Reflexo

4 Capítulo III. Corpo


Notas iniciais
Bem, antes de mais nada, obrigada pelas reviews, e para todos que estão lendo a fic... Em segundo lugar, essa fanfic acontece dias depois que os herois saem de Tokio... ao seja toda aquela trama que acontece do verdadeiro e a copia do Syaoran já foi revelada antes do acontecimento narrado nesta fanfic. Sobre o fato da trama pessoal da Sakura ( a razão da viagem pelos mundos) que podemos ver no volume 21 do mangá será mencionada mais para frente na fanfic de um outro modo diferente... Além é claro de mencionar de um outro modo a copia e a verdadeira Sakura. espero que gostem desse novo capitulo ^.^

III. Corpo

-Minha hime. – abri os olhos e fitei o homem em pé ao meu lado, senti que estava em algo frio, sentia um frio terrível passando por mim, tentei me abraçar para tentar me aquecer, mas meus braços não me obedeciam, nem minhas pernas quando tentei levantar-me, mexi minha boca mas não saiam palavras dela. Olhei com desespero o homem ao meu lado, eu não sabia quem ele era. Seu olhar era doce, mas eu sentia algo anormal naquele olhar, como se o mesmo não fossem realmente daquela forma. Ele abaixou-se e inclinado em direção da minha orelha sussurrou.

-Logo sua copia estará aqui minha querida princesa e então poderei fazer você voltar ao que era antes, o pouco que consegui não é o suficiente para fazê-la viver realmente. – dizia ele enquanto cariciava meu rosto, dedos gélidos tocando a minha face, aquilo causava em mim ainda mais frio.-Consegui entrar nos sonhos dela e foi desta forma que tirei um pouco dela para você, por isso que pode me ouvir e me ver agora... Mas com a terrível ilusão de que ela terá aquilo que dando quer a terei inteira para você, trazendo consigo um portal cujo qual utilizaremos para pegar o restante de suas penas, de sua memória minha princesa.

Não conseguia entender nada do que ele dizia, que penas eram aquelas? Que garota era essa que ele falava? Mas compreendia que eu precisava dela para conseguir me levantar dali, não sabia o que ele faria, porem queria que ele fizesse o mais rápido possível, pois necessitava voltar a “viver”. Ele deu um beijo em minha testa e me deixou sozinha, caso eu pudesse falar, gritaria para ele ficar, não queria ficar sozinha, tinha ficado muito tempo sozinha... Pensar desta forma me fez relembrar algumas coisas, dolorosas coisas...

Eu estava no deserto, a cidade de Clow, meu castelo estava diante de mim, mas não olhava com desejo de adentrar. Queria fugir daquele lugar. Dei dois passos de costa e enfim me virei corri em desespero para longe do castelo, mas não fui muito longe, fui pega por um homem alto, cabelos negro e barba em seu rosto pálido. O olhei assustada, seu sorriso misterioso e seu olhar sinistro me paralisou.

-Sakura. – ouvi ele me dizer, sua voz era suave, mas fria.-Então descobriu o que o rei Clow planejava para você.

O olhei por um tempo espantada, mas logo em seguida desviei meu olhar com lagrimas no mesmo. Ele tocou a minha face e segurando firme o meu queixo fez eu olhá-lo novamente.

-Eu sei disso pois eu vejo o futuro Sakura hime, e sei também que podemos mudar o futuro quando é necessário fazê-lo.

-E como posso mudar aquilo que meu pai diz que acontecerá? – perguntei-lhe, minha voz mais fina e infantil do que é agora, fazendo eu notar que dentro de minha lembrança tenho aproximadamente 7 anos.

-Vindo comigo...

O restante da lembrança está em branco, mas sei que há dor dentro dela, sei que perco algo que é precioso para mim, talvez isso tenha alguma coisa haver com a garota que aquele homem irá trazer para mim. Fechei os olhos mais calma, parecia que as coisas iriam dar certo, mas algo dentro de mim dizia que tudo aquilo que meu pai planejara, enfim acontecera....

OoOoOoOoOoO

-Syaoran...

-Porque você está falando esse nome? Ele é um bastardo! Que estragou todos os meus planos! E por isso você não poderá ser feliz minha princesa.

-Ele é minha pessoa preciosa...

OoOoOoOoOoO

Abri os olhos sentindo dor pelo corpo todo, o frio que antes me afrontava tinha sido substituído pela dor. Olhei em volta, estava numa sala escura, apenas uma fraca luz avermelhada iluminava um ponto distante. Tentei mexer meu corpo, e ele me obedeceu, sorrir ao notar isso, levantei-me, visualizando melhor o lugar onde me encontrava. A sala escura estava com seus pisos coberto por um liquido amarelado, e vários cacos de vidro jazia esquecido em quase todo o chão, a luz avermelhada vinda do lado de fora, qual podia visualizar estando a porta aberta, vinha de uma vela de chamas vermelhas.

Desci da mesa onde me encontrava, perguntando-me o porque estava sobre a mesma, e cautelosamente andei. Ao sair da sala, vieram rapidamente várias lembranças... Todas elas brincando em minha mente. Via-me olhando para mim mesma dentro de uma caixa de vidro. Nós duas estávamos separadas por um grosso vidro que dividia a tal caixa. Ao redor daquela cela transparente, podia se ver paredes de pedra varias maquinas que nunca tinha visto, quais nem sei ao menos descrevê-las, somente sei que a razão de está dentro daquela caixa vendo a mim mesma do outro lado desta, era por conseqüências daquelas maquinas monstruosas. Vi a minha copia tocando o vidro, chorando, ela parecia ser tão frágil. Toquei também o vidro no ponto onde estava a mãozinha da outra Sakura. ‘Não morra’, consegui ler com os movimentos dos lábios dela. A parte da caixa onde ela se encontrava se abriu, e aquele homem, Fye, esse era o nome que ele me informara ser dele logo depois que me tirou do reino de Clow, a pegou no colo e olhando-me com uma ternura falsa, fechou a abertura por onde ela saiu; e em seguida uma água gelada começou adentrar a minha prisão. Desesperada comecei a bater no vidro, mas ele virou as costas para mim. Vi a minha copia chorar ainda mais pedindo para que ele acabasse com aquilo, contudo ele não deu ouvido... Ele tinha escolhido a minha copia do que eu... Talvez ela lhe seria mais obediente do que eu tinha sido até então, talvez ela mataria, como ele havia me ordenado a fazer, para então desfazer todo o futuro negro que eu receberia caso não fizesse isso. E talvez ele tivesse razão, eu não teria morrido caso eu dissesse sim, ele não precisaria de uma copia, caso eu quisesse seguir os passos dele... Mas eu não havia morrido, caso ao contrario eu não estaria andando, e nem pensando ou lembrando. Algo de errado havia acontecido naquele dia, como provavelmente tinha acontecido dentro daquele lugar, os cacos naquela sala, aquele liquido amarelado, não negavam isso.

Segui o corredor escuro, e deparei momentos depois com uma escadaria, comecei descer pé-ente-pé, arrastando pelos degraus o longo vestido de veludo preto que eu usava. Aquele lugar me era familiar, mas não tinham sido visto pelos meus olhos, era outra pessoa que haviam visto-o antes de mim, mas que de alguma forma as lembranças daquele olhar mais doce havia sido impregnado dentro de mim. Segui pelo caminho que aqueles outros olhos visualizaram e encontrei uma porta de madeira, eu sabia o que eu encontraria ali dentro, na verdade eu sentia o que estava ali dentro. Abri a porta sem dificuldade, provavelmente aquela que era prisioneira ali dentro não era perigosa. Ao adentrar o local, vi uma outra escada, essa mais inclinada que a anterior e feita toda de madeira, alem de ser estreita. Talvez somente a visão daquela escada nada confiante fazia quem quer que estivesse lá em baixo permanecesse ali. Ouvir dentro de mim a voz de Fye ‘ Quando a encontrar a chame de Sakura, pois esse é o nome dela, mas não mais o seu...”

-Sakura. – pronunciei friamente, ela não merecia doçura.

Desci a escada graciosamente, as lembranças dos meus ensinamentos iam e viam de encontro a mim. Lembrava das palavras de Fye. ‘Você é agora Arukas. Uma garota destemida, forte e justa. Aquilo que lhe é seu por direito tem que ser tomado por você, sendo através da crueldade ou da bondade.’ Enquanto me encontrava “morta”, era essas coisas que ele me dizia, era isso que ele queria que eu fizesse. E eu agora diante de minha copia, esta me olhando assustada, com ferimentos nada digno de uma rainha em seu corpo, as palavras dele me parecia mais do nunca certas.

-Onde está a minha alma? – a perguntei suavemente, mas a frieza do meu sentimento, do meu estado, não as deixou sair docilmente.

-Não sei do que está falando. – disse ela recuando, sua fraqueza era tão ridícula, como sua aparência indigna de ser chamada de hime.

E então sentir novamente aquela sensação de quando estava diante da porta... A sensação de minha alma, qual não se encontrava mais dentro de mim, apenas fragmentos dela me pertencia, mas eu a queria por inteiro.

-Eu sinto ela dentro de você. Minha alma está dentro de você Sakura. – a revelei dando passos firmes em sua direção.

‘Encontrando-a seja cruel. Eu a escolhi em seu lugar para sofrer as conseqüências dos planos de seu pai, mas caso um dia a encontrar, é porque ela falhou, e por isso tudo o que ela fez de errado cairá sobre você e assim minha querida, você sofrerá o dobro do que sofreria caso tivesse sido você aquela que deparada com o destino cruel feito pelo seu pai... E pegue aquilo que é lhe de direito com crueldade... A verdade sempre está no olhar minha querida. Lembre sempre o que lhe digo, sempre o que o seu senhor lhe diz, minha hime.’

-Quero minha alma, hime, para então ser perfeita para meu senhor.- novas lembranças me invadiram, essas dos mesmos olhos que enxergara aquele lugar imundo antes de mim... Eu via a minha pessoa preciosa... Não sei porque a chamo assim... Via meu querido Syaoran... Eu sei que já tinha dito esse nome, antes de me levantar daquele mesa, ainda de olhos fechados, aquele homem perguntou para mim porque eu dizia aquele nome horrendo, quehavia trazido tristeza para ele e conseqüente para mim... E então o respondi, dize-lhe que ele era minha pessoa preciosa... Contudo eu preciso da alma para ser inteira para ele. – E assim poderei encontrar a minha pessoa preciosa, ao lado do meu senhor. – dize-lhe, a vi se surpreender com a minha revelação, mas não me importei com isso, toquei o rosto dela. Este era tão quente, diferente do meu corpo gélido. Mas é claro que isso era conseqüência da minha semi-morte.

-Vou pegar a minha alma. – disse duramente, sentindo um ódio me consumir. Ele a tinha escolhido, ela tinha vivido ao lado aquele que agora amo, ela tinha vivido tudo que era bom... Enquanto eu estava morta... Meu senhor a observava com orgulho, enquanto eu sentia o frio da morte me consumindo... Eu queria voltar a ser Sakura.

Comecei com ódio a penetrar meus dedos em torno do olho dela, queria arrancá-lo. Meu senhor sempre dizia que a alma se esconde atrás dos olhos, por isso tinha que abrir espaço para pegá-la, para tê-la em minhas mãos, minha querida alma tinha que voltar para mim. Contudo não consegui ir mais além do que isso. Pois logo Sakura se mostrou forte e tirou a minha mão de seu rosto, fazendo minha unha lhe arranhar e machucar ainda mais as feridas que estavam em seu rosto. O líquido quente que escorreu logo em seguida em seu rosto pálido, se encontrava em minha mão também. Porém nada fiz ou disse, apenas a olhava, sentindo raiva por ela não ser obediente e não aceitar aquilo que era certo, eu ter minha alma de volta.

-A alma que está dentro de mim é minha – gritou ela- você não pode tê-la.

Ela não conseguia entender nada, talvez ela nem soubesse que era uma simples copia. Uma copia que possuía a minha alma.

-Está errada Sakura, essa alma é minha, sempre foi. – disse com ternura, embora as palavras saiam gélidas, sem vida ou compaixão.

Neste instante olhei para cima, a porta no topo da escada tinha sido aberta, vi o homem que sempre sussurrava para mim, que me perguntou da minha pessoa preciosa antes que eu viesse para essa prisão fria que o recipiente de minha alma se encontrava. Quando enfim ele desceu a escada olhou-me espantado, o fitei indiferente, por alguma razão o odiava. Ele me perguntou o que fazia aqui, utilizando o nome que meu senhor havia me dado, o olhei com desdém. Como alguém como ele poderia usar um nome dado para mim pelo meu senhor?... Contudo não lhe disse mal-criações, embora as palavras, da forma como saíram de minha boca ao respondê-lo, expressava melhor que qualquer xingamento enfurecido.

-Eu disse que era para esperar. Eu iria lhe dar tal presente minha princesa. Mas por causa da sua’pessoa preciosa’ acabei não conseguindo realizar isso, e terei que iniciar todo o projeto. – respondeu ele carinhoso.

O olhei confusa, pronta para lhe perguntar o que tinha acontecido, contudo quando as palavras estavam prontas para saírem, Sakura caiu no chão. A olhei não entendendo o que estava se passando, mas então fui surpreendida por uma nova lembrança... Essa como muitas que agora estavam dentro de mim, não tinham sido vivido realmente por mim, era outra Sakura que estava diante de Syoaran, sorrindo para ele... Estava quase descobrindo quem era sua pessoa preciosa...Era ele sua pessoa...

-Hime...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.