Eu acordei no banco do carro. Já era noite, mas ainda estávamos na estrada. Me levantei de súbito.

— Maria?!

— Ora, cale a boca aí! — meu pai.

— Calma, querido... — minha mãe. — Quem é Maria, meu filho? — virou os olhos para mim.

— Maria... ela... — olhei para fora.

As árvores estavam sendo trocadas por prédios. Os postes ficavam cada vez mais próximos. A fiação apostava corrida conosco novamente, voando para cima e mergulhando para baixo, correndo entre as estrelas. Não quero voltar, não quero voltar, não quero voltar!... Por que preciso voltar?

E entre as poucas árvores, eu a vi. Maria sorrindo feito um anjo, chorando e repetindo:

“Não se esqueça de mim...”

Eu comecei a chorar.

— Maria...

Minha mãe estava confusa, e me deixou em paz. Meu pai não entendeu nada, e voltou a se concentrar na estrada. Mas eu.... ora, eu... olhei para janela o resto da viagem, repetindo pra mim mesmo:

“Eu te amo, Maria, eu te amo.”

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