Reinos Do Coração - A Primeira Jornada
12 12. Atlantica
Notas iniciais
Riku, mesmo sendo um adolescente, nunca teve problemas com hormônios antes. Mas para tudo tem uma primeira vez.
O novo mundo era em baixo da água, e, para que o grupo pudesse respirar e lutar normalmente, Tico e Teco tiveram de usar um tipo de magia que aprenderam com o conselheiro do rei. O feitiço envolvia transformá-los em seres semelhantes aos habitantes dali. Todos ganharam uma cauda de peixe, no entanto, metade do seu corpo ainda era humano. Sora tinha uma cauda semelhante à de um golfinho, incluindo a nadadeira dorsal, já Riku tinha uma cauda branca com as nadadeiras azuladas, ambos os garotos tinham o peito exposto.
Kairi se aproximou dos dois, ela tinha uma cauda rosa escuro e nadadeiras brancas, e vestia um top feito de conchas.
Riku estava se perguntando onde Hikari poderia estar.
–Uau – Sora estava boquiaberto.
–Hikari, você está linda! – disse Kairi, olhando na direção oposta de Riku.
O garoto de cabelos prateados se virou. E, mesmo não querendo, concordou plenamente com Kairi.
Hikari tinha uma cauda preta, com nadadeiras brancas e um pano da mesma cor cobrindo seus seios. Seus cabelos haviam crescido até os quadris, a franja estava presa por uma espécie de flor branca. Riku sentiu seu rosto ficar quente por algum motivo, ele não conseguia parar de olhar pra ela, sabia que Hikari tinha crescido, mas não tanto.
O que diabos eu estou pensando? – ele mexeu a cabeça rapidamente para organizar seus pensamentos.
–Parem com isso, não é pra tanto – Hikari se aproximou deles – Riku? Você está bem? Seu rosto está vermelho.
–N-Não é na-nada – ele gaguejou, coçando a nuca de forma acanhada.
–Alguém está vindo – Kairi avisou.
Quem estava vindo em direção ao grupo era uma sereia ruiva de cauda esverdeada, um peixe amarelo de listras azuis e um caranguejo.
–Vamos logo, Sebastião! – a sereia pediu fitando o caranguejo.
(Nota da autora: é muito estranho, depois de jogar o jogo tantas vezes, e também assistir ao filme somente em inglês, chamar o caranguejo de Sebastião, pra mim Sebastian soa melhor, mas enfim...).
–Ariel, espere! Mais devagar! Não me deixe para trás! – implorou o crustáceo. Animais falantes já faziam parte da rotina do grupo.
O caranguejo chamado Sebastião deu de cara com Riku e assustou-se, em seguida correu para se esconder atrás de Ariel.
–Relaxa, Sebastião. – a sereia disse num tom risonho – Eles não se parecem com um deles. Certo, Linguado? – ela se dirigiu ao peixe listrado.
–Eu não sei. Tem algo de estranho neles – respondeu o peixe.
–O que você quer dizer? – Sora perguntou.
–Uhm – Ariel perguntou enquanto nadava ao redor dos quatro – Eles parecem ser... Um pouco diferentes. De onde vocês são?
–Pode-se dizer que somos de águas distantes dessa – Hikari achou melhor não falar sobre a história toda, ela não queria envolver mais pessoas nisso.
–Ah, eu entendo. – a sereia sorriu – Nesse caso...
Ariel foi interrompida pelo surgimento de um montante de heartless. Até em baixo da água aquelas pestes estavam. Haviam vários em formas diferentes, entre eles uma água-viva e um peixe enorme que carregava um trio de heartless esverdeados. Hikari pediu para Ariel, Sebastião e Linguado se esconderem em algum lugar seguro. Riku percebeu algo esquisito no comportamento de Hikari, ela estava utilizando apenas magia para atacar e ficava apenas na retaguarda da formação, sendo que ela geralmente participava da linha de frente.
Ao terminarem com a onda de heartless, Ariel voltou a se aproximar da equipe.
–Aquelas criaturas nos seguiram até aqui – ela concluiu.
–Essa não! – o caranguejo gritou com desespero – Eles devem ter ido para o palácio também!
–É melhor voltarmos agora mesmo! – Ariel decidiu.
–Mas e se nós nos encontrarmos com mais deles no caminho?! – perguntou Linguado amedrontado.
–Me desculpem, mas precisamos de sua ajuda. Vocês podem nos acompanhar até o palácio? – Ariel pediu a Hikari.
–Claro, sem problema – a líder sorriu.
–Obrigada.
Se aquele mundo tinha um palácio, e por aquele caranguejo falar tanto sobre um tal de Rei Tritão, Riku estava certo de que aquela sereia tinha algum status superior. Mas o que ela fazia andando por aí sem qualquer tipo de segurança?
Ariel também sabia de alguns golpes para se defender, então para ter aprendido isso ela deve ter passado por um tipo de treino antes. No entanto, pessoas da realeza deviam ter seus próprios soldados para lutar por eles, a não ser que Ariel estivesse sozinha o tempo todo.
O garoto de cabelos prateados sabia que seus amigos confiavam facilmente em estranhos, mas ele tentava aprender tudo sobre os desconhecidos para evitar um possível conflito. Entretanto, Ariel parecia ser de confiança.
Ele voltou sua atenção à líder do grupo. Hikari continuava evitando contato direto com os heartless durante a viagem até o palácio. Será que ela estava com dificuldades em lidar com o novo ambiente e não queria pedir ajuda? Não, ela não era orgulhosa a esse ponto. Hikari adorava conversar com Sora e Kairi entre batalhas, agora ela estava completamente em silêncio.
Riku se lembrou de um episódio na ilha: ele havia chamado Hikari para nadar na praia com as outras crianças, mas ao ver a água, a garota deixou o lugar chorando e nunca quis falar sobre o assunto depois. Talvez ela tivesse medo do mar, essa seria a explicação mais plausível, ainda sim, Riku sentia que não era a resposta correta.
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Mal chegaram ao palácio e foram recebidos por uma bronca do pai de Ariel.
–Ariel! Quando você vai escutar? É perigoso lá fora! – gritou o homem de longos cabelos grisalhos e barba branca. Sua cauda era azul. E havia um coroa sobre sua cabeça, o tridente dourado que carregava nas mãos também podia ser usado como arma – Criaturas estranhas rondam nossos mares.
Sebastião limpou a garganta.
–Vocês nadam diante do governante dos mares: sua majestade, Rei Tritão! – apresentou o caranguejo, mesmo Riku já sabendo quem ele era desde o inicio.
–E quem são eles? – perguntou o rei com desconfiança.
–Eles nos ajudaram a lutar contra aquelas criaturas. – informou Ariel tentando amenizar o clima.
Riku tinha impressão de que o rei sabia de algo sobre seu grupo, mas permaneceu calado.
–Eles não me são familiares – o rei arqueou uma das sobrancelhas. Estava claro de que eles não eram bem vindos ali.
–Somos de outro oceano – Hikari repetiu a mentira.
–É, nós viemos em busca da Fechadura – Sora contou, Riku o encarou, aquilo não ia terminar bem.
–O que é isso? – questionou Ariel.
Riku tentou impedir Sora de dizer outra coisa, mas era tarde demais.
–Bom, é uma...
–Certamente não existe nada disso aqui – interrompeu o rei às pressas.
Aquela reação comprovou que o rei sabia mais do que devia, bastava saber o que era.
–Mas papai... – Ariel insistiu.
–Nada de “mas”, Ariel! – Tritão gritou – Você não deixará o palácio! Eu fui claro?!
Ariel se retirou insatisfeita, os quatro não tiveram outra opção a não ser fazer o mesmo. A princesa pediu para que eles a seguissem para sua gruta, pois ela gostaria de lhes mostrar algo.
Hikari decidiu obedecer ao pedido de Ariel novamente, pois não tinham nenhuma pista da Fechadura e eles não poderiam deixá-la sozinha com todos aqueles heartless sedentos por um coração nadando por ali. Riku concordou.
A gruta de Ariel era um lugar que ela escondia de seu pai sua coleção de objetos encontrados no fundo do mar. Todos pareciam ser coisas insignificantes para seres humanos, chegava a ser engraçado para Riku como Ariel os tratava como um tesouro.
–Algum dia eu vou ver o que há fora daqui – a sereia os contou – eu quero ver outros mundos, vocês acham isso estranho?
Riku sorriu. Então Ariel tinha o mesmo desejo que ele ansiava desde pequeno. Pena que, naquelas circunstâncias, ele não aproveitava cada mundo da melhor maneira possível, como era seu plano no começo. Todos eram tão únicos, repletos de características individuais ricas.
–Não se preocupe, mesmo que tenha algo te prendendo agora, logo você será livre para realizar seus próprios sonhos – ele disse a Ariel.
–Você acha mesmo? – os olhos da sereia se iluminaram.
–Sim, mas o que eu aprendi é que, não importa pra onde você vai e sim quem está com você. – Riku sentiu os olhos de seus amigos em suas costas – Talvez você deva pensar se é isso mesmo que você quer, porque quando você for, estará deixando várias coisas que ama para trás.
Ariel olhou para uma caixinha de música que havia coletado.
–Eu nunca parei para pensar nisso, obrigada pelo conselho – ela agradeceu – Ei, por que não procuramos por aquela Fechadura de que vocês estavam falando?
–Mas seu pai disse que... – Kairi estava prestes a lembrar da discussão anterior quando Ariel a interrompeu.
–Ah ele me trata como uma criança, ele nunca me deixa fazer nada. – Ariel murmurou emburrada – Ele apenas não entende...
–Você acabou de descrever alguém que eu conheço – Hikari ironizou, Riku sabia que ela estava se referindo a ele – enfim, iríamos procurar de qualquer forma, mas tente ficar fora do alcance dos heartless, Ariel. Eles são realmente perigosos.
–Claro.
Sora e Kairi haviam seguido Ariel para fora da gruta. Quando Hikari se inclinou para nadar em direção à saída, Riku avistou uma cicatriz nas costas da garota, ocupava um grande espaço da região, ele supôs que fosse um arranhão de algum animal.
–A água deve te machucar – Riku disse em voz alta. Hikari ouviu e entrou em choque.
–Como você...
–Você detestava nadar – ele lembrou – além do mais, você nunca teve dificuldade para se movimentar numa luta. Sempre foi a mais ágil desde pequena. Isso também explica o porquê do seu cabelo estar comprido, os heartless saberiam do seu ponto fraco.
–Você é bem observador, não? – ela não estava olhando em seus olhos.
–Por que não nos contou? – Riku quis saber.
–Se eu contasse, vocês me deixariam vir?
Riku não tinha como argumentar contra isso.
–Tudo bem, já que você me considera um “pai superprotetor” eu não vou dizer nada – seu rosto estava a centímetros do dela, ele queria ter certeza de que ela estava ouvindo – mas saiba que no primeiro sinal de que você não estiver bem eu vou levar você de volta pro gummi pelos cabelos.
–Sim, senhor – ela assentiu.
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Não eram só os heartless que ameaçavam aquele oceano, os próprios peixes não gostavam da equipe. Ao chegarem perto de um navio naufragado, foram atacados por um tubarão, pelo animal ser rápido e pela líder não poder se movimentar normalmente, Riku manteve os olhos em Hikari o tempo todo. Ele tinha noção de que estava exagerando, porém ele simplesmente não suportava a ideia de ela se machucar.
Por que Hikari o afetava tanto?
Desde que a encontrou em Agrabah, ela não saía de sua cabeça. Não havia um segundo que não se encontrava pensando nela. Não podia ser simplesmente uma amizade de longa data, pois ele não pensava do mesmo modo em relação à Kairi.
Ele admirava o jeito com que Hikari lidava com os próprios problemas, o modo como ela batia de frente com as fraquezas dela e a coragem de enfrentar toda aquela missão sem saber o que havia pela frente. Mesmo que ela fosse extremamente teimosa, descuidada, desastrada e bem irritante às vezes... Hikari tinha muitas qualidades.
O garoto de cabelos prateados sempre se sentia agitado ao redor dela, seu corpo reagia de um modo estranho toda vez que ela o olhava nos olhos. Ele não queria ficar longe dela de novo, aqueles anos já foram difíceis sem ela.
Mas que coisa! O que está havendo comigo?! – ele gritou em sua cabeça, se sentia extremamente confuso.
–Riku? – Sora o chamou de volta para a realidade.
–O que foi Sora? – ele não quis soar tão irritado, mas não pôde evitar.
–Você não ouviu? As meninas pediram pra que a gente vigiasse os heartless enquanto elas procuram dentro do navio. – Sora o informou com receio – O que está acontecendo com você? Você nunca ficou tão pensativo antes.
–Eu também queria saber – Riku respondeu cruzando os braços.
–É por causa da Hikari, não é? – Sora indagou com um sorriso no rosto.
–Eu não ligo pra ela – Riku desviou o olhar – aquela baixinha só me dá dor de cabeça.
–Eu sei de que tipo de dor de cabeça você está falando – Sora provocou.
–O que você está insinuando? – Riku cerrou os dentes.
–Ah qual é, Riku! Eu e Kairi já percebemos!
–Perceberam o que?
–Você está apaixonado pela Hikari! – Sora tentou não dizer aquilo para o oceano inteiro ouvir.
Riku ficou mudo.
–Eu não sei do que você está falando – ele disse por fim.
–Que seja – Sora desistiu de convencer o amigo – Hikari não é uma garota que você encontra em qualquer mundo. Se você não tomar rápido uma decisão, vai acabar perdendo sua chance – ele ficou de costas para Riku – enfim, vou dar uma olhada por ali, qualquer coisa é só gritar.
Sem chance. Eu não posso estar apaixonado. – ele tentou se convencer.
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Ariel encontrou um cristal em forma de tridente que servia perfeitamente para o encaixe que estava pendurado em sua gruta. O grupo retornou ao ponto de partida.
Logo após Ariel colocar o cristal em seu devido lugar, Riku ouviu a pedra que mantinha a gruta fechada ser retirada. Era Tritão, o rei estava acompanhado de Sebastião.
–Ariel, você me desobedeceu novamente! – Tritão estava furioso – Eu te disse para não deixar o palácio!
Tritão não pensou duas vezes em destruir o tridente de cristal, mesmo após as tentativas de protesto da filha. O objeto se partiu em vários pedaços. Riku agora tinha certeza. Aquilo devia estar relacionado com a Fechadura de Atlantica. Mas por que o rei estava se esforçando tanto em impedir o grupo de realizar seu trabalho?
–Como você pôde... – Ariel disse sem acreditar nas atitudes do pai. Ela abandonou a gruta sem olhar para trás.
–Senhorita, — ele se virou para Hikari – vocês não são de outro oceano. Vocês vêm de outro mundo, não é?
Hikari estava claramente surpresa. Ninguém que eles encontraram até aquele momento sabia de outros mundos além dos habitantes da Cidade da Travessia. As suspeitas de Riku estavam corretas afinal.
–Então vocês devem ser os portadores da keyblade. – o rei continuou.
–Como você sabe? – Hikari perguntou estupefata.
–Você pode enganar Ariel, mas não a mim. Você nem sabe nadar direito! – então não fora apenas Riku que percebera a dificuldade de Hikari se movimentar na água – Como portadora da keyblade você deveria saber que não deve interferir na ordem de qualquer mundo.
–Não estávamos tentando causar problemas, queríamos apenas trancar esse mundo e ir embora! – Kairi tentou explicar, mas o rei não quis escutá-la.
–Ainda sim, vocês violaram esse principio, e eu aposto que não foi à primeira vez! Vocês rompem com a paz e trazem a ruína! – ele apontou o tridente dourado para Hikari.
Riku se colocou na frente da líder, invocando a Devoradora de Almas.
–Nós estávamos tentando salvar esse mundo dos heartless – ele afirmou semicerrando os olhos – não temos culpa se você não sabe como controlar sua filha.
–Já chega! – Tritão afastou o tridente – Não há lugar no meu oceano para vocês e suas chaves – o rei também se retirou da gruta sem dizer mais nenhuma palavra.
–Riku, eu acho que você pegou um pouco pesado – Kairi opinou – afinal, Ariel só foi conosco porque a contamos sobre a Fechadura.
–Ariel já queria sair daqui faz tempo daqui, Kairi. Além do mais, o pai dela parece que não da mínima pro que ela acha – Riku retrucou. Aquela história já estava lhe dando nos nervos.
–Ele só está preocupado com ela – Kairi argumentou.
–Enfim, o que vamos fazer agora? – Sora perguntou, era melhor mudar de assunto antes que a discussão tomasse um rumo ruim.
Todos olharam para a líder, a qual estava levemente abatida.
–Primeiro, vamos procurar por Ariel. Não podemos deixá-la livre com essas pestes a solta – Hikari ordenou.
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Ariel estava chorando sobre uma pedra, quando duas moreias começaram a nadar sobre sua cabeça.
–Ora, ora, a pobre criança sofre com tanta tristeza... – falou uma delas.
–Que pena. Se pudéssemos fazer algo para ajudá-la... – completou a outra.
–Espere, talvez ela possa servir de alguma ajuda. – lembrou a primeira.
–Sim, talvez ela possa ser de alguma ajuda para você – concordou a segunda em uníssono.
Ariel se levantou o rosto.
–De quem vocês estão falando? – ela quis saber.
–Ah, ela com certeza irá te ajudar, ela fará todos os seus sonhos se tornarem realidade – as moreias disseram enrolando-se uma na outra e explodindo em fumaça negra – Ursula pode ajudar...
–Você me chamou, minha querida?
Quem falava era uma mulher de pele roxa, tentáculos negros, cabelos brancos e de maquiagem exagerada. No pescoço ela carregava um colar com um pingente em forma de concha de caracol.
–Você é a tal de Ursula? – perguntou Ariel assustada com a nova figura – Eu estava me perguntando se...
–Está tudo bem. Eu vivo para ajudar aos outros. Deixe-me adivinhar, você deseja visitar outros mundos – pela expressão no rosto de Ariel, Ursula sabia que tinha acertado – isso não deve ser muito difícil. Afinal, seus novos amigos vieram de outro mundo.
–O que? – Ariel espantou-se.
–Mas eles tiveram uma ajuda especial, aquela chave misteriosa. – Ursula lembrou a Ariel da arma que o grupo de Hikari carregava. A sereia ficou decepcionada, pois ela não possuía uma keyblade – Ora, anime-se, docinho – Ursula disse com um sorriso de orelha a orelha – você tem algo de especial também. Escute com cuidado. – pediu a mulher desconhecida com um sussurro.
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Hikari e seus amigos procuraram a sereia ruiva por toda parte, não havia nenhum sinal dela.
–Ela deve ter voltado para o palácio – supôs Kairi.
–Não... algo não está certo – Hikari disse cautelosamente, Riku concordava com ela – vamos para a sala do trono, eu tenho um mau pressentimento.
A equipe estava a metros de distância do destino quando escutaram o lamento de Ariel:
–Ursula, não! Eu não queria isso!
–Por que não? Você não estava cansada de seguir as ordens do seu papai? – Ursula respondeu com sarcasmo – Ah sim, nós tínhamos um acordo, não? Hora de uma viagem para um mundo de escuridão!
–Não encontramos a Fechadura – contou uma das moreias à sua dona.
–A Fechadura não está aqui – repetiu a outra em uníssono.
–O que?! – Ursula se deu conta de que o grupo de Hikari estava por perto – Parece que temos companhia. Temo que estejam um pouco atrasados para a festinha. – ninguém pôde impedir a escapada da bruxa.
–Papai! – Ariel exclamou com preocupação.
Tritão estava ferido sobre o trono.
–O tridente... – o rei estava com dificuldade para respirar – nós precisamos resgatá-lo.
Riku já sabia o que Hikari iria dizer.
–Vamos lá!
Ariel impediu Hikari de nadar em direção à saída.
–Espere, eu vou com você! Meu pai está assim por minha culpa! Eu tenho que parar Ursula!
Hikari concordou com a cabeça.
–Eu também vou, Ariel! – informou Sebastião.
Riku revirou os olhos. Agora eles teriam que proteger uma sereia e um caranguejo.
–O poder de Ursula vem de seu caldeirão, para derrotá-la vocês devem acertá-lo com magia – orientou Tritão, ainda muito fraco.
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Ao entrarem no esconderijo da bruxa, as moreias já estavam preparadas para atacarem. Hikari ordenou que Riku e Ariel distraíssem os três para que ela, Sora e Kairi lançassem magia no caldeirão, como aconselhou Tritão. Uma das poções de Ursula reagiu com os feitiços dos portadores da keyblade e explodiu, deixando a vilã desacordada. O grupo aproveitou essa chance para finalizar com aqueles parceiros irritantes, os quais pareciam ser chamados de Flotsam e Jetsam.
(Nota: eu não sei como Flotsam e Jetsam são chamados na versão brasileira do filme).
Quando Ursula voltou a si e viu o que fizeram com suas moreias, encarou Hikari de uma forma ameaçadora.
–Você vai pagar por isso! – e desapareceu em seguida.
–Vamos atrás dela! – Hikari disse sem temer aquelas ultimas palavras.
Todos tiveram que lutar contra a corrente para chegar novamente até Ursula, ela estava em uma caverna oca e escura. Com o tridente de Tritão na mão, Riku podia ver que o coração da bruxa estava completamente dominado pelas trevas.
–Seus tolos patéticos! Eu comando os mares agora! – ela levantou a arma no ar, de repente começou a aumentar de tamanho até estar com 8 metros de altura – O mar e todos os seus componentes se curvam diante do meu poder!
A líder iria dar suas ordens, no entanto foi interrompida por um raio, que atingiu em cheio sua cicatriz. O grito agoniado de dor de Hikari cortou o oceano. Riku podia jurar que seu coração parou naquele momento. O corpo de sua amiga de infância estava inconsciente e tinha voltado a sua forma humana, e então caiu dentro da fumaça negra que surgia do chão.
–Não! – Riku pegou impulso e nadou o mais rápido que pôde. Se Hikari continuasse ali, naquela forma, iria se afogar. Um jato elétrico bloqueou seu caminho.
Ursula gargalhou alto. Riku não conseguiu conter o ódio que estava sentindo.
Isso mesmo... Deixe com que as trevas sejam sua força...
–Dark Aura! – o garoto de cabelos prateados gritou, retornando a sua forma humana. Seus olhos tinham uma cor amarelada. Seu corpo emitia luz negra. Ele desfiria golpes em Ursula de todos os lados, terminando com um vindo de cima. A bruxa não resistiu.
–Então é por isso que ela te escolheu... – foi o que a bruxa disse antes de desaparecer em fumaça pela ultima vez.
A visão de Riku escureceu. Ele estava afundando... Sumindo dentro das trevas. Seu coração tambem estava sendo consumido?
–Riku! – era a voz de Kairi, um brilho apareceu diante de seus olhos e iluminou seu caminho, trazendo-o de volta a realidade. – Você está bem?
Kairi estava ao lado de Sora, ambos encaravam Riku preocupados.
–Hikari? Onde está Hikari? – foi o que ele conseguiu dizer.
–Ariel a levou para o palácio junto com tridente. – Kairi contou – Mas o que foi aquilo? Nunca te vi tão furioso antes, você matou Ursula praticamente sozinho.
–Isso não importa agora, vamos voltar – Riku desviou o olhar. Ele ainda não estava pronto para conversar com ninguém sobre aquilo.
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(Tema de Riku e Hikari: https://www.youtube.com/watch?v=CamuWFGf_pQ )
Tritão pediu desculpas e agradeceu aos três por terem salvado seu mundo. Riku perguntou de Hikari. O rei levantou o tridente, a líder apareceu em frente do trono, estava envolta por uma bolha, para que pudesse respirar.
–O que houve? Ela vai ficar bem? – Kairi perguntou tão preocupada quanto Riku.
–A barreira em seu coração se rompeu – esclareceu Tritão.
–Barreira? – Sora indagou sem entender. Riku e Kairi também não sabiam do que o rei estava falando.
–Ela não contou a vocês? No passado, essa jovem foi atacada pelas trevas. Alguém implantou uma barreira em seu corpo para impedir seu coração de ser destruído. Pelo o que parece, ela costuma lutar bastante, isso deve ter desgastado a barreira o suficiente para que Ursula a quebrasse. – Tritão apontou o tridente em direção à cicatriz que Hikari escondia.
–Isso quer dizer que o coração dela foi... – Kairi não conseguiu finalizar a frase.
–Não – ele negou com a cabeça – eu consegui a restaurar a tempo, mas se isso acontecer novamente sua amiga pode não sobreviver. Vocês devem mantê-la fora do alcance das trevas o máximo possível.
Riku engoliu em seco.
–Bom, então é melhor encontrarmos logo a Fechadura! – Sora lembrou.
–Ah sim, aquele cristal que vocês encontraram, ele tinha o poder de revelar a Fechadura desse mundo. A Fechadura é perigosa, eu queria proteger Ariel dela — Tritão se justificou – vocês devem selá-la imediatamente. Meu tridente deve ser capaz de revelá-la.
–Claro – Kairi assentiu – Riku, você pode levar Hikari de volta para o gummi? Nós vamos terminar as coisas por aqui.
–Tudo bem – Riku não tirava os olhos da amiga de infância.
Riku a colocou nos braços. O corpo dela estava gelado. Ele podia sentir. As trevas estavam tentando de todo modo quebrar a barreira. Como ele pôde deixar aquilo acontecer? Ele prometeu a si mesmo de que ela sempre estaria a salvo enquanto ele estivesse por perto.
Mas no fundo ele sabia que não foram os heartless que enfraqueceram a barreira no coração de Hikari...
Foi ele.
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