Reigisa Celebration
11 Dia 16:AU Fantasy- As circunstâncias da minha caminhada na praia
Notas iniciais
Seis horas da manhã era a melhor hora para se caminhar na beira da praia.
Era o que Rei fazia todos os dias desde que se mudara para aquela cidade. Para ele, aquela era uma maneira de se exercitar e o ajudava a manter a concentração durante as aulas da faculdade — que só começavam às nove.
Aquele era— ou melhor, deveria ser— um dia normal. Ele acordara cedo, tomara seu café, e agora estava caminhando no calçadão que beirava a areia.
E então, um grito chamou sua atenção.
—Socorro!
Rei olhou ao redor, procurando pela pessoa que gritara, e avistou alguém entre as pedras que ficavam na beira do mar.
Aquelas pedras eram muito escorregadias, além de serem afiadas. Não era raro acontecer algum acidente naquela parte.
—Você está machucado?—Rei subiu nas pedras cuidadosamente, aproximando-se da pessoa, que parecia ser um garoto loiro.
—Só um pouquinho.— O garoto respondeu.—Eu estou preso, não consigo sair.
Quando Rei chegou perto o suficiente, ele percebeu que aquele garoto não era humano.
Bem, seu torso se parecia com o de um humano, porém, coberto de pequenas escamas muito claras. Da cintura para baixo, as escamas se tornavam maiores e alaranjadas, cobrindo a cauda que o ser tinha em vez de pernas.
—Mas o quê?!—Rei quase gritou, cobrindo a boca com as mãos.— Isso é impossível!
Ele acabara de encontrar uma sereia.
—Ah, eu tinha esquecido que nem todos os humanos sabem que a gente existe.—Ele coçou os cabelos loiros, e Rei percebeu que havia uma fina membrana entre seus dedos.—Mas então, pode me tirar daqui?
—Como você fala minha língua?!
—Pelo que me contaram, nossos ancestrais aprenderam a falar com os marinheiros e os pescadores.— Ele moveu sua cauda e soltou um grunhido de dor.
E aí Rei percebeu que havia sangue espalhado pelas pedras. A cauda da criatura estava presa em um espaço estreito entre duas pedras que, provavelmente, abriram aqueles dois cortes não muito grandes entre suas escamas.
—Ah, desculpa!—Rei se sentiu um estúpido por ter ignorado os pedidos de ajuda.— E-eu vou te ajudar.
Ele segurou o rabo da criatura e a ergueu com cuidado, tirando-a do meio das pedras. Rei passou um braço por debaixo da cauda, e o outro atrás de suas costas, e o levantou.
—Pode me colocar na água.— Ele disse, abraçando o pescoço de Rei.
—Com todos esses machucados?
—Não tem problema, eu consigo me virar.
—Nem pensar!—Rei o colocou na areia, atrás de uma pedra bem grande.— Eu vou buscar alguma coisa para cuidar disso, espera aí.
Sem pensar, ele tirou seu casaco e o colocou sobre os ombros da criatura.
Rei correu até a farmácia mais próxima e comprou ataduras, antisséptico e uma garrafa de água.
O tritão ainda estava lá quando ele voltou, entretido com o zíper do casaco.
—O que é isso?— Ele perguntou, puxando o deslizador para cima e para baixo.
—Um zíper. Ele serve para fechar a roupa.— Rei explicou, abrindo a garrafa de água.— Vou limpar seus machucados.
Ele jogou água sobre as feridas, tirando a areia e o excesso de sangue que as cobriam.
—Roupa é uma coisa muito estranha.—Ele murmurou, agora mexendo nos bolsos do casaco.— Esqueci de perguntar o seu nome.
—Meu nome é Rei.— Ele secou as feridas com alguns lencinhos que tinha bolso.— Você tem um nome?
—Nagisa.
—Certo.— Rei abriu a caixinha do antisséptico e tirou o frasco.— Isso vai arder um pouco.
Nagisa apertou as mangas do casaco e soltou um gemido de dor quando ele espirrou o produto sobre os cortes.
—O que é isso?—Ele perguntou incomodado.
—É um remédio para o machucado não infeccionar.—Rei abriu o pacote de ataduras e enfaixou a parte ferida com cuidado.
—Eu nem sei o que é infeccionar— Nagisa passou a mão na gaze, quase tocando os dedos de Rei ao fazer isso.—Parou de sangrar!
—Tire isso antes de dormir.— Ele ajeitou seus óculos, pensando em quais seriam os hábitos daquelas criaturas.— Ou melhor, quando anoitecer.
Rei o pegou nos braços mais uma vez, levando-o até a água. Ele nem se preocupou em tirar os tênis, encharcando-os junto com as meias e as pernas da calça.
Nagisa soltou um chiado de desconforto quando sua cauda afundou na água salgada.
—Ah, sua roupa.— Ele tirou o casaco de seus ombros.—Molhou um pouco.
—Não tem problema.— Rei pensou em deixar o casaco com ele, mas pra que serviria um casaco debaixo d'água?
—Espero te encontrar de novo, Rei.— Nagisa se despediu e mergulhou, nadando para o fundo do mar.
Depois daquele dia, Rei passou a caminhar mais perto do mar.
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