Refugio Romano

1 Capítulo 2 - UMA MALDIÇÃO DE PRESENTE


Notas iniciais
CONTINUAÇÃO DA MINHA HISTORIA INICIAL BASEADA NO UNIVERSO DE PERCY JACKSON

Os três seres inumanos caminharam por vinte minutos para chegar a praia, que lhe disseram o local no qual seria curado era um pequeno barco de pesca onde estavam um pouco de seus suprimentos. Debatendo com Grover tudo o que acontecera, Dante ia percebendo que o impossível estava se tornando mais real a cada minuto. Monstros, titãs, deuses. Tudo é mais que real, ate mesmo a versão diferente desses deuses gregos, os romanos eram como uma personalidade diferente. Ao chegarem na praia Dante estava mais calmo, mais a vontade com tudo.

—Você esta se sentindo melhor ? — perguntou Grover

—Bem -começou Dante — se o que voce chama de tudo que aconteceu nos últimos quinze minutos de “se sentir melhor” não. Mas de certa forma…estou. Pode parecer maluco, mas a esse ponto nem sei o que é ou não maluquice, sempre que venho a praia, sempre que tenho contato com o mar. Eu me sinto melhor, me sinto em paz. Surfar me deixa com tranquilidade, sempre deixou.

—Entendo — disse Grover o olhando com a mao ao queixo e uma expressão seria como a de um psiquiatra — bom ! É ótimo que esteja se sentindo melhor, em poucos minutos iremos curar esses ferimentos, o grandão esta vindo com o barco e ja vamos.

—Ah, otimo…

Neste mesmo instante o ciclope adentrava o mar e nadou por trás de uma pedra que saia entre a areia e o mar. Ele então veio nadando com um pequeno barco de pesca na mao que se estendia atras dele e o posicionou o mais perto possível deles.

Eles então botaram os pés nas aguas meio mornas da noite e foram andando ate onde umas leves ondas batiam as suas cinturas, nesse momento o ferimento de Dante ardia como jamais sentiu. Enquanto aspirava o ar pelos dentes fez um grande esforço para subir no barco com a ajuda de Grover e do ciclope, que por sua vez quando subiu causou um balanço imenso pequeno barco.

Grover então foi ate a popa do barco, ali ficava a base onde tinha os controles de pilotagem. Puxou uma alavanca e o motor do barco soltou junto a um barulho estranho uma bolha de óleo na agua, Grover soltou um palavrão e tentava desvendar o tinha feito de errado. Dante bem naquele momento sentiu um reconhecimento.

—Aperte o botão a direita a alavanca, puxe-a, depois dê a ignição e bote o manche para cima.

O ciclope e ele se entreolharam. O sátiro então fez o que ele pediu, o motor soltando um pouco de fumaça soou e Grover o olhou impressionado.

—Não fiz nada, não olhem pra mim.

Enquanto se afastavam da costa Grover ja tinha dado à Dante um doce curativo magico chamado de ambrosia, que diziam vir direto do olimpo. Havia recebido a bebida néctar, também do olimpo, tinha o gosto da comida preferida daquele que a toma. Para Dante tinha o gosto de torta de limão. Ele então pediu um tempo só para ele e se posicionou na proa do barco e ficou pensativo.

Não sabiam aonde estavam indo. Pra que estavam indo. E pra que um barco e não um carro, trem, ou avião. Essa onda de duvidas rodeavam a mente do semideus e imaginou se era para o tal acampamento meio-sangue, onde la são treinados outros semideuses como ele são doutrinados a certas atitudes em relação ao mundo. Mas então se lembrou que o ciclope o tinha lhe contado que eles precisariam falar com os pais de Dante antes de leva-lo para lá.

O menino ouvia o chocar do casco do barco no mar, sentia o cheiro de agua salgada que era levemente interrompido pelas brisas que lhe batiam no rosto e espalhavam seus cabelos castanhos, pensou e pensou. Aquele tipo de silencio, aquele tipo de “passeio” era muito de agrado. Era mais do que suficiente para ele, o tipo de paz que sentia, seria perfeito se estivesse com Natallie.

“Natallie!” pensou ele, por um momento se perguntou como a namorada reagiria com essa situação toda. Se acreditaria, ou se acharia que tudo era só mais uma maluquice, ou se de repente chegasse a conclusão que o namorado dela tinha algum tipo de problema com drogas. Tambem como afetaria a relação de ambos quando ele fosse para o tal acampamento meio-sangue “não”, ele pensou, não podia deixa-la, não assim, não agora “nunca”. O sentimento que ele tinha pela menina era impressionantemente forte e capaz de tudo. Por ela ele iria ate o fim do mundo, se recusaria de deixa-la. Sentiu um nó na garganta e teve vontade de se desfazer em lagrimas enquanto esses pensamentos lhe rodeavam a cabeça.

Após um certo tempo navegando Grover foi reduzindo a velocidade ate que o barco parasse por completo, desligou o motor e foi para perto de Dante remexer em algum tipo de baú procurando por algo sem ligar muito para organização, jogando algumas peças de concerto, panos, redes. Ele desligou Dante de seus pensamentos com algum tipo de procura bem sucedida.

—Ah ha ! Sabia que estaria aqui.

—Por que paramos ?-perguntou Dante preocupado

—Para nos preparamos para a próxima parada.-respondeu o ciclope se aproximando da lateral do barco e se preparando para algum tipo de impacto

—Próxima parada ?

—São duas paradas maninho. Você ira gostar.

—Tudo bem ! Agora estamos prontos — Disse Grover posicionando o que parecia ser um tipo de massinha de modelar redonda azul piscina no meio barco — podemos ir certo ?

—Para onde ?! -neste instante a massinha começou a brilhar e fazer um zumbido como se fosse algum tipo de contagem que ficava cada vez mais rápido, Dante estava começando a ficar apavorado

—Segurem-se -disse o satiro se posicionando na parte de piloto e agarrando as bordas da base dos controles de pilotagem- vai balançar um bocado. Mantenham pés, mãos e cascos dentro do barco o tempo todo e, cuidado com a pressão.

Num estouro eles foram da superfície do mar para uma profundidade de aproximadamente um quilometro e meio. Quanto mais fundo eles desciam, mais Dante se perguntava o porque disso tudo. Era possível ouvir o barulho de agua, o cheiro de alga salgada era bastante intenso naquele ambiente, estava bastante escuro, podia se ver peixes e alguns animais que brilhavam no escuro, mas era praticamente tudo resíduos bem pequenos flutuando no nada, como poeira. Dante olhou para cima e viu e viu algo como uma capsula transparente feita de gelatina.

—Estamos em baixo d’agua ?!- a pergunta ecoou no ouvido dos três mais alto do que o inesperado

—Sim !- berrou o ciclope fazendo com que fizessem uma careta de dor- não é demais !?

—E o que seria isso a nossa volta ?

—Ar — disse Grover ascendendo uns pequenos holofotes nas laterais de dentro do barco — uma bolha pra ser mais exato. Um presentinho das driades do lago.

—E pra que precisamos de uma bolha de ar ? -perguntou Dante -Quer dizer, o que estamos fazendo aqui embaixo ?

—Viemos provar. -respondeu Grover

—Provar o que ?!

—Que voce é meu maninho! — disse o ciclope com um enorme e não tao bonito sorriso no rosto.

—O que ?! Sera que da pra voces responderem a porra da minha pergunta ! Me falem o que esta havendo ! Detalhadamente !

—Esta na hora de provar — Grover engoliu em seco — Que você é filho de Poseidon.

Um silencio tomou conta da bolha de ar em volta do barco enquanto eles desciam profundidade por profundidade. Dante pensava em como era possível e como iria provar que era o filho do deus dos mares. Eles demoraram, depois deste instante, alguns minutos para verem um chão de areia e o atingirem com uma força não muito agradável. Grover bufou de alivio.

—Chegamos.

—Aonde ?-perguntou Dante

—Eu que te pergunto -disse Grover

—Como assim ?

—Latitude e longitude. Voce deve…

—Espera- Dante o interrompeu.

Durante todo esse percurso que eles fizeram com o barco ele trazia com si uma sensação não muito presente na sua vida, achava que sentiu isso somente uma vez. No passeio de barco que fez pela costa da cidade com seus avós, na época, Dante era muito pequeno para saber o que significavam aqueles números, ele não sabia como, mas os números simplesmente surgiram em sua cabeça. Mas agora sabia o que eram, o que significavam.

—Vinte e três graus negativos, latitude -começou o semideus — e quarenta e três graus negativos, longitude.

Grover e o ciclope o fitaram. O satiro com um sorriso ao canto da boca foi se dirigindo a lateral do barco próximo a uma das lâmpadas e o ciclope o acompanhando dando alguns pulos e batendo palmas. Juntos eles olharam meio a escuridão. Dante se juntou a eles.

—Entao…O que vamos fazer agora ?

—Dessa vez é com voce maninho

—Voce tem de mergulhar -esclareceu Grover

—Claro ! Que tal se a pressão não me matasse, ou se não fosse morrer de hipotermia do quão gelada essa droga de agua deve estar !

—Tudo isso irá acontecer se você não for o filho de Poseidon, o que no caso ainda seria de…

—Quer saber ? Isso é loucura ! Foda-se ! Levem-me pra casa !

—Ah pare de choramingar — debochou o ciclope o agarrando fortemente pelo capuz do casaco- Confiamos em você e posso sentir que também é filho do papai. Agora desperte o seu deus interior e mergulhe !

O ciclope rindo inocentemente jogou o semideus na direção da bolha de ar. Com um pouco de agua espirrando e ecoando dentro da bolha o semideus de repente sentiu uma mudança drástica de temperatura, como se pequenas agulhas penetrassem sua pele, sentiu os pulmões sem ar. De alguma forma isso não o incomodava.

Assim que abriu os olhos pôs a mão na frente do rosto para defender um raio de luz intenso. Conseguiu enxergar ambos o ciclope e Grover olhando impressionados. Dante se sentiu com vida, surpreso e incrivelmente livre. Sentia a corrente marítima em suas veias. Algo chamava seu coração, sua atenção e sabia que devia obedecer a essa vontade.

Se afastando em grande velocidade e sumindo na escuridão, o sátiro e o ciclope pararam de ficar impressionados e entraram em pânico.

—Ele por algum acaso deveria fazer isso ?! -gritou Grover

—Eu não sei ! O que vamos fazer ?!

—O barco ! Temos que ligar o barco !

—Rapido ! Ele pode morrer !

—Nao, não pode. Ele é filho de Poseidon…Como da ignição nessa merda ?!

—Eu não lembro ! -berrou o ciclope chorando.

O tempo passara e Dante não retornara, eles desesperados tentavam de alguma forma ligar o barco mas nada que faziam funcionava, o tempo ia passando de forma lenta e o desespero ia crescendo rapidamente. Em desistência Grover ficara de joelhos e se lamenta em voz baixa, rezando para o deus Pã por misericórdia pelo menino e para Poseidon que influencie as correntes e traga seu filho de volta ao sátiro.

Distraído Grover viu algo no canto de sua visão que o chamou a atenção instantaneamente. Uma luz amarela e pequena que ia se aproximando devagar, como se fosse a de uma lâmpada muito velha que não era acendida a muito tempo. Quando estava próxima o bastante ele pode ver a silhueta de um rosto, o rosto de Dante. Ele estava bem, vivo e vinha com uma lanterna. Mas aquilo em suas mãos, segurava de uma forma estranha para ser uma simples lanterna. Parecia algo mais longo.

O semideus entrou na bolha junto com uma explosão de agua, a expressão em seu rosto indicou que a entrada não foi nada agradável. Se levantando com as gotas salgadas lhe escorrendo o rosto ate seu braço e ate uma espada.

Todos ali se viram, em silencio, a frente de uma espada bem estranha. Tinha cerca de noventa centímetros. O cabo era de aço e não totalmente revestido de couro e pano. A base parecia uma mistura de um gládio com a de uma espada grega, sem as pontas duplas, mas com um formato meio oval e um circulo negro no meio. A base era revestida de bronze celestial, o que a faz brilhar bem. O que mais assustava era a lamina, negra com um roxo esmaecido, lembrava muito as cores de imagens de uma supernova ou do espaço profundo. Por fim tinha uma linha azul mar que se guiava da base ate a ponta da lamina. Todos estavam com os olhos arregalados, ou olho.

—Uau.-disse Grover

—Incrivel nao ?-respondeu Dante

—Tenho a impressão de que ja a vi em algum lugar -disse o ciclope seriamente

—Hein ?- perguntou Dante

—Sim…Parece a espada do mito amaldiçoado.

—Que mito ? -indagou Grover — Sou um sátiro muito bem informado. Conheço todos os tipos de mitos, duvidaria se estivesse escutado sobre algo tão horrendo e assustador quanto essa coisa.

—Mas essa é diferente -afirmou o ciclope — só é conhecida no palácio de Poseidon.

—Então nos conte. -disse Dante

—Bem, um dia os guarda tritões perceberam que na entrada do reino viram um monstro, do submundo é o que dizem, ele carregava uma lamina negra que parecia ser de outra dimensão. Ao se aproximar o monstro conseguiu matar alguns trintões usando a lamina mas foi morto em pouco tempo, a lamina no entanto foi pega por um tritão e começou a circular no reino de Poseidon. O interessante é que todos que a tocavam morriam após toca-la e isso foi gerando um efeito dominó por todo reino, chegou um ponto no qual papai ficou furioso. Ele foi resolver o problema pessoalmente, disse que ao tocar na arma sentiu um poder maligno, viu que aquilo não pertencia aquele lugar e imediatamente jogou-a pra fora do reino, mas ela sempre voltava, era quase como se estivesse amarrado a ele ou a seus domínios. Ou ate vontade propria. Tentou destrui-la, não conseguindo ele então teve a ideia não de destruir, mas de cessar essa maldição. Pediu a ajuda de Hécate a deusa da magia, juntos eles lançaram um tipo de selo para que não fosse tao mortal. Nesse meio tempo papai recebeu uma profecia do oráculo. Nela dizia que uma das crias dele iria ser o portador da lamina e o selo iria se romper e então amaldiçoar o próprio portador, ou o mundo. Assim que Hécate e papai acabaram o trabalho ele lançou a lamina pra fora do reino e então nunca mais foi vista. Ate que é bem conhecida nos intervalos das forjas pros lanches de manteiga de amendoim.

—Entao -concluiu Dante engolindo saliva que parecia descer rasgando sua garganta -Amaldiçoado, e mortal para o mundo ou o portador, que acredito que seja eu. Porra.

—Uma cria de Poseidon -analisou Grover — Voce consegue suportar pressões extremas e controlar corrente marítimas e ainda por cima tem a espada que se encaixa perfeitamente no perfil do mito das forjas de Poseidon.

—Então quer dizer que…-falou Dante

—Você é meu maninho, também sou filho de Poseidon e uau ! Bem vindo a família !

—Ganhei um pai, uma maldição e um irmão ciclope numa noite só…nossa. Que mer…-parou e viu as lagrimas nas quais ele iria derramar por aquele olho esquisito — irado. Voce deve ter um nome ne ?

—Ah sim ! Esqueci de me apresentar. Muito prazer maninho. Meu nome é Tyson.

—Que lindo o encontro familiar -disse Grover — embora tenhamos que nos apressar, então Dante, me fale como ligar isso pra darmos o fora daqui. Ainda temos muito o que fazer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.