Reila

1 One-shot


Notas iniciais
finalmente terminei de postar as fanfics que contam como a Sereny e o Kouyou ficaram juntos, hora de voltar pro casal número um dessa série *ri*essa é a décima quinta fanfic da série e antes dela veio "A Razão para o meu Mundo Girar"

Era um sábado de manhã e não fazia muito tempo que eu tinha acordado, decidi tomar um banho quente antes de tomar café.

Saí do banheiro enrolada a uma toalha, enxugando os cabelos. Era difícil de acreditar que estava realmente acordada. Tudo a minha volta parecia feito de sonho.

Não que meus sonhos fossem tão ambiciosos, mas o que mais eu podia pensar? Eu estava num hotel daqueles de filmes, um hotel lindo, chique e, principalmente, caro! E eu estava em Tókio! Na linda, tecnológica e avançada Tókio! A cidade que até o mês passado significava o outro lado do mundo pra mim!

Depois de meses juntando dinheiro pra fazer uma viagem até Nova York, eu de repente fui parar num jatinho destinado a Tókio!

E a parte mais linda e difícil de acreditar desse sonho estava bem ali, naquele mesmo quarto, sentado na poltrona, vestindo uma calça de moletom cinza, uma camiseta preta folgada, tinha os fios loiros desalinhados e segurava o violão, concentrado unicamente nas notas que dali tirava. Uma melodia tão linda e tão triste, que sempre me mostrou o mais íntimo de sua alma. Ele tocava Reila.

Eu me troquei com o mínimo de barulho possível, escutando deliciada Takanori tocando e tentando não despertá-lo de seu transe.

Coloquei uma de suas blusas que eu mais gostava e a saia que ele me comprara. Gostava de ouvi-lo dizer que eu ficava ‘sensual’ naquela saia. Não que seus olhares precisassem de explicação, mas ele ficava lindamente tímido quando dizia!

Ele apenas murmurava a letra, mas eu já ouvira tantas e tantas vezes que podia escutar sua voz em minha cabeça.

– Por que está tão silenciosa? – ele disse, ainda tocando, com um sorriso nos lábios.

– Não quis atrapalhá-lo – eu respondi, sentando-me na cama diante dele.

– Atrapalhar? – ele repetiu surpreso.

– Você estava... Se comunicando com sua alma...

As sobrancelhas dele se arquearam.

– Como sabe disso? – ele perguntou surpreso.

Seu sorriso fez meu coração se apertar. Era uma sensação que há muito tempo eu não experimentava. Pra ser precisa, seis anos! Mas ela era tão intensa quando os olhos dele estavam conectados aos meus. Era fácil senti-lo distante e inatingível quando continentes e oceanos estavam entre nós. Mas, ao ver a barreira invisível bem ali, tensa, tive que controlar pra não chorar nem gaguejar.

– É óbvia a ligação que você tem com... Ela... Com a... Música... O que tocá-la, cantá-la, escutá-la... Faz com você.

– É, você tem razão... Não é uma conexão fácil de explicar – ele uniu as sobrancelhas. – Mas tem muito a ver com meu espírito, com quem eu sou...

Sim, ele era quem era por causa dela... Ele era quem eu amava por causa daquela dor que sentira por ela... E aquela música era tudo o que tinha sobrado pra ele, aquela saudade, aquela falta... E eu não tinha como lutar contra uma oponente tão forte, não tinha como suprir e ocupar aquele espaço em seu coração...

Eu nem percebi que as lágrimas transbordavam meus olhos e eu não estava mais enxergando. Takanori se levantou preocupado, largando o violão e me envolvendo em seus braços protetores, me puxando pra seu colo.

– O que foi, amor? Por que está chorando?

Eu já estava chorando mesmo, então me permiti afundar em seus braços e soluçava desesperada, deixando aquela dor me dominar. A dor da certeza de que eu não o teria, de que eu o perderia.

– Cami... Chibi! O que foi? O que aconteceu? O que foi que eu disse, querida? – ele estava muito preocupado, tentando me fazer olhá-lo. Como eu poderia explicar o que me afligia? Seria pior!

– Não... Não é... Nada... – falei entre soluços, envolvendo sua cintura com os braços e molhando sua blusa.

– Como não é nada, chibi? – ele segurou meu rosto entre as mãos e enxugou minhas lágrimas delicadamente com os polegares, depositando beijos em meus lábios, testa, bochechas e nariz. – Foi a música? A música que a deixou tão triste, querida?

– Na-não... – solucei.

– Diga, amor... Você parece sofrendo tanto... Parece que está... Sentindo tanta... Dor... – ele me apertou ainda mais contra seu peito, me acalentando, me ninando como se eu fosse uma criança assustada por um pesadelo.

– Eu... Pa-pareço uma... Cri-criança, né? – tentei falar, controlando o choro.

– É claro que não, amor!

– Como... Você pode ficar comigo... Assim, né?

– O que quer dizer? – ele perguntou, sério.

– Pre-precisa de alguém... Diferente... Um amor mais... – não pude terminar minha frase. O indicador dele pressionou meus lábios me silenciando.

– Não diga bobagens, meu amor – ele ainda estava sério. Eu temia ter ultrapassado seus limites com essa minha “ceninha” ou tê-lo magoado.

Takanori ainda olhava fundo em meus olhos molhados, a expressão muito séria. De repente, passou a espalhar beijos urgentes por todo meu rosto, se demorando longamente quando nossos lábios se encontravam. Ele puxava e apertava ainda mais meu corpo em seu colo.

– Não há nada além desse amor, Cami... Nada que possa ser “mais”! Você é meu único e grande amor! Meu coração é seu, hoje, amanhã e sempre! E nada vai me separar de você, querida, nada! Apenas se não me quiser mais, é claro... Ai, eu sairei... – foi minha vez de impedi-lo de terminar.

– Não diga bobagens, meu amor... – nós sorrimos e ele beijou a ponta de meu dedo.

– Você é mais apressada do que eu pensava... Não pensei que fôssemos ter essa conversa tão cedo...

Eu o encarei confusa.

– Não é algo de que eu goste muito de falar... Sobre Reila e eu...

Meu coração falhou uma batida... Eu não sabia se estava mais preocupada em ouvir aquilo ou no fato de que ele sabia o tempo todo o que estava em minha cabeça.

– Eu imagino que essa não deve ser uma situação muito diferente das outras, falar de uma ex-namorada para sua atual namorada é errado, então, eu serei breve...

– Não precisa falar sobre isso, Taka...

Ele sorriu e acariciou meu rosto.

– Não se preocupe, amor... Falar disso é mais difícil pra você que pra mim...

Ele me ajeitou em seu colo e ficou brincando com as mechas do meu cabelo.

– Foi... Difícil sim... Eu quase entrei em depressão... Mas é assim que as pessoas agem com a morte, não é? Nós éramos muito próximos... Aceitar a morte dela demorou muito... Você, melhor do que ninguém, sabe como é meu emocional, amor... Eu sinto tudo de uma maneira muito intensa...

– Por isso suas músicas são tão lindas! – eu disse, beijando-lhe o rosto.

– Obrigado, amor! – ele beijou minha testa. – Eu não sei como te fazer entender que eu sou louco por você... Que você é tudo pra mim! Não existe nem vai existir nenhuma relação na minha vida que seja mais intensa do que a nossa!

Meu rosto manchado de lágrimas se abriu num sorriso e ele uniu nossos lábios num beijo intenso como ele costumava sempre fazer. Como eu era boba... Como eu podia duvidar daquele amor tão grande? De que não era infinito? Ele tinha sido feito pra mim, era o homem que eu precisava, que eu queria!

– Sua bobinha! – ele riu, como se lesse meus pensamentos. – Eu amo você, minha menina linda!

– Ai, menina...
– Soa errado, né? – ele riu malicioso e eu o empurrei deitado, prendendo seu corpo com o meu.

– E depois eu que sou boba, né?

– Eu ainda tenho muito tempo pra te mostrar como eu sou bobo! O resto de nossas vidas pra mostrar...

Notas finais
mereço reviews?a próxima se chama "Take Care of You"
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!