Refém da Paixão
28 Florence Flowers
Notas iniciais
Aquele dia estava sendo um tanto quanto turbulento, primeiro o flagra em Jacob e Victória, a consulta com a doutora Sun-Hee e a confirmação da gravidez, então Emmet dissera mais do que deveria e acabou entregando Edward, e agora, a visita de Victória.
Nós descemos juntos para a sala de estar e era visível que nenhum de nós entendia a presença dela ali, principalmente depois de todos os ocorridos.
Ela se levantou do sofá assim que entramos no cômodo. Victória podia ter uma moral duvidosa, mas ninguém podia negar o quão linda ela era. O sobretudo preto que usava se unia as botas de canos longos e alongava ainda mais seu perfil esbelto. O cabelo de fogo estava solto e liso, o batom vermelho delineava perfeitamente os lábios cheios, mas fora seus olhos verdes que chamaram mais a minha atenção.
Pareciam aflitos, preocupados, tensos.
Nós a cumprimentamos e seu sorriso fora um tanto quanto forçado. Algo de errado estava acontecendo com ela e comecei a me perguntar do que se tratava enquanto nos acomodávamos nas poltronas macias.
Será que alguém a viu com Jacob?
—Onde está a Mel? – foi a primeira coisa que perguntou jogando o cabelo para trás do ombro.
—No banho. – Edward deu de ombros. —Aconteceu alguma coisa?
Victória respirou fundo, encarou os pés por alguns momentos e então voltou a nos olhar.
—Vou precisar viajar a trabalho e quero que a Melissa fique com você enquanto eu estiver fora. – disse em um único folego. Seus olhos eram tão hesitantes quanto sua postura.
—Desde quando você trabalha? – rolei os olhos diante a indiscrição de Edward, mas a verdade é que partilhava da mesma dúvida.
Victória recuou o corpo e piscou algumas vezes se mostrando um tanto quanto perdida.
—Recebi uma proposta irrecusável para treinar umas modelos em Madri. – justificou tentando soar com naturalidade, contudo, só conseguia sentir que aquele texto fora cansativamente ensaiado. —E vou ficar por lá coisa um mês ou dois...
—Direto? – Edward voltou a perguntar, seus olhos estavam cerrados. —Vai ficar todo esse tempo sem ver a sua filha?
Victória entreabriu os lábios e pude ver o sofrimento delinear seus traços harmônicos. Era difícil pontuar com certeza, mas para mim era claro que ela não queria se afastar da filha.
—Eu sei que é um tempo considerável, e acredite em mim, estou com o coração sangrando só de pensar em ficar longe de Mel. – um soluço seco interrompeu suas palavras, era nítido que ela tentava conter o choro. —Mas a proposta é irrecusável, quero voltar a agenciar modelos e não posso recusar.
Prendi meu lábio inferior entre os dentes intercalando os olhos entre Edward e Emmet, os dois pareciam tão desconfiados quanto eu.
—Se está dizendo. – Edward deu de ombros. —A única coisa que posso dizer é que Melissa será muito bem cuidada como sempre foi.
Victória maneou a cabeça e forçou um sorriso antes de baixar os olhos e encarar o chão.
Tudo aquilo era tão estranho, tão confuso, mas servia para nos deixar ainda mais atentos em relação a ela. Em meu íntimo, duvidava muito que aquela viagem fosse motivada por trabalho.
—Quando você vai, Victória? – Emmet a encarava com os olhos cerrados.
—Amanhã de manhã. – ela engoliu seco. —Por isso vim aqui, quero me despedir da minha filha. – seus olhos verdes se voltaram para Edward, estavam um tanto quanto suplicantes.
Ele correu a mão pelo rosto e assentiu com um aceno após respirar fundo algumas vezes.
—Tudo bem. – concordou e se colocou de pé. —Venha, ela já deve ter saído do banho.
Victória se colocou de pé e seguiu com Edward sem a menor hesitação. Encarei Emmet assim que ficamos sozinhos na sala, sua postura não escondia o quão desconfiava estava.
—O que achou de tudo isso?
—Uma farsa. – foi direto. —Victória nunca foi de trabalhar e agora, do dia para a noite, resolve aceitar uma proposta irrecusável? – soltou um riso debochado.
—Será que isso é uma desculpa e na verdade ela pretende fugir? – analisei o ponto que no momento me parecia muito mais sensato e real do que a viagem a trabalho. —Fugir com Jacob, talvez?
Emmet maneou a cabeça em concordância a medida que minhas palavras foram fazendo sentido para ele.
—Por isso se encontraram hoje de manhã, para combinar os detalhes da fuga! – analisou dando alguns passos pela sala.
—Sim. – prendi o lábio inferior entredentes e o fôlego dentro dos pulmões. —Será que ela descobriu que estamos desconfiando dela?
—Não sei dizer, mas pode ser que sim. – Emmet enfiou a mão no bolso frontal da calça e pegou seu celular. —Vou ligar para a centrar e ver se descobriram algo através do grampeamento das ligações.
—Ok.
—Seja como for, ela não pode sair do pais. Não podemos correr o risco de perde-la de vista. – Emmet colocou e concordei rapidamente.
Deixar que Victória viajasse seria o mesmo que assinar o atestado de óbito de Edward.
Tomei fôlego pela boca enquanto tentava ligar todos os pontos. Talvez James fosse inocente, e Victória estivesse agindo com Jacob. A descoberta que tirou a vida de Jéssica pode ser algo relacionado ao caso dos dois. Victória deve ter percebido que as atenções se voltaram para ela e por isso pretende fugir.
Mas onde Jacob se encaixava naquilo tudo?
Ele seria apenas uma marionete dela ou a outra cabeça de todos aqueles atentados contra Edward?
Soltei o ar pela boca sentindo a dúvida me corroer por dentro. Felizmente tudo seria esclarecido em breve!
Estava pronta para deixar a sala de estar quando algo no sofá branco chamou minha atenção. Deixada entre as almofadas decorativas estava a bolsa preta de couro legítimo de Victória.
Mordi meus lábios olhando ao meu redor para me certificar de que realmente estava sozinha.
Meu coração começou a bater depressa assim que sentei ao lado da bolsa, abri o fecho prateado com cuidado e comecei a vasculhar os objetos postos lá dentro.
Havia um frasco de perfume importado, algumas maquiagens, espelhos, óculos de sol e até mesmo um chaveiro com a foto de Melissa e Victória, mas não era aquilo que eu estava procurando.
Precisava de algo relevante, algo que nos fizesse dar o xeque-mate.
Tirei os olhos da bolsa para me assegurar que ainda estava sozinha na sala, não queria ser pega no flagra, e assim que voltei a vasculhar a bolsa cara encontrei a carteira retangular que ostentava o símbolo da marca Louis Vuitton no fecho.
Prendi ar nos pulmões assim que a abri, havia inúmeros cartões de créditos, um talão de chegue, várias notas altas de dólares, contudo, a única coisa que chamou minha atenção fora o cartão de papel branco, onde letras impressas formavam a declaração de amor.
“Você é a mulher mais incrível que já conheci. Eu te amo.”
Aquilo seria apenas um cartão inocente se no verso não estivesse estampado o nome da floricultura: Florence Flowers.
Eu reconheceria aquele nome em qualquer lugar do mundo ou dentre milhares de opções.
Aquela floricultura não era grande ou moderna. Ficava em uma esquina no centro, em um pequeno ponto de um prédio que passava por reformas. Aquela floricultura era comandada por uma senhorinha simpática e de sorriso largo que nos recebera muito bem, quando fomos fazer perguntas sobre um buquê de lírios enviado a Edward.
Com os pensamentos dando voltas na minha cabeça e com uma sensação de esclarecimento, recoloquei todos os objetos na bolsa de Victória, deixando retido apenas o cartão impresso.
Talvez, se voltássemos naquela floricultura e fizéssemos as perguntas certas, sairíamos de lá com mais respostas do que dúvidas.
—Ah, está aqui! – a voz de Victória me sobressaltou. Me esforcei para fingir o máximo de naturalidade enquanto ela se aproximava e pegava sua bolsa esquecida.
Meu coração batia rápido e adrenalina gerada pelo medo corria por meu corpo.
—Mamãe, porque você já vai embora? – a chateação era visível no rostinho de Melissa. Com a filha no colo, Edward contraia os lábios a todo momento, dava para ver o quão incomodo aquela situação o deixava.
—Eu preciso arrumar umas coisas, bebê. – explicou correndo os dedos pelo cabelo húmido de Melissa. —Você promete que vai se comportar?
—Sim. – Melissa respondeu com um biquinho.
—De dedinho? – Victória pigarreou tentando esconder o quão embargada sua voz estava.
—De dedinho. – Mel concordou esticando o dedo mindinho em direção ao da mãe.
—Eu te amo, princesa! – soluçou puxando a filha do colo de Edward e abraçando-a com força.
Ela se virou e pude ver o sofrimento estampado em sua face. Aquilo me fazia questionar ainda mais suas ações.
Já que ela amava tanto a filha, porque ia querer tanto tirar a vida do pai da menina, já que isso a faria sofrer tanto?
Respirei fundo tentando seguir a linha de raciocínio onde Victória estava interessada no dinheiro que Melissa herdaria com a morte de Edward, que era uma fortuna de encher os olhos!
—Prometo que vou te trazer presentes incríveis quando voltar, ok? – Victória se sentou mantendo Melissa sentada em seu colo.
—Você poderia trazer o castelo da Bela Adormecida. – Mel deu a ideia e Victória assentiu rapidamente.
Aquele era o novo filme favorito dela!
—Vou trazer com certeza! – a confirmação fez os olhinhos peculiares de Mel brilharem. —E quando eu voltar, nós vamos tomar muito sorvete com cookies.
—Antes do jantar?
—Antes do jantar! – Victória confirmou para a euforia da filha. —Agora eu preciso ir, princesa.
—Está bem, mamãe. – Melissa confirmou com um suspiro longo, estava visivelmente contrariada.
Mordi meu lábio inferior vendo Victória se despedir de Edward com um abraço demorado. Quando ela se aproximou de mim, seus olhos estavam vermelhos pelas lágrimas que escorriam por seu rosto.
—Minha filha gosta muito de você. – ela proferiu baixo, quando me puxou para um abraço. —Cuide dela, por favor!
—Claro, eu sou apaixonada por ela. – respondi quando ela se afastou, seus olhos deixaram claro que aquilo não era um pedido, era uma súplica.
—Obrigada. – agradeceu forçando o sorriso. —Me acompanha até a porta? – perguntou para Melissa que assentiu com a cabeça fazendo seu longo cabelo ainda húmido pelo banho recente chacoalhar.
—Já volto. – Edward me disse antes de seguir com Victória e a filha para fora da sala.
Voltei a me sentar no sofá com minha cabeça dando voltas e mais voltas. Estava ainda mais confusa. Ao mesmo tempo que acreditava na culpa de Victória, não conseguia bater o martelo e decretar cem por cento de certeza.
Será que ela pretendia mesmo voltar? Tinha sentido certo ar de despedida em seu pedido para que eu cuidasse de Melissa...
Afundei o rosto nas mãos e respirei fundo.
Porque tudo parecia ainda mais confuso? Quando aquele tormento iria acabar?
Já não aguentava mais lidar com tantas questões!!
Puxei o cartão branco do bolso e o encarei por longos segundos. Ali estava toda minha fé e esperança, esperava que ele nos guiasse para um caminho mais certeiro, independente de onde fosse o destino final!
—Bella? – virei a cabeça assim que Emmet me chamou. Ele parecia estar em um estado profundo de euforia. —Preciso que venha comigo.
Me coloquei de pé no mesmo segundo, ainda nem sabia do que se tratava, mas meu coração já pulava sem controle em meu peito.
Esperava que toda aquela adrenalina não fizesse mal ao meu grãozinho!
—O que aconteceu? – olhei-o de soslaio um tanto quanto curiosa.
—No escritório. – respondeu baixo mantendo os passos firmes e apressados.
Tomei fôlego pela boca seguindo-o pelo corredor longo e silencioso. Mentalmente pedia aos céus que ele tivesse boas notícias, e que elas nos levassem para um lugar concreto e definitivo.
Entramos no escritório e ele trancou a porta. O MacBook estava aberto, mas bloqueado com senha.
Emmet se sentou na cadeira de couro e digitou no telado com rapidez. A ansiedade e expectativa me queimavam por dentro.
—Joe acabou de me enviar alguns áudios trocados entre Victória e Jacob. – ele finalmente quebrou o silêncio, sua atenção estava fixa na tela do computador. —Ouça isso! – pediu antes de dar start na gravação.
“Sabe que precisamos fazer isso. E tem que ser o mais rápido possível, já estão desconfiando de nós dois... Não podemos correr o risco de sermos pegos.
A voz de Jacob ecoou pela sala.
Prendi o ar nos pulmões enquanto repassava aquelas palavras que eram um tanto quanto acusatórias!
“Mas e a minha filha, Jacob? Não quero deixa-la! Não posso abandoná-la!”
A resposta de Victória viera acompanhada de desespero e dor.
“Não vamos abandoná-la, Vic! Depois que tudo estiver resolvido com Edward, voltaremos e a buscamos... Sabe muito bem que se ele descobrir o que está acontecendo ele vai tirar a guarda dela de você!”
Ergui os olhos até Emmet, ele parecia um tanto orgulhoso de sua descoberta.
“Tudo bem... Você tem razão... O correto é irmos embora mesmo... Que horas amanhã? Você sabe que precisa ser em um momento que James não desconfiará, não podemos correr o risco dele nos pegar!”
A mensagem de Victória fora toda entrecortada por suspiros e respirações profundas. Sentia que ela não estava cem por cento satisfeita com aquela situação.
“Eu sei, meu amor. Ninguém vai desconfiar de nada, confie em mim, vai dar tudo certo. Assim que ele sair para trabalhar você vem para o meu apartamento, estarei te esperando.”
A voz de Jacob ressoou por um longo momento em minha cabeça. Repassei toda aquela conversa e quanto mais a analisava, mais chegava à conclusão que havíamos finalmente encontrado os culpados.
—Meu Deus, Emmet... – soltei caído sentada na poltrona. —Isso é incriminador!
—Sim! – Emmet concordou praticamente pulando de satisfação. —É o que precisávamos para detê-los.
Maneei a cabeça em consentimento.
—E se formos pensar, há mais pistas ainda. – ergui os olhos até seu rosto. —Jacob estava na Espanha quando Edward se metera em um “fogo cruzado” entre gangues. – seus dedos longos fizeram aspas no ar. —Victória era uma das primeiras pessoas a saber dos destinos de viajem de Edward, por causa da guarda compartilhada. – continuou dando ainda mais lógica para tudo aquilo. —Jéssica trabalhava na casa dela, pode muito bem ter descoberto os cartões que são enviados com os lírios, ou ter descoberto algo ainda mais incriminador... Vai saber!
—Tem mais uma coisa... – proferi puxando o cartão do meu bolso. —Encontrei isso na bolsa da Victória agora pouco, ela foi ver a Mel e esqueceu a bolsa no sofá... – dei de ombros entregando o cartão para Emmet.
Seus olhos castanhos inspecionaram todo o papel retangular, até que ele finalmente reconheceu o detalhe.
—Essa é a floricultura de onde saíram os primeiros lírios! – concordei com a cabeça. —Inclusive é a mesma letra!
Ele pegou o celular de cima da mesa e procurou avidamente por algo no aparelho.
—Olha, é a mesma letra!
A tela do celular exibia fotos dos cartões enviados para Edward juntamente com os lírios, e comparando com o cartão que encontrei na bolsa de Victória cheguei rápido a conclusão de que sim, era a mesma letra.
—Está tudo muito claro! – Emmet disse soltando o ar pela boca. —Jacob quer se vingar, Victória quer dinheiro. Eles uniram o útil ao agradável!
Corri a mão por meu rosto sentindo o baque por estar diante daquela realidade inquestionável.
—E agora? O que vamos fazer?
—Vou acionar a polícia local e pedir reforços. Quero pegá-los de manhã, no flagra da fuga, assim não terão como justificar ou desmentir nada! – Emmet pareceu um tanto quanto ansioso para aquele momento.
—Sim, é o melhor a ser feito. – concordei com um suspiro. —Acho importante interrogar a dona da floricultura mais uma vez, ela deve ter algum registro dos pedidos, não é possível que não tenha um controle das suas vendas!
—Vou fazer isso com toda a certeza!
Maneei a cabeça enquanto uma dúvida ainda mais forte me assolava.
—E quanto a Edward? Ele precisa saber.
Sabia o quão duro seria para ele ouvir aqueles áudios e lidar com a realidade. Antes eram apenas suspeitas, por maior que elas fossem. Agora era a confirmação de tudo. Aquela fuga era a confirmação de tudo!
—Sim, ele precisa e vai saber. Vamos contar para ele.
Não conseguia nem ficar brava com ele pelo o que Emmet deixara escapar mais cedo. Tínhamos tanta coisa para lidar que naquele momento, já não fazia diferença quando e como ele havia me conhecido. Até porque, nossa relação havia extravasado todos os limites profissionais. O amor já existia entre nós, inclusive se formava e crescia a cada dia dentro de mim.
Vi sua face mudar da expectativa a perplexidade enquanto os áudios iam sendo reproduzidos.
Se tinha uma coisa que eu odiava, que me machucava profundamente, era vê-lo sofrer. E por mais que ele se esforçasse ao máximo para esconder sua dor, eu já conseguia lê-lo com facilidade.
Edward mordeu o lábio inferior e encarou o chão, caindo em um silêncio profundo assim que as mensagens de voz acabaram.
Emmet e eu nos encaramos, nenhum de nós dois sabia o que dizer.
—Acho melhor pegar uma bebida para você. – Emmet proferiu indo até o bar e servindo uma grande dose de whisky no copo achatado.
Edward aceitou a dose, mas não fez menção nenhuma de bebê-la. Segurava o copo com uma força animal, pude ver o sangue deixando as pontas de seus dedos tamanho seu esforço.
—Preciso de dizer que amanhã cedo nós os pegaremos. Não vou deixar que eles fujam...
A fala de Emmet fora interrompida pelo impacto barulhento do copo contra o chão. Recuei o corpo um tanto quanto sobressaltada enquanto os cristais se estilhaçavam contra o carpete macio.
Voltei meus olhos para Edward que parecia estar fora de si. Seus passos dentro do escritório não levavam a lugar nenhum, ele respirava com força e corria as mãos pelo cabelo a todo momento.
—Edward, tente se acalmar...
—Me acalmar? – praticamente berrou fuzilando Emmet com os olhos. —Como quer que eu mantenha a calma diante de tudo isso?
Vi o sangue fugir do rosto de Emmet feito uma presa acuada. E eu o entendia, Edward parecia uma fera enjaulada que recebia aos mais dolorosas chicotadas.
—Emmet? – o chamei me pondo de pé. —Será que você pode nos dar licença por um instante?
Ele não se opôs, rapidamente concordou com a cabeça e deixou o cômodo.
Edward ia de um lado para o outro, parecia a ponto de explodir e vê-lo daquela maneira me deixava extremamente angustiada.
Me aproximei com calma, e me coloquei a sua frente, cessando aquele vai e vem repetitivo.
—Hey... – segurei-o pelo braço assim que fez menção de se afastar. —Será que pode parar por um segundo para me ouvir?
Sua postura parecia irredutível, me preparei para uma negativa áspera e revoltada, mas quando seus olhos desceram até os meus, vi que ele estava disposto a me escutar.
—Eu sei que você está sofrendo, que não esperava isso... Não da Victória, pelo menos. – soltei o ar pela boca me recriminando pela falta de eloquência. —Mas tente se acalmar, ficar assim só vai te fazer mal!
—Eu sei, Bella! – me interrompeu se afastando alguns passos. —Mas o que você quer que eu faça? Que eu finja que não estou a ponto de explodir? Que finja que não quero matar aqueles dois da forma mais dolorosa possível?
Soltei o ar pela boca me mantendo em silêncio diante o seu desabafo. Sabia que ele precisava por tudo aquilo para fora, e estava ali para ouvi-lo e confortá-lo.
—Já esperava isso do Jacob, mas a Victória... Nós temos uma filha! Fomos casados! – sua voz e postura deixavam nítido o quão desorientado ele estava. —Como ela pode ser tão falsa? Como teve coragem de vir aqui, me tratar como um membro importante de sua vida e planejar meu assassinato depois? – me encarou por breves segundos, seus olhos estavam imersos na dor. —Não consigo entender como ela pode fazer isso comigo, com o pai da filha dela... Simplesmente não consigo!
Ele se sentou na poltrona de couro e afundou o rosto entre as mãos.
Fechei os olhos e respirei fundo pedindo aos céus que conseguisse aliviar um pouco de toda sua tristeza e angustia.
Me aproximei com calma, toquei sua cabeça acariciando seu cabelo.
—Não tente achar respostas para isso. Algumas pessoas são mentirosas, cruéis... E não há justificativa para isso. – fiz uma breve para respirar fundo. —Ela foi ardilosa com você, se aproveitou da sua bondade. – agachei a sua frente e tirei as mãos de seu rosto para que pudesse olhar diretamente em seus olhos peculiares.
Vê-los tão abatidos e sem brilho me deixava completamente assolada.
—Não posso dizer que sei o que está sentido, porque não consigo nem imaginar o tamanho da sua decepção. – corri a mão por seu rosto acariciando sua barba. —Mas se descontrolar não é a solução, eles não merecem a sua raiva. E tem mais uma coisa, a Mel vai precisar muito de você. – aquele era um ponto incontestável. —E você precisa estar inteiro para estar com ela. Foque na sua filha, tenho certeza que ela é muito mais importante do que o que Victória fez.
Edward respirou fundo e esticou os braços para me puxar para seu colo. O abracei com força, enquanto ele infiltrava sua cabeça no vão do meu pescoço.
—Eu te amo. – sussurrei correndo os dedos por seu cabelo. —E vou estar sempre do seu lado.
Edward estreitou os braços ao meu redor e deixou alguns beijos na pele do meu pescoço. Sentada em seu colo, pude sentir toda sua raiva se esvaindo, feito uma poça de água evaporando no sol quente.
Quando Emmet retornou à sala, o clima estava um pouco mais leve. E pudemos finalmente tratar da coisa mais importante de tudo aquilo: a prisão dos dois ratos!
Ele nos passou todas as coordenadas que seriam cumpridas. Já havia telefonado para a polícia e teria uma reunião no fim da tarde com todos os agentes envolvidos. Queria estar presente naquele momento, queria poder cuspir toda a verdade na cara de Jacob e Victória, mas a gravidez de me impedia.
Sabia que eles poderiam estar armados e em uma possível relutância poderia ocorrer trocas de tiros. Não iria colocar a vida do meu grãozinho em risco.
Por mais incrível que pareça, conseguimos focar toda a nossa atenção em Melissa. Estávamos ansiosos e aflitos para o que iria acontecer no dia seguinte, mas sabíamos que ela necessitava mais da nossa atenção do que qualquer outra coisa.
Seu jeitinho meigo e inocente aliviou um pouco toda aquela tensão presente no ar. A parte mais difícil daquele dia fora conseguir dormir.
Edward e eu reviramos na cama a madrugada inteira, nenhum de nós dois conseguia dizer alguma coisa, a não ser respirar fundo em plena angustia.
Fora uma das noites mais longas da minha vida e assim que os primeiros raios solares surgiram no horizonte, nós nos levantamos.
—Você precisa descansar. – disse assim que saímos do banho. —Não dormiu a noite toda.
—Você também não. – dei de ombros correndo a toalha pelo meu cabelo.
—Mas eu não estou esperando bebê! – rolou os olhos. —Sabe que isso é prejudicial para ele, não é?
Mordi meu lábio inferior sem saber o que responder, sabia que ele tinha razão, mas odiava dar o braço a torcer!
—Ele? – mudei de assunto, fazendo-o bufar. —Acha que é ele?
—Não sei. – Edward respondeu com um leve sorriso nos lábios. —Quando imagino vejo outra menina... Talvez seja uma influência da Mel... Não sei.
Meus pensamentos vagaram na mesma hora para uma bebê tão linda quanto Melissa... Ainda não tinha pensado no sexo do bebê, mas a ideia de ter mais uma menina na nossa família me deixou encantada.
O toque alto do celular de Edward rompeu a minha bolha amorosa e trouxe um frio imediato ao meu estômago. Edward deixou o closet e correu em direção ao quarto.
Tentei controlar minha respiração enquanto o ouvia dar respostas monossilábicas, mas era difícil me conter. A ansiedade me consumia dos pés a cabeça.
Vai dar tudo certo! Vai dar tudo certo!
Repeti em um mantra enquanto caminhava até o quarto, meus dedos agarravam a toalha como se ela fosse a garantia do sucesso da operação.
—Era o Emmet. – Edward disse deixando o celular sobre a cama desarrumada.
—O que ele disse? – minha voz saiu baixa, quase em sussurro.
—Prenderam o Jacob. – o alívio correu por meu corpo e estava prestes a gritar de alegria, mas sua face contraída me deixou imóvel.
Meu coração pulou alguma batida e senti toda o sentimento bom fugir de mim. Edward ergueu os olhos até os meus e soube na mesma hora que o problema ainda existia.
—Mas a Victória conseguiu escapar!
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