Notas iniciais
Bom, essa é a minha primeira fanfic nesse gênero e espero que gostem

Apenas me levantei com mamãe me chacoalhando bruscamente. Olhei o calendário e avistei ser dia 6 de outubro de 1941. Então era hoje o meu adeus… Meu adeus de vida normal e de meus amados pais. Peguei minha mala e me vesti com a roupa que havia separado na noite anterior: uma camiseta amarela de manga curta, uma saia longa e bege, um par de sapatos pretos e um casaquinho também bege. Nós, judeus, estávamos sofrendo com essa maldita guerra.

Sou Hilda Fronchovisk, uma jovem judia de 13 anos. Sou razoavelmente alta, tenho cabelos ruivos, longos e lisos, sardas nas bochechas e no nariz redondinho, olhos azuis e pele esbranquiçada. Naquele momento o mundo estava em guerra, aqui em Berlim os bombardeios eram direto, e eu apenas tentava digerir tudo isso, mas era complicado. O problema era fugir, fugir dos nazistas, fugir de Hitler, fugir dos campos de concentração… Tudo era problema.

Minha família e eu somos compostos por cinco pessoas: minha mãe, Edna, meu pai, Krieg, e meus irmãos: Mary, de 11 anos, e Peter, de 10 anos. Infelizmente teríamos de ir embora de Berlim para uma casa bem próxima de Köthen. Iria apenas eu, Mary e Peter, já que o lugar abrigava apenas jovens. Meu pai estava em frente a porta, sem expressar uma emoção sequer. Ele era racional demais para nos amar.

- Onde vai nos deixar? — Minha irmã questionou. Ela era quase igual a mim na aparência, porém, não tinha sardas e seu cabelo era na altura do ombro.

- É mamãe, onde? — Foi a vez do menor da família perguntar. Peter era como papai, loiro, de cabelos lisos e curtos e dos olhos castanhos claros.

- Na estação. Vamos.

Mamãe era doce e calma na minha infância, mas com a guerra que chegou, estava severa e triste. Dou razão à ela, afinal, vovó Sarah, vovô Richard, tio Markus e tia Kelly haviam sido levados para um campo de concentração, se não me engano Bergen-Belsen.

Demos um abraço em papai e subimos rapidamente no táxi. Ao chegarmos na estação, avistei o trem que pegaríamos se aproximar lentamente. Peguei nossas malas, dei um abraço em minha mãe e corri com meus irmãos para o veículo. Fomos para uma cabine, que por incrível que pareça, estava vazia. Mary sentou-se de um lado da janela e encostou a cabeça no vidro, Peter sentou do meu lado e pediu para eu abraçá-lo.

O trem iria demorar um pouco para chegar, provavelmente estaríamos na estação de Köthen daqui 7 horas. Adormeci durante 3 horas e acordei com uma senhora de idade me oferecendo o jantar. Agradeci, comendo o Käsespätzel (um típico macarrão com queijo e cebolas assadas) e guardando outros dois pratos para meus irmãos, que ainda jaziam dormidos. Nas outras 4 horas, fiquei lendo um livro: Die Zigeunerin (A cigana). Quando já era por volta das 16:00, saí da cabine e fui atrás de alguém para me dizer qual seria a próxima estação.

- Com licença, mas, qual a próxima estação? — Perguntei.

- Estamos chegando em Köthen, mocinha. — Respondeu uma senhora de aproximadamente 60 anos.

Agradeci, acordando Mary e Peter e pegando nossas coisas. Eles comeram seus pratos com Käsespätzel e percebi que o trem estava prestes a parar. Sentei-me com as malas e esperei que o veículo parasse. Quando parou, desci com meus irmãos e avistamos o Professor Stuart Smith. Ele era um inglês que havia se mudado para a Alemanha quando tinha 16 anos, passou a dar aulas de artes aos 24 e agora, aos 37, estava abrigando adolescentes que poderiam ser perseguidos. Era um homem magro, cabelos castanhos, volumosos e cacheados, pele branca, um bigode e um pequeno cavanhaque eram presentes em sua face, seus olhos eram verdes e ele era alto.

- Com licença, vocês são Hilda, Mary e Peter?

- Claro! — Meu irmãozinho disse.

- Me sigam. — Respondeu o mais velho seriamente.

Entramos num Ford Coupe 1941 e fomos levados para um sobrado. Era a única casa em torno de uma vasta área verde, um sobrado amarelo com um pequeno portão de ferro em volta da mesma e detalhes brancos em torno das janelas. O Professor estacionou o carro na lateral da casa e disse para irmos entrando no lugar.

Ao entrar, me deparei com uma pequena sala de estar. Havia um pequenino corredor na porta, onde era possível ver alguns poucos desenhos nos porta-retratos das paredes, uma escada de frente para a porta. Fazendo a curva, havia uma janela na direita, com um sofá vermelho embaixo, uma cômoda de madeira de frente para mim e uma porta branca na esquerda. Do lado da porta, ficavam duas poltronas também vermelhas.

- É melhor subirem, o quarto das meninas é na esquerda e o dos meninos na direita. Já há outras pessoas aqui. Podem me chamar de Stuart se quiserem. — Ele dizia com um sorriso no rosto.

Subi com meus irmãos. Mary e eu entramos no quarto onde pudemos ver três beliches, uma do lado esquerdo da porta, uma na parede esquerda e uma na parede direita. Tinha também uma janela de frente para a porta. Haviam alguns baús no pé das camas e provavelmente seria onde eu teria de guarda meus pertences. Avistei uma menina no quarto, ela era loira, cabelos lisos e longos, olhos castanhos escuros e uma pele branca como a minha. Ela desceu da cama da direita e veio ao meu encontro.

- Olá! Sou Elisa Putnnin, tenho 16 anos. E vocês, quem são?

- Sou Hilda Fronchovisk e tenho 13 anos, Essa é minha irmã, Mary, ela tem 11. — Respondi, estendendo minha mão.

- Sou comunista.

- Judia. — Eu disse.

A menor caminhou até a cama da esquerda e subiu na de cima. Aproveitei e fui para a cama de baixo da de Elisa. Abri minha mala e comecei a retirar minhas coisas de lá. Quando abri o baú, notei que o mesmo tinha uma divisória. Coloquei na parte vazia e resolvi amarrar meu cabelo com um coque. A loira notou e resolveu me ajudar.

Fui até o dormitório dos meninos, apenas Peter estava lá. Elisa se apresentou para meu irmão e ouvi uma porta abrir. De imediato, desci para ver quem era ou o que estava acontecendo. Dei de cara com uma mulher de cabelos longos, pretos e ondulados, olhos pretos, pele esbranquiçada e de, aparentemente, 35 anos. Ela sorriu para mim e foi até nosso encontro.

- Devem ser Hilda, Mary e Peter… Poderão fazer companhia para mim, Stuart e Elisa! Sou Veronika Schwatzer, prazer!

- Finalmente! — Disse o Professor. — Ah, pessoal, Veronika é uma amiga de longa data, irá nos ajudar aqui.

Assentimos, subindo de volta para nossos dormitórios. Abri a janela e fiquei contemplando a vista da vasta área verde e do Sol se pondo, tingindo o céu de laranja, vermelho e amarelo. A ruivinha veio ao meu encontro, se ajoelhando ao meu lado e se pondo a chorar. Eu também queria chorar, todavia, deveria parecer forte perto de minha irmã menor.

Quando deu 20:00, nos chamaram para jantar. Haviam feito Eintopf, um tradicional guisado daqui da Alemanha. Por sermos judeus, não comíamos com carne de porco, e sim, com frango ou com carne de boi. Stuart estava sorrindo enquanto jantávamos, acho que porque não tinha tanta companhia além de Veronika. Fomos dormir após comer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.