Refém da Paixão
22 Halloween
Notas iniciais
A varanda da sala principal da casa oferecia uma vista privilegiada dos portões de entrada, e com isso, conseguia ver toda a movimentação. A todo instante entrava um caminhão diferente, alguns contendo mesas, outros as flores da decoração, mas o que importava mesmo era que todos eram parados e vistoriados na portaria.
Segundo Emmet, nada passaria pelos portões de entrada, no entanto, não estava acreditando fielmente no que ele dizia. Principalmente depois que descobri do problema de Rosalie, o qual ele não mencionara em momento nenhum.
Tudo parecia muito estranho e por mais que me custasse admitir, Emmet poderia muito bem estar envolvido naquilo tudo.
—Senhorita Bella? – a voz de Senna me despertou daqueles pensamentos que estavam se tornado obsessivos. —A manicure chegou, está te esperando lá em baixo, no SPA.
—Ah, obrigada Senna. Já vou descer. – ela maneou a cabeça e emitiu o mesmo sorriso simpático de sempre. —Edward ainda não chegou? – perguntei enquanto descíamos o vão de escadas.
—Ainda não. Quer que eu a avise quando ele chegar?
—Por favor. – ele havia ido para a empresa na parte da manhã e já não conseguia ficar tranquila quando se afastava, afinal, não sabia se podia confiar em alguém daquela equipe. Além de Alice, claro.
Toda aquela desconfiança que girava em torno de Emmet aparecera no momento mais crítico de toda a situação, jamais iria conseguir relaxar durante aquela festa, mais de duzentas pessoas confirmaram presença e sabia que era muito difícil controlar a situação com tanta gente.
Ele ter concordado com aquilo me fazia repensar todos seus atos, e tudo que nos trouxe até aqui. Cada falha da equipe, cada falta de resolução aos atentados... Nada fazia mais sentido senão a opção de que Emmet não era tão amigo de Edward quanto falava.
—Ai! – soltei puxando minha mão das da manicure que sorriu amarelo ao ver o corte em minha cutícula.
—Me desculpe. – pediu sem jeito.
Maneei a cabeça ao forçar o sorriso, e estendi a mão me sentindo bastante receosa, aqueles cortezinhos ardiam para porra!
—Que cor vai querer passar? – perguntou enquanto terminava de lixar o alongamento que tinha feito em minhas unhas no formato stiletto.
Mordi meus lábios enquanto tentava me lembrar da minha fantasia.
—Pode ser preto.
Já tinha mais de três horas que estava sentada naquela cadeira, não sabia que um alongamento levava tanto tempo para ser feito. Enquanto via a mulher cobrir as unhas alongadas com o esmalte fosco comecei a me perguntar se iria conseguir manejar uma arma com aquelas unhas enormes.
As batidas na porta antecederam a entrada de Senna. Descartei a possibilidade de ser a chegada de Edward no instante em que ela me estendeu o aparelho telefônico.
—Bella, querem falar com você.
—Quem é?
—A pessoa não se identificou, só disse que queria falar com você. – tentei não demonstrar o quanto havia estranhado aquilo, e pedi que as duas me dessem licença para que eu pudesse falar. Me certifiquei de que estava sozinha no SPA para poder atender a ligação. —Alô.
—Bella? Sou eu, Jéssica. – a voz saiu baixa, praticamente em um sussurro. —Ainda bem que me atendeu, estou tentando falar com Emmet há horas...
—O que aconteceu? – seu tom aflito deixava explicito que algo estava errado.
—Descobri coisas sobre... Você não vai acreditar.
Suas palavras fizeram com que o sangue gelasse dentro de mim.
—O que descobriu?
—Não posso falar por telefone, não é seguro. – fez uma pausa rápida. —Preciso que arrume um jeito de eu entrar na festa para que possamos conversar. Avise o Emmet se conseguir falar com ele...
—Ok. Não pode adiantar o que é? Sobre quem é?
—Não. Podem me ouvir. – baixou um pouco mais a voz. —Mas a noite nos falamos.
—Como vou te encontrar no meio de tanta gente? – ter que esperar estava me deixando ainda mais aflita. —Qual vai ser sua fantasia?
—Ainda não sei, vou arrumar alguma coisa aqui... Preciso desligar, eles estão me procurando. – pude ouvir vozes ao fundo. —Pode ficar tranquila que eu acho você.
Me sentia de várias formas naquela tarde, menos tranquila. Alguma coisa mantinha meu coração apertado, minhas mãos trêmulas e suadas... Sentia alguma coisa ruim ia acontecer. Principalmente depois do telefona de Jéssica.
O que ela podia ter descoberto? Porque ela não disse pelo menos a quem se referia...
Soltei o ar pela boca tentando não ser consumida pela ansiedade. Devia ter pressionado para que ela dissesse no mínimo de quem se tratava. Naquela altura do campeonato pouca coisa iria me surpreender.
—Mulher! – a exclamação de Gael de pegou de surpresa. —Me desculpe, não quis te assustar. – sorriu amarelo ao me ver sobressaltada. —Mas é que você está... – estalou os dedos a procura da palavra certa. —Não vou dizer nada, veja você mesma! – segurou nos braços da cadeira e me girou para que pudesse me olhar.
Demorei um tempo até me reconhecer naquele reflexo. Já tinha sido produzida inúmeras vezes, mas naquela noite realmente Gael havia caprichado. Meu cabelo tinha um brilho surreal, quase não conseguia acreditar que aqueles fios ondulados eram os meus. A maquiagem bem feita realçava as maças do meu rosto, e o delineado puxava alongava meu olhar. O batom vermelho estava perfeito, não havia uma falha se quer.
—Uau. – assobiei baixo ainda impressionada. —Você arrasou!
—O mérito é todo seu, meu amor! Seu cabelo está tão cheio, e a sua pele? O que anda passando nela, hein? Quero que me diga para eu comprar!
—Não estou passando nada além dos cremes de antes. – respondi sem tirar os olhos do meu reflexo, ainda não podia acreditar que estava tão linda!
—Hum, vai ficar de segredo então? Ok! – ergueu o queixo e não contive o riso. —Acho melhor você subir e se trocar, já está atrasada.
Abaixei os olhos até o relógio em meu pulso e me surpreendi ao ver que já passavam das sete da noite. O dia tinha corrido em um estalo de dedo e não sabia dizer se aquilo era bom ou ruim.
Só queria que aquela festa acabasse logo e que nada de ruim acontecesse.
Entrei na suíte e a primeira coisa que chamou minha atenção foi a bagunça de roupas no chão. Havia uma trilha de peças que levava até o banheiro. Rolei os olhos diante da bagunça costumeira de Edward.
Será que ele nunca ia aprender a juntar a roupa suja e colocar no cesto?
Caminhei vagarosamente até o closet e aproveitei sua distração para vê-lo se vestir. Os músculos de suas costas se firmavam e relaxavam conforme ele se movia.
E que cena sexy...
Ele se virou ao mesmo momento que vestia a camisa preta e só então se deu conta da minha presença.
—Porra, Bella! – soltou visivelmente assustado. —Que susto.
Não consegui conter o riso, ele rolou os olhos e terminou de abotoar a camisa que moldou perfeitamente aos músculos definidos de seu peitoral.
—Se fosse eu quem estivesse tenteando te matar esse teria sido o momento perfeito. – alertei enquanto me aproximava. —Precisa ser mais cauteloso.
—Tem muita gente me protegendo aqui dentro dessa casa. – deu de ombros e então fixou os olhos em meu rosto. —Você fica tão sexy de batom vermelho... – seus passos até mim foram lentos. —Só é ruim porque borra muito fácil e eu não vou poder te beijar.
Ele segurou em minhas cinturas e me puxou, passei os braços por seu pescoço apreciando o aroma viciante do seu perfume.
—Chegou quando? – mudei de assunto enquanto corria as unhas por sua nuca.
—Não faz muito tempo. – proferiu com o tom suave. —Fiquei preso em reuniões o dia todo... – pude ver um resquício de cansaço em seus olhos peculiares. —Depois que tudo isso acabar vou querer tirar umas férias. – seu desabafo me surpreendeu, pelo o que sabia Edward não gostava de se afastar dos negócios. —Vamos tirar férias, aliás. – corrigiu rapidamente.
—Ah, nós vamos? – encarei-o com os olhos cerrados.
—Sim. Vou te levar junto comigo, nem que seja amarrada. – não contive o riso diante sua fala.
—Não é assim que as coisas funcionam, Cullen. – empurrei-o pelos ombros e me afastei. Edward manteve aquele sorrisinho torto e safado nos lábios. —Vou me trocar para descermos, quanto antes essa festa acabar, melhor.
Minha fantasia estava pendurada a frente das minhas roupas no closet, e preciso confessar que quanto mais eu a olhava, mais a achava linda. O macacão cumprido e sem mangas era todo preto. O tecido macio tinha entre os trançados dos fios, minúsculas pedrinhas, que faziam o traje reluzir. O decote era profundo, mas nada vulgar ou chamativo demais. Era o detalhe perfeito para deixar a roupa ainda mais sexy.
Ficou justíssimo ao meu corpo, mas por incrível que pareça não era nada desconfortável. Subi o zíper lateral e me diverti ao prender o cinto na minha cintura, as pessoas jamais iam imaginar que a arma presa nele era de verdade. Calcei as botas pretas de salto e bico fino e por fim o quepe caricato.
A melhor coisa que fiz foi escolher aquela fantasia, assim empunharia minha arma em segundos, caso precisasse.
—Então é assim que você se veste quando vai trabalhar? – Edward brincou assim que voltei para o quarto.
—Claro, vai me ver assim sempre que estiver trabalhando. – minha resposta o fez rir e pude ver as próteses pontiagudas em suas presas.
Algumas pessoas achariam macabro, eu achei sexy.
Edward se levantou e pude analisar melhor todo o seu traje preto. A calça justa favorecia suas pernas grossas e a camisa exibia os desenhos perfeitos do seu tórax. Se não fosse pelas presas e lentes vermelhas ele estaria comum. Comumente gostoso!
—Deveria ter passado um pó para ficar mais pálido. – comentei enquanto descíamos pelo elevador.
—Eu não uso essas coisas. – rolei os olhos com sua resposta. —Não gosto dessas frescuras...
—Então porque resolveu dar uma festa a fantasia esse ano? – o encarei sem entender a falta de coerência.
—Porque eu gosto do halloween. – justificou dando de ombros. Sua resposta me soou fofa e eu teria o beijado se a porta do elevador não tivesse aberto no instante seguinte.
A casa de Edward estava em um silêncio perfeito, e enquanto caminhávamos para o fundo podia ver os seguranças espalhados pelo cômodo. Eu só esperava que nenhum deles tivesse intenções ruins.
Brady já nos esperava com o carro ligado e no curto percurso que fizemos de carro pude ter mais noção da imensidão da casa de Edward. O salão ficava em uma área mais reservada, tinha fachada imponente e estava muito bem iluminado. Os fotógrafos que estavam em cima dos convidados correrem em nossa direção assim que saímos do carro.
Me senti levemente desconfortável por ter que posar para fotos. Aquilo era algo que eu odiava fazer. Nós subimos o vão de escadas com calma, e quanto mais me aproximava da entrada do salão, mais sentia a velocidade dos meus batimentos cardíacos aumentarem.
Aquilo passava longe de ser uma festa, era na verdade um evento!
O salão de arquitetura italiana estava todo decorado para o Halloween. A meia luz fazia os fantasmas pendurados no teto alto reluzirem em neon. As velas eram em vermelho sangue e os candelabros pareciam ser feito de ossos. Havia teias de aranha, morcegos e muitas abóboras com as caretas mais horripilantes, espalhados por toda a parte.
Um calafrio passou por minha espinha. Nunca gostei muito do dia das bruxas, tudo sempre me soara muito macabro, e aquele fora um dos motivos que me fizera discordar quando Edward anunciou a festa. Além, é claro, do fato da maioria dos convidados estarem fantasiados.
Mordisquei meu lábio inferior e me arrependi no mesmo instante. O batom vermelho borrava com facilidade e provavelmente marcaria meus dentes.
—Edward. – apertei os dedos em seu braço para chamar sua atenção. A banda tocava uma música animada e as pessoas conversavam em um volume alto, era difícil conversar naqueles ambientes.
Edward abaixou os olhos até mim e precisei respirar fundo quando nos encaramos. Ele era tão lindo, e aquela fantasia, por mais simples que fosse, o deixava ainda mais sexy. Prendi o ar nos pulmões por um segundo enquanto a onda de calor varria meu corpo.
—Minha boca...
—Está borrada. – completou soltando um risinho leve, que deixara a mostra as próteses das presas pontiagudas que colocara. Ergueu a mão livre e correu o polegar por baixo do meu lábio inferior.
O ar do salão ficou um tanto quanto mais pesado. Entreabri os lábios e tomei fôlego pela boca, à medida que meu coração assumia um ritmo acelerado. Edward sorriu torto, se abaixou um pouco e me peguei frustrada quando seus lábios não se uniram aos meus e sim, a minha orelha.
—Você está linda! – o arrepio que correu meu corpo, o deixou completamente trêmulo. Agradeci mentalmente por estar agarrada a seu braço forte, caso o contrário, não tinha certeza se teria me mantido em pé.
Pigarrei quando ele voltou a me olhar. Seus orbes cobertos pelas lentes vermelhas estavam tão diferentes quanto seus atos. Estavam mais carinhosos e suaves. E aquilo me deixava completamente abalada.
Edward me desestabilizava por completo e tudo aquilo era tão novo para mim. Estava difícil acompanhar todas aquelas sensações e mudanças, estava difícil não misturar a realidade com a fantasia.
Estar ao lado de Edward era sinônimo de chamar atenção. As pessoas não tiravam os olhos nós, umas até paravam de falar para poder nos observar melhor. Não conseguíamos dar três passos sem parar para cumprimentar alguém, e pude perceber que a maioria dos convidados eram pessoas influentes e importantes, como o prefeito da cidade, por exemplo.
As primeiras pessoas conhecidas que encontramos foram James e Victória, eles estavam fantasiados de Chuck e Noiva do Chuck, e haviam entrado completamente nos personagens. As maquiagens em seus rostos eram tão macabras quanto as roupas.
Estremeci ao me lembrar do filme. Nunca gostei de filmes de terror.
—Uau, Bella! – Victória me puxou pela mão e me obrigou a dar uma voltinha. —Você está um espetáculo, mulher. – elogiou e quase desfaleci de vergonha.
—Obrigada, Victória. Você está...
—Assustadora? – perguntou com expectativa nos olhos.
—É.
—Obrigada. – sorriu grande jogando o cabelo para trás dos ombros. —Nem deixei a Mel me ver, ela iria morrer de medo! – concordei com a cabeça sabendo exatamente o que Melissa sentiria se visse a mãe e o padrasto daquele jeito.
—Edward, você está fantasiado de você mesmo? – James zombou fazendo Edward bufar alto e Victória gargalhar.
—Não seja estúpido, eu sou um vampiro. – arqueou o queixo. —Não gosto de usar maquiagem, ao contrário de uns e outros.
—Isso não é maquiagem! – James colocou rapidamente. —É arte!
—Uhum. – Edward concordou com ironia. —Nos falamos mais tarde, preciso cumprimentar os outros convidados.
Ele não esperou por uma resposta, segurou minha mão e me puxou por entre as pessoas.
Todo aquele clima assombroso só fazia por aumentar a aflição em mim. Encontramos vários personagens de filmes de terror enquanto caminhávamos pelos convidados, havia até a Menina do Exorcista, ela estava tão real que me deixou enjoada.
Porque a festa não seguiu o estilo Black Tie de sempre?
Apesar e não estar confiando em quase ninguém, fiquei um pouco mais tranquila ao ver que os rapazes estavam a postos, camuflados nas fantasias, de olho em tudo e em todos. Além de o salão ser absurdamente grande, a quantidade de pessoas convidadas tinha sido maior que o esperado. Se tinha uma coisa que Edward não sabia fazer era uma festa discreta e pequena.
Por mais que tivesse vontade de parar de olhar para aquelas fantasias horripilantes, precisava encontrar Jéssica. Não sabia como ela estaria vestida e aquilo só dificultava as coisas. Como ela ia me achar no meio de toda aquela gente?
—Aceita um drink, senhorita? – Jared ofereceu estendendo a bandeja preta em nossa direção. Recusei com um aceno de cabeça contendo o riso por vê-lo com o rosto todo maquiado. Até os garçons estavam fantasiados, e como ele ficara encarregado de me servir bebidas sem álcool, teve de vestir-se de caveira.
—Obrigada. – minha voz não escondera o quanto sua aparência estava me divertindo. Jared rolou os olhos e se afastou após pedir licença.
—Qual a graça? – Edward me encarou com os olhos cerrados bebendo de uma só vez o whisky que estava no copo.
—A maioria dos caras que trabalham comigo são extremamente machistas. – já estava cansada de repetir aquelas palavras, mas era uma verdade incontestável. —Hoje estão todos maquiados. Devem estar morrendo por dentro.
Edward curvou os lábios no sorriso torto mais sensual do mundo e soltou um riso seco. Deixou o copo vazio sobre uma das mesas antes de se virar para ficar à minha frente. O salto alto, que era bastante desconfortável, diminuía um pouco a nossa altura facilitando a conexão de nossos olhos.
—Você também está toda maquiada. – alojou as mãos em minha cintura e me puxou para mais perto. Ofeguei surpresa pelo puxão, minhas mãos se espalmaram em seu peito largo.
Entreabri os lábios pronta para reclamar dos seus puxões possessivos, mas nada coerente passou por minha cabeça. Estávamos perto demais, nossos corpos estavam praticamente colados e sua boca estava tão próxima da minha...
—E está muito linda. – subiu uma mão até meu rosto afagando minha bochecha.
Edward intercalava o olhar entre meus olhos e minha boca, que já ansiava para beijá-lo mais uma vez. Meu peito subia e descia rapidamente em resposta a minha respiração falha e batimentos acelerados.
Fechei os olhos quando seu rosto se aproximou um pouco mais do meu, lubrifiquei meus lábios com a ponta da língua e um segundo depois sua boca cobriu a minha. Edward segurou em minha nuca e aprofundou nosso beijo. Mantinha-me presa em seus braços fortes enquanto roçava a língua na minha. Odiava seu jeito mandão e machista, mas amava quando ele me pegava daquele jeito.
—Edward. – a voz próxima fora o alfinete que rompera nossa bolha. Afastei nossas bocas sentindo minhas bochechas esquentarem enquanto Edward pareceu bastante frustrado e irritado.
Ele se afastou, mas não tirou as mãos da minha cintura. Observei seus lábios borrados pelo batom vermelho e tive certeza de que os meus estavam iguais, senão pior. A vergonha cresceu em mim. Tentei disfarçar mexendo em meu cabelo que estava duro pelo spray fixador e fitei Jasper de soslaio. Vestido de pirata, ele intercalou os olhos entre o irmão e eu, e então puxou Alice para o seu lado.
—O que foi? – Edward soou seco e impaciente. Rolei os olhos diante sua postura grosseira. Ele gostava de variar entre a postura de príncipe e ogro.
—Quero que conheça minha namorada. – proferiu orgulhoso, exibindo sua Cleópatra com orgulho.
—Ela trabalha para mim, Jasper. – Edward rolou os olhos, Jasper soltou uma risada, estava se divertindo com a “surpresa”. —Tudo bem, Alice?
—Tudo bem. – ela não escondeu a vergonha. —E vocês? – seus olhos passaram por mim e me lançaram uma piscadela. Quis me enfiar no primeiro buraco que encontrasse. Só conseguia pensar na tragédia que estava minha boca.
Edward e Jasper entraram em uma conversa sobre os pais, e aproveitei aquele momento para falar com Alice. Ela era a única pessoa que eu confiava de olhos fechados.
—Você viu a Jéssica por aqui? – perguntei baixo quase sussurrando.
—Não. – ela não escondeu o estranhamento. —Ela ia vir na festa? Achei que ela ficasse com a filha do Edward.
Entreabri os lábios para poder respirar fundo, não sabia o que lhe responder e aquela demora de Jéssica estava me deixando ainda mais aflita.
—Ela me ligou hoje a tarde. Disse que precisava me contar umas coisas, mas não quis falar por ligação. – Alice cerrou os olhos conforme eu contava. —Disse que viria para a festa e iria me procurar, mas até agora nada.
—Emmet não sabe, não é? – sua voz saiu quase inaudível. —Encontramos com ele a pouco e não disse nada.
—Ele não sabe. – confirmei. —Aliás, depois preciso falar com você a sós sobre isso.
—Ok. – concordou com a cabeça um tanto quanto intrigada.
Nós encerramos nossa conversa no instante em que Carlisle e Esme se aproximaram. Vestidos de rei e rainha eles eram os donos do poder, a fantasia de ambos reluzia em dourado e continham capas longas e imponentes.
—Acabamos de encontrar o Senador William, ele está a sua procura. – Carlisle informou a Edward enquanto arrumava a coroa chamativa em sua cabeça.
—Onde ele estava? Vou ir encontra-lo. – o tom da voz de Edward deixou claro que aquela presença era mais do que importante.
—Está sentado próximo a fonte. – Esme passou as coordenas, ela estava deslumbrante naquele traje de realeza.
—Você vem, amor? – ele se virou para me olhar e tentei ignorar as batidas descoordenadas do meu coração. Eu amava quando ele me chamava daquele jeito!
Limpei o excesso de batom dos seus lábios com os dedos, antes de concordar com a cabeça.
—Só vou à toalete antes. – gesticulei para minha boca fazendo-o sorrir grandiosamente. —Já te encontro.
—Vou te esperar aqui. – maneei a cabeça em consentimento aproveitando a presença de Alice para poder ir me recompor.
Por mais que eu gostasse de batom vermelho sabia que não era a melhor opção quando estava com Edward.
Andando por aquele salão macabro tentei encontrar Jéssica. Era difícil reconhecer alguém quando todos estavam fantasiados. Me encolhi dentro do macacão preto, aquele ambiente não me deixava nem um pouco confortável, pelo contrário, me causava as piores sensações.
Um coringa passou por mim e sorriu. Engoli a seco diante a imagem sombria.
Era só uma pessoa fantasiada, assim como todas as outras ali.
Mantive os passos firmes em direção ao banheiro tentando ignorar as presenças de fantasmas e personagens sombrios que estavam por toda a parte. Aquele ambiente assombroso estava me fazendo suar frio!
As luzes do salão piscaram e gerou por dois segundos um escuro total. Sabia que alguma coisa estava errada, meu instinto nunca falhava. As luzes piscaram mais uma vez, girei o corpo e comecei a fazer o caminho contrário. Precisava encontrar Edward.
Segurei a arma em minha cintura passando pelos convidados que pareciam não ligar para a mudança nas luzes. Ergui a cabeça tentando encontra-lo em meio à multidão, mas sua fantasia não tinha o menor destaque entre as outras e as luzes não paravam de oscilar.
Meu estomago gelou quando a música parou e então ouvi os disparos secos e contínuos. Foram três. Prendi o ar nos pulmões, o coro de grito histéricos ecoou pelo salão.
—Edward.
Minha voz saíra baixa e os gritos a deixara inaudível. O temor correu meu corpo. Tinha certeza de que aqueles tiros tinham sido direcionados a ele.
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