Rei dos reis

9 Chapter 8 - Portas


Lucas e Izabel soltaram os cavalos. Em suas ações de serem rápidos, os animais começaram a se agitar com a presença do fogo nas mãos de Lucas. Um dos cavalos, arredio, soltou-se e, ao erguer-se em duas patas, bateu com o ferro em Lucas, fazendo-o cair no chão e a tocha em sua mão rolar no estábulo, começando o fogo antes deles saírem, ainda em pouca escala.

Os guardas, que estavam em prontidão ao lado de fora, ao ouvirem o rebuliço dos cavalos, aproximaram-se do local onde Lucas e Izabel estavam. Izabel, ao perceber a movimentação, tentou tirar Lucas, ainda tonteado pelo golpe, dali.

— Vejam! Há pessoas lá dentro! – Indicou o guarda, sacando a espada da bainha.

— Espere! — Exclamou o outro. — Volte para a sua posição que eu verei o que está acontecendo.

O soldado que desembainhou a espada, guardou-a e assentiu.

— Iza... — Chamou Lucas, não conseguiu concluir a fala pela dor na cabela.

— Lucas, não force, está ferido!

— Tem um balde ali... – Lucas falava com dificuldade e com a mão na cabeça para estancar o sangue que já escorria devido ao corte – Pegue-o e jogue no chão, o líquido dele fará com que o fogo se espalhe mais rápido.

— Mas estão vindo em nossa direção, irão nos pegar!

— Não... – Lucas tentou se levantar.

— Espere! – Izabel se aproximou e o ajudou – Apoie-se em mim.

Lucas assim o fez, os animais começaram a relinchar devido ao pequeno fogo que se formava.

— Solte os cavalos. – Pediu Lucas.

— Sou apenas uma. – Izabel suspirou – E ainda estou de vestido.

Lucas riu.

— Mania de guerra... Fazer tudo ao mesmo tempo.

Izabel também riu. Ela correu até o balde e deu à Lucas, retornou em seguida para abrir as portas para soltar os cavalos.

— Parado! – Anunciou o guarda.

— Se não percebeu, eu já estou parado... – Ironizou Lucas.

Izabel, por ter voltado, entrou em uma das cabines onde um cavalo branco estava.

— Onde está a outra pessoa?

— Só estou eu aqui, senhor.

— Mentira! Eu vi alguma coisa se movimento mais a frente.

— Admiro chamar-me de mentiroso quando só me vês aqui.

— Calado! – O guarda de Tresapter adentrou ao local e se aproximou de Lucas – O que houve?

— Vim verificar os cavalos e um se agitou e me deu na cabeça.

— Hm... – Analisou o guarda.

— Se no seu reino não se fazem isso, deveriam fazer. Nunca se sabe quando pode aparecer um ladrão de cavalos em meio a um baile real. Imagine quantos cavalos afeiçoados não têm aqui!? – Lucas abriu os braços – Porém... Por mais nobres que sejam, não gostam de fogo. – Lucas riu.

— Percebo... – O guardo estreitou o olhar para todo o estábulo.

Começou a andar e apagou o pequeno fogo com os pés, deixando apenas a brasa se apagando por si só na noite gélida.

Lucas deu um breve suspiro. Izabel sentiu os passos do guarda de Tresapter e, vagarosamente, foi para detrás do cavalo, que continuou quieto, apesar da presença feminina.

— Está uma loucura dentro do palácio. – Observou Lucas.

— Hm... – Balbuciou o guarda – Realmente está. O que me leva a indagar: o que faz o soldado principal do rei estar fora do tabuleiro? – Ele se virou para Lucas.

— Algumas peças precisam estar fora da visão do inimigo para poder atacar melhor. – Lucas enfatizou a palavra atacar para que Izabel pudesse entender.

E ela assim o fez, saiu da cabine de onde estava, deixando a porta de madeira aberta, pegou a tocha ainda quente do fogo e aproximou-a do cavalo, que, instintivamente, relinchou e saiu apressado. Ao deparar-se com o guarda de Tresapter a sua frente, ergueu-se em duas patas. Ao tentar recuar, Izabel mantinha-se com o pedaço de madeira ainda quente em suas mãos, ameaçando o animal que, avançou para frente, empurrando o guarda no chão.

Lucas desembainhou a espada, mas o guarda de Tresapter levantou-se rapidamente com a mesma ação. Izabel, no ímpeto das emoções, coroou a cabeça do guarda com a madeira em suas mãos com tanta força e medo que o fez desmaiar.

— Oh! Meu Deus, o que eu fiz?! – Ela recuou com uma das mãos em sua boca.

— Acabou de me salvar. – Brincou Lucas, puxando-a pelo braço – Vamos pegar outra tocha e atear fogo nesse lugar.

— Mas precisamos tirar o soldado de Tresapter daqui.

— Claro que não! Ele tentou me matar!

— Ainda assim precisamos salva-lo! – Irritou-se Izabel.

Lucas não entendeu. Soltou o braço da menina e saiu sem questionar.

— Ora! Era você quem devia tira-lo daqui! – Bradou a menina.

— Não fui eu quem o fez ficar desacordado no chão. – Lucas falava ao longe.

Izabel suspirou e olhou para o homem deitado, pegou pelos seus pés e o puxou para fora do estábulo. Esbaforida, ergueu-o pelas costas e o recostou em uma árvore.

Ao se virar, o mesmo, ainda acordando e tentando erguer o rosto, segurou a mão de Izabel. Assustada, soltou-se e correu.

— Obrigado... – Foi o que ele disse, sem que ela ouvisse.

***

Lucas retornou com uma nova tocha, agora, observando por todos os lados se ninguém o vira. Izabel, ainda ao longe, viu Lucas adentrando ao estábulo e ateando fogo no local. Ele soltou os cavalos e os mesmos, em uma sinfonia animal, demostravam pavor e relincho com o fogo que se alastrava no chão. Para o processo ser mais rápido, Lucas utilizou-se do líquido que estava em um balde e o derramou no chão. As chamas seguiram o roteiro esperado e tudo foi tomado por fogo.

Um guarda de Guiscard observou uma forte luz vindo um pouco de longe do castelo e fumaça. Chamou mais um para verem o que era. Nesse tempo, Lucas e Izabel corriam para detrás do castelo, a fim de retornarem sem serem vistos.

Enquanto os dois guardas caminhavam para o local do fogo, os cavalos passaram correndo por eles, fazendo-os apressar o passo. Ao verem o estábulo em chamas, um deles disse:

— Rápido! Avise ao rei! Avise ao rei! – Exclamou.

O outro guarda, assustado, colocou-se a correr em direção ao palácio real.

***

As pessoas no salão ao ouvirem “Fogo”, desesperaram-se e muitos gritos foram ouvidos e o alvoroço se fez presente no ambiente.

Hector pegou Beatriz pelo braço e a levou para próximo a escada.

— Você precisa confiar em mim. – Disse ele.

— Não consigo. Entre me casar contigo e com aquele a quem minha vida está sendo entregue, prefiro morrer!

— Não exagere, princesa, não deixaremos nada de mal acontecer a ti.

— Prometa! Prometa pela sua vida.

Hector assentiu.

— Você viverá a sua história. É uma promessa. – O príncipe apertou a mão de Beatriz, que abaixou o rosto — Você precisa correr lá pra cima e fique por lá até as coisas acalmarem aqui.

— E como saberei?

— Quando todos nós estivermos em silêncio. – Hector riu.

— E quanto a ti!?

— Tentarei apagar o fogo.

Beatriz assentiu e subiu as escadas, sem olhar para trás.

Os guardar abriram os portões principais do palácio e da entrada do castelo. Todos os convidados saíram aos gritos, sem saberem de fato de onde vinha o fogo. Os cavalos haviam sido parados pelos guardas que faziam a ronda no jardim, conseguindo entregar aos responsáveis pelas carruagens.

Apesar do alvoroço, tudo foi sendo organizado e os convidados foram embora do palácio.

— Que desastre! – Bradou o rei Dimitri.

O rei de Guiscard sorriu de canto.

— O que parece ser tempestade, às vezes é só o bravo céu querendo limpar as nuvens...

Dimitri balançou a cabeça sem entender.

— Ficaremos aqui com o fogo se alastrando!?

— Não se preocupem! – Exclamou Hector.

Os olhares de quem permaneceu no palácio fora diretamente para o príncipe.

— Está tudo sob controle. Os guardas já acharam o foco do fogo, já conduziram os convidados para as suas carruagens e, por fim, o alvoroço está cessando. Resta apenas nós aqui. — Hector falou pausadamente a última frase.

— Como sabe disso tudo se esteve aqui o tempo todo com minha filha? – O rei Dimitri encarou Hector.

— Já passei toda a informação da guarda real, senhor. – A voz veio de longe, mas Lucas logo se apresentou para o público ainda presente. Izabel não estava com ele. Lucas e Hector não trocaram olhares, mas sabiam o que se passava.

Alexsandro observava a situação cautelosamente, tentando flagrar algum movimento que revelasse que Lucas e Hector armaram tal situação.

— Onde está a princesa? – Indagou Alexsandro, mudando o rumo dos seus pensamentos.

— Sim! Onde está minha filha!? – A observação de Alexsandro fez com que o rei Dimitri desse um pulo de seu lugar a procura da princesa.

— A princesa Beatriz está bem. — Acalentou Hector — Pedi que subisse até que tudo fosse resolvido, aqui não era um ambiente para ela.

— Hm... Vejo que você e minha filha já estão se dando muito bem. Mas não entendo porque houve tanta troca de planos em meio ao anúncio. – O rei Dimitri olhou para Dalibor.

O rei Dalibor II, por sua vez, olhava para seu sobrinho Alexsandro, que deu mais alguns passos para frente e ficou próximo ao rei de Tresapter.

— Conceda-me a honra de desposar sua filha em comum acordo. Posso não ser o príncipe, mas honrarei o seu reino como um. – Alexsandro tomou a palavra.

Mira tentou se aproximar também, mas sentiu uma mão suave lhe segurar e impedir que avançasse para próximo dos homens. Assim que a rainha viu quem era, assentiu e a pessoa a chamou para outro ambiente. Mira concordou e saiu sem que fosse observada.

— Claro que não! – Bradou o rei Dimitri em resposta ao sobrinho do rei.

A porta principal do palácio fora trancada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.