Reflexões
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Lá estava ela, escondidinha dentro do guarda-roupa... Encolhida... Chorando baixinho para ninguém ouvir... Não, ela não queria ver mais ninguém agora... Nem seus pais, nem seus amiguinhos... Ninguém...
“-Sua putinha, hoje você não vai sair viva daqui!
Ele dizia enquanto lhe penetrava fortemente...
-Pare! Pare por favor, pai!
O sangue não para de correr-lhe as pernas... Sim, ela estava sendo estuprada... Ela agarrava os lenços, nada se passava em sua mente, as lagrimas caiam rapidamente avisando que logo desmaiaria...
Plaft!
O homem caiu desmaiado na cama, o que acontecera? A menina havia lhe acertado a cabeça com o relógio.
Rapidamente ela corria pelos corredores, chorando sem parar... Mas correr para onde? Logo ele acordaria novamente, e mais uma vez, ela sentiria sua pele sendo cortada pelo cinto de couro dele... Há! Quantas vezes já havia sentindo aquela dor em si...”
Se lembrando disso, ela soluçava... Enfiando a cabeça dentro do lençol enorme, tentando ficar quieta para que ninguém a achasse, nunca mais... Ela queria apenas ficar ali, sem ninguém, sozinha...
Apenas oito anos de idade, como uma pessoa pode fazer isso com uma menina de apenas oito anos de idade?
Não se pode saber...
Ouviu-se um ranger de porta, ela se encolheu mais, colocou as mãos em frente ao rosto tentando esconder sua respiração acelerada...
Lá podia-se ver pela fresta das portas do guarda-roupa, ele estava lá... A cabeça tinha um arranhão ao lado esquerdo, ele caminhava lentamente pelo grande cômodo... E a cada passo que ele dava, ela estremecia, mais lágrimas caiam... mais medo...
-Você esta ai não é? APAREÇA!
Ele gritou, fazendo-a estremecer... Logo gargalhadas começaram a ser ouvidas de parte dele...
-Me diga onde está... Vamos brincar...
Ela se encolheu mais ainda, desejando sumir... Ela sentia que cada vez mais ele estava mais próximo de si e isso a fazia fraquejar...
-hug...
Um soluço, um maldito soluço... Foi o bastante para ele arrebentar as portas do guarda-roupa e puxá-la pelo cabelos, fazendo-a ir diretamente para o chão... Caiu com batendo fortemente a face em encontro ao chão, segurando fortemente o lençol contra o corpo... Aquilo era tão humilhante!
Mais alguns soluços e ele lhe arrancou o lençol, deixando a mostra o jovem corpo de criança... O corpo que agora se encontrava com marcas roxas e arranhões... Com profundos cortes de cinta pelo corpo...
E que logo teriam mais, muitos mais cortes manchando o corpo claro da menina... Aquela menina que até os 10 anos... Até os 10 anos foi tratada como um animal, como um animal que não valia nada... Afinal! Por que valeria não é mesmo?
Ela era apenas uma menina chorona e frágil de mais... Talvez se fosse menino servisse para alguma coisa...
Era isso que ele lhe dizia todos os dias... Palavras cruéis que machucavam a pequena menina... Uma menina de cabelos castanhos e longos, de olhos também castanhos escuros e com uma alma agora gélida... Ela não acreditava mais em amor... Em felicidade... Como ela tinha inveja dos seus amiguinhos, que todos os dias lhe contavam na escola o quanto os pais deles eram legais... Eram carinhosos e gentis, sempre procurando lhe fornecer felicidade... E ela? Ela era apenas um ser sujo...
Como ele costumava dizer...
Logo ela sentira as mãos dele em seu corpo novamente, lhe apertando fortemente a barriga, causando mais uma marca roxa para a sua “coleção”.
-Levante-se daí menina!
Ele não pediu, ele ordenou... A levantando sem nenhuma cerimônia, chegando a derrubá-la novamente no chão... Dessa vez ele foi “gentil”, ele apenas lhe chutou as pernas, chegando a deixar lesões ali...
-Levante-se rápido ser inútil.
Ela estava tremendo de mais, mas mesmo assim... Se levantou colocando as mãos em frente ao corpo, tentando esconder-se de alguma forma...
Ele lhe deu um tapa no rosto... Minutos seguintes, aquela região começou a queimar e a latejar, anunciando que logo ficaria vermelho...
Não foi o suficiente... Ele deu mais alguns socos e pontapés...
-Ainda não sei por que tenho uma filha como você...
Novamente ela estava no chão, se contorcendo de dor...
E sem ter tempo de ver, ele pegou o fino braço da menina... Puxando o pra cima e dobrando no cotovelo ao lado contrario do rotineiro... Sim, ele havia quebrado o braço dela... Gritos e mais gritos...
Ela se contorcia, quase não estava suportando a dor. Não conseguia mais mexer o braço, estava dolorido de mais...
Ele retirou a cinta e começou a lhe bater... Com força... Com raiva...
Quanto mais ela gritava, mais ele lhe batia...
Mas como parar de gritar e chorar?
Aquilo ardia no corpo, era pior do que se estivesse sendo queimada viva...
Por mais que ela quisesse calar a boca, não conseguia... Os gritos e as lagrimas em demasia não conseguiam mais parar de sair...
Até... chegar ao fim... tudo estava começando a ficar embaçado... ela não ouvia mais nada... não sentia mais nada... não via mais nada... a escuridão chegou...
Mas pensam que esse é o fim? Não, não... No dia seguinte ela acordaria na cama daquele homem, sangrando novamente...
“Sua vadiazinha!
Você não vale nada...
Mas logo será diferente, logo, logo você provará do inferno...
Por que é para lá que vou te mandar... Eu juro que vou infernizar a sua vida, até você enlouquecer e descer lá para baixo, até você ir queimar no inferno...”
Aquelas palavras nunca mais saíram da mente da pequenina menina...
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