Reino em Sombras
2 Dois - O segredo do príncipe
— É claro que te desculpo! — Marinette diz nervosa, com o rubor em sua face denunciando seu desconforto. — Eu sinto muito por ter lhe tratado de modo tão rude, alteza! Eu não sabia que era o príncipe! — Finalizou sem nem mesmo conseguir olhar nos olhos do loiro. Imaginou várias cenas em que o príncipe a expulsava do castelo, ou então a jogava em uma masmorra.
— Ei! — Adrien diz segurando o queixo de Marinette com delicadeza obrigando-a a encara-lo e prossegue: — Não precisa se acanhar tanto assim, está tudo bem! Não julgo as suas primeiras impressões em relação a mim, afinal te dei um banho de leite! — Sorri.
Toda a situação fazia com que Marinette ficasse ainda mais vermelha diante do príncipe que a fazia encara-lo com um sorriso gentil no rosto. Naquele momento, encarando aqueles olhos verdes, a garota sentiu uma emoção que nunca havia sentido antes, como se estivesse com borboletas no estomago e o coração parecia estar aquecido, sentia uma vontade enorme de sempre estar perto daquele rapaz, mas não entendia o que se passava consigo mesma, aquilo era novo para ela.
— Bem, eu preciso ir! — Adrien afastou a mão do rosto de Marinette. — Fico feliz que tenha me desculpado! Percebi que é nova aqui no castelo, então seja bem-vinda! Sempre que precisar pode contar comigo! Até breve! — Ele se virou e saiu caminhando.
A única coisa que Marinette conseguiu fazer foi levar a mão no peito, onde sentia o coração acelerado e se martirizava internamente por não ter conseguido dizer uma palavra ao príncipe.
— Marinette! O que o príncipe queria com você? — Alya diz saindo pela porta da cozinha e indo em direção da amiga. — Que cara é essa? Está parecendo um tomate!
A morena percebe que Marinette parecia estar em outro mundo, com a face rubra, a boca entreaberta e um olhar perdido. Conhecendo o príncipe e toda sua gentileza e beleza, logo chega à conclusão que a amiga havia se encantado completamente pelo rapaz.
— Ele é perfeito... — Marinette murmura sorrindo feito boba. Não se dando que era ouvida.
— Não acredito. Já se apaixonou pelo príncipe? — Alya diz revirando os olhos e cruzando os braços.
— Apaixonada? — Marinete diz em meio a suspiros quando ouve as palavras da amiga e finalmente recobra a consciência.
Então aquilo que sentia dentro de si era paixão? Só podia ser, nunca tinha sentido aquilo antes. Começou a imaginar como seria possível ela ficar com o príncipe.
— Marinette para de sonhar com o Adrien e venha! Temos muito trabalho ainda! — Alya diz a puxando pelo braço em direção a cozinha. — Não acredito que foi se apaixonar justo pelo príncipe!
No restante do dia Marinette não conseguiu se concentrar. Só conseguia pensar em Adrien e em toda sua perfeição em forma de príncipe loiro, suspirando por ele até o anoitecer. Já nem sabia que horas eram, pois, a insônia havia lhe atacado. Vários pensamentos vinham em sua mente a impedindo de descansar. Aquele primeiro dia havia sido conturbado, não conseguia acreditar que tinha xingado o príncipe, e para piorar, estava sentindo falta de casa e de seus pais.
Não conseguindo dormir, resolve ir caminhar sob o luar para ocupar a mente com algo. Sendo assim, sai silenciosamente de seu aposento, passando pelo corredor e a cozinha vazia e sai pela porta. Não havia ninguém por ali, o silencio era quase assustador, fazendo-a se arrepender de sair naquela hora. Já ia voltar para dentro quando vê alguém mexendo nos panos no varal, mas porque alguém faria aquilo numa hora dessas? E tudo indicava parecer uma silhueta masculina, forçando mais os olhos percebeu que se travava de Adrien. Mas por que o príncipe estaria mexendo com panos e toalhas de mesa no varal?
Não demorou muito para Marinette fosse percebida por Adrien, e este fez um gesto com as mãos indicando para que ela fosse até ele. Prontamente a garota foi.
— Olá Marinette? O que faz aqui fora numa hora dessas? Pode ser perigoso, ainda mais para alguém que não conhece as redondezas. — Adrien diz com a voz baixa, com medo de ser pego por alguém.
— Be-bem... eu só estava caminhando! — A garota diz insegura, só a presença do príncipe fazia seu coração acelerar como se fosse saltar pela boca. Porém a curiosidade não a impediu de prosseguir falando. — Mas o que um príncipe faz aqui revirando panos no varal numa hora dessas?
Adrien hesita em explicar algo, mas mesmo assim diz:
— Eu preciso de um tecido escuro, de preferência preto. Não sei por que, mas por aqui eles não costumam fazer roupas escuras para a realeza...
Enquanto ele falava, Marinette se perguntava o porquê Adrien precisaria de um tecido escuro. Então logo se lembrou que tinha um tecido preto em meio aos seus itens de costura.
— Eu tenho um pano escuro, ele é bem grande. Não sei se lhe seria útil...
— Seria perfeito! Você vai me ajudar?
— Mas é claro! Vem comigo...
Marinette se coloca a caminhar em direção a porta da cozinha, sendo seguida por Adrien que caminhava atento para não ser flagrado por ali.
Logo estavam nos aposentos de Marinette. Ela pega o tecido que Adrien precisava e entrega a ele.
— Isso é mais que o ideal! Obrigada. — Diz pegando o tecido e observando com um sorriso triunfante. — E você tem muitos outros, de várias cores!
— Sim, eu gosto de fazer roupas nas horas vagas...
— Serio? Então poderia me ajudar com mais uma coisa! — O príncipe tira os olhos do tecido e dirige a Marinette que faz que sim com a cabeça, então prossegue: — Na verdade eu preciso de um capuz preto, você poderia fazer um para mim com isso. — Estende o tecido. — Prometo retribuir.
— Mas é claro, alteza! Farei o melhor que puder!
— E quando posso pega-lo?
— Amanhã à noite! Pode vim aqui pegar.
— Muito obrigada, você está sendo incrível. Realmente uma amiga! — Adrien diz caminhando em direção a saída, porém interrompe a caminhada para falar com a garota. — Ah, você poderia manter isso tudo em segredo? Ninguém pode saber de nada disso.
— Mas é claro Alteza! — Marinette diz estática.
— Não precisa dessas formalidades, sério! Pode me chamar de somente Adrien.
— Mas é claro, amor... quero dizer Adrien. — Marinette diz com a mente perdida em devaneios apaixonados. — Oh Deus onde estou com a cabeça... — Sussurra escondendo a face com as mãos, fazendo com que o príncipe soltasse um riso espontâneo, ela sorri de volta sem jeito.
— Tenho que ir. Até breve! — Adrien diz acenando em despedida e se retira do quarto fechando a porta.
Marinette solta o ar que segurava em seus pulmões e senta-se na cama respirando fundo, tentando se acalmar.
Depois de se recompor, percebe o que havia feito. Tinha prometido que faria um capuz ao príncipe para entregar na noite seguinte, e como no próximo dia trabalharia por todo tempo, só restava aquela noite para costurar tudo. Mas não se importava, afinal ela vestiria o príncipe. Não conseguia se conter de tanta alegria.
Passou a noite toda costurando, e quando foi dormir já havia quase amanhecido. Estava tão exausta que não conseguiu se levantar na hora certa, fazendo com que se atrasasse no segundo dia de trabalho.
— Marinette! Acorda! O que faz dormindo numa hora dessas? — Alya aparece aos berros, abrindo a porta e assustando a amiga que acorda de imediato.
Toda desorientada, Marinette se põe de pé, bocejando e descabelada. Não demorou muito para se arrumar e ir para cozinha trabalhar.
Enquanto lavava pratos, estendia panos e picava legumes, não conseguia parar de pensar no príncipe e o que ele planejava com o capuz preto que ela havia feito e escondido muito bem em seu quarto. O dia passou se arrastando e a ansiedade de ver Adrien novamente invadia seu coração.
Quando a noite chegou novamente e todo serviço se encerrou, Marinette começa a esperar Adrien ansiosamente em seu quarto, mesmo que estivesse exausta pela noite mal dormida e pelo dia de trabalho.
O príncipe deu três batidas baixas na porta que logo foi aberta e ele imediatamente entrou, com medo de ser visto por alguém.
Marientte estava de pé com o capuz a pronta entrega nas mãos e logo estendendo para o rapaz.
Adrien pega a veste e logo experimenta. Tinha ficado perfeita. O capuz o cobria todo, da cabeça aos pés, como ele desejava, assim sorrindo de satisfação para a garota.
— Está perfeito!
— Que bom que gostou, Alteza!
— Prometo que te retribuirei um dia! Mas agora a única coisa que te peço é que guarde segredo, como se eu nunca houvesse estado aqui! Principalmente meu pai.
— Não direi nada a ninguém, eu juro! — Marinette diz sinceramente, porém com medo. Por que um simples capuz seria uma coisa tão grave assim a ponto de Adrien se referir até ao rei?
*
Depois do evento do capuz, os dias de Marinette foram calmos e monótonos. Ela adorava dar umas escapadas do trabalho para dar uma observada no príncipe enquanto ele estudava, praticava com espadas, também quando andava a cavalo, entre tantas outras coisas, acabando por decorar toda a rotina de Adrien.
Tudo estava dentro da rotina normal, quando Marinette percebe Adrien um dia desmontando de seu cavalo branco e indo em direção a um dos vários cavalos negros que estavam nas outras baias e fala para o animal baixinho:
— Amanhã vamos das um passeio na aldeia, amigo.
A curiosidade invade a moça. Que se coloca a perguntar o por que dele usar um cavalo negro, que ali naquele reino era usado apenas para puxar carroças e carruagens em vez de usar o branco, que era o que a realeza por ali usava. Será que era mais um segredo do príncipe? Sendo assim ela decide que amanhã seria um ótimo dia para visitar seus pais na aldeia.
Fale com o autor