Regras para não se apaixonar
1 Capítulo 1
As luzes batem no meu rosto e a música está tão alta que mal consigo ouvir a minha amiga que grita algo ao meu ouvido. Tento me concentrar na coreografia que ela tenta me ensinar, mas meus olhos estão distraídos demais procurando por ele. Essa é a primeira calourada que vamos depois de nos tornamos amigos. Enquanto tento procura-lo, Giovana olha para mim com cara de brava.
— Viemos aqui para nos divertir lembra? Esquece o Guilherme e aproveita a festa, Anna.
— Quem disse que eu estou pensando no Guilherme? – falo brava – Eu só estou conferindo o perímetro
— Claro, mas da ultima vez que esses seus olhinhos puseram a vista nele, ele estava ficando com uma menina e aí você murchou toda – Gio grita – Você está vivendo a volta por cima, não é para se engraçar com um dos amigos do seu ex crush.
Eu olho para ela e dou de ombros porque não tenho o que dizer. Eu estava vivendo uma das minhas melhores épocas sem sofrer por ninguém ou pelo menos me convencendo disso. O Guilherme só foi o erro de percurso. Nós havíamos nos conhecido alguns meses antes e quando eu falo conhecido... Bem... ficamos em uma calourada, mas não tinha passado de um beijo. Na verdade, naquele dia eu só fiquei com ele porque queria atingir o Matheus de alguma forma. Não foi uma boa ideia. O Guilherme estava tão tonto que nunca se lembrou que tínhamos ficado. Bem, e como nos tornamos amigos? Essa é outra história. Mas desde quando eu o conheci melhor percebi que ele é bem mais profundo do que mostra ser para as outras pessoas.
— Annnna – sinto alguém me abraçar por trás – Você está tão linda hoje.
Sorrio e me viro e lá está ele com um sorriso travesso segurando a caneca da atlética do seu curso.
— Ah não, você já está bêbado – falo – É por isso que você não consegue aproveitar as festas.
— Eu não estou – sorri – Juro, vem cá! Eu quero te ouvir melhor.
Olho pra Gio esperando que ela me dê permissão para sair e que não fique chateada. Ela olha pra mim e acena, mas revira os olhos em reprovação. Balbucio as palavras “ Eu te amo” e deixo o Gui me arrastar para algum lugar calmo da festa. Quando paramos, ele me olha e não diz nada.
— O que foi, Gui? Você está passando mal?
— Não, Anna. Eu só quero ficar olhando para você.
— Ah pronto, você deve estar muito bêbado mesmo – coloco a mão na cintura – Cadê as suas amigas beijoqueiras? Não era você que eu vi revezando beijo a pouco?
— Eu devo estar, mas você está com ciúme – ele gargalha – Anna, você nunca foi boa em disfarçar as coisas.
— Ihh, começou... Você deveria parar de falar besteira e ir dançar comigo. Você me prometeu que iria dançar comigo na nossa primeira calourada. – puxei a mão dele — Larga essas meninas e vem dançar com sua amiga.
— Amiga... Anna – ele suspirou – Você é mesmo diferente de todas as amigas que eu tive. — Você é especial para mim. Não quero te magoar e por isso não fico com você.
Certo – revirei os olhos – Você já está falando besteira. Vamos!
Começamos a dançar e eu tentava ignorar o que ele havia dito que não ficaria comigo. Mas mal sabia ele que já tínhamos ficado. Eu gostaria de ficar com ele de novo, não só ficar atoa, mas estar sempre com ele. O Guilherme é alguém muito machucado e eu só queria curar as suas cicatrizes. Enquanto a gente dançava uma das amigas dele da atlética chegou e começou a dançar junto. Antes que eu pudesse impedir, eles já estavam se agarrando. Dei um passo pra trás e me virei.
— Oi Anna, Guilherme te deixou sozinha de novo? – Renato se aproximou – Ele não toma jeito, não é?
— Tudo bem... Acho que ele está um pouco transtornado, mas isso não é novidade. Mesmo que seja a nossa primeira calourada desde quando viramos amigos, eu me lembro dele assim nas outras.
— Mas mesmo assim não é legal, não é?
— Eu já sei como ele é – dei de ombros – É melhor eu ir procurar a Gio.
— Falando na Giovana... Você sabe se ela está ficando com alguém?
— Bem, até o momento que eu a deixei, não.
— Fala com ela que eu mandei um oi
— Por que você mesmo não vai dizer? – questionei – Já está na hora de vocês dois pararem com isso.
— Annna – Guilherme gritou – Me desculpa aquilo não estava previsto.
— Como todas as outras vezes.... – falei brava – Eu desisto de passar um tempo com você. Vamos só curtir separados e depois a gente se fala.
Quando eu estava andando, ele puxou minha mão.
— Eu vou dançar com você o resto da noite, prometo. Me da uma chance, okay?
— Certo.
Guilherme me agarrou pela cintura e me girou.
— Hey!!! Vamos cair! Paraaa – gargalhei – Você é mesmo doido, mas mesmo assim é demais.
— Você é demais!
Começamos a dançar e o Guilherme não soltava a minha mão e sempre fazia com que eu girasse. Eu estava me divertindo como nunca tinha me divertido antes. Naquele momento de euforia, nos olhamos sorrindo um para outro. O Guilherme passou seu braço pela minha cintura fazendo com que eu chegasse mais perto e encostou sua testa na minha... Nunca tínhamos ficado tão próximos um do outro desde aquela vez. Eu sentia sua respiração. Ficamos ali parados e eu sentia que o que eu mais queria estava prestes a acontecer. Eu fechei os olhos e deixei a sua boca se aproximar da minha.
— Anna, me perdoa.
— Não, está tudo bem – abri os olhos – Tudo bem...
Nossas testas permaneciam coladas uma na outra.
— Eu não posso... Não vou estragar isso – ele falou – Desculpa.
E como em um passe de mágica suas mãos me largaram e ele saiu me deixando lá sem entender o que tinha acontecido. Lágrimas queriam brotar em meus olhos, mas eu respirei fundo.
— Anna? Ele te beijou e te largou? – Gio chegou – Cretino...
— Não. Ele não me beijou e é esse o problema. Saco! Vou pegar o primeiro idiota que aparecer.
Sem pensar duas vezes saÍ andando e comecei a flertar com um cara que não parava de me olhar e bastou três segundos e já estávamos nos beijando. Você é um idiota Guilherme.
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