Rei dos Mares
3 Capítulo 2
Notas iniciais
É o fim, penso. A ambição de meu pai, de gerações, o lendário One Piece. Cada passo da criatura gigante parece demorar uma década. Será que terei uma morte lenta e dolorosa? Suas mãos esmagando meus ossos vagarosamente, meus membros sendo arrancados um por um. A visão vai fechando aos poucos, melhor nem ver mesmo. Ser o Rei dos Mares, não era isso que eu queria? Ter uma tripulação, velejar pelo oceano, viver o sonho de meu pai. Patético.
Tudo escuro, pronto. Estou quase perdendo a esperança, quando ouço a voz do de cabelos longos e abro meus olhos:
- Ei, seu vara-pau de merda! – A criatura arregala seus olhos, já na minha frente. Ele vira seu corpo lentamente num gesto assustador, se voltando para seu novo oponente.
- Como ousa falar mal do mestre Ollio?! – grita um dos seguidores.
- Seu cabeludo de quinta! – exclama o outro, com raiva ardendo em seus olhos já se preparando para atacar – Não irei te perdoar!
Os dois homens relativamente grandes correm em direção ao cabeludo, com os punhos gigantes a mostra. Não sei como, mas em apenas dois segundos os capangas já se encontram na frente de seu inimigo, socando-o rapidamente ao mesmo tempo. Como já provara sua agilidade com um dos outros homens de Ollio, o misterioso de longos cabelos logo se agacha, deixando um vácuo como saco de pancadas para os outros dois homens, que cambaleiam num pé só até caírem um em cima dos outro.
— Já chega! – a voz grossa e forte do homem cujo nome seria Ollio quase quebra meus ouvidos, me fazendo olhar atentamente para ele – Nyl, Catsu, voltem para a base!
Os dois capangas agora assustados se levantam rapidamente em postura, e falam com uma voz tremendo em coro:
- S-sim mestre Ollio!
Novamente não demora nem dez segundos para os dois sumirem de vista. Seu oponente levanta e bate as mãos num gesto de trabalho bem feito.
- Ai, ai... Se quer me derrotar vai ter que precisar de homens mais fortes. – fala suavemente.
- Seu malditinho!
A poeira de seus pés se dissipa no ar vagarosamente, enquanto ele gira no ar através de um salto que só criaturas como ele poderiam fazê-lo. Como um meteoro em chamas, Ollio cai no chão causando um enorme impacto, levando seu oponente alguns metros aos ares. Logo após atingir o chão, o da faixa já se levanta, a ponto de se esquivar do próximo movimento de Ollio, que já se encontra com o braço esticado e os punhos cerrados em sua direção.
O ágil cabeludo consegue se esquivar do golpe, porém logo é obrigado a por suas habilidades em jogo, quando o grandão começa a socar sucessivamente. Gemidos são ouvidos a cada esquiva que é feita, a rapidez dos golpes é incrível. Passam-se alguns minutos e os socos não param e ficam cada vez mais velozes.
Não sei como, mas a capacidade de esquiva desse cara é impressionante, uma pessoa comum já teria cansado e desistido. Um gemido longo escapa de seus lábios, acho que agora chegara a seu limite. Após um último desvio do braço direito de Ollio, ele não consegue mais continuar, o braço esquerdo do gigante vai fundo e acerta em cheio sua face, seguido de um chute poderoso no peito. A força é inacreditável. Assim como eu, ele atingira uma casa, na verdade, duas. E eu que estava achando os meus estragos feios. Não há reação alguma. Só poeira, o som estrondoso de casas desabando e os risos maléficos de Ollio.
- Idiota – diz o vara-pau caindo em gargalhadas –, ninguém pode me derrotar! Agora vou cuidar desse aqui.
Caminhando normalmente, ele se dirige a mim, ainda rindo, fixando seu olhar em mim, me levando a tremer. Tremer como naquela noite. Pela primeira vez depois daquele incidente estou com medo. Não quero morrer, não posso. Os passos fazem mais barulho do que o normal, aumentados pelo silêncio e ecoados pelo vácuo. Agora já não há mais cabeludos de faixa para me salvar.
O xingamento alto e claro do moleque me faz retirar o pensamento anterior:
- Aonde vai, girafa?
Os olhos grandes e atormentadores da criatura se arregalam como nunca vi. Ele se vira como um raio e praticamente se teleporta direção ao seu alvo. Com um sorriso de quem acaba de acordar, o de faixa coloca suavemente uma soqueira igual a outra na mão direita.
- Seu peludo de bosta! Como ainda pode estar vivo? Desta vez vou te mandar pro inferno de uma vez por todas!
Dito isso, o assassino já está no ar e cai no mesmo segundo batendo no chão com os dois braços erguidos, rachando a superfície. Ele olha pasmo. Seu oponente não está mais ao redor. Quando pensa em levantar, seu alvo cai do céu, já em posição de ataque com seus punhos metálicos a mostra. É tudo muito rápido, os socos múltiplos desferidos pelo cabeludo são quase invisíveis de tão velozes, e não consigo mais reconhecer Ollio, com a face desfigurada e horrorosa. Um último e fatal soco de direita termina o trabalho, atirando o gigante como um canhão.
Uma? Duas? Três casas? Não consigo contar. Dezenas de cidadãos saem de suas casas destruídas desesperadamente, porém ao verem seu predador jogado no chão com a face irreconhecível, gritam de alegria. De pouco em pouco as casas intactas vão se esvaziando, e mais e mais agradecimentos e aleluias são ouvidos. O vitorioso caminha tranquilamente em minha direção, com as mãos no bolso, como não tivesse sido arremessado metros pelos ares e derrubado duas casas. Seus únicos ferimentos visíveis são uma sobrancelha sangrando, um olho roxo e provavelmente uma costela quebrada, pelo sangue na região.
- Você está bem? – pergunta ele.
- Hm, mais ou menos. Acho que quebrei a perna esquerda.
Ele examina minha perna com cuidado, toca em lugares específicos e me pergunta se dói. Após alguns minutos de observação ele finalmente conclui:
- Você deslocou a patela e quebrou o pé.
- Você é médico? – pergunto.
- É... Mais ou menos, minha mãe era médica e acabou me ensinando algumas coisas. Mas e ai, qual é seu nome?
- Frank Tiner
- Prazer, eu sou Nikk, Nikk Von Guerek. – diz ele, com sua voz suave e amigável.
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