Reflexões de um psicótico

4 Sidenotes de uma caixa de supermercado


Esses dias eu fui no mercadinho do bairro perto da minha casa comprar algumas coisinhas pra poder jantar. Fui para a fila do caixa esperar pacientemente a senhora de idade na minha frente pagar as salsichas que ela estava carregando. A velinha pagou -depois de muito tempo, porque acho que ela esqueceu como contava até 100 e se atrapalhou algumas pequenas vezes tentando pegar R$ 2,60 em moedas de 10 centavos na carteira dela.

Chegou a minha vez, finalmente, e eu coloquei as coisas sobre o balcãozinho do caixa. Esperava pacientemente a mulher passar minhas compras pela maquininha até que ela me lança "Hmm, alguém tá com fome ein!". Não interessa se eu to com fome ou não, só passa as coisas na maquininha, cretina. Odeio isso. Quando você vê uma mulher comprando absorvente você fala "Hmm, alguém tá sangrando pela buceta ein!" ? Para de se intrometer na vida dos outros mulher!

Mas do jeito que eu sou uma pessoa muito harmoniosa, linda, gentil e ganhadora do Prêmio Nobel de Pessoa Mais Harmoniosa, Linda e Gentil, eu sorri e dei uma risadinha nasal. Aí, junto com a risadinha nasal, dei aquela catarrada de dar gosto sabe. E a moça deu uma risada discretamente histérica. Cala boca... Cleide! Cleide? Que nome estranho esse. Sua mãe é idiota mesmo. Imbecil. Para de rir. Cala boca Cleide. Até que ela perguntou "Vai querer nota paulista?", ainda rindo um pouco. Sem-querer eu confundi meus pensamentos super intelectuais com a resposta certa e acabei falando "Cala a sua boca!".

Momento de silêncio total. Peguei minhas compras, deixei o dinheiro em cima do balcão e fui embora. Só espero nunca mais encontrar a Cleide. Alguém passou uma vergonha daquelas ein!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.