Regum Urbem
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Tivemos que correr até a loja da Guida e comprar o remendo para o teto de madeirada cabana, também peguei uma encomenda que era destinada ao meu avô, eu não sabia o que era, mas ele disse que era importante. A encomenda do meu avô vinha em uma caixa de madeira, onde seu comprimento era igual ao do meu cotovelo até a ponta do meu dedo do meio, a largura era do tamanho da minha mão aberta e tinha uma profundidade de 3 dedos, não era nada muito grande, mas pelo cuidado que ele me recomendou para ter com isso, deveria ser importante ou de alguém importante, já que o meu avô era um intermediário muito importante na cidade, e o tempo todo recebia itens valiosos para manter em sua posse até o dia do acordo.
Ao sair da loja, notei que faltavam apenas 10 minutos para o por do sol e estávamos a 15 minutos de casa. Tivemos que correr para tentar chegar a tempo, mas foi inútil, já que Felipe torceu o pé na metade do caminho e eu tive que carregar ele nas costas pelo resto do caminho, mas de qualquer maneira, não adiantava mais correr, o sol tinha se posto e estávamos na metade do caminho. Nos encontrávamos agora na parte mais perigosa de Porã, o setor leste da periferia.
A periferia de Porã era dividida em 4 partes, a primeira era a parte mais calma da cidade, onde ficavam os principais centros comerciais da cidade, a zona leste e oeste(que é onde nós estávamos) eram conhecidas como purgatório, nessas áreas se encontravam as maiores facções de Porã, e a noite as facções usavam a zona sul(onde estava a nossa cabana) como campo de batalha. A zona sul era a parte rural da cidade, todos os moradores se conheciam e se davam bem, era a parte mais honesta e tranquila da cidade, e por causa dessa tranquilidade, os moradores da zona sul não se revoltavam contra os seus opressores das zonas leste e oeste.
Eu e Felipe decidimos que era melhor nos apressarmos, já que quanto mais tempo ficássemos na zona leste, menos chances teríamos de sobreviver.
Decidimos então correr o mais rápido que podíamos para tentar chegar a cabana antes das coisas começarem a complicar, mas isso não foi possível, pois no caminho nós encontramos Lary e os seus amiguinhos
- Mas se não é o pequeno polegar? — disse Lary caminhando em minha direção — está pronto para acertarmos as contas?
- Sabe, bem, não é uma boa hora, que tal falarmos sobre isso mais tarde? Podemos tomar uma chicara de chá e comer uns biscoitinhos.
Nesse momento, Lary já estava vermelho de raiva, e com um simples gesto com as mãos, cerca de 20 capangas sairam de becos e casas, e começaram a formar um circulo ao nosso redor.
- Isso é covardia, venha me enfrentar como homem Lary.
- Eu não disse que ia ter troco? Eu só não esperava que fosse acontecer tão cedo
E com outro gesto com as mãos, todos os capangas avançaram de uma vez em nossa direção. Consegui me esquivar do primeiro capanga, que bateu de frente com mais 2 que se aproximavam, mas enquanto isso, 1 capanga me acertou por traz e acabei por cair de joelhos no chão e o mesmo que me derrubou aproveitou a chance para me dar um chute na cabeça que me deixou inconciente e a ultima visão que tive antes de perder a conciencia foi a de Felipe sendo chutado por 3 dos capangas de Lary.
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