Regis Um Menino do Planeta Terra
15 Dois meninos sapecas.
Notas iniciais
Acordei sentindo um pouco de mal estar e percebendo ao longe, sentado em duas poltronas, meus dois acompanhantes.
Resmunguei alguma coisa sem nexo, mexi todo meu corpo sob o lençol branco que me cobria, fazendo com que os dois se levantassem e se aproximassem rapidamente, ansiosos, porém em silêncio.
Olhei para ambos e fazendo certo gesto de também ansiedade, especulei:
— O que faço aqui?
— Sabe que lugar é aqui? — Perguntou-me nervoso o homem.
— Um hospital?
— Sim! Sabe por que você está aqui?
— Fui atropelado por um trem? — Insinuei sério.
— Não! — Se assustou ele — Sabe o seu nome?
— Regis Fernando de Araújo.
— Sabe meu nome, Regis? — Perguntou-me o outro menino.
— Já disse, Regis!
— Digo, eu! — Insistiu o outro menino, batendo a mão sobre o próprio peito.
— Regis! Você é eu! No espelho! Mas por que estou me vendo no espelho, se não há espelho?
— Regis! — Se preocupou o menino — Eu não sou você e não estou no espelho! Sou seu irmão! Não se lembra?
— Levante-se Regis — pediu o senhor Frene, me puxando pelas duas mãos.
— Posso?
Ele acenou que sim e lentamente me ajudou a sair daquela cama alta, me deixando em pé e me puxando devagar, para que caminhasse lentamente pelo quarto.
Meia volta caminhando, parei e olhando para o outro menino, percebi que ele estava chorando, então dei um leve sorriso e o abracei forte, dizendo:
— Deixe de ser bobo! Eu não me esqueci de você! Só estava lhe pregando uma peça.
— É verdade? — Insistiu ele me deixando, porém, ainda chorando.
— Claro que é verdade! — Exclamei rindo — Como posso me esquecer de você? Feito da minha costela!
— Sai de mim owh! Não sou mulher!
— Eu amo você!
— Imbecil! Idiota! — Reclamou ele se contendo — Nunca mais faça isso comigo!
— Pode deixar, que na próxima cirurgia, não farei essa brincadeira!
O senhor Frene estava aliviado. Aparentemente a cirurgia teria dado resultado. Voltei a me sentar sobre a cama e ele me perguntou:
— Você me conhece?
— O poderoso senhor Frene — ironizei. — Chefe supremo da gigantesca Suster, iluminado pelas Estrelas Brina e Kristall, na Via Láctea, a exatos cento e dezesseis anos luz da pequenina Terra, no sistema solar.
— Você sabe o que é... Terra?
— Como não? — Tornei a caçoar — Foi onde eu nasci!
— Você conhece a Terra?... — Insistiu ele preocupado.
— Como não! Já lhe disse. Eu nasci lá!
— Eu sou... seu pai! — Insistiu ele.
— Não! — Neguei sério — Meus pais já morreram...
Aparentemente a tal cirurgia não teria ocasionado efeito algum. Porém...
— Mas eu não me lembro deles — continuei um tanto triste. — Meus irmãos também! Nem me lembro quantos eram!
— Você gosta da Terra? — Especulou-me de certa forma ansioso, o homem.
— Acho que sim! Nem me lembro direito dela. Sei que é igual a este planeta. Sei que lá existem outras formas de vida, alem de humanos... Sei também que a vida por lá é muito curta e que os seres vivos produzem outros seres vivos, mantendo assim a continuação das espécies.
— Tem saudade de lá?
— Nem sei! Quanto tempo faz que estou aqui?
— Quase cem anos! — De certa forma, disse a verdade o homem.
— É! Já faz algum tempo. Acho que é por isso que não me lembro direito de lá. Por que Arthur, sendo meu irmão, nasceu aqui, se eu nasci lá?
— Isso você entenderá depois.
— Os pais dele, não são os meus pais?
— O Arthur, não foi gerado como você foi — tentou explicar o homem. — Não através do contato físico, entre um homem e uma mulher.
— E como então ele é meu irmão idêntico?
— Você, apesar de muito jovem, tem bastante estudo. Sabe disso?
— Sim! Sou médico! Com especialização em pediatria. Me formei na Terra. Só não sei por que resolvi fazer esta especialização, se me mudaria pra cá, onde não há crianças.
— Você gosta deste meu mundo?
— Claro! — Ri — É meu mundo também!
— É feliz aqui?
— Não me lembro.
— Pretende voltar a viver na Terra, algum dia?
— Não! — Neguei prontamente — Acho que não! Não tenho ninguém lá!
— Você é nosso querido menino que veio do espaço.
— Não senhor Frene! — Neguei com jeito triste — Eu sou tal menino que foi trazido do espaço.
©©©
E assim, voltei à grande residência, palácio oficial do grande senhorio daquele mundo tão diferente da pequenina Terra azul, onde nasci e vivi por alguns anos, antes de ser levado de vez, com a missão de manter uma espécie em extinção: a criança.
E sendo assim, apesar de já contar mais de setenta anos de idade... Quer dizer: mais de cento e doze anos de idade, minha obrigação, tal qual, a de Arthur, era a de ter a fisionomia infantil, sem nunca ter chegado à puberdade e manter nosso espírito peralta, de moleque saudável.
E assim, felizes, saltando na bela e profunda piscina, no mesmo ambiente da grande residência, em dia de, como sempre, muito calor, podíamos ouvir ao longe Leandra que se aproximava gritando:
— Regis! Arthur! Hora do banho!
Mas que banho? Já estávamos no banho!
Assim, saímos os dois da convidativa água morna e já seguíamos de volta pelo jardim, quando ela, se abaixava para apanhar nossas sandálias, próximo à piscina.
Arthur, sem que eu percebesse, puxou o laço de minha bermuda, desamarrando-a e piscou o olho direito, na insinuação de peraltice. Dei leve sorriso e voltei correndo até Leandra, empurrando-a fortemente, fazendo-a cair desajeitadamente sobre a água esverdeada.
— Seu moleque safado! — Gritou ela nervosa, se refazendo do grande susto, por um banho inesperado.
Arthur voltou correndo e saltou bem alto, caindo bem próximo a ela, em forma, a qual as crianças chamam de bomba, deixando-a apavorada com a água sobre seu rosto.
Repeti a mesma façanha do outro menino e assim, como não tinha como nos vencer, ela acabou entrando na brincadeira, permanecendo na piscina, mesmo estando usando blusa branca e saia até aos joelhos, nos mostrando assim, pela transparência de suas roupas molhadas, um corpo muito belo e perfeito, longe de ser cobiçado pela inocência de duas crianças sapecas.
Aproximando-me, ela me segurou pela cintura e em ato de brincadeira, como antigamente fazia me levantou com os dois braços abertos, acima do nível da água. Mas... Alguma coisa estava errada. Na pressão da água, minha bermuda desamarrada, acabou indo parar nos pés.
— Ôh, owh! — Balbuciei envergonhado.
Ela, sabendo de minha timidez em ser exposto despido, me soltou imediatamente, fazendo com que caísse de volta às águas, enquanto a poucos metros, Arthur, protagonista da travessura, ria exageradamente.
Levantei a bermuda, protegendo meu corpo e ainda de cara amarrada, segui até as escadas de saída da piscina, sentando-me à sua margem, do lado de fora.
— Mas o que era isso Regis? — Perguntou-me Leandra, de jeito sério.
— Safadeza do Arthur — reclamei. — Mas eu desconto.
— Não é isso que eu quis dizer! — Negou ela, enquanto se aproximava — Levante os braços.
Sem saber o porquê, levantei os dois braços bem alto; ela, já estando à minha frente esfregou um dedo sobre minhas axilas, que estavam lisas iguais às de uma criancinha e disse:
— Não! Baixe só um pouquinho seu short.
— Eu? — Me espantei — Acha!
— Vai lá! — Insistiu ela — Não é pra ficar pelado! Nem pra mostrar seus documentos de macho! É só um pouquinho.
Baixei minha bermuda, apresentando a púbis, sem, contudo, despir meus genitais. Ela passou o dedo indicador sobre a região e insinuou:
— Pelos!
— O quê? Pelos! — Admirei.
Arthur, mesmo dentro da água, forçou sua bermuda, verificando sua região pubiana e conferindo com os dedos, exclamou:
— Pelos!
— Puberdade! — Gritei, rindo forte, exageradamente, deitando-me sobre a lateral externa da piscina.
Fim.
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