Regras do coração
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O ar que ocupava aquela sala era tenso, pesado. Hibari o encarava, seus olhos, como sempre, estavam sérios, cortantes, acusadores e demonstravam superioridade.
Tsuna se sentia uma presa. Um animal indefeso prestes a ser atacado, temeroso que sabia o seu destino e não conseguiria despistar o seu predador.
O menor estava nervoso, os olhos se mexiam constantemente, inquietos, evitavam o máximo possível ter contado direto com os olhos negros do mais velho. Apoiava o peso hora no pé direito, hora no esquerdo. Suas mãos mostravam o quão inquieto estava, unidas os dedos indicadores girando.
Suava frio, tentando entender o motivo de ter sido chamado.
Não tinha feito nada. Não é? Desobedeceu alguma regra? Não se lembrava. Hibari lhe assustava demais e por isso Tsuna fazia o possível para evitar qualquer contado com ele, obedecendo as regras rigorosamente para tal.
E agora estava ali, em sua sala, com ele o encarando sem nada falar.
Se aquilo continuasse assim, ia entrar em colapso!
Já o líder do comitê disciplinar apenas analisava as atitudes nervosas do menor, por mais que odiasse a si mesmo por ter tais pensamentos, o achava extremamente fofo assim.
Tsunayoshi não passava de um herbívoro, um herbívoro que ultimamente descobriu ter um grande interesse.
Queria comê-lo.
Repudiava tais desejos. Eles eram ridículos e desnecessários. Contudo, sua mente o desafiava permanecendo com tais coisas e o seu corpo se juntava á traição tornando tudo mais complicado e problemático.
A única parte que parecia ter um pouco de racionalidade em tudo aquilo se esforçava para esconder os dois lados vergonhosos.
— Isso tudo não passa de um interesse repentino por causa de suas habilidades. Nada mais.
Sabia que era mentira.
Certo que, de fato, havia um grande interesse por suas habilidades. Afinal, era um herbívoro com pressas e garras, e isso o atraía a atenção.
Mas, não era somente isso.
Tinha algo mais, um desejo, a vontade de fazê-lo seu.
E por mais que tentasse esconder isso, não conseguiu escapar dos olhos daquele bebê maldito, e seu vergonhoso segredo fora descoberto.
Para piorar a situação, de alguma forma, ele conseguiu convencê-lo a chamar o herbívoro ali.
Mas, o que fazer agora?! Atacá-lo?
—...
Não era uma má ideia.
Tsuna não entendeu de imediato, tinha por um mísero instante cruzado os olhares e viu os olhos negros brilharem perigosamente em luxuria e a língua umedecendo os lábios superiores.
No instante seguinte, Hibari praticamente pulara em cima de si os derrubando no chão, uma de suas tunfas estavam pressionando levemente o seu pescoço e o corpo era preso por entre as pernas e braços do mais velho que o encarava.
Ele estava sério, mas ao mesmo tempo seu olhar carregava luxúria, malícia e desejo.
O que aconteceu a seguir foi no mínimo... Inusitado.
Hibari se inclinara sobre o rosto do mais jovem e beijou os seus lábios.
Contrariando os olhos vadios, seus lábios eram curiosos, calmos e de certa forma, envolventes.
Contudo, aquilo não era o suficiente. Podia sentir a textura, mas queria sentir também o sabor.
Aproveitando a boca entre-aberta do outro, a invadiu com sua língua se deliciando ao explorar o espaço em curiosidade. Em nenhum momento fechando os olhos, queria ver cada pequena reação alheia. Mordeu-lhe o lábio inferior.
Tal ato pareceu finalmente despertar o pequeno da surpresa inicial, e agora o sangue subia as faces violentamente, os olhos antes confusos, tentando entender o que se passava, se desesperaram em pavor e o corpo começou a se contorcer lentamente, tentando se livrar da situação constrangedora.
Tsuna sempre achou que um dia Hibari poderia o comer vivo, mas nunca pensou que seria dessa forma.
— Ungh...H-Hibari...Mn...
Tentava falar, o ar estava esvaziando rapidamente de seus pulmões e o beijo não o permitia o recuperar, era sufocante. Desesperador.
Sentindo que estava com poucos requisitos de ar lhe restando, conseguiu achar uma força desconhecida até então para afastar o outro pelos ombros o suficiente para finalmente conseguir voltar a respirar.
O mais velho pareceu só então lembrar que também precisava respirar e ofegou, finalmente fechando os olhos.
Quando voltou a olhar para o outro, deve uma visão deslumbrante, digna de ser a imagem do quadro mais caro de todos. Um quadro só seu.
As bochechas de Tsuna permanecia vermelha, assim como seus lábios úmidos e levemente inchados, um fio de saliva escorria pelo canto de sua boca, os olhos semi-cerrados úmidos tornando-os ainda mais brilhosos, mas as lágrimas que caiam estragavam tal perfeição.
Inadmissível.
Ergueu um pouco o rosto chegando na região do olho sugando suavemente as lágrimas experimentando o seu gosto salgado, primeiro as que já caiam pelo rosto e depois as que ameaçavam sair dos olhos, não as permitiria seguir seu caminho.
— Uhn... Hibari-san...?
O décimo não entedia. Por quê? Por que Hibari estava fazendo aquilo? Por que ele simplesmente não terminava com tudo aquilo e o deixava em paz?!
Ele era que nem um animal! Um animal que brincava com sua comida antes de saboreá-la.
Aquilo era torturante. Principalmente porque o seu corpo parecia corresponder aos beijos, relaxando. Torturante por saber que uma parte de si estava gostando daquilo.
— Tsunayoshi.
Hibari se afastou novamente do rosto encarando diretamente os olhos marrons que surpreendentes, não desviaram e o encaravam com mesma intensidade.
Sorriu, satisfeito.
Quebrou o contado abaixando o rosto em direção ao pescoço, agora exposto enquanto a tonfa que outrora se encontrava ali, prendia ambos os braços do garoto acima de sua cabeça.
Quando aquilo tinha acontecido, Tsuna não sabia.
Mas, sua mente nublou parcialmente ao sentir a língua alheia passando sedutoramente ali para depois receber uma mordida acompanhada a um chupão.
— Ah!
Gemeu, sentindo o seu corpo se arrepiar ao toque tão... Luxurioso naquela área em que descobrira ser bastante sensível.
Hibari permaneceu ali por mais um tempo, dendo certeza que a marca ficaria roxa depois. Era possessível e queria deixar claro a todos que aquela já era a sua comida.
Iria marcá-lo, marcar toda aquela pele pálida e macia, com arranhões, chupões, mordidas. Iria o impregnar com o seu cheiro e ninguém ousaria tocar nele novamente.
Tsunayoshi era seu. E não perdoaria ninguém que o tocasse se não ele.
Quanto que sua parte racional concordou com aquela ideia? Não sabia, mas estava adorando. E não se arrependeria depois por ter dado atenção a aquela parte mesquinha de si.
Fazia questão que sua presa também não se arrependeria. O faria querer por mais, se tornar dependente daquilo.
Determinado, desceu um pouco ao ombro o mordendo suavemente, indo à clavícula lentamente, lambendo, mordendo, chupando.
Quente.
O corpo do mais novo era quente, a pele macia e bem cuidada. Tão mordível...
— Hib...Ahn...Ari-san...Ngh... P-Pare...Por fav...Ah!!
Hibari levantou um pouco o joelho entre as pernas do menor alcançando o seu membro, ereto.
— Seu corpo me diz para fazer outra coisa, Tsunayoshi.
Sorriu presunçoso com um dos braços entrando por debaixo do moletom e camisa que compunham o uniforme alcançando o mamilo esquerdo do jovem o beliscando.
— Ah! Uhn... Hibari-san~!
O seu nome saíra acidentalmente em forma de um gemido arrastado, fato que só satisfez ainda mais o moreno.
Se levantou em direção a boca novamente, a capturando, dessa vez de olhos fechados, aproveitando ao máximo a sensação e o gosto.
Notou que, desjeitosamente, Tsuna passou a retribuir o beijo entrelaçando as línguas e gemendo vez ou outra quando ocorria um beliscão mais forte ou sentia o joelho do outro ao encontro de seu membro novamente, sendo abafado pelo beijo sedento.
Por mais que soubesse que Hibari apenas estava brincando com o seu corpo, não conseguiu deixar de achar tudo tão excitante, saboroso e deliciosamente pecador.
Era torturador, preferia estar odiando, assim ao menos, não criaria falsas esperanças.
— Você é meu.
Hibari murmurou sedutoramente ao pé do ouvido alheio mordendo-o logo em seguida.
Sua mão libidinosa, abandonara o tronco e descia em direção ao ventre causando arrepios deliciosos no corpo do Sawada.
TÉÉÉÉÉ!!!
O desespero inicial voltou ao corpo de Tsuna e a expressão de desagrado e ódio que surgiu em Hibari só serviu para piorar o pânico do décimo.
Desajeitado, conseguiu deslizar para fora de onde estava antes e se levantou desesperado tentando, cegamente melhorar sua aparência. O uniforme estava amassado, totalmente fora do lugar, alguns botões estavam abertos assim como a barguilha de sua calça — quando diabos aquilo aconteceu?! -, o cabelo achou um jeito de se bagunçar ainda mais e sabia que seus lábios deveriam estar vermelhos e inchados.
Para piorar, tinha aqueles malditos chupões em seu pescoço em que ele tinha que achar uma forma de esconder.
Esquecendo momentaneamente do perigo, amaldiçoou Hibari e Reborn.
Hibari apenas observava o desespero alheio satisfeito ao ver o seu "trabalho de arte" no corpo do menor. Ao contrário do outro, suas roupas não estavam tão amaçadas — na realidade mal sofrera alguma alteração — e a única coisa que indicaria algo demais era o fato de seus lábios estarem igualmente inchados.
É, por mais que tivesse quebrado uma regra sua, se sentia extremamente satisfeito por tal.
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