Reflexões de um psicótico

1 Sim, eu te fuço na internet


Pois é, não vou te enganar não. Eu sei seu passado todo. E ele te condena. Eu vi aqueles comentários que você postou dois anos atrás em um fórum de Star Wars acerca de um possível teste de DNA para Darth Vader e Luke Skywalker. Eu vi sua classificação no vestibular da faculdade de medicina que você largou faz sete anos pra ingressar em comunicação — que aliás não saiu até hoje. Te vi no flog daquele guri adorador de World Of Warcraft que julgo (lamentávelmente) ser seu ex. E já posso de adiantar que a nova ficante dele é mais bonita do que você. Só que ela escreve errado, e você não. Sua ortografia é sempre perfeia. Mesmo quando discorre sobre a saga de Star Wars.

Meu nome é Psicótico e eu sou um xereta anônimo. Xereta com t, porque se não meu problema seria outro. E eu não estaria aqui, escrevendo essa confissão descancarada. Estaria fazendo algo muito mais (re)produtivo. Mas para o meu infortúnio (e seu também), estou aqui. Um xereta, entregue ao submundo dos links, sem lenço, sem documento — exceto a sua carteira de identidade que eu achei na internet, número 58765664-9, expedida pelo Detran. Não que eu tenha algum intuíto criminoso. Fuço as pessoas porque posso. Porque tenho os dedos mais rápidos do Google Earth e te encontro antes de você soletrar B-A-L-A-D-E-C-A-R-A-M-E-L-O.

Tudo começa com uma pequena olhada no seu Facebook, vendo suas fotos, amigos, e coisas que você "curte". Mas depois vira uma busca no Google mais refinada, tentando descobrir todo e qualquer detalhe da sua vida e vendo o que faz de você o indivíduo interessante e subjetivo que você é. O ser Frankestein que eu monto em meu dossiê imaginário, tentando encaixar todas as peças da sua mente e decifrando o indecifrável.

Não adianta fugir. Quem tá vivo tá no Google e mais cedo ou mais tarde vai acabar no histórico de buscas de outra pessoa. No futuro que já começou, ninguém está imune.

Então fica aí o recado para os que gostam de sair por aí comentando em blogs alheios emitindo opiniões anonimamente. Não pensem que vão se safar dessa assim tão fácil. Vou persegui-los até as profundezas do inferno, se for preciso, mas irei encontrá-los, um a um. E quando acontecer, vou ficar só na espreita.