Regress
1 Capítulo Um
Notas iniciais
Nenhum homem escolhe o mal porque é mal, ele apenas confunde com, o bem que procura.
— Mary Wollstonecraft
Ronin tinha os olhos fixos nas folhas caídas acumuladas no chão da floresta a jovem rainha Ece*, agora uma adolescente, estava de pé ao lado dele os olhos na mesma direção que o general.
— Eu realmente sinto muito Ronin, mas não tem outro jeito. — A jovem rainha suspirou. — Sei o quanto Dara significou para você, todos nós a amávamos. Mas precisamos de Mandrake...
— Não precisamos de Mandrake magestade! Com todo respeito, deve haver outro jeito! Tem que haver outro jeito, não pode trazer ele pra fora! — Ronin disse olhando para Ece.
— Não tem general Ronin. — A rainha disse um pouco cansada. — Eu procurei, estudei todos os pergaminhos de Nim Galuu que me foi possível com a ajuda dele. Não há outra forma. Sem Mandrake, a floresta vai morrer. A natureza precisa de equilíbrio perfeito e nada mais que isso.
Ronin suspirou e olhou para o céu. A rainha se foi sem dizer mais nenhuma palavra. O general permaneceu ali por horas, não queria presenciar a cerimônia de libertação de Mandrake. Sim Mandrake seria libertado da árvore que o prendeu pela rainha. Porque? Porque a matéria não estava se decompondo sem ele. Folhas e galhos caídos até os animais que morriam, nada entrava em processo de decomposição, com isso os nutrientes do solo estavam diminuindo e as árvores incapazes de conseguir o necessário para fazer uma boa fotossíntese estavam lentamente morrendo. Precisavam dele, ou seria o fim da floresta.
Naquele momento provavelmente a rainha estava para libertar Mandrake, mas Ronin estava preso demais ao passado para acreditar que dessa vez poderia ser diferente. Afinal o que fazia os outros acreditarem que alguém como ele, o Rei do Apodrecimento daquela floresta poderia mudar. O grisalho suspirou, e manteve o olhar fixo no céu onde nuvens pesadas que prometiam chuva começava a aparecer. "Tenho certeza que isso não vai acabar bem para alguém. Provavelmente para mim."
***
O aperto do tronco parecia diminuir, Mandrake não entendia o que estava acontecendo. Na verdade não fazia idéia de quanto tempo havia passado ali, só sabia que era muito tempo, nem como ainda estava vivo. Provavelmente tinha algo a ver com a onda mágica que o botão emitiu quando desabrochou. Parece que a morte seria um destino doce para si, então a magia o condenou com uma prisão esquecido pelo mundo lá fora. Ele remoeu tudo o que tinha feito, toda a sua vida desde a sua infância em que ele ainda não era o rei sombrio, quando não passava de um garotinho correndo pela floresta com Dara e Ronin. As lembranças que ele sempre manteve o mais longe possível de si, de tudo o que Dara havia feito consigo. Fechou os olhos com força para afastar as lembranças, sentiu o aperto se abrir totalmente ao seu redor e ele caiu de joelhos na grama. Achou que estava sonhando de novo, a brisa suave em seu rosto despertou o homem. Ele não estava sonhando. Abriu os olhos e os ergueu viu uma garota não muito mais velha que Dagda, o seu filho, era quando morreu, imaginava que talvez fosse mais nova, ela olhava para si e parecia feliz.
— Olá eu sou a rainha, Ece.
— A sucessora de Dara? — Mandrake conseguiu perguntar.
— Eu acho que sim. — A jovem sorriu. — Sou a que o botão escolheu. — disse.
— Porque me libertou rainha Ece? Você sabe quem eu sou? — Mandrake perguntou se pondo de pé imponente. Ece levantou a cabeça para olhar nos olhos pretos, ele era bem mais alto que ela.
— Eu sei quem você é. Mandrake, o rei do apodrecimento. — a rainha disse. — Eu te libertei porque precisamos de você, a floresta precisa de um equilíbrio perfeito e sem você esse equilíbrio não existe.
— Apenas isso? — o rei sombrio perguntou. — E quanto a tudo o que eu fiz?
— Eu acredito em recomeço rei Mandrake. — A rainha sorriu, um sorriso bonito e puro que fez o coração de Mandrake já amolecido pelo tempo pensando em suas ações se aquecer. — Acredito em perdão, e nós escolhemos não esquecer o que você fez, mas o perdoar por isso — A rainha fez sinal para o grupo de guardas que a acompanhava liderados pelo capitão Finn, a maioria deles esteve na guerra onde ele perdeu tudo e tirou muitos dos amigos deles. Ainda assim alguns deles lhe sorriam gentilmente.
— Porque? — voltou a olhar Ece.
— Porque se alguém tivesse conseguido pedir perdão antes nada daquilo teria acontecido. — A jovem rainha disse e Mandrake arregalou os olhos. Será que ela sabia do que aconteceu? Não ninguém sabia, ninguém além dele e de Dara. Ece sorriu. — E também eu acredito em segundas chances e você merece uma rei Mandrake. — A jovem se abaixou e pegou o cajado do rei que estava no chão e ele se quer percebeu. — O senhor aceita lutar pela floresta ao meu lado.
— Sim. — disse e recebeu o cajado que lhe era oferece. Ele realmente estava disposto a aproveitar a segunda chance, e dessa vez ele não precisava ser o vilão, pois dessa vez não havia Dara a perfeita para dizer o quanto ele era horrível.
Nota:
* Fiz algumas modificações nos nomes de duas personagens, essa nota é apenas para esclarecer quaisquer dúvidas a respeito do porque os nomes usados na fic estão diferentes do filme.
Bom, mudei o nome da primeira rainha de Tara que é o nome original (que não faz sentido nenhum para mim) para Dara, que é um nome árabe que significa "estrela". A segunda rainha (a garotinha coroada no final do filme) é chamada de Marigold girl em português seria algo como garota calêndula; (A calêndula é uma flor popularmente conhecida como Bem-me-quer, Mal-me-quer e Margarida dourada, Marigold em algumas regiões da América do Norte). Havia a opção de chamar a menina de Marigold, mas eu não curti muito a ideia, então escolhi um outro nome para ela. Ece que é também um nome de origem árabe, como Dara, e significa "rainha". Escolhi esse movida pelo que a garotinha disse a mãe dela na cerimônia da escolha do botão, "Mãe quando eu crescer eu quero ser rainha".
Fale com o autor