Regum Urbem
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu estava a caminho da loja de conveniências da dona Guida, terminei por passar em frente a um grupo de adolescentes com roupas sujas e desgastadas, eles estavam brincando de torturar um garoto que não tinha dinheiro para lhes dar, pelo que vi, a brincadeira consistia em fazer um corte no garoto toda vez que uma mulher gorda passasse, aquele que visse a mulher primeiro, fazia o corte, e quem fizesse mais cortes antes dele morrer, ganhava.
Mas como eu tinha um senso de justiça muito grande, eu decidi ir lá e salva-lo(lembrando que estava chovendo), o grupo de torturadores era constituído por 3 rapazes, um com aproximadamente 15, o segundo aparentava ter 16 e o mais velho deveria ter uns 18 anos, todos armados e se divertindo com a brincadeira. Ao me aproximar do grupo, notei que o mais velho tinha uma tatuagem na testa com o seu nome escrito: Lary, nome que até hoje me dá muitas risadas, mas ao me aproximar de Lary,seus amigos entraram na frente com intenção de protege-lo de uma possível ameaça, mas o chefe do grupinho não me viu como uma ameaça e afastou seus colegas para ter uma visão melhor do meu rosto, ele era alto, cerca de 1,80m de altura, tinha um tórax largo e braços musculosos, cabelos loiros e um rosto marcado pelas suas lutas anteriores, tinha o olho esquerdo cortado por uma cicatriz que descia de sua testa até metade de sua bochecha, seu outro olho era azul claro, mas dava para ver a insanidade em seus olhos.
Ele caminhou em minha direção e parou a 10 passos de mim, enquanto segurava a sua faca na mão direita e apontada em minha direção.
O que você está olhando? — disse Lary, com seu halito fedendo a cerveja e carne de porco – Perdeu o amor pela vida?
Por quê vocês estão fazendo isso com ele? — perguntei, enquanto tentava ganhar tempo para bolar um plano de ataque – A sua mãe não te ensinou que é feio bater em pessoas mais fracas que você?
Cuidado com o que fala garoto, já pisei em insetos maiores que você.
Então, por quê não vem tentar a sorte?
Seus olhos estavam vermelhos de raiva, e em seguida a minha provocação ele avançou tentando enfiar a faca em meu coração, mas consegui prever seu movimento e saltar para trás e me salvar, depois me aproveitei da chuva para desviar do segundo golpe, escorregando para frente, que tinha como alvo a minha jugular, em seguida, Lary tentou furar meu olho com sua faca de tortura, mas eu me inclinei para a esquerda o suficiente para que a faca passasse por cima do meu ombro direito e fazer ele perder o equilíbrio, segurei o seu pulso, e usando o seu próprio impulso, coloquei a minha mão livre em suas costelas, criando uma alavanca e lançando-o de costas no chão molhado de pedra da rua em que estávamos.
Lary! — gritaram os seus amigos torturadores – vamos embora, não vale a pena sermos levados pela guarda real por causa disso.
Não me toquem, eu estou bem – disse Lary ao tentar se levantar — Você teve sorte dessa vez garoto, mas da próxima vez, eu vou te fazer pagar por isso.
Apos Lary e os dois cachorrinhos dele irem embora, me aproximei do garoto que tinha sido torturado para ver o seu estado e saber se ele estava bem.
Você está bem?
Sim, mas qual é o seu problema? Não sabe que a guarda real pode aparecer a qualquer momento?.
Mas o que é essa tal de guarda real?
Você não sabe o que é a guarda real? São simplesmente os responsáveis por manter a ordem por aqui, mas não estavam fazendo um bom trabalho, então o rei Luis deu permissão para a guarda usar força letal contra qualquer um que causar confusão por aqui.
Eu não estava sabendo, eu moro na periferia da cidade.
Entendi, vem comigo, rápido.
Nisso que o garoto me puxou para um beco a meia luz que se encontrava do nosso lado, dois homens armados com dois sabres de cavalaria passaram na rua em que estávamos, por questão de alguns segundos eles não nos vem.
Qual o seu nome? — perguntei ao garoto.
Felipe, e o seu?
Erhen, mas quantos cortes eles fizeram em você?
Só 1, mas quase pegou o meu olho.
Que bom que você está bem, mas agora eu tenho que ir a loja de conveniências da dona Guida, então tenho que me apressar, meu avô está me esperando em casa
A tá, entendi, você tem uma casa para voltar – falou com tristeza em seu rosto – meus pais foram mortos por um incêndio a 10 anos atras, a partir desse momento, tenho ganhado a vida nas ruas, já que me recuso a ir a um orfanato.
Quantos anos você tem?
13, e sim, estou vivendo sozinho desde que tinha 3 anos.
Você não gostaria de ir morar comigo e com o meu avô? Temos um quarto sobrando lá na nossa cabana.
Isso é sério? — Felipe falou tão alto que eu dei um pulo para traz e bati com a cabeça na parede do beco – eu adoraria ir morar com você, mesmo tendo te conhecido a 5 minutos
Quando ele mencionou o tempo que nós tínhamos nos conhecido, me lembrei de algo, a quanto tempo eu tinha saído da cabana? 2 horas? Mais? Eu não sabia, mas o sol estava se pondo, então eu tinha que me apressar, a cidade era um inferno a noite, pois a noite, todos os criminosos da cidade de Porã saiam e faziam o que queriam, e nem o rei Luis podia fazer alguma coisa, e segundo os meus cálculos, faltavam 15 minutos para o sol se por.
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