino do rei.

Era de tarde, quando todos da corte estavam atrás da igreja perto dos jardins do castelo para sepultar o rei.

A corte estava vestindo suas melhores roupas escuras e todos pareciam abalados pela morte do rei, mas Alexandra tinha a nítida impressão que alguns pareciam contentes com o acontecimento e só tentavam esconder o sorriso por algum respeito.

O padre discursou durante uma hora, e depois foram deixadas diversas flores onde seu pai foi sepultado.

― Meus pêsames ― disse Heitor quando se aproximou dela. Alexandra não tinha visto ele desde a noite do baile.

― Porque você disse para eu não me encostar ao meu pai? ― perguntou ao rapaz, ela não queria parecer ríspida e nem curiosa, mas não era isso que sua voz dizia. ― O que você sabe sobre venenos?

― Eu leio bastante. ― respondeu calmamente e sorriu para ela.

Alexandra assentiu e se afastou do príncipe sem dizer uma palavra. Ela sabia que os dois teriam que se casar em breve, mas não conseguia se aproximar dele e pretendia usar o luto da morte de seu pai como desculpa.

Seus dois irmãos mais novos estavam jogando pedrinhas na água do lago e Pedro estava escorado em uma árvore observando eles.

― O que você pretende fazer? ― Pedro perguntou quando a viu.

― Eu pedi ao Duque Knolys que procurasse o responsável pela morte de nosso pai.

― Cuidado com ele. ― disse em tom de conselho ― Ele só é fiel a que lhe oferece dinheiro.

― Hoje foi um longo dia. ― disse cortando o assunto do meio-irmão.

Não era a primeira vez que Alexandra entrava no escritório de seu pai. Quando era criança ele costumava pegar alguns dos livros da estante e ler para ela e agora Alexandra sorria ao se lembrar dessas lembranças.

― Feliz em me ver? ― Disse o duque depois que entrou no escritório. ― Eu tenho notícias.

Muitas garotas do castelo consideram o Duque um homem bonito e charmoso. Ele possui um belo sorriso e olhos violeta, uma cor rara de se encontrar em qualquer lugar do reino, mas seu apetite por prostitutas é maior do que constituir uma família.

― Sabe quem o envenenou? ― Alexandra perguntou sem nenhuma cerimônia.

― Uma serva da cozinha foi vista entrando nos aposentos do rei antes do baile. ― Ele se acomodou em uma das cadeiras do escritório ― Tenho certeza que alguém andou subornando algum dos guardas.

― Se um dos seus informantes viu a moça entrando no quarto de meu pai porque você contou isso?

― Vocês falaram para todo o reino que o Rei morreu de causar naturais. ― respondeu com um sutil sorriso nos lábios ― Eu é que não ia me intrometer, princesa.

Ele só é um fiel a que lhe oferece dinheiro.

― Espero que isso faça com que você não conte nada a ninguém. ― Alexandra tirou de uma das gavetas uma bolsinha de couro, e jogou para o duque. Dentro continha dinheiro para o duque se embebedar durante anos em alguma taverna na cidade. ―

― Eu espero que possamos fazer negócios no futuro. ― Disse o duque depois que examinou o dinheiro que lhe foi dado.

― Eu espero que não ― murmurou depois que ele saiu do escritório. ― Mas eu ainda tenho coisas para descobrir.

Notas finais
O próximo capítulo vai conter muita magia. :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.