Reinos De Dragões
1 Capítulo I
Notas iniciais
Há muito tempo, numa terra distante, com reinos, costumes, religiões e criaturas muito diferentes do que conhecemos, aconteceu a incrível historia de amor que aqui será delatada.
Nestas terras haviam dez países, em sua maioria habitados por humanos, apesar de haverem muitas outras raças espalhadas pelos dez. Um dos países se chamava Selenia. Era o reino mais nobre, pois fora o único criado por anjos, que lá residiram por muito tempo. A lenda do reino de Selenia relata que há muito tempo, quando Deus, o criador dos nove senhores que construíram e povoaram os demais países (originalmente conhecido como O Deus Criador, ou somente como Criador) enviou seus anjos para este plano para que construissem um reino digno de ele mesmo residir, com o intuito de um dia se juntar as suas criaturas para livrá-las das guerras e de toda destruição.
O desejo do Criador de interceder pelos povos dos nove países foi graças á misericórdia de seus filhos: Os nove Senhores que os criaram. Eles eram, cada um, adorado por um reino e em cada reino havia um templo para o senhor correspondente ser adorado como um deus, ainda que, havendo sempre uma representação do Criador, o único verdadeiro deus, nestes Templos Sagrados. Os Senhores estavam vendo, aos poucos, os corações de seus povos se corrompendo, iniciando-se pequenas guerras civis, ou casos de alguns reis (nos países que se permitiam ter rei) cobrando impostos cada vez mais altos, enquanto o povo morria de fome, frio e muitas vezes até sede. O Tempo passava e esses problemas se agravavam ao passo que Selenia era construída. Quando, então, o Reino estava quase pronto para que O Criador em fim viesse, os Nove Senhores já estavam cansados de esperar e, sem nem ao menos consultá-lo, criaram nove criaturas que os ajudariam na contenção desses problemas. Estes eram os nove dragões de metal. Os dragões eram criaturas severas e suas funções para com os reinos era mantê-los em ordem. No entanto não eram como os nove senhores, não possuíam os corações nobres, justos, tampouco bons. Alguns não eram maus por completo, mas beiravam a maldade. Dois dos Nove dragões eram mais poderosos, O Dragão de Prata (Possui uma tonalidade não prateada, mas branca, levemente brilhante por todo o corpo e asas) e o de Platina (Tendo este, as escamas de todo o corpo e azas azul celeste). Os demais dragões eram de cobre (possuíam uma tonalidade marrom, avermelhada), não tão poderosos quanto os dois primeiros, mas ainda eram, para as outras raças, os seres mais poderosos dos Nove Reinos.
Os dragões foram feitos pelos próprios deuses para que povoassem o mundo com mais dragões, que os ajudariam a manter a paz entre os reinos. Porém os nove eram extremamente gananciosos, e ter toda riqueza dos reinos para si era mais proveitoso do que servir aos Senhores os quais detestavam. Com isso iniciou-se o plano de traição. Os dragões criaram rebeliões entre os reinos, uns contra os outros, reis contra súditos, ou contra outros reis. Todos estavam sendo manipulados por eles, ora através de boatos, ora através de cartas falsas, com sinetes falsos. As criaturas usavam de todos os artifícios que possuíam para que os Nove Reinos (Países) se tornassem o caos que, em fim, se tornou.
O Criador, sentindo desgosto pela rebeldia de seus filhos em criar tais criaturas malignas, sem que ele consentisse, nunca foi morar em Selenia, deixando um anjo de sua escolha para nela reinar, porém, tendo em vista que os povos dos Nove Reinos não eram responsáveis diretamente por tal rebeldia da parte dos nove senhores, resolveu criar seu próprio dragão, que aos outros comandaria: O Dragão dourado... Sendo este, o mais belo, mais poderoso e, acima de tudo, justo. Não Bom, porque dragões não tinham natureza boa, mas de lealdade incontestável. O Dragão de Ouro (dourado) era aquilo que o plano terrestre tinha de mais poderoso, mas sua fé na lealdade que seus irmãos deviam ter, foi seu veneno e ele também foi traído... Selado num pico, de onde só seria liberto, se alguém juntasse os pedaços de seu coração que fora congelado pelo Dragão de Prata e espalhado pelos Nove Reinos, sabe-se lá em quantos fragmentos. Os Senhores, cansados de tanta destruição e guerras, sentindo total desgosto por uma população corrompida e capitalista de suas próprias criações, viraram as costas para os Nove Reinos e para este plano, indo viver junto ao seu pai, o Criador.
Então iniciou-se o que pode-se chamar de Reinos de Dragões, pois Os Nove Reinos estavam sendo regidos pelos Nove Dragões de Metal, que podiam se transformar nas criaturas humanoides mais belas e se procriar com outras raças, criando os meio dragões, que eram muito poderosos também, embora nem sempre tinham a natureza ruim dos pais. Entretanto Os Dragões de Metal não se interessavam pelos assuntos políticos dos reinos a não ser que afetassem suas riquezas, que eram seus verdadeiros interesses. Com isso, deixaram que cada rei governasse seu respectivo país, tendo um dos Nove dragões para cada reino, que cuidaria somente das riquezas do mesmo. Além de todos os defeitos, os Nove Dragões eram muito arrogantes e nunca deixavam que os povos dos Nove Reinos se esquecessem de sua superioridade, evitando o máximo de contato com as “raças inferiores”, o que de certa forma era um alívio, pois os mesmos eram temidos pela capacidade de queimar países inteiros. Eles só ficavam na presença de outras raças uma vez por mês, na reunião que deviam ter com os respectivos reis, dos respectivos países, onde os tributos pagos pelos súditos eram distribuídos entre as despesas dos países, a família real, e o Dragão correspondente ao reino em questão. Depois de muitos anos... Cem, ou cento e cinquenta, decidiram, então, tomar também, o reino de Selenia, já que o Criador (o único ser que poderia ir contra eles) não tinha mais nenhum interesse de nele residir, e que seus anjos já haviam criado seres mestiços por todo o reino, sendo cada vez mais raro ver um puro. O que, com certeza, os desqualificava de condição de protegidos por Deus.
Selenia foi tomada pelo Dragão de Platina, que não era diferente dos outros, apesar de mais presente no castelo real do que a maioria em seus respectivos reinos. Mas falava-se que havia uma rainha no castelo que o encantava, pois era de beleza ainda celestial e de poderes também, e que se comprovassem as suspeitas de que a mesma é um anjo puro, significaria que existem ainda seres que não são tão inferiores a eles. Coisa que nestes tempos era raro, já que Os Puros, como eram chamados os anjos que O Criador enviara para construir Selenia, foram se misturando cada vez mais com outras raças. A rainha ainda possuía asas, e ainda possuía seus poderes, mas isso porque veio de uma família que escolheu por continuar pura, reproduzindo-se apenas entre os seus: A família que era o tradicional Conselho do reino, justamente por esse motivo. E então o Conselho, quando viu as rebeliões entre os reinos e a manipulação dos dragões chegando aos poucos até Selenia, decidiu que deveria haver um dos Puros no trono. No entanto isto iria contra as regras, porque tiraria o trono do rei de direito pela linha de sucessão, e assim, deram a dama mais jovem da família e mais bela de toda Selenia para casar-se com o próximo rei de direito, e assim foi feita iniciação desta rainha.
Como era bela, a rainha Brigite. Os cabelos vermelhos em cachos grossos que iam até o meio das costas, deixando suas curvas perfeitas ainda mais acentuadas. Seus olhos eram tão verdes e penetrantes que chegava a assustar. Tinha o coração mais nobre dos dez reinos. Em suma, o que não faltavam eram elogios para aquela rainha. Mas chegava a ser quase um crime se fossem ditos em voz alta, pois seu marido, o rei, era o homem mais apaixonado e ciumento dos dez reinos.
Desta união nasceram aquelas chamadas de As Joias de Selenia: Safira, a primeira e mais amada pelo rei, tinha os olhos azuis, a pele tão branca quanto parafina e os cabelos lisos e pretos, porém o negro de seus cabelos não era comum... Era muito escuro. Tanto que sob a luz do dia ou da noite podia-se perceber fios que na verdade eram azulados, embora fosse quase como uma miragem, de tão imperceptíveis. Suas asas também não eram comuns; Haviam pontas que lembravam escamas em suas partes inferiores e a fibra da plumagem era de um tom azulado brilhante, porém claro, não escuros como seus cabelos.
Rubi, a filha do meio, nascida um ano após o nascimento da primeira, possuía os cabelos mais belos de todo o reino, exatamente como o de sua mãe. Vermelhos como sangue fresco, que em ondas, faziam uma cascata até a cintura. Sua boca tão vermelha quanto uma maçã em contraste com sua pele pálida, realçavam os belos olhos verdes, que faziam lembrar as florestas mais selvagens e impenetráveis.
Esmeralda, a mais nova, nascida três anos após a mais velha, possuía cabelos tão loiros que eram quase brancos, herdados do rei, que cheios e cacheados iam até os quadris. Seus olhos eram de um azul tão profundo e escuro, quanto os oceanos, e sua pele pálida faziam as pessoas crerem que estavam diante de um anjo puro quando a viam sob a luz do sol.
As Três Joias de Selenia eram muito diferente umas das outras, tanto aparentemente quanto em suas personalidades. Safira queria somente o poder e teria, já que herdaria o reino quando seu pai não pudesse mais governar, e ainda assim ela sempre aparentava querer mais do que isso. Tinha muito talento com espadas, já que fora treinada pelo general de Guerra de Selenia.
Rubi era meiga e muito ligada á natureza. Possuía uma águia de nome Rai kiri a quem dedicava todo o tempo livre. Treinava com um sábio druida que vivia às margens da Grande Floresta de Selenia, muito embora esse treinamento fosse sempre delatado como “apenas conversas”. Esmeralda era séria e corajosa, mas amorosa com a família, especialmente com a mãe, com quem se parecia muito na personalidade. Ela herdou o dom celestial da rainha e treinava na guilda dos feiticeiros do reino.
As três irmãs só saíam do Castelo para treinar, pois o rei tinha muito medo de que algo ruim acontecesse a uma de suas jóias. Os poucos súditos que as viam falavam de suas belezas até mesmo dormindo. Houve um que enlouqueceu ao desfrutar do canto da rainha. São apenas boatos, sim, mas a beleza das Três Jóias de Selenia e de sua mãe, era realmente angelical.
Mas algo acontecia no Palácio de Selenia e Argentus, O Dragão de Prata resolveu tomar o lugar de Ragonis, o de Platina, no reino. Haviam rumores maldosos sobre a rainha e Ragonis entre os demais dragões, e um romance enfraqueceria a intimidação imposta nos Reinos de Dragões.
Isto acarretou numa mudança muito brusca no Castelo de Selenia. No entanto o que impressionou, foi a fuga da Princesa Safira. O reino, imediatamente, se pôs num alvoroço a procura da mais bela jóia de Selenia.
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