Reinos Do Coração - A Primeira Jornada

14 14. Cidade do Halloween (Halloween Town) - Parte 2


Ao saírem do laboratório, o prefeito tinha “trocado” o rosto alegre de antes para um rosto desesperado.

—Jack! Jack! Nós temos uma crise enorme! — gritou ele — Os Heartless estão completamente fora de controle! Nós não podemos pará-los!

Eu sabia. Pensou Riku em sua cabeça. Havia trabalho para eles ali afinal.

—Talvez nosso experimento os agitou… — ponderou Jack – não se preocupe prefeito, vai dar tudo certo!

Riku olhou para os dois amigos com uma expressão de “eu avisei”. Sora e Kairi ficaram sem graça.

Agora, além dos fantasmas, haviam Heartless em forma de múmia. Jack lutava bem, mas ainda não substituía a falta que Hikari fazia numa batalha. Riku não era muito bom em dar ordens como ela, não tinha o pensamento tão rápido e preferia trabalhar sozinho na linha de frente. Apesar de uma luta um tanto desordenada, conseguiram chegar sem um arranhão num cemitério fora da cidade.

Um cachorro fantasma de focinho alaranjado saiu de umas das lápides e foi em direção ao grupo.

—Zero, você viu a Sally em algum lugar? — perguntou Jack ao cachorro.

A criatura flutuou até uma das estátuas. O trio escutou um gemido feminino de onde o cachorro estava. Em seguida, uma jovem saiu das sombras, ela parecia uma boneca, com costuras pelo corpo e um vestido remendado.

—Aconteceu alguma coisa, Jack? — ela perguntou, sua voz era calma e delicada.

—Não, tudo está indo bem! Nós teremos o melhor dia das bruxas já visto! — respondeu Jack com entusiasmo – Tudo o que falta é a sua memória.

—Memória? Você está falando disso? — ela tirou algumas flores do bolso. Riku se perguntou se tudo abstrato naquele mudo tinha algum tipo de representação física. Jack recebeu as flores em suas mãos, Sally parecia estar apreensiva com o gesto – Jack, eu tenho um mau pressentimento sobre isso… Por que você não tenta outra coisa? Ainda há tempo.

Riku concordava plenamente com Sally. Apesar de ela ser apenas um experimento, ela parecia ter mais neurônios que todos eles juntos.

—Nada pode ser melhor do que eu tenho planejado! — ele voltou a olhar para Sally – Uma vez que os Heartless recebam seus corações, eles celebrarão como eu quiser. — Jack percebeu o quanto Sally estava preocupada – Confie em mim. Você vai amar!

Ao retornarem ao doutor, este informou que faltava apenas mais um ingrediente: surpresa. Supostamente, o ingrediente estaria com o prefeito. O homem foi encontrado em uma das regiões do cemitério, o grupo teve de analisar várias lápides para finalmente obter o ingrediente.

—Sim, agora é certeza que vai funcionar! — o doutor levantou o protótipo no ar.

Entretanto, ao levar o coração-teste para a maca, o doutor caiu de sua cadeira de rodas, o objeto voou no ar, sendo roubado por três crianças que estavam escondidas no laboratório. Foi tudo tão rápido, que ninguém conseguiu reagir rápido o suficiente para resgatar o coração das mãos das pestinhas. O grupo tentou segui-las até o cemitério, mas já era tarde demais, elas tinham sumido de vista. Jack bateu a mão na própria perna, chamando Zero.

—Zero, atrás deles, rápido! — ordenou o esqueleto.

Após enfrentar uma enchente de Heartless no cemitério, eles se depararam com uma paisagem incrível: uma montanha de onde era possível ver o maior luar que o grupo das Ilhas do Destino já presenciou.

—Uau… — foi o que Kairi conseguiu dizer.

—Sabe, se for pra ver coisas assim, até que não é tão ruim lutar contra os Heartless – Sora sorriu para Kairi, a qual retribuiu o sorriso – Era por esse tipo de coisa que você queria tanto ao visitar outros mundos, Riku?

Riku assentiu.

Eu sei que está lá fora, em algum lugar, a força que eu preciso.

Força para o que?

Para proteger as coisas que importam. Os meus amigos por exemplo!

Riku lembrou subitamente do que ele disse para aquele estranho que veio de outro mundo quando era criança.

Ele sorriu.

Talvez não esteja tudo perdido afinal.

—Er, Riku? — Kairi o chamou para a realidade.

—O que? — ele indagou confuso.

—Temos que ir. — ela riu – Desculpe interromper seus pensamentos.

O grupo continuou a seguir a trilha que as crianças deixaram, até encontrarem uma mansão extravagante.

—Eu sabia que o Bicho Papão estava por trás disso! — Jack disse, ele estava furioso.

Ao chegarem no topo da mansão, eles encontraram as crianças. Mas as pestinhas já haviam entregado o coração para o seu chefe. Elas tentaram lutar contra o grupo, mas eles as colocaram em seus lugares rapidamente. Após a luta, eles informaram que só estavam seguindo ordens, e que estavam profundamente arrependidos, porém todos sabiam que era só um teatro para evitarem mais confusão. Por fim, o grupofoi em buscado Bicho Papão em sua câmara.

Ao centro da sala estava uma roleta colorida, a qual era controlada pelo próprio dono da mansão, que aparentemente era só um saco de insetos.

—Papão, devolva o protótipo! — Jack exigiu.

—Você quer? — perguntou a criatura, tirando sarro – Então venha pegar! — em seguida, ele engoliu o coração e gargalhou — Agora, vamos ver se eu posso ter sua atenção! Heartless! — mesmo gritando alto, apenas dois Heartless apareceram – É isso? — ele perguntou aos monstros, com indignação na voz — Ninguém me desrespeita! Ninguém!

Os três invocaram suas keyblades, Papão jogava dados explosivos em direção a eles, enquanto a roleta girava lançando uma série de lâminas afiadas contra o grupo. Riku pediu para que Jack e Sora protegessem Kairi, enquanto a garota lançava magia contra Papão, já que ataques de curta distância não funcionariam, pois estavam presos na roleta. Riku defendia todos os dados que eram jogados em sua direção, protegendo o grupo a todo custo. Quando Papão deixou uma abertura, Jack ajudou Riku a pular na plataforma que o vilão estava, ele o acertou com tudo o que podia, até ser jogado de volta para a roleta. Observando que o procedimento funcionou, Riku pediu para que repetissem até Papão cair.

Os insetos começaram a sair do vilão até não sobrar mais nada, além do coração engolido. Porém, ao saírem da câmara, e deixarem a ponte que conectava a montanha à mansão, eles ouviram um grito grave. Ao olharem pra trás, a casa do Bicho Papão tinha se fundido com o próprio dono. Kairi alertou ao grupo que os pontos fracos eram bolhas roxas de trevas que estavam presas à estrutura. Riku pediu para que se separassem e destruíssem todas as bolhas o mais rápido possível. Era preciso escalar a construção, e desviar de bolas de fogo e dos Heartless que guardavam cada bolha.

Riku destruiu a ultima que restava, no ponto mais alto da construção. O restante do grupo já estava na base, protegendo uns aos outros. Riku percebeu que a mansão ia desmoronar, e ele estava a centenas de metros de altura do chão.

Onde foi que eu me meti agora?! — Riku pensou se agarrando a um pedaço de madeira que ainda estava intacto.

—Riku! — Kairi gritou com um certo desespero, não conseguindo achar o amigo no meio de toda a fumaça.

—Riku! — uma voz familiar veio de trás deles.

Sora e Kairi se viraram e encontram Hikari.

—Hikari?! — Sora e Kairi gritaram em uníssono, extremamente surpresos.

—O que ele estava pensando dizendo que não vai precisar do gummi?! — Hikari disse entre dentes – Não vai dar tempo do Cid chegar, eu vou ter que ir até lá!

Quando Kairi percebeu que a líder estava falando sério, imediatamente segurou a mão da garota de cabelos negros, impedindo-a de continuar.

—Você ficou maluca?! Se algo cair em você não vai sobrar nem cinzas pra contar história! — Kairi gritou, pois o barulho dos destroços tocando o chão era muito alto.

—Eu não ligo! Sem os meus guias eu não sou nada! — Hikari gritou de volta – Ele precisa da nossa ajuda, Kairi!

Kairi arregalou os olhos.

Você entende porque eu não posso falhar com ela. Preciso da sua ajuda.

Eu estarei lá quando você precisar de mim, Riku.

Kairi voltou a olhar para os destroços, e depois retornou a encarar a líder que não aparentava medo. Ela não podia perder dois amigos no mesmo dia, então assentiu com a cabeça.

—Ei, esperem! — Sora gritou também – Eu vou com vocês!

—Não, Sora, se algo der errado, só você pode tomar conta das coisas! — Hikari disse com uma expressão séria – Por favor, fique aqui.

Sora engoliu em seco, observou sua amiga de infância e abaixou o rosto.

—Voltem. — ele pediu.

As duas assentiram e foram correndo em direção a mansão, agora em pedaços. Kairi mantinha um escudo acima das duas enquanto Hikari abria caminho com sua keyblade. Elas escalaram o que podiam, gritavam pelo nome do colega de equipe até seus pulmões cansarem. Mas nada se ouvia, além dos sons das ruínas.

—Hikari – Kairi estava ofegante – não sei se vou aguentar mais…

Hikari, pela primeira vez em toda sua jornada, não sabia o que fazer. Kairi não tinha mais condições de seguir em frente. Riku estava em algum lugar por ali, pode ser que ele tenha desmaiado com toda a fumaça, ou até mesmo com uma possível queda, no entanto, ela sentia no seu coração que ele estava ali por perto. Ainda sim, ela não podia abrir mão da sua amiga por outro amigo.

—Sobe nas minhas costas! — Hikari ordenou.

—O quê?! — Kairi não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

—Se eu te carregar, você consegue manter seu escudo, e eu posso te proteger ao mesmo tempo! — Hikari explicou, mesmo sabendo das consequências que aquela decisão poderia trazer.

—Hikari, você não pode me proteger, lutar e procurar o Riku ao mesmo tempo! Seu corpo ainda está afetado pelo que aconteceu em Atlantica! — Kairi implorou com os olhos, porque seu corpo não estava mais recebendo suas ordens.

—Kairi, por favor, não há tempo para discutirmos…

Kairi abaixou a cabeça desistindo, ela apoiou nas pernas de Hikari para subir nas costas da líder, e envolveu suas pernas na cintura da amiga. Ela não sabia se Hikari era muito corajosa, ou simplesmente maluca.

Hikari usou toda a força que restava no seu corpo pra continuar, Kairi tinha razão, ela não estava em forma para algo desse tipo, mas ela não podia desistir.

—RIKU! — a líder gritou uma última vez.

—Hi...kari...? — uma voz surgiu entre os escombros de um dos andares que ainda estava de pé.

Ela correu até onde a voz estava. Um garoto de cabelos prateados, vestido de lobisomem, estava deitado sobre as cinzas. Hikari nunca sentiu tanto alívio na sua vida.

—Rápido! Precisamos tirá-lo daqui! — Kairi saltou das costas de Hikari, mesmo mancando, ela ajudou a líder a carregar Riku.

—O que... vocês estão fazendo... aqui? — Riku estava de olhos fechados, muito machucado, e sua voz estava rouca – Vocês… são loucas?

—Não me faça perder o pouco do fôlego que me resta pra responder suas perguntas idiotas! — Hikari rebateu, com um meio sorriso no rosto.

—Depressa! — Kairi gritou.

Sora andava de um lado para o outro, nervoso. Sorte que Jack não estava ali para ele ter que explicar toda essa loucura. O esqueleto fora buscar ajuda antes de Hikari chegar.

Para a saúde do coração do garoto de cabelos castanhos, seus amigos finalmente reapareceram da fumaça. Ele correu para ajudá-los.

—Minha nossa, vocês querem me matar! — Sora gritou bravo com os três, como se fosse um pai dando sermão aos filhos.

Para a surpresa dele, os três riram.

—Você realmente achou que nós iríamos deixar a missão pra você, Sora? — Riku riu baixo, ele ainda estava fraco.

As garotas riram em resposta. Sora não pôde se conter e riu junto.

—Bom, pelo menos esse mundo nós podemos deixar pra você — Hikari sorriu para o garoto de cabelos espetados – vamos pro gummi, Riku e Kairi precisam descansar. E eu não estou disfarçada para ficar.

Sora concordou e ajudou Hikari a colocar os amigos na nave. Para a sorte do grupo, Jack retornou logo o gummi desaparecer de vista.

—Onde eles estão? Se machucaram? — o esqueleto perguntou preocupado.

—Sim, foram descansar, mas eu posso terminar as coisas por aqui sozinho – Sora sorriu confiante.

—O que você quer dizer?

Sora apontou para a enorme fechadura azul desenhada no chão,a qual tomou o lugar onde estava a base da mansão. O garoto não pensou duas vezes antes de trancar aquele mundo. Após esse seguimento, ele retornou com Jack para o laboratório, onde Sally aguardava preocupada. Ambos combinaram de fazer o melhor dia das bruxas juntos. A reunião aqueceu o coração de Sora, que prometeu voltar assim que o evento fosse anunciado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.