Registros
3 Palavras de saudade
Não tinha como esquecer meu nome,
quase todo dia ele era chamado no meu portão, num grito.
O mesmo rosto pálido num corpo pequeno e magro.
A rua, já habituada, tinha marcas das rodas.
Sobe pra rua de cima, corre pra rua de baixo
Se era corrida eu não sei, mas eu ganhei várias.
A bola já pedia arrego de chutes, de saques.
Até a diversão pedia arrego e era interrompida com briga,
durava um dia.
No outro dia, o portão escondia a mesma figura pálida,
que hoje só passa de longe.
Sem bicicleta.
Só com lembrança.
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Dia gelado lá fora já dando tchau ao sol
aqui, já planejava que roupa vestir
qual blusa, qual sapato
qual batom o sorriso vai exibir
uma hora, duas horas, três horas
“to chegando”
conversas, sorrisos, abraços, espera
presença nova, adaptação, distração
as vozes desenrolavam a música
olhos seguiam brilhando, respondendo sorrisos
a mão juntinha da outra
e aí, na verdade, nem estava mais gelado
o calor de dentro esquentava pra fora
eram quatro rostos responsáveis
quatro risadas que entravam nos ouvidos
e se acomodavam aqui dentro.
somente o suficiente, amigos.
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Se eu colocasse minha memória em filme,
essa mesa seria um dos cenários principais.
Nenhum antagonista e sem trilha sonora definida.
Só o cheiro de café passado,
ou do álcool mal dosado,
gosto forte de saudade.
Lembranças das presenças,
dos rostos nas seis cadeiras.
E das risadas gravadas na parede
esperando mais uma piada.
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