Notas iniciais
Eu estou de volta, e vou parar de dar spoilers do capitulo na introdução. Eu não pretendo mexer nos capítulos anteriores porque me traz boas memórias. Vou ter que dividir Agrabah em 3 partes, porque o que planejei ficou meio grande. Boa leitura.

Hikari nunca segurou vela na vida, mas agora entendia a sensação. Sora e Kairi pareciam um casal de recém-casados contentes com o próprio relacionamento. Ela desviou o olhar para a janela do gummi ship, nunca imaginou que viajaria no espaço para salvar o mundo, ou melhor, os mundos. O universo era realmente imenso, e ela era apenas um pequeno ponto na escuridão.

Ao pousarem no tal deserto anunciado já foram recebidos por uma onda calorosa de heartless. Dessa vez havia um tipo de soldado com um turbante branco na cabeça e um facão. Entretanto seus ataques não apresentavam nada de diferente do que o time estava acostumado. Na rua principal descobriram que havia heartless que possuíam a estrutura de vasos, formando uma espécie de aranha.

–Essa cidade é enorme! – exclamou Kairi – Pena que a maioria das entradas estão fechadas, não podemos explorar quase nada.

–E não têm ninguém aqui – Sora observou ao olhar para as bancas repletas de comida a venda – isso não era pra ser um local de comércio?

–Devem ser os heartless impedindo o fluxo normal da cidade – afirmou a líder. Ela caminhou para esquerda e encontrou uma escada – Vamos por aqui, deve dar pra algum lugar.

Os três adentraram uma casa que tinha vista para o palácio. As janelas estavam bloqueadas por pedaços de madeira e havia um tapete em bom estado no chão, Hikari o tocou com a keyblade e de repente aquilo saiu voando como se fosse algo normal.

–Eu já devia estar acostumada com isso – ela admitiu.

–Hikari, eu encontrei algo! – Sora chamou a atenção dela para uma fechadura na parede. Era uma fechadura normal, não poderia ser uma para trancar os mundos. Ao encaixar uma das armas ali, ouviram o som de um portão se abrindo.

–Acho melhor nos separarmos – Hikari sugeriu – se alguém encontrar algo atirem uma bola de fogo no céu com a keyblade.

–Tudo bem – Kairi assentiu.

–Mas se algo de ruim acontecer, corram para a entrada e se escondam – ela ordenou.

Os amigos partiram em direções opostas, keyblades em mão. Hikari tinha que admitir que estava preocupada em deixá-los sozinhos, porém a viagem seria mais rápida se todos os lugares fossem acessíveis. Agora a líder voltara a ficar sozinha. Como no começo de tudo isso.

Entrou num beco cheio de caixotes empilhados. Estava tudo muito silencioso quando escutou uma doce voz feminina:

–Quem está ai? Olá?

De trás dos caixotes surgiu uma moça de pele escura e olhos castanhos escuros. Seu cabelo grosso, negro estava amarrado numa fita azul em um rabo de cavalo baixo, acompanhado por uma tiara com uma safira na cabeça. Ela vestia calças compridas azuis e um top da mesma cor que deixava sua barriga e seus braços nus. Ela também ostenta brincos, um colar e sapatos, todos de ouro.

–Meu nome é Jasmim. Eu sou a princesa de Agrabah – ela se apresentou aproximando-se de Hikari – bom, isso era antes do meu pai ser deposto por Jafar, que agora controla a cidade.

–Muito prazer alteza, meu nome é Hikari – Hikari se curvou numa forma de respeito.

–Não precisa ser tão formal – ela colocou a mão sobre os lábios escondendo o riso.

–Okay – Hikari coçou a nuca – Então Jasmim, quem é esse Jafar?

–Nunca ouviu sobre ele? – Jasmim parecia surpresa – É o conselheiro real. Ele obteve poderes do mau e tomou Agrabah para si. Ele está procurando desesperadamente por uma coisa chamada... Fechadura – a princesa tentava se lembrar do que tinha ouvido.

–Fechadura?! – então esse Jafar deve ser um dos parceiros de Malévola. Por isso que a cidade estava infestada de heartless.

–Algum problema? – Jasmim perguntou.

–Não é nada. Pode continuar.

–Jafar tentou me sequestrar, mas um jovem me salvou.

–Jovem? – Hikari questionou, imaginando a possibilidade de ser Sora.

–Nós estávamos nos escondendo aqui por perto, mas ele foi embora para cuidar de uns problemas... – definitivamente não era o Sora – Eu espero que Aladdin esteja bem...

–Aladdin? – interrompeu uma voz masculina acima delas – Onde eu posso encontrar esse rato de rua?

Um homem estava sobre uma das plataformas do beco. Hikari supôs que ele seria o tal de Jafar. Ele era um homem alto, magro, ossudo, vestido com roupas extravagantes. Carregava um cetro de ouro em forma de cobra com olhos de rubi. Só de olhar para ele, a líder sentia as trevas que ameaçavam aquele mundo.

–Jasmim, permita-me encontrar uma companhia mais adequada, minha queria princesa – ele colocou os olhos em Hikari, ela fez o mesmo gesto — Essa ratinha não vai lhe ser útil

–Jasmim, meu amigos estão na cidade, procure por eles! – Hikari então invocou a keyblade – Eu cuido do quarentão aqui.

Jasmim hesitou, mas fugiu do beco em seguida.

–Ah, a garota da chave – Jafar bateu o cetro no chão e um grupo de heartless a cercou. O vilão desapareceu de vista. Deixando a líder sozinha para lutar.

Hikari não sabia o que fazer. Por mais que derrotasse os inimigos eles não paravam de surgir de portais das trevas. Sua magia estava esgotando e sua resistência física também. Ela não pensou que fosse tão fraca sem seus amigos. Se ela os chamasse poderia por suas vidas em perigo também.

–Droga! – ela gritou, atacando um soldado de turbante no meio do caminho.

De repente, escutou um grito e um vulto passou sobre seus olhos. Algo empurrou Hikari no chão, fazendo-a cair sobre a areia. Todos os heartless foram derrotados, seus corações voaram em direção ao céu limpo de Agrabah.

–O que...?

Um adolescente de cabelos prateados apareceu no meio do beco, ele segurava uma espada em forma de asa, de cor vermelha e azul, com um olho esverdeado preso ao centro. Ainda em posição de batalha, checou se mais heartless iriam surgir. Nada apareceu. Ele se virou para Hikari, agora a líder podia vê-lo claramente. Ele vestia uma blusa amarela e preta com tiras pretas cruzando o peito e parte superior das costas. Ele usava um par de luvas pretas, calça azul escuro com suspensórios brancos e com pequenas tiras pretas em seus tornozelos. Em seu quadril, havia um cinto preto com uma fivela retangular de prata. Calçava sapatos brancos e azuis. Hikari não podia se enganar, aqueles olhos verde-água, era seu último guia.

–Riku... – Hikari deixou escapar.

–Hikari?! – ele perguntou estupefato, sua voz era bem grave em comparação a de Sora.

–Hein?Você sabe quem eu sou? – a líder se levantou, limpando a areia grudada em suas roupas.

–Você não se lembra? – Riku sorriu, um sorriso era estranho para um jovem que aparentava tanta seriedade.

–Se lembrar do... – a cabeça de Hikari começou a doer tanto que não conseguiu finalizar a frase.

A mestre da keyblade perdeu a consciência e caiu no chão novamente.

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–Ei Hikari! Você é muito rápida, não é justo! – um menino bem jovem gritava.

–Eu não sou rápida, você é que é muito lerdo! – a menina mostrou a língua para o colega.

Chata! Não quero brincar mais disso! – o garotinho cruzou os braços e se sentou na praia, desistindo. O sol estava se pondo, a paisagem parecia uma pintura de tão bela.

Ah para com isso, Riku! Você é tão mau perdedor! – Hikari achou uma concha no meio da areia e mirou na cabeça do menino, ele desviou facilmente.

Vai ter que se esforçar mais pra me acertar! – ele começou a rir apontando o dedo indicador pra amiga.

–CALA A BOCA – ela colocou as mãos no quadril e, com o rosto emburrado, se virou de costas pra ele .

Olha quem está sendo mau perdedora agora! – Riku riu mais ainda, Hikari riu junto com ele.

Ei, Hikari, é verdade que você vai embora das Ilhas do Destino? – Riku perguntou depois de um tempo.

Hikari sentou-se ao lado do garotinho de cabelos prateados.

–Eu não sei, papai disse que tá tendo problemas no trabalho – ela parecia triste em ter que deixar o amigo sozinho – Mas sabe Riku, nós ainda podemos ser amigos.

–Como?

–Nós estamos conectados!

–Conectados?

–Uhum – Hikari fez que sim com a cabeça e sorriu logo depois – Aqui! – ela tocou o peito de Riku – Eu vou estar sempre com você!

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Hikari voltou à realidade, acordou nos braços de Kairi que a estava curando com a keyblade. Ela olhou em volta, não estavam mais no beco, estavam num depósito, localizado na primeira rua de Agrabah.

– O que houve?

–Nós encontramos você e Riku num beco da cidade, você se machucou muito na luta contra os heartless, desmaiou por causa dos ferimentos – Kairi explicou ajudando a líder a sentar-se.

Foi então que Hikari percebeu que Riku estava ali, conversando com Sora.

Aquele garoto de cabelos prateados era seu amigo de infância. Como ela pôde esquecer? Bom, ele cresceu e mudou bastante, no entanto, aquilo não era desculpa. Riku encontrou os olhos de Hikari, a garota corou e desviou o olhar. O que está havendo com ela? Por que está tão nervosa?

–Você cresceu – ele disse, fazendo Hikari ficar ainda mais vermelha.

–É, você também. – ela só conseguia olhar para os próprios pés.

–Agora se lembra de mim? – Riku agachou na frente de Hikari para vê-la melhor.

–Éramos muito pequenos quando tudo aconteceu, Riku.

Ambos ficaram em silêncio.

–Do que diabos vocês estão falando? – Sora perguntou.

–Não é nada, Sora, não se preocupe – Hikari se levantou, deixando Riku para trás – já contaram a ele sobre a missão?

–Sim, mas nós estranhamos Riku não ter uma keyblade – Kairi sabia que mudar de assunto era a melhor opção com aquele clima pesado.

–Ele não tem? – Hikari esperou uma resposta do próprio Riku, entretanto ninguém disse nada – Bom, não importa, eu o vi lutar, a espada dele da conta dos heartless.

–Pensei que só a keyblade podia derrotar os heartless – Sora cruzou os braços.

–Eu também, mas não vamos pensar muito nisso. – Hikari disse. Riku ainda estava em silêncio – Vocês viram uma moça chamada Jasmim?

Sora e Kairi negaram com a cabeça.

Hikari explicou aos guias sobre a história que a princesa lhe contara.

–Esse Jafar é um babaca – Sora concluiu.

–Ele é um babaca tarado – Kairi acrescentou – ele quer casar com a princesa também?

–Eu não sei sobre ele, mas precisamos encontrar Jasmim rápido, a vida dela corre perigo.

–Talvez vamos precisar de ajuda – Kairi interrompeu – Não conhecemos bem essa cidade.

–Não tem ninguém nas ruas pra nos ajudar – Sora lembrou.

–Eu sei quem possa – a voz de Riku ecoou na sala – eu vi um homem indo em direção a uma caverna no deserto. Ele parece conhecer bem o lugar. Mas a viagem vai ser longa.

–Melhor do que nada – Hikari deu de ombros – vamos nos equipar bem, os heartless daqui são bem mais fortes do que estamos acostumados.

Sora e Kairi foram à frente, quando Hikari estava prestes a sair do depósito, alguém a puxou pra trás.

–Precisamos conversar – era Riku. Ele falava baixo, Hikari estava perto o suficiente para ouvir.

–Esse não é o melhor momento pra por a conversa em dia, Riku – Hikari não gostava de ficar tão perto do garoto de cabelos prateados.

–Eu não estou brincando, Hikari. Eu realmente pensei que você estivesse morta! Você não respondeu nenhuma das minhas cartas quando se mudou pra outra ilha, quando eu soube que seus pais sofreram aquele acidente... Eu... – Riku abaixou a cabeça, de forma que a líder não podia ver os olhos verde-água.

Hikari engoliu em seco.

–Eu fiquei deprimida por um tempo depois que meus pais morreram, não queria falar com ninguém – Hikari puxou o braço para escapar das mãos de Riku, porém ainda estava perto do garoto – eu sei que devia ter respondido suas cartas, mas eu estava com medo.

–Medo do que? – Riku voltou a olhar pra ela.

–Medo de...

–Ei, vocês dois! – Sora interrompeu, ele tinha entrado no depósito, parecia contente com algo – Achamos uma carona!

Notas finais
É isso, as coisas começaram a ficar mais interessantes. Eu não sei se a personalidade que coloquei pro Riku ficou boa, ja que não temos muito dele no primeiro jogo eu não sei se ele se comportaria assim. Bom, espero que tenham gostado.