O rei Dalibor II procurou por seu filho através de seu olhar. O rei Dimitri solicitou a um dos seus guardas que procurassem pela princesa.

Ao ouvirem o anúncio do rei, o príncipe Hector cessou a dança e olhou para Izabel. Aos poucos, os instrumentos começaram a deixar de lado melodia festiva e silenciaram-se.

— Não acredito... – Hector balbuciou e procurou pela princesa.

— Hector. – Izabel soltou sua mão e passou no rosto do príncipe – Eu confio em ti.

Hector fechou os olhos.

Izabel sorriu. Lembrou-se do dia em que encontrou Hector chegando na cidade do império Alemão.

O rei, ao perceber que o silêncio já era unânime e a atenção era total no trono, convidou o príncipe de Guiscard e a princesa de Tresapter para se aproximarem.

— Preciso que faça algo por mim. – Pediu Hector.

— Agora?

Ele assentiu. Aproximou-se do rosto de Izabel, falando-lhe ao ouvido. Enquanto isso, Beatriz, em seu íntimo, sentia seu rosto esquentar, seus olhos ficaram turvos, causando-lhe tontura.

— Princesa! – Lucas a chamou ao sentir o suor em suas mãos.

— Estou com medo.

— Não fiques assim... Hector fará alguma coisa.

— E se ele acatar ao pedido dos reis?

Lucas olhou para o amigo, que já havia deixado Izabel no meio do salão e estava parado mais a frente. O príncipe olhou para trás a procura de Beatriz e sorriu ao vê-la, esticando o braço com se a convidasse a segurar em sua mão.

Toda esta cena, aos olhos do rei Dalibor II parecia-lhe bem. Era como se tudo estivesse se encaminhando para dar certo. Mira, a rainha, no entanto, temia em seu íntimo.

No centro, onde os pares dançavam, Lucas se atentou as ações de Hector e na movimentação em todo o salão.

— Você precisa ir, milady, os guardas de seu pai já estão a sua procura.

— Eu não sei o que Hector está pensando… não sei o que ele fará, estou aflita!

Beatriz abaixou o rosto e Lucas soltou a sua mão.

— Eu não sei o que Hector fará, mas confie.

A menina suspirou e começou a dar pequenos passos em direção ao príncipe.

***

Alexsandro tentou se aproximar do rei, mas os guardas tomaram-lhe a frente.

— O que está havendo!? – Indagou para si. Atentou nos guardas de Guiscard e pensou consigo que ninguém falaria nada, então parou o primeiro guarda do reino de Tresapter.

— Senhor? — Indagou o guarda parado.

— Por que tanta movimentação para o pronuncio do rei de Guiscard?

— Não sabes? — O soldado riu.

Alexsandro movimentou seu rosto em negativa.

—Podemos sair daqui em paz ou decretando guerra.

—Isso é um absurdo! Vocês estão em terra aliada!

— Não é um absurdo, senhor, são ordens.

Alexsandro respirou fundo. Olhou para Lucas e caminhou até ele, ao ver que Beatriz, a princesa, se afastava da multidão indo de encontro a Hector.

***

—Lucas? — Chamou Alexsandro.

Ao ver o rapaz se movimentar para próximo da guarda do rei de Guiscard, Alexsandro o acompanhou dando passos largos. Parecia correr contra o tempo.

—Lucas! — Chamou-o novamente.

O rapaz olhou para traz.

—Que alvoroço é esse? A festa tomou outro rumo! Os guardas não param de andar de um lado para o outro.

Lucas inclinou um pouco a cabeça, encarou bem Alexsandro e respondeu:

—Ora, como você, sobrinho do rei e primo do príncipe não sabe o que está havendo? — Sorriu e concluiu com a mesma frase que Alexsandro lhe respondera alguns momentos atrás- Tão perto do rei, mas tão distante do que está acontecendo…

Alexsandro segurou forte no braço de Lucas.

—Como ousa!?

Lucas puxou seu braço para si.

— Não sirvo a você, só devo dar satisfações a quem realmente é da hierarquia do trono!

O jovem Millicent continuou sua caminhada junto a outros guardas reais, aplicando-lhes uma ordem.

Alexsandro ficara furioso pela resposta de Lucas, mas não retrucou, respirou fundo cerrando o punho.

***

Beatriz ficou lado a lado com Hector.

—O que fará?

— Você tem duas opções: ficar ao meu lado ou contra mim.

Beatriz engoliu a seco.

— Não se trata mais de nós, princesa.

—Nunca se tratou.

Hector assentiu.

***

Dalibor II sorriu com a cena que se formava a sua frente: os príncipes estavam juntos.

—Estou gostando do que vejo, Dalibor II. Parece que vamos mesmo ser aliados.

—Dimitri… Qual é o maior temor de um rei?

O Rei de Tresapter engoliu a seco e olhou para Dalibor II.

—Perder seu território para o inimigo? — Riu.

Dalibor II negou com a cabeça.

—Não saber quem estará no seu trono após sua morte e eu não quero perder o meu.

—Confesso, que nem eu.

O rei de Guiscard retomou a palavra.

— Meu povo! Quero dar início a um novo tempo para este Reino! Juntamente com Roma — Resolveu este momento apropriado para olhar para o arcebispo — e agora, mais do que nunca, com nosso aliado, o rei de Tresapter! Que com tanta honra veio nos prestigiar neste baile.

O arcebispo aplaudiu e todos os que estavam presentes seguiram no aplauso, o rei Dimitri agradeceu. E o protocolo se seguia.

Hector aguardou até que houvesse silêncio total no salão, alguns murmúrios ainda ocorriam, mas eram pouco notados; no entanto, a movimentação entre as duas guardas eram intensas em posição ao pronunciamento do rei.

—Senhores! — Hector tomou a voz.

Os dois reis olharam para ele, surpresos.

— Meu pai bem disse e darei continuidade. Hoje podemos iniciar um grande legado entre dois reinos. Uma força inimaginável através de uma união entre mim… — Hector olhou para a princesa, que respirava pesadamente — E uma nobre.

Hector deixou um suspense no ar.

Nobre? Seria a princesa? Não haverá casamento entre os príncipes? O Reino de Tresapter e Guiscard vão mesmo se unir?

Muitas eram as indagações no salão após a fala do príncipe Hector.

—O que seu filho está fazendo!? — Gritou Dimitri.

Dalibor II deu um passo a frente.

— Recebi um grande conselho e quero pôr em prática: um trono não é feito de amor, mas de boas relações. — Continuou Hector, que não olhava para o seu pai, mas gesticulava para o público presente — Então, hoje, eu declaro… Como príncipe de Guiscard e herdeiro do trono, que casar-me-ei com…

— Não! — Gritou Beatriz.

—Filha! — O Rei Dimitri pôs a mão em seu peito — O que está havendo…? Dalibor…?

Os reis se entreolham.

—Chame Alexsandro aqui… Agora! — Ordenou o Rei de Guiscard ao guarda que estava ao seu lado.

— Calma, princesa! — Hector a puxou para frente de si.

— Não aceite isso, príncipe, não aceite este casamento! — Beatriz chorava aos prantos.

***

Lucas puxou Izabel.

—O quê…?

— Não diga nada. — Lucas fez sinal de silêncio e olhou para Izabel de modo que ela confiasse nele.

— Hector tem um plano, não tem?

Izabel assentiu.

Os dois saíram do Castelo.

***

Dalibor II começou a caminhar de encontro a Hector. O rei Dimitri permaneceu parado.

— O que pensas estar fazendo, seu insolente!?

O rei de Guisgard puxou seu filho pelas costas, assustando mais ainda Beatriz.

— Ouçam, nobres de Guisgard! — Gritou Hector, agora, de frente para seu pai — Eu me casarei com uma nobre de outro império, aumentando nosso leque de relações... E Beatriz, princesa de Tresapter…

— Casar-se-á com meu sobrinho, Alexsandro! — Concluiu o rei.

Hector não esperava a ação do pai, assim como Dalibor II não esperava pela ação do filho. Deu-se início a um silêncio entre os dois em uma fervente troca de olhares.

***

Alexsandro estava inerte desde que Lucas o deixara e foi surpreendido quando um guarda o parou, por um chamado do rei.

Mira acompanhou seu sobrinho, aproximando-se do mesmo.

—O que houve, Alex?

—Também não sei, tia, mas o rei mandou me chamar.

Mira deu um passo para traz, temendo o pior, pois a mesma já sabia a intenção de seu esposo ao chamar Alexsandro .

—Tia…! — Alexsandro a segurou.

— Não vá… se você tem um pouco de compaixão pelo seu primo, Hector, não vá… — A voz da rainha estava falhando.

Alexsandro não estava entendendo e se afastou da rainha, seguindo seu caminho até o rei.

— Não… — Mira soltou a palavra sem emitir som.

— Rainha? — O arcebispo se aproximou — O que está havendo?

—Ore… Ore a Deus.

***

Alexsandro parou no meio do caminho ao ouvir o anúncio do rei, seu tio.

—O que ele disse!?