Reflection.
4 A Primeira briga.
As ruas se resumiam em raios de sol, eu estava com uma regata verde água e uma saia branca com uma coroa de flores vermelha na cabeça feat um óculos de sol, quando estava prestes a entrar no meu prédio alguém me interrompeu.
– Jade, ei Jade!
Quem diabos disse isso? Me virei para atrás em câmera lenta, e descobri que era Henrique.
– Ah, oi Henrique, o que faz por aqui? – Perguntei.
– Costumo vir aqui pra pegar o ônibus e ir pra casa, e você? – Ele perguntou.
– Moro bem aqui. – Apontei para o prédio.
– Oh bom, se quiser podemos começar a vir juntos. – Falou ele, mostrando seu agradável sorriso.
– Pode ser sim, eu gostaria, odeio vir daquele lugar sozinha, sem contar que nos dias de chuva esse lugar fica sombrio. – Sussurrei.
– Me leva até o ponto de ônibus? – Ele perguntou, pedindo.
– Claro. – Sorri.
Andamos um pouco, ele começou a falar segundos depois.
– Aquele paciente chegou a pouco tempo no Muller, bom, ele gostou bastante de você, né? – Ele disse.
– Não fico muito surpreendida! Conquisto todos com meu jeito, acontece que eu sou uma pessoa carismática. – Ri.
Henrique também riu, foi uma das risadas mais bonitas que eu já vi na vida.
– O Que te faz pensar que ele gosta de mim? – Perguntei, parando de rir.
– Não sei. – Respondeu ele, enquanto a sua respiração formava um ar abafado contra o ar quente. – Talvez ela não goste de você, só te odeie menos que as outras pessoas. – Finalizou.
– Devo considerar isso com um elogio? – Perguntei.
– Sim, é um suposto elogio.
A Conversa foi toda de risos e sorrisos e isso me fez decidir que eu gosto do Henrique, como amigo, ele é uma pessoa simpática e agradável.
– Bem, a estação é bem aqui, acho que vamos nos separar. – Riu.
– Tudo bem te vejo mais tarde. – Sorri de volta.
No dia seguinte..
Até agora o dia foi bom. Estou aqui apenas eu e a Karina, de manhã eu vi uma sala chamada Ala C, eu nunca ouvi falar dessa sala, era fechada com cadeado, e a porta era de ferro, Karina foi mandada pelo seu pai pra continuar com o Muller, ela deve saber o que é essa sala.
– Ei, K?
– Sim querida.. – Karina disse docemente.
– Bem, eu trabalho aqui a quatro anos, e, bom, o que é Ala C? – Perguntei.
– Jade, me deixe explicar uma coisa, há muita gente nesse mundo correte? Há, sete bilhões de pessoas no mundo, e metade delas são malvados, são psicopatas, são pessoas ruins de má coração entende? Atos de bondade são feitos todos os dias, sessenta por centro de bondade, quarenta por cento de maldade. Mas ainda existe pessoas muito más, pessoas que matam, que roubam, que intimidam, que fazem coisas do tipo. – Ela finalizou.
Suspirei, eu não estava entendendo nada.
– Estamos falando de pessoas extremamente loucas. – Finalizou de vez.
– Uau. – Dei uma risada.
– Jade.. – Ela disse me olhando séria. – Não vá lá perto. Fique longe da Ala C, é perigoso. – Ela me aconselhou.
Balancei a cabeça positivamente.
– Então, quantos pacientes estão lá? Alguém já morreu lá? – Perguntei, eu estava tensa.
– Bom, desde que o Muller abriu, várias pessoas foram formadas aqui, Médicos, Seguranças e blá blá blá, pelas minhas contas mais de duzentas pessoas estão na Ala C. – Ela me disse olhando pro teto.
Gritei.
– Isso tudo? – Perguntei, eu estava perplexa, duzentas pessoas loucas e endemoninhadas estavam no mesmo teto que eu.
Karina devia ter visto alguma coisa nos meus olhos, por que ela me tranquilizou em seguida.
– Mas Jade, não se preocupe não há possibilidade alguma desses loucos acabarem com o Muller ou matar algum de nós, fique calma. – Ela me tranquilizou.
Suspirei, olhei pro relógio e já era meio dia, estava na hora de eu observar os pacientes almoçarem.
– Tenho que ir. – Sorri, e sai da sala de Karina.
Desci e subi escadas de mármore, passei pela Ala C, passei pela sala SOS, passei pela Vicki, pelo Henrique, e por fim, entrei no refeitório, vi o Cobra de costas e fui até ele.
– Vai buscar as cartas. – Sussurrei no ouvido dele.
– Por que não as pegou pelo caminho?
– Ah, eu esqueci. – Respondi.
Ele deu um leve sorriso, usou a mesa pra empurrar o seu corpo, quando ele voltou para mesa vi que ele não estava mais com algemas nos pés.
– Então, vamos jogar peixinho ou sabe jogar outros jogos? – Perguntei.
– Acho que não. – Ele respondeu.
– Sabe jogar a Guerra? – Perguntei olhando pro baralho.
– Não, o que é isso? – Perguntou.
– Tem vinte e três anos e nunca jogou a Guerra? – O provoquei.
– Tem sei lá quantos anos e nunca fez sexo? – Ele provocou de uma forma chata.
– Para! Você é tão irritante. – Gritei.
– Você não sabe nada sobre mim, você não me conhece então para de pensar assim, eu não sou irritante, eu não sou uma aberração, PARA! De olhar pra mim como você fosse melhor que eu só por que eu estou nesse lugar, você não é esperta como pensa, caralho. – Gritou, jogando o baralho no chão.
Percebi que nós estávamos brigando, eu fiquei constrangida, todos estavam olhando pra nós, os seguranças se aproximaram e eu disse que nada estava acontecendo, mas estava.
– E Quanto a você? – Gritei de volta. – Você olha pra mim como se eu fosse um anjo inocente, como se eu tivesse algo errado, e como se eu fosse uma criança de quatro anos. Você tem esse sorriso idiota na cara o tempo todo, como se soubesse algo que eu não sei. E Talvez eu seja melhor que você só pelo fato de não matar dois garotos inocentes, e três mulheres! – Eu explodi, enquanto jogava a comida dele no chão.
A Expressão facial de Cobra me assustou, ele estava realmente muito furioso.
– Se eu sou assim tão rude por que que ainda aceita sentar e jogar cartas comigo? Por que que vai levar a comida na minha sela, ou aqui naturalmente? Por que não vai fazer teu trabalho de merda? Por que não vai tentar fazer sexo com alguém? Eu não quero mais sua presença, eu não necessito de você. – Gritou mais alto que tudo, jogando a cadeira pro lado.
Olhou para o lado, ele não queria olhar na minha cara, mas quando olhou seu olho estava tremendo, e eu acho que ele estava com vontade de chorar, mas ele não ia chorar só por que uma mulher gritou com ele.
Eu percebi que eu estava sendo irônica, eu odiava quem gritava com um paciente ou brigava com ele, e naquele momento eu estava fazendo isso.
Então eu fui embora, deixando todos olhando pra Cobra, avisei para os seguranças deixa-lo em paz pra ele não ter um ataque de raiva, pedi para as coordenadoras levarem mais comida para Cobra.
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