Notas iniciais
Espero que gostem ^~^

Tic-tac, tic-tac, fazia o relógio cumprindo sua função e aproveitando para torturar aquela que tentava se isolar do mundo.

Sete e quinze da noite, ainda?”-pensou surpresa pela incrível capacidade que o tempo possuía de zombar da sua cara transformando minutos em dias inteiros.

Estava ali sozinha desde a noite passada, não comia nem sonhava, apenas chorava e desmaiava de cansaço. Ninguém a procurara, talvez por não acarem que estava em casa ou, quem sabe, por não sentirem falta.

Ela mesma não sentia falta de si. Aliás, nem conseguira lembrar-se de quem era antes de tudo tampouco conseguia definir o que seria esse tudo.

Imagens e mais imagens invadiam sua mente deixando-a mais confusa do que antes. Às vezes tratava-se apenas de um instante qualquer, mas na maior parte do tempo ela se lembrava de diálogos inteiros, o que acabava por fazê-la chorar mais ainda.

Algumas horas se passaram e a garota havia adormecido novamente. Seria sensato desejar que ela não mais acordasse para assim não ter mais sofrimento?

Estamos no terceiro dia e, apesar dela ter passado o segundo dormindo quase que o tempo todo, uma decisão já havia sido tomada: ela teria o mesmo destino de sua melhor amiga já que parecia-lhe ser este o único meio de tirar aquele dia de sua memória.

Vestiu sua melhor roupa, maquiou-se tão bem como nunca antes haveria feito, buscou papel e caneta para escrever seu último bilhete:

“Não acho que ninguém vá ler isto, mas de qualquer forma quero pedir perdão por não aguentar e acabar por fazer o mesmo que ela. Apenas espero que entendam o seguinte: eu estive lá, eu vi tudo e agora achei este o único método de apagar as últimas 72 horas do meu pensamento...”.

Deixou o bilhete na geladeira sem finalizá-lo por não saber ou não ter o que colocar lá.

Ligou o rádio, colocou sua música favorita para repetir infinitamente no volume maior que houvesse. Tomou um gole de sua bebida predileta aproveitando para engolir algumas, ou seja, muitas, pílulas e cortou-se pela última vez, cortou-se o mais fundo que conseguiu com as mãos trêmulas...

Caiu no chão gritando de dor – não se tratava da dor física e sim do profundo machucado em sua alma. Jorrou sangue para todos os lados, escorriam lágrimas no seu rosto e, para completar, os remédios faziam efeito. Tudo ocorrendo ao mesmo tempo, uma réplica da noite sombria com apenas uma diferença: não havia espectadores, ela estava sozinha como, no fundo, sempre esteve.

Notas finais
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