Reflexões de um psicótico
3 Banho psicótico
Todos nós temos nossos momentos reflexivos no banho. Sempre vai existir alguma coisa para você discutir com você mesmo. Seja (re)produtiva ou não. Eu mesmo já treinei meu discurso infinitas vezes pra se algum dia eu ganhasse o Oscar. Aquela conversa imaginária que você tem com a pessoa que você gosta — que aliás você sabe que nunca vai acontecer nem em um universo paralelo onde você é extremamente cheio de dinheiro. Aquela briga com o seu "amigo" que você queria ter pra (finalmente) ter um motivo pra não falar com ele. Aquilo que você queria falar para a sua professora que ia fazer ela calar a boca (e te dar uma suspensão). E o engraçado é que as melhores retrucadas só vêm na nossa cabeça depois que acaba a briga/bronca.
E claro, faz suas turnês Live From Banheiro. Com aquela música da Whitney Huston que tem a nota mais estendida do mundo. Mas que claro, você canta com uma facilidade que só Deus sabe. Aí você pega o shampoo pra usar como microfone. O sabonete não, é muito perigoso. Ele pode escorregar e
1. bater no seu olho e fazer você ficar cego, escorregar, cair no chão, bater a cabeça e morrer.
2. entrar na sua boca e fazer você morrer engasgado.
3. bater na sua cara e você morrer de algum jeito.
4. cair no chão, você pisar nele e morrer que nem no 1º
E ainda temos a decência de agradecer a plateia maravilhosa que nunca reclama da nossa voz angelical.
O único problema é quando você tá no meio de uma das suas reflexões ou shows (a.k.a. ruído que você chama de voz cantando uma música que você não sabe a letra inteira) e alguém bate na porta do banheiro perguntando se você é dono da SARESP ou Poseidon mesmo, pra poder gastar tanta água. Vontade de acertar uma voadora na face.
E o momento de pura tensão em que você vai tirar o shampoo dos seus cabelos (lindos e maravilhosos e perfeitos que saíram de um comercial da L’oreal Paris, claro) e fecha os olhos por 15 segundos. Nesse meio tempo você consegue lembrar de todos os monstros, assassinos e psicopatas existentes no mundo inteiro e pensa que eles vão se unir à você no seu banho reflexivo quando você abrir os olhos de novo.
Ou quando você derruba shampoo nos olhos. Ô coisa satânica. Aí você vai procurar a toalha, escorrega e fica caído no chão com aquela dor nas costas e os olhos ardendo enquanto morre afogado – porque com a sua sorte você cai com a cabeça bem em baixo do chuveiro e fica lá que nem um trouxa bebendo aquela água com gosto de água de torneira. E você ainda colocou uma música pra tocar no banho. Tá no repeat. E é da Lady Gaga. Satânico².
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