Reila
19 De volta para casa
:: CAPÍTULO 19 – De volta para casa ::
Já podia avistar a própria casa ao longe. Sorria bobamente até o momento que avistou alguém na varanda. Um alguém que ele não via há dias. Um alguém em quem ele incrivelmente não havia pensado nos últimos tempos. Reita: o último alguém com quem queria encontrar. Estava fumando, olhando em sua direção. Mas não parecia realmente tê-lo visto. Só observava o nada.
Pesarosos foram os passos que seguiram. Tinha ainda a esperança de não ser visto, então se aproximou sem causar alarde. Ao subir os poucos degraus de madeira, entretanto, eles rangeram. Maldita madeira imprestável. Akira virou-se instantaneamente para o vocalista, que o olhou com um olhar firme.
– Foi visitá-la? – Questionou, sem emoção.
– Sim. – Continuou com o caminho sem olhar para trás. Suzuki voltou a fumar.
Entrando na casa, a primeira coisa que viu foi os dois guitarristas um de frente para o outro, se encarando. Parecia um concurso de careta mais assustadora. Assustou-se por um instante. Era claro que o motivo daquela briga era Yutaka, ele não via outro motivo para tal. Notara também que o nariz de Takashima estava completamente novo, e que se continuasse assim, era capaz de voltar ao estado anterior.
– Ei ei, vocês dois... Relaxem... – A visão dos shorts recém-lavados de Kouyou, e mais que isso, a visão da pele branquinha exposta o deu uma ideia. Passou na fenda entre eles, apalpando nada discretamente a bunda de ambos. Yuu se sobressaltou, mas Uruha sorriu.
– Bem vindo de volta, chibi. – Parecia feliz em vê-lo. Ele retribuiu o sorriso e seguiu para a porta aberta do quarto que Kouyou e Uke dividiam, com a certeza de que o moreno estaria lá. E realmente estava, mexia em uns papéis, hora ou outra fazendo anotações.
– Boa tarde, Yukkun! – Sorriu abertamente, vendo o outro repetir o processo.
– Bem vindo de volta, Taka. Como foi o passeio?
– Ah, foi... Ok. – Falou, ainda bravo porque Reila não o contava as coisas. Mas deveria ser comum. Ou não.
– Que bom...
– Ei, o que andou acontecendo em minha ausência? – Sentou-se na cama ao seu lado, vendo-o deixar os papéis para lá.
– Hm... Eu estava agora olhando umas coisas... Sabe aquela música que você compôs outro dia, a zetsu?
– Aham... – Assentiu o menor, temendo o que viria depois.
– Bem... Ela tem potencial. Queria ver como ficava com todos os instrumentos... Que tal se a gente ensaiasse?
Se ainda houvesse algum sinal de tristeza no semblante de Matsumoto, acabava de ir embora.
– Ah, isso seria muito bom! – Parou um segundo. – Mas... Kai... O pessoal está meio...
– Arredio, eu sei. – Completou o baterista. – Mas isso é só uma tempestade... Nada nem ninguém pode separar o GazettE. – Seu sorriso e olhar adoráveis e sinceros não o deixavam mentir: ele realmente acreditava nisso.
– Espero que sim...
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Soltava uma baforada de fumaça por uma fenda fina entre os lábios. Fumar era bom. Iria matá-lo um dia, mas já iria morrer mesmo, não é?
O olhar de Akira continuava perdido. Agora era como se todos achassem que ele estava errado. Eles não o entendiam... Reila era o mau.
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– Sabe, Akira... Eu conversei um pouco com Yamaguro-san. – Comentou Kai com o moreno que crispou a face pela simples menção do nome. Deitou-se mais confortavelmente na cama enquanto observava o moreno dirigir-lhe algumas palavras. – Se você tentasse conhecê-la melhor...
– Não é realmente necessário. Takanori quer namorar ela, ele que a conheça. Não é problema meu.
– Vocês sempre foram tão amigos... Tenho certeza que o chibi está muito sentido por não poder contar com você.
– Ele está tão sentido que... Olha só! Tão sentido que quem está aqui é Uke Yutaka. E Matsumoto Takanori? Está tão profundamente sentido que foi visitá-la... Muito obrigado por me lembrar disso.
– Ah... Se não tem jeito mesmo... Mas vê se pensa melhor no que fala e faz, Reita. – Dizendo isso saiu do quarto do loiro, fechando a porta com cuidado.
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Soltou mais fumaça. Como podia ser...? Por que as coisas aconteciam dessa forma e ninguém via que antes de ela aparecer, tudo ia bem? Não é óbvio de quem é a culpa?
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– Dá licença, Aoi... Quando você deixar de ser tão infantil a gente resolve isso.
– Olha quem fala... – Ao ouvir o moreno dizer isso, Kouyou apenas suspirou e saiu a passos calmos, porém decididos, até a sala de música.
Sentou-se na coisa mais próxima que achou: o banco atrás da bateria de Yutaka. Encostou a cabeça no tambor maior à sua frente.
Como Yuu era um bichinho teimoso, viu! Tinha que cismar com tudo!
Se Uruha gritava, ele brigava. Se Uruha falava baixo, ele brigava. Se Uruha sequer respirasse ele já brigava. Não tinha condições!
Pegou uma baqueta do recipiente que as continha ali próximo e descontou a raiva que sentia em um prato. E depois em um tambor. E impulsionou o pedal com o pé, com força. Aquilo era divertido.
Logo começou a bater aleatoriamente nas superfícies dispostas para tal. Tinha certo ritmo, mas nem de longe se parecia com alguém tocando bateria seriamente. Talvez fosse interessante aprender a tocar bateria. Poderia pedir pra Uke um dia...
– Takashima, você não é capaz de fazer nada direito, não é mesmo?
– De que você tá falando, seu drogado?
– Sempre tem que vir abanando o rabinho pro Kai fazer pra você... Tão patético!
Lembrou-se do teor da conversa que acabara de ter com Shiroyama. No fundo, talvez não fosse de todo mentira... Uma leve culpa recaiu sobre si.
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Quando estava voltando pra casa, tudo que pensava era que queria sua confortável caminha. E agora que estava deitado nela, precisava de algo pra fazer.
Olhava para as paredes tão branquinhas do seu quarto e mentalmente as preenchia com imagens intimas. Momentos de sua vida, em qualquer aspecto. E tudo se tingiu de negro quando se lembrou da vista dos cabelos longos da amada sobre si.
E quase que como impulso, pegou uma caneta permanente que comumente ficava na mesa de cabeceira, e lá estava. Aquelas paredes tão brancas, tão irritantemente alvas e impecáveis o estavam irritando.
Subiu na cama que antes pertencia à Reita e esticou bem o braço: ainda não estava nem perto de alcançar o teto, mas aquela altura já o satisfez. Só tinha um probleminha: não sabia exatamente o que ia fazer. Quando notou o que estava fazendo, já tinha escrito “Rei”. Sorriu internamente. Não teve dúvidas. “Reila...”
A partir da próxima linha, as coisas fluíram mais facilmente do que ele supôs. Se o objetivo era só manchar a parede, teria conseguido mais que isso.
Desde que eu te conheci, quantos machucados eu suportei? E quantos me suportaram?
Queria que contasse só pra mim quando estivesse deprimida, não pra todo mundo.
A verdade foi queimada nos meus olhos.
O que é você; imobilizada pelo silêncio, pensando?
Eu não preciso de uma razão se ao menos você a retornasse para mim.
Aquilo o remetia a tudo que passara até então. Lembrava-lhe Hana. De todos os trancos e barrancos de sua relação. Do fim. Do quanto tiveram que aguentar um Takanori depressivo. Da chegada de Reila em sua vida. Do que passou no apartamento da garota quando ela não o contou o que a atormentava. De seus pensamentos de não ser digno de saber o que se passava na vida dela. Isso era o que o incomodava no momento, por que ele não podia saber de tudo? E por que eles não podiam ao menos ficar juntos? Por quê?
Botar isso pra fora, de alguma forma, foi bom para si próprio. E as paredes já não o irritavam tanto. O trabalho estava feito. Um diário na parede? Sorriu.
Desceu da cama e guardou a caneta no lugar. Antes que pudesse se deitar, entretanto, Yutaka entrou em seu quarto com um sorriso radiante.
– Ruki! Vamos ensaiar!
– Como você conseguiu que isso...?
– Ei... Me respeite... Eu ainda sou o líder de vocês!
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Entraram Takanori e Yutaka, os únicos que faltavam. Uruha estava sentado numa cadeira convenientemente postada do lado esquerdo da bateria, Aoi numa do lado direito. Reita estava meio afastado afinando o baixo. Ninguém parecia realmente feliz com aquilo. Ruki ficava imaginando que método teria usado Kai pra reunir todos na mesma sala sem nenhuma granada ou metralhadora.
Sem desferir o olhar a mais ninguém, foi até um canto pegar o microfone. Mais uma vantagem de morar no meio do nada é que ninguém reclamaria do barulho exorbitante. Cantar sem o microfone não era viável, pois os instrumentos acabavam ocultando sua voz.
Não demorou para que ouvisse o baterista batendo as baquetas uma contra a outra numa contagem regressiva para começarem. As primeiras batidas na bateria foram dadas, num ritmo rápido. Logo seguido pelo som do baixo e das guitarras. O vocalista ficou apenas ouvindo... Com todos juntos ficara ótimo!
E quando finalmente chegou sua deixa, a voz saiu mais alta e animada do que previra. Empolgou-se rapidamente; era difícil cantar parado e de costas para os outros. Começou a fazer alguns movimentos involuntários com as pernas, e quando o parágrafo acabou e era a vez de Uruha fazer um pequeno solo, virou-se para trás, ainda com os pés inquietos. Uke e Takashima mantinham sorrisos enormes enquanto executavam movimentos complexos. Shiroyama não sorria, mas tinha um olhar plenamente satisfeito. Suzuki estava fora de seu campo de visão, mas sabia que à distância o baixista deveria apenas manter os olhos fixos na partitura, uma vez que fora o único que jamais a olhara ou estudara um pouco.
E logo as dancinhas foram surgindo, as mãos expressivas do mais baixo não paravam de se mexer. Até mesmo o guitarrista moreno remexia-se inteiro para tocar.
“A música é realmente algo que nos contagia involuntariamente. Ainda mais as agitadas” – Pensou o Matsumoto. E pouco a pouco todos se soltaram, até mesmo Akira passou a fazer movimentos mais significativos. Afastara-se dos papéis e estava um pouco mais próximo dos outros agora, mas ainda longe o suficiente para poder ignorá-los.
Minutos depois, nem parecia a mesma casa de mortos-vivos.
“Juu-ni nin me no gisei ga denai koto wo hibi negaou.” – A frase que causara tanto problema na última vez que foi dita, dessa vez teve um efeito diferente. Anunciou o fim. O baterista alargou seu sorriso o máximo possível, curvando-se sobre seu instrumento. Kouyou pulou, rodou e sorria radiante. Aoi sorria também, mas o loiro com a faixa do nariz não. Mas tampouco ficara irado como da vez passada. Estava satisfeito com o trabalho. Pelo menos para isso a prostituta servia.
– AAAAAAAAH, ficou ótima mesmo! – O guitarrista mais novo foi o primeiro a gritar, e logo todos concordaram em diferentes intensidades; fosse gritando ou apenas meneando a cabeça afirmativamente.
– Sim! Ne, Yutaka... Agora que eu vi como ficou, pensei em algumas coisas pra adicionar que ficariam bem legais, olha... A gente podia colocar sua voz no fundo... – Falava Takanori, quase sem ar. Mas não conseguia parar, tamanha era a empolgação.
– Claro, claro... A gente pode fazer agora. Eu deixei uns papéis no meu quarto... Pega pra mim? Eu vou indo lá pra fora, preciso de ar. – Respondeu o moreno, expondo as covinhas. Em seguida, os dois deixaram o lugar.
Reita não se demorou a sair também, deixando apenas os guitarristas para trás.
– Ótima música, né? – Disse Yuu. A excitação era tanta que mal se lembrava da briguinha que acabara de ter com o outro. Mas Uruha não se esqueceu.
– Teria sido melhor se certo guitarrista não tivesse feito tudo errado...
– Ah, qual é agora, Kouyou?! Eu não fiz nada errado! – Reclamou Shiroyama, jogando-se na cadeira que outrora estivera, a guitarra ainda em mãos.
– Fez sim.
– O quê, esperto?
O loiro encaminhou-se até atrás do outro, segurando-lhe as mãos e apoiando a cabeça em seu ombro. Ainda colocou uma das pernas apoiadas na cadeira de maneira que alcançasse a guitarra de Aoi com as próprias mãos dele e não se desequilibrasse.
– Na parte do solo... Sua base ficou péssima e errada, e isso atrapalhou meu desempenho. Tenta assim. – Inclinando-se um pouco sobre o mais velho, iniciou um movimento com os dedos dele, delicadamente. Mas não durou muito. A cadeira frágil não aguentou o peso dos dois ao mesmo tempo, partindo-se em vários pedaços.
Yuu caiu de lado no chão, Kouyou por cima dele. A guitarra que permanecia segura no corpo do menor por uma tira de pano ainda cortou o rosto de Uruha com uma das cordas mais finas.
– Kouyou, você está bem?! – Foi o que um preocupado Shiroyama perguntou aos berros. Tirou a guitarra de perto de si, mas não conseguiu tirar o loiro, apenas ateve-se a esperar uma resposta.
– Ai, eu... Tô com dor... – Só então Aoi notou que uma parte da cadeira caíra sobre Takashima, retirando-a do lugar de onde estava. Lugar este que era tão macio ao toque... Tão macio que tocou de novo. E já que havia começado, não havia porque parar naquele instante: sempre achara as coxas de Kouyou uma dádiva divina. Rapidamente a mão perdia a timidez e subia pelas coxas do loiro. Foi tão diferente da vez que caiu junto com Yutaka... Diferente de um jeito... Bom.
– Não... Não, Yuu. – A voz saiu baixa. Com um pouco de dificuldade, levantou-se e caminhou meio mancando para a porta, sabendo que os olhos de Yuu o seguiam.
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Do lado de fora da casa, Ruki e Kai discutiam animadamente sobre alguns detalhes da música. Concluíram várias coisas interessantes que poderiam ajudar a melhorar o som que já gostaram tanto. Seria um grande sucesso.
Algo subitamente os tirou de seus pensamentos: um estrondo enorme dentro da casa fez o baterista se sobressaltar.
– Será que está tudo...? – O loiro começara a falar, mas antes mesmo que acabasse, Yutaka levantou-se.
– Eu vou lá ver. A gente termina isso mais tarde...
– Tá, eu vou ficar aqui mais um pouco.
Assim, o maior entrou e abriu a porta da sala de música, de onde pensara ter ouvido o barulho. E, rapidamente, fechou-a de novo ao se deparar com uma cena um tanto desagradável. Mas seu instinto de ciúme falou mais alto que a razão, e logo ele estava espiando por uma frestinha na porta.
Yuu... Aquele abusado estava tocando o SEU Kouyou! Isso mesmo, seu. Agora, mediante a forte onda de ciúmes que sentia, não foi capaz de negar. Gostava realmente do loiro e não precisava se enganar por isso. Sentiu-se muito mais tranquilo quando viu a reação de Takashima ao deixar o colega no chão, olhando-o perplexo. Tratou de correr novamente para a porta, simulando uma nova entrada na casa quando Uruha saia do cômodo.
Ao ver o loiro sangrando, correu ao seu encontro novamente.
– Kou, você tá bem?!
– Ai... Eu só caí, Yukkun. Não se preocupe...
– Mas você está mancando! Venha aqui... – Fez o mais alto passar o braço sobre seu ombro e o ajudou a ir para o quarto que dividiam. E o guitarrista permitiu, mesmo sabendo ser desnecessário. O pé dele estava o incomodando porque a bota que ele usava ficou torta, só precisava calçá-la direito. Mas não tinha motivos pra recusar contato com o baterista... Tinha? Aparentemente não.
– Vamos, deita aí na cama que eu vou pegar algo pra limpar seu rosto.
– Que tem meu rosto?
– Ele tá sangrando, Kou... – Uke aproximou-se da cama, passando o dedo sobre o machucado, vendo o maior contorcer o rosto numa careta. Era tão adorável... E sem demora, esqueceu de que estava inda buscar algo para limpá-lo.
Sentou-se no pé da cama e tirou as botas dos pés que pensava estarem machucados. Seguiu com os olhos pelo corpo do colega até alcançar o rosto machucado, encontrando uma face diferente ali. Uma expressão que jamais vira em Takashima. Estava vulnerável.
Foi apenas acompanhando com os olhos, e quando se deu por si, estava por cima do mais novo lambendo-lhe o sangue que abandonava o corte fino.
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Já estava entediado de ficar na varanda. Na verdade, todo o tempo que ficava parado, sua mente trabalhava a mil. Não tentou evitar o rumo que o pensamento tomou.
Reila. Que surpresa se pegar pensando nela, não?
Estava realmente chateado com o que aconteceu, não era possível. Agora que parava pra pensar nas sutilezas do momento... Ela não parecia muito feliz, não é mesmo? Havia algum problema, e até agora tinha sido mesquinho demais pra pensar no lado dela. Naturalmente o contaria com o tempo... E agora que parava pra pensar... O que sabia sobre ela? Bem... Sabia das coisas que ela contava, mas não descobrira nada por si próprio. Ela poderia ser uma caftina de Hokkaido – e depois desta conclusão, riu-se da própria imaginação fértil.
Resolveu voltar pro quarto, e lá chegando, sorriu malicioso para sua caneta preta. Hora de rabiscar a parede!
Subiu de novo na cama de Reita e dessa vez nem precisou se esticar tanto. Escreveu automaticamente sobre o que pensara há pouco, assim não precisava calcular o que fazia, e sua mente vagava de novo.
A cama de Reita.
Estava em pé na cama de Reita. Duas linhas já escritas e voltou sua mente para o amigo, quase sem notar a mudança. Afinal... O que havia de errado com ele? Naquele outro dia, Takanori estava disposto a conversar com ele. Queria ter-lhe dito certas coisas. Era seu amigo desde tão pequeno... Lembranças de quando corriam pela grama, rolavam, gritavam e pulavam lhe vieram em mente. Era tudo tão mais simples...
Fitou o trabalho feito. Acabou por misturar as coisas.
O quão mais é você; que se tornou nada.
Mais machucada do que eu, que fui deixado para trás.
Mesmo que nada tenha começado...
Mesmo que eu ainda não tenha dito essas palavras a você...
Em algum lugar...
As coisas não estavam nada certas. Por que tudo acontecia ao mesmo tempo? Por que justo consigo?
A proposta da garota o veio em mente. Seria bom morar com ela. Talvez casar-se-ia, formaria uma família. Já tinha certa idade. Mas ao mesmo tempo... A saída dele daquele lugar para ir morar em outro tão longe somadas às sucessivas brigas poderia ser demais para o GazettE aguentar.
Reila... Mesmo se eu tentar dizer o seu nome, esta voz não te alcançará.
Reila... Abra seus olhos e sorria para me mostrar que foi tudo uma mentira...
Vamos a algum lugar amanhã, se for um lugar que você deseja ir.
Eu irei até lá, não importa onde seja.
Será que ele teria mesmo coragem de ir?
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