Reflexão
1 Unic
Notas iniciais
Isso é simplesmente um amontoado de ideias que passaram pela minha cabeça um dia e eu tentei conectá-las de alguma forma. Se eu posso ter exagerado em algumas? Sim, mas ideias não são expostas por um motivo: para que possamos exagerar nelas. Eu simplesmente achei que seria legal compartilhar aqui. Esse site acabou se tornando praticamente meu diário, mesmo que sem querer. Acabou se tornando meu refúgio, e o refúgio das palavras que estavam presas em minha mente e que, finalmente, puderam ser liberadas.
Enfim.
Enjoy!
–O que aconteceu, Frank?
O que aconteceu? Direi-lhe o que aconteceu.
Avidame aconteceu.
Pare pra pensar, meu caro Gerard: para que serve a vida? Alguns dizem que serve para se divertir e fazer o que quiser. “You only live once”, como dizem por aí. Outros dizem que serve para sofrer e se machucar. Eu particularmente concordo com a última constatação. Todas as coisas boas que acontecem ao ser humano vão embora em um piscar de olhos; já a dor é remoída diversas vezes, até não sobrar nenhuma gota de amargura, amargura esta que vai direto para sua alma, transformando-lhe em uma pessoa obscura e “sem sentimentos”. Após todo este processo, o que lhe resta? Vagar por aí, como um fantasma perdido, sem direção. Cada corte em seu pulso reafirma seu fracasso. Cada sorriso falso mostra sua fraqueza. Cada medo se transforma em mais tristeza. Cada reclamação se transforma em amargura.
O que nos resta?
Viver nesse poço de solidão chamado “vida”.
Sim, avidaé um poço de solidão misturado com angústia e amargura. Um poço no qual os fracos teimam em jogar coisas fúteis e supostamente “alegres” para fingir que está tudo bem. Como se ter uma Ferrari fizesse toda essa amargura desaparecer. Como se ter o último modelo de computador atenuasse essa solidão. Do que adianta ter todas essas coisas se, no fim, somente os que aceitam a tristeza do mundo irão, supostamente, para o céu? Pois é isso que é nos dito desde a Idade Média, não? Viveremos em um mundo sem regalias para ir para o céu no fim de nossas vidas, não é isso?
Não. Não é isso.
Se viveremos em um mundo sem regalias, aceitando a tristeza que o mundo nos oferece? Sim. Mas sem o objetivo de ir para o céu, que foi uma ideia criada para os fracos terem onde se apoiar. Simplesmente aceite o mundo como ele é: um poço de solidão, angústia e amargura. É melhor viver fazendo o que você quiser em um mundo escuro do que viver preso a coisas materiais em um mundo pintado de cor-de-rosa por um grupo de fracos que querem um motivo para viver em um mundo bonito ao invés de aceitar o mundo frio no qual vivemos. Porque é possível ver a beleza desse mundo frio. Um mundo friamente belo, é nisso que vivemos. Cabe a nós ver ou não a beleza do mundo, mascará-lo ou não com uma tinta cor-de-rosa feita com dinheiro e coisas chiques que desaparecerão junto conosco após nossa morte.
Talvez eu seja apenas um adolescente que anda lendo muito Nietzsche, ou talvez esteja apenas mascarando minha dor atrás de uma fachada composta por “mudar o mundo” de forma falsa, mas de uma coisa eu tenho certeza: minha vida é tão triste e fria quanto a dos outros. A vida de todos é como uma concha: linda e colorida por fora, mas triste e vazia por dentro. Uma vida melancólica, sim, esta é a palavra. As pessoas nascem preenchidas com uma melancolia que jamais desbota, simplesmente se destaca de um jeito mais forte naqueles que aceitam a vida como ela é. Já os fracos, que inventam desculpas para supostamente serem “felizes” em nosso poço de solidão, escondem essa melancolia atrás de uma felicidade falsa que jamais existiu. Mas não os culpo. Procurar felicidade nas coisas mais banais é natural do ser humano, todos fazem isso. Mas não quer dizer que seja a coisa própria a fazer. Em minha humilde opinião, é mais fácil conviver com a melancolia, aceitá-la como uma boa amiga. Ela pode nos ajudar a ver a beleza do mundo frio onde vivemos, mais do que qualquer barra de ouro ou pedra de diamante.
Provavelmente me chamarão de “revoltado” ou algo do tipo, mas não me importo. Talvez não seja um bom motivo para ser assim, mas, ora, quem liga? Viver nesse mundo frio pode ter me transformado em uma pessoa amarga e cruel, mas, acima de todo, transformou-me em uma pessoa racional, uma pessoa que sabe separar os sonhos da vida real.
Chame-me de louco, de antipático, de sociopata. Talvez eu mereça. Interne-me em um manicômio, já não faz mais diferença para mim. Sei que me tornei frio e distante, não nego. Sei que parei de partilhar minhas ideias, mas que diferença faz, se ninguém as entende, se todos estão tão focados em conquistar a tal “felicidade” vinda de bens materiais e nem se dão ao trabalho de prestar atenção no que digo? Não há escape, todos somos reféns desse mundo amargo, onde todos se preocupam mais em manter a fachada de felicidade do que com desenvolver ideias racionais como eu. E quando uma pessoa resolve olhar além de toda essa fachada, chamam-o de louco. De revolucionário. Abafam suas ideias, corrompem suas mentes, até torná-lo uma pessoa comum, buscando alegria em coisas banais, como se todas as suas ideias fossem ridículas. Se me fechei e passei a esconder minhas ideias? Sim, passei. Mas também passei a aceitar a melancolia e a tristeza do mundo, abri minha mente para que toda essa frieza possa me mostrar a beleza desse tal mundo. Mas é difícil fazer isso enquanto existem pessoas fracas e fúteis que continuam insistindo em dizer que eu só serei feliz se tiver os últimos modelos de todos os eletrônicos, se for rico, se for popular, se for isso, se for aquilo. Sim, eu estou cansado dessas pessoas, corrompendo a beleza melancólica da vida. E você, querido Gerard, ainda pergunta se eu estou bem?
Se eu estou bem?!
–Sim, estou bem.
Continuamos a comer nossa refeição em silêncio.
Notas finais
Okay, minha mente pode ter exagerado quando disse que "o mundo é só tristeza", mas bom, vamos admitir: é verdade. Porém, diferente do que o nosso Frankie pensa, existe felicidade no mundo. E não vem só de coisas materiais, de popularidade, etc. Vem de dentro de nós. Precisamos descobrir como achar a nossa própria felicidade, independente do estado em que estamos, de onde vivemos, de como somos. Mesmo se estiver no fundo do poço, é possível achar a felicidade, seja em outra pessoa, seja em um pequeno gesto... Mas é possível, sim. Só é necessário saber procurar. Porém, vivemos em um mundo frio e cruel, e nosso instinto é procurar felicidade em coisas banais. É natural do ser humano, pode ser mais natural para uns do que para outros, mas não deixa de ser natural. E do mesmo jeito que muitos filmes, livros e até mesmo fics em um estilo mais "dark" podem ser bonitos, é preciso achar a beleza do mundo, por mais frio e cruel que ele seja.
Enfim, acho que foi a fic mais pessoal que eu fiz. Retrata, de forma exagerada, alguns dos meus pensamentos e, como um todo, retrata a realidade de muitas pessoas: pensar demais, mas não falar nada no final. Até eu faço isso! E às vezes é o certo a fazer. É preciso deixar seus pensamentos para você mesmo às vezes. Mas também é necessário compartilhá-los quando precisar. Cabe a vocês encontrarem esse equilíbrio. Essa fic também acabou retratando o perfil de algumas pessoas (quem sabe até retrate uma parte de mim) quando diz que as pessoas mais racionais são tachadas de loucas, antipáticas ou sociopatas. Já fui tachada de antisocial, e não nego. Posso até ser. Mas bom, prefiro manter meus pensamentos para mim mesma e para pessoas próximas do que compartilhá-los com meio mundo de gente que só pergunta o que aconteceu por educação e volta a procurar felicidade em coisas bobas. Ok, talvez isso seja meio contraditório, considerando que estou postando minhas ideias, mas é diferente. Eu postei porque quis. Quando você partilha suas ideias porque alguém perguntou "o que aconteceu", é diferente de quando você resolve falá-las publicamente, como em uma reunião ou algo assim. Acreditem, é uma sensação diferente.
Acho que falei demais.
É a velha história da tímida que nunca fala mas, quando fala, nunca mais para. Desculpe.
Cya.
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