Refém da Paixão
30 Um Pedido
Notas iniciais
Respirei fundo para apreciar o delicioso e peculiar aroma que só existia por ali. Era uma coisa única, um misto de café e papel novo. Meus saltos colidiam com o piso de cerâmica desgastado e causavam um click repetitivo, tão repetitivo quanto o barulho das teclas do computador que não paravam de ser pressionadas.
Como eu estava sentindo falta daquilo, daquele cheiro, das vozes altas dos agentes que estavam a horas sem dormir, dos ruídos das impressoras velhas, das rodinhas enferrujadas das cadeiras...
Voltar ao centro de investigação fez com que aquela velha Isabella que era viciada em café e fugia de salto alto, despertasse dentro de mim.
—Que lugar horroroso. – Edward resmungou ao meu lado, olhando-o vi o quanto seu sentimento era oposto ao meu.
—Eu não acho. – dei de ombros. —Estava até com saudades. – ele rolou os olhos e correu a mão pelo cabelo, não precisei encará-lo muito para saber que estava contrariado.
Nós paramos em frente as portas duplas e no mesmo instante Mike surgiu por elas. Engoli a seco diante o encontro nada marcado. Estava próxima o suficiente de Edward para sentir seu corpo tensionando, e assim que voltei meus olhos para ele, vi a fúria brilhar em seus orbes peculiares.
—Oi. – Mike cumprimentou com o olhar fixo em mim.
—Oi, Mike. – respondi um tanto quanto desconfortável, de repente parecia que as paredes estavam se movendo e deixando o ambiente cada vez mais apertado.
—Como vai, Edward? – pressionei os lábios ao ver a mão esticada em direção a Edward que praticamente fervia de raiva.
De soslaio o vi arquear o queixo, o olhar era de superioridade, assim como a postura.
—Ótimo. – foi seco recusando o aperto de mão. Contudo, Mike não se abatera, pelo contrário, demonstrou certo prazer ao perceber que conseguia tirar Edward do sério.
—Vieram falar com os suspeitos? – voltou sua atenção para mim se aproximando um passo. Instantaneamente eu recuei, e Edward aproveitou para passar o braço por minha cintura.
—Viemos. – concordei. —Se nos dá licença...
—Claro. – sorriu abrindo espaço para que passássemos. —Bella? – ele me chamou quando Edward e eu estávamos perto de virar no corredor. —Você está linda! – me lançou uma piscadela e aquilo foi a gotinha que faltava para fazer Edward explodir.
—Já chega, eu vou acabar com esse merda...
—Edward! – segurei-o pelo braço com o coração batendo disparado. Tudo o que não precisávamos era de um escândalo ali. —Não caia na provocação dele. – pedi me colocando a frente de seu corpo.
—Como não vou cair se ele está paquerando você na minha frente? – correu a mão pelo cabelo e bufou alto. —Vou ensiná-lo a mexer com a minha mulher....
—Edward! – espalmei a mão em seu peito barrando-o de seguir até Mike. —Por favor, deixe isso para lá. – seus olhos abaixaram até os meus, estavam escuros pela raiva. —Vamos focar em Jacob e Victória, ok?
Ele contraiu a mandíbula e pude ouvir o ranger dos seus dentes, se manteve em silêncio por alguns segundos e então deu um passo para trás, cedendo aos meus pedidos.
—Ainda vou ensiná-lo a mexer com a minha mulher, vai ver! – sua fala enfurecida saíra primitiva e possessiva.
Antes de conhece-lo, abominava aquele tipo de tratamento, mas não posso negar que ouvi-lo falar daquela maneira me soava muito sexy no atual momento.
Nós seguimos até a sala em um silêncio absoluto, o qual não ousei quebrar, era bom dar um espaço para que ele se acalmasse. Emmet nos recebeu na porta, e pediu que todos os agentes ali presentes se retirassem deixando-nos a sós.
—Aconteceu alguma coisa? – ele intercalou os olhos entre nós dois, enquanto trancava a porta. —Você está bem, Edward? Está vermelho como um pimentão...
—Estou ótimo. – Edward respondeu com secura rolando os olhos e afrouxando o colarinho da camisa branca. —Vamos ao que interessa, onde estão aqueles dois filhos da puta?
Emmet respirou fundo e então desligou as luzes dos espelhos, que aos poucos revelaram as imagens de Jacob e Victória. Estavam sozinhos em salas separadas, porém dividiam o mesmo ar de preocupação.
—Desgraçados! – Edward resmungou entredentes. —Quero falar com eles!
—Você vai falar com eles. – Emmet garantiu. —Só precisa me prometer que não vai cometer nenhuma loucura lá dentro. – Edward rolou os olhos diante o pedido. —Eu te conheço o suficiente para saber que quando perde a cabeça sempre acaba fazendo merda...
—Ele não vai fazer nada, Emmet. Vou entrar com ele e te asseguro que nada demais vai acontecer, não é, Edward?
Ele me encarou com os lábios curvados em um biquinho pensativo.
—Não queria que chegasse perto desses... Dois. – soltou o ar pela boca abandonando a palavra de baixo calão que iria usar para se referir a Jacob e Victória.
—Eles não podem nos machucar mais. – sorri tentando lhe passar um pouco de calma, sabia que ele estava prestes a explodir.
—Vocês estão prontos? – Emmet perguntou com a mão na maçaneta da porta. —Vão falar com quem primeiro? – voltou a questionar assim que afirmamos com a cabeça.
—Você quem sabe. – deixei Edward escolher, sabia que ele tinha mais questões a serem esclarecidas do que eu.
—Victória. – respondeu com os lábios contraídos.
Maneei a cabeça em consentimento e entrelacei meus dedos aos seus, não gostava de vê-lo tão abatido e nervoso, mas sabia que aquele confronto era necessário. Edward precisava dele para poder seguir em frente.
Emmet nos guiou até a porta de entrada onde Victória estava e informou aos policiais que faziam escolta sobre a nossa permissão para entrar. Prendi o ar nos pulmões quando a porta fora aberta.
Sentada em frente à mesa, Victória ergueu os olhos até nós e pude ver que ela havia chorado bastante. Sua postura confiante e exuberante não existia nos ombros caídos. Ela estava acabada e mesmo não querendo, me compadeci com seu estado.
—Edward... – soltou baixo enquanto se levantava da cadeira de plástico.
—Não se aproxime. – Edward ergueu a mão e deu a ordem.
—Sente-se, ou vou prende-la a mesa. – o policial que nos acompanhava a alertou.
Victória fungou alto, pude ver a humilhação brilhar em seus olhos verdes, e então ela acatou a ordem.
—Porque você fez tudo isso? – Edward rompeu o silêncio, sua voz era um misto de decepção e nojo. —Era dinheiro que você queria? Ou só quis ajudar o babaca do Jacob a se vingar?
—Edward, não sei exatamente do que estão me acusando, mas eu jamais faria algo contra a sua vida...
—Nós temos provas, Victória. – proferi cruzando os braços, seus olhos se voltaram para mim, estavam inundados por lágrimas. —Ouvimos suas ultimas conversas com Jacob... Seria melhor para você confessar.
—Confessar o que? – me perguntou intercalando os olhos entre Edward e eu. —Jamais tentaria machucar Edward, ele é o pai da minha filha... – ela engasgou ao citar a filha e sua dor me pareceu bem realista. —Vocês precisam acreditar em mim, jamais faria algo...
—Pare de mentir! – Edward ergueu a voz sobressaltando-a. —Deixe de ser cínica e assuma o que fez... Se uniu a Jacob para tentar me prejudicar e quando não conseguiram, resolveram me “tirar de cena”. – ergueu os dedos para fazer aspas no ar.
—Não, isso não é verdade.... – soluçou tirando o cabelo ruivo do rosto. —Vocês precisam acreditar em mim. – fez uma pausa para engolir o choro. —A única coisa que fiz foi passar informação dos seus negócios para o Jacob, mas nunca atentaria contra sua vida, Edward...
Prendi o lábio inferior entre os dentes analisando a postura corporal de Victória. Ou ela era uma ótima atriz, ou estava sendo sincera. Contudo, estava naquela profissão a tempo suficiente de saber que psicopatas são ótimos atores!
—Então era você que passava os detalhes dos meus investimentos para aquele merda?
—Sim. – assumiu abaixando a cabeça. —Sim, isso eu realmente fiz.
—Como você pode ser tão baixa? Como pode dar armas ao Jacob, sabendo que tudo o que ele queria era me prejudicar? – Edward soou perplexo como se sua fixa estivesse caindo naquele segundo.
—Sei que eu errei, mas fiz tudo por amor. – justificou me fazendo rolar os olhos.
—Você tinha a consciência de que ajudando Jacob a prejudicar os investimentos do Edward, estava tirando patrimônios da Melissa, não é? – encarei-a e vi seu semblante cair ainda mais.
—Não pensei nisso...
—Você me dá nojo. – Edward soltou as palavras com asco. —Espero que apodreça atrás das grades. – seus olhos foram tão firmes quanto seu desejo. —E pode ir assimilando o fato de que você nunca mais vai ver a Melissa, porque ela nunca mais vai chegar perto de você.
—Edward, você não pode fazer isso. – Victória ameaçou se levantar da cadeira, e o policial se aproximou alguns passos dela.
—Sim, eu posso. – ele garantiu caminhando até a porta. —Quero sair de perto dessa mulher. – me informou com a mão na maçaneta da porta.
—Ok, só vou fazer mais umas perguntas e já te encontro.
Edward maneou a cabeça em consentimento e o policial liberou sua saída da sala. Victória caiu em um choro copioso, seu corpo balançava por conta dos soluços altos e profundos. Recostei na mesa de canto e esperei seu desabafo tentando não me deixar levar por aquilo.
—Quer um pouco de água? – perguntei assim que ela se mostrou mais calma.
—Obrigada. – agradeceu quando lhe entreguei o copo descartável. Puxei a cadeira e me sentei a sua frente, olhando-a naquele estado, era difícil liga-la a imagem da mulher impecável que conheci meses atrás.
—Existem muitas provas que ligam você aos atentados contra Edward. – expliquei com calma. —E mesmo que não tenha participado diretamente deles, você deu munição para Jacob, o que te faz ser tão culpada quanto.
—Bella, nós nunca tramamos contra a vida do Edward. – repetiu limpando o rosto com as mãos. —Já assumi o que eu fiz e quanto ao Jacob... Ele tentava sabotar os negócios do Edward, mas era só isso.
—E porque estavam fugindo, então?
—James estava começando a desconfiar de Jacob e eu. – fungou e precisou limpar a voz em um pigarro. —E sabia que ele jamais me daria o divórcio...
—Porque ele não te daria o divórcio?
—Ele é orgulhoso demais para isso. – tomou um pouco da água. —Vocês não o conhecem tão bem quanto eu. – soltou um riso sarcástico.
—Entendi. – maneei a cabeça fazendo uma nota mental sobre investigar mais James. —E como você explica a presença dos cartões nos seu escritório?
—Eu nunca vi aqueles cartões antes. – proferiu firme.
—Mas havia um igual dentro da sua bolsa. – rebati. —Era a mesma floricultura, e as letras impressas eram as mesmas...
—Não sei o que dizer sobre isso também. – encolheu os ombros. —Só sei que jamais faria algo contra Edward...
—Isso não é verdade. – a interrompi. —Você ajudou Jacob a prejudica-lo. – acusei e seus olhos saíram dos meus. —Acho que é interessante você começar a cogitar a ideia de dizer a verdade, porque quanto mais demorar, pior ficará sua situação.
Espalmei as mãos na mesa e me levantei da cadeira.
—Bella, vocês precisam acreditar em mim. – seu tom voltou a ficar desesperado. —Se estão querendo machucar o Edward, vão usar a Melissa para isso. – me virei para olhá-la. —Vão tentar atingi-lo através da minha filha...
Seu desespero real conseguiu perfurar o muro que havia levantado para me proteger de suas falas. Uma mãe conseguia reconhecer o sofrimento de outra mãe, e me pareceu muito sincero.
Engoli a seco e ergui o queixo tentando não me abalar com aquilo.
—Nada de ruim vai acontecer com a Melissa. – garanti.
—Por favor, cuida da minha filha. – seus olhos eram tão suplicantes quanto sua voz.
—Vou cuidar. – afirmei antes de sair da sala.
Precisei me recostar na parede fria para assimilar tudo o que havia acontecido lá dentro. Sabia que era praxe os envolvidos negarem até a morte, ou até que não tivesse mais saída para eles, mas algo no meu interior me impedia de acreditar no envolvimento de Victória.
—Você está bem? – Edward perguntou ao se aproximar com Emmet, sua voz estava banhada de preocupação.
Pisquei algumas vezes para focar a visão em sua face e tentei deixar de lado aquelas sensações angustiantes.
—Sim, estou bem. – confirmei arrumando a postura. —Já podemos falar com Jacob?
—Se quiserem tentar. – Emmet proferiu com um suspiro. —Mas ele se recusa a falar, disse que só vai responder as perguntas na presença do advogado.
Corri a mão por meu cabelo e respirei fundo, ele era muito mais esperto que Victória.
—Não vale a pena passar por esse estresse. – Edward disse ao soltar o ar pela boca. —Na verdade eu quero me afastar disso, quero deixar que a lei os puna da maneira mais severa possível.
Emmet confirmou com a cabeça, mas não consegui partilhar daquele desejo. Ainda me sentia angustiada, preocupada, e com certo peso na consciência.
Nós caímos em um silêncio pesado que preencheu todo aquele corredor, e fora somente o toque do celular de Edward que o quebrara.
—É o meu pai. – informou de olhos na tela. —Com licença. – pediu antes de se afastar uns passos.
Olhei-o caminhar uma distância considerável para atender a ligação, sua postura estava tão aflita quanto a minha, e aquilo me deixava ainda pior.
—Bella, eu preciso te dizer uma coisa. – Emmet atraiu minha atenção com as palavras cautelosas. —Mas tem que me prometer que não vai dizer nada a Edward.
Assenti rapidamente com a cabeça, Emmet respirou fundo e se aproximou após verificar que Edward estava entretido demais na ligação com Carlisle para prestar atenção em nós.
—Não estou cem por cento convencido de que Victória está envolvida nisso. – ouvir aquilo dele fez com que o peso saísse dos meus ombros. —Não sei, posso estar enganado, mas algo não está encaixando nessa história.
—Eu concordo. – vi a surpresa reluzir em seus olhos com minha resposta. —Apesar de ter ajudado Jacob a prejudicar os negócios de Edward, não acho que ela chegaria a esse ponto... O que ela ganharia com a morte do Edward?
Emmet pressionou os lábios e correu a mão pelo cabelo.
—Pode até ser ingenuidade nossa, mas vou ficar de olho. – maneei a cabeça em consentimento. —Vou manter o esquema de proteção, principalmente nessa viagem que ele vai fazer no final de semana.
Prendi o ar nos pulmões ao me lembrar da ida a Cancun, a ultima vez que viajamos as coisas saíram do controle, e a única coisa que esperava era que daquela vez desse tudo certo.
—Esqueci de perguntar sobre a Jéssica para Victória... Ela te disse algo? – me recriminei mentalmente por ter deixado passar aquele ponto tão importante, mas as sensações intensas que senti naquela sala me abalaram um pouco.
—Disse que lamentava a morte dela, que não sabia que ela era uma agente e que não faz ideia do porque estão tentando acusa-la.
Repassei a explicação com calma, tudo ali era uma peça daquela quebra-cabeça imenso e eu precisava começar a encaixá-las.
—Encontrou algo suspeito na investigação sobre o James?
—James? Não. – cerrou os olhos. —Acha que ele pode estar envolvido?
—Não sei. – assumi com um suspiro. —Mas se Victória for inocente, todo mundo vira suspeito. De novo.
Confirmar aquilo me deixou em um estado pesado de cansaço. Quando estávamos chegando perto do fim, algo vinha e nos fazia questionar tudo.
Corri a mão pelo rosto me perguntando quando tudo aquilo ia acabar. Já não aguentava mais conviver com tantas dúvidas e aflições, sem contar o medo que só aumentava. Medo por Edward, por Melissa, pelo meu grãozinho...
—Hey, está tudo bem? – a voz de Edward rompeu a bolha de pensamentos que eu havia me enfiado.
Maneei a cabeça e forcei um sorriso, que não o convenceu. Edward continuou me estudando com aqueles olhos profundos, no entanto, quando entreabriu os lábios para dizer alguma coisa, Melissa o interrompeu.
—Vovó! – gritou alto saltando do carro e correndo em direção as escadas de entrada da grande mansão do Senhor e Senhora Cullen.
Edward e eu nos viramos a tempo de ver Esme se abaixar e receber um grande abraço de Melissa. Foi impossível não sorrir com a cena, era incrível como uma pessoinha em formação era capaz de movimentar tanto amor.
—Que saudades eu estava da minha pequena bailarina. – a voz de Esme saíra repleta de amor. —Como você está, meu bem?
—Eu estou bem, vovó. – a voz de Mel saiu ainda mais doce. —Eu também estava com saudades... Você está tão linda! – declarou enquanto acariciava o rosto de Esme que não escondeu a emoção pelo carinho da neta.
—Awn, meu amor! – abraçou-a beijando todo o rosto redondinho de Mel. —Você que é linda, princesa! Sabe quem está lá dentro morrendo de saudade de você? – segurou as mãozinhas de Melissa fazendo um suspense divertido.
—O vovô Carl? – Mel perguntou dando saltinhos.
—Uhum, o vovô Carl. – Esme confirmou para a euforia de Melissa, que se soltou da avó para correr para dentro da mansão. Sarah a seguiu de imediato, e Esme voltou sua atenção para Edward e eu. —Como você está, meu filho? – perguntou abraçada ao filho.
A voz de Esme era um misto de preocupação e dor. Eles já tinham sido avisados da prisão de Victória, e pelo o que Emmet contara estavam todos sem chão, todos incrédulos.
—Estou bem, mãe. – Edward respondeu firme como uma rocha. Sabia que aquilo era um costume dele... Sempre se dizia ser mais forte que a dor.
Esme segurou o rosto de Edward entre as mãos e o estudou por longos segundos, quando eles se afastaram ela soltou um suspiro duradouro. Ela o conhecia muito bem e sabia das armaduras do filho.
—E você, minha querida? – seus olhos chegaram até mim repletos de carinho. —A quanto tempo não nos vemos?
—Muito tempo. – respondi correspondendo ao abraço maternal tão confortável que ela distribuía. —Mas estou bem, e você como vai?
—Sinceramente, estou preocupada, triste, decepcionada. – soltou o ar pela boca quando nos afastamos. —Não esperava uma coisas dessas de Victória.
Respirei fundo me compadecendo daquele misto de sentimentos que estava presente em toda a família Cullen, até mesmo Rosalie, que eu duvidava ter sentimentos, estava completamente impactada pelas notícias que recebera nas ultimas horas.
—Quando a mamãe me contou, fiquei sem chão. Jacob e Victória tendo um caso? Jacob e Victória tentando te matar? – Jasper encarou o irmão, sua voz demonstrara a incredulidade que sentia. —Inacreditável....
—É, ainda não consegui assimilar tudo isso. – Edward assumiu correndo a mão pelo cabelo. —Mas essa é a realidade, precisamos aceitar.
—Edward tem razão. – Carlisle proferiu antes de tomar um grande gole de whisky. —Cair em negação não adianta em nada. O que devemos fazer agora é cobrar o posicionamento mais duro que tiver no tribunal. – firmou cerrando a mão em punho.
—Oh, com certeza! Eles têm de pagar por tudo que fizeram contra meu filho! – Esme se colocou como uma verdadeira “mãe ursa”, e a entendia completamente. Se alguém fizesse mal ao meu grãozinho, ou a Mel, viraria o bicho.
—Mas já é certeza que eles são culpados? – Rosalie encarou Edward. —Quero dizer, sabemos que o Jacob não vale nada, mas a Vic... – maneou a cabeça. —Não posso acreditar que ela faria isso com você.
—Mas ela fez, Rosalie. – Edward respondeu com o maxilar cerrado. —Ela passava informações dos meus futuros negócios para o Jacob, por isso ele sabia exatamente onde mexer para me prejudicar. – fez uma pausa para respirar fundo. —E, provavelmente, quando consegui me safar da maioria das armações deles, eles tramaram tudo isso.
—Caralho, surreal demais! – Jasper exclamou correndo a mão pelo rosto e encarando o chão, como se algo mágico fosse surgir do mármore importado.
—E você, hein, Edward Cullen? – Esme atraiu a atenção de todos ao soar em tom de represália. —Correndo risco de vida e não nos diz nada?
—Não podia dizer, mãe. Não era seguro para vocês. – a resposta de Edward a fez rolar os olhos.
—Agora não é hora para lamentar os ocorridos, querida. – Carlisle afagou os ombros da esposa. —Temos de concentrar nossas energias no que realmente importa: a punição dos culpados, e a nossa Mel. Ela vai precisar muito de todos nós.
Aquele era um ponto que ninguém discordava, pelo contrário, era visível que todos ali presente fariam de tudo para manter o bem estar de Melissa. Aquilo me deixava um pouco mais aliviada. Desde a conversa que tive com Victória onde a mesma disse sobre o perigo que a filha estava correndo, não consegui deixar de lado o sentimento de medo e preocupação por Mel.
Se Victória estivesse sendo honesta, se ela fosse apenas um bode expiatório no meio de tudo aquilo, Melissa estava correndo um grande perigo.
E eu não iria deixar que nada de ruim acontecesse com ela. Nunca.
Corri os dedos por seu cabelo liso tirando-o do rostinho redondo, e subi um pouco mais o edredom que cobria seu corpinho esguio. Ela caíra no sono assim que entramos no carro para voltar embora, e não notara a mudança de ambiente quando Edward a tirara do carro e a colocara na cama, tampouco se incomodou quando tirei o vestido de poá azul que usava.
Ela era a criança mais linda e especial que havia conhecido, e faria de tudo para mantê-la sã e salva.
Apaguei a luz do quarto e deixei a porta entreaberta assim que saí do cômodo infantil e calmo. Sarah se postou a frente da entrada do quarto de Mel, acompanhada por mais dois seguranças.
Por mais que os dois principais suspeitos estivessem presos, não iríamos descuidar um segundo se quer da segurança dela.
O andar estava em um silêncio imaculado, e todas as luzes estavam apagadas, a não ser, a do escritório. Me aproximei devagar com passos calmos e quietos. Olhei para dentro do cômodo através da fresta da porta, Edward encarava um ponto qualquer do cômodo enquanto tomava um gole e outro de whisky. O semblante compenetrado e sério era absurdamente sexy. Admirei-o por um tempo sem consegui crer que aquele homem estava apaixonado por mim!
Prendi o ar nos pulmões ao empurrar a porta, Edward ergueu os olhos até mim assim que me recostei no batente. Os orbes peculiares correram todo meu corpo e minhas bochechas coraram de imediato, mas não recuei. Podia o ver o desejo brilhar em olhar.
—Te atrapalho? – não contive o sorriso ao vê-lo respirar fundo, visivelmente afetado.
—Você nunca me atrapalha. – levou a mão até o copo que estava em cima da mesa e tomou um gole grande do whisky. —Já ia até vocês, estava só...
—Pensando? – entrei no escritório caminhando calmamente até ele. Edward concordou com a cabeça, intercalava os olhos entre minha boca, seio e virilha. Pigarreou e puxou o colarinho da camisa assim que parei atrás dele. —E chegou a alguma conclusão? – minhas mãos pousaram em seus ombros fortes e senti seu corpo tencionar.
Mordi meu lábio inferior bastante satisfeita por perceber que eu o afetava do mesmo jeito que ele me afetava.
—Nada coerente. – girou a cabeça e beijou meu pulso. Sua barba pinicou minha pele e provocou um longo arrepio em mim.
—Estou vendo que está tenso. – apertei seus músculos com os dedos sentindo toda a dureza. – abaixei o corpo até que minha boca alcançasse sua orelha. —Posso te ajudar a relaxar?
Meus lábios roçaram em seu lóbulo e Edward praguejou baixinho antes de manear a cabeça em concordância. Sorri dominada pela malícia e puxei a cadeira girando-a até deixa-lo de frente para mim.
Edward me encarava de olhos cerrados, mantinha o lábio inferior preso entre os dentes e me segurou prontamente, assim que sentei em seu colo. Podia sentir sua ereção enquanto abria os botões de sua camisa. Meus olhos não deixaram os seus por um segundo.
O desejo e a luxuria refletidos ali, eram os mesmos que se encontravam dentro de mim. Me inclinei para frente assim que terminei de abrir sua camisa. Meus seios colaram em seu peitoral forte e segurei firmemente no encosto da cadeira. As mãos de Edward se firmaram em minha bunda e me apertaram conta sua ereção. Nós dois gememos juntos.
—Você quer me fazer perder a cabeça? – sua voz saiu ofegante. Sorri contra a pele de seu pescoço onde eu trilhava um caminho de beijos.
—Não. – ergui o rosto para encará-lo. —Eu quero outra coisa. – Edward engoliu o ar quando lhe lancei uma piscadela.
Desci de seu colo e corri minha boca por seu peitoral definido. Ouvi sua respiração ficar descompassada assim que me ajoelhei entre suas pernas. O olhei rapidamente quando comecei a abrir o cinto. E que visão privilegiada. A face contornada pelo desejo deixava-o ainda mais irresistível. A pele do peitoral brilhava por conta de luz. Ele estava entregue, totalmente entregue a mim e as minhas vontades.
Abri o botão da calça e quando abaixei o zíper o volume em sua cueca ficou ainda maior. Corri meus dedos pelo bolo quente e puxei o cós da peça para baixo. O pau de Edward pulou para fora e eu rapidamente o segurei pela base.
Um assobio de prazer escapou de seus lábios quando suguei sua glande inchada. Apreciei o gosto que seu membro tinha olhando-o por baixo dos cílios. Sua feição máscula era pura excitação.
Corri minha língua por toda a extensão onde as veias estavam saltadas e voltei a sugar a glande rosada. Edward gemeu entredentes e enfiou a mão em meu cabelo quando o engoli com vontade. Ele alcançou o fundo da minha garganta e tive de continuar segurando-o na base para conseguir estimulá-lo por inteiro.
Edward era grande. Em todos os sentidos.
Seus gemidos ecoavam pelo escritório e eram o norte que eu precisava para saber como continuar. Quando estavam mais altos e contínuos, diminuía o ritmo. Não queria que ele gozasse rápido demais.
Meus olhos lacrimejavam e sentia meus dentes fincando cada vez mais em lábios, mas não parei de chupá-lo. Queria que Edward gozasse em minha boca. Queria fazê-lo chegar ao clímax do mesmo jeito que ele fazia comigo.
Firmou os dedos em meu cabelo e começou a controlar o ato. Não me opus, deixei que me controlasse, que me usasse para seu prazer.
—Caralho, Bella... – gemeu meu nome da maneira mais sexy e um segundo depois seu corpo tremulou na cadeira. O pau vibrou em minha boca e sua porra quente desceu por minha garganta.
Limpei o canto de meus lábios quando tirei seu pau de dentro da minha boca. Edward estava com a cabeça jogada para trás, os olhos fechados e a respiração forte. Sorri ao ficar de pé novamente.
Saber que eu lhe proporcionava tanto prazer era extremamente bom.
Edward soltou o ar pela boca e endireitou o corpo. Seus olhos me encararam famintos e perigosos. Senti vontade de recuar, mas não fiz. A adrenalina corria por meu corpo me deixando com o estômago gelado. Ele mordeu o lábio inferior e guardou o pau dentro da cueca antes de se levantar.
Prendi o ar nos pulmões quando ficou de pé a minha frente. Nossa diferença de altura era grande, principalmente quando ele assumia aquela postura de “caçador”.
—Você quer me enlouquecer. – sua voz aveludada estava abalada por conta do clímax recente.
—Não, eu...
—Quieta. – ordenou com firmeza. —Não é para falar nada. – seu jeito dominante era absurdamente atraente.
Edward ergueu a mão e a infiltrou atrás da minha cabeça, puxando meu cabelo com uma força controlada e deliciosa.
Seu corpo empurrou o meu até que minhas costas colidissem contra a parede fria. Um calafrio percorreu minha coluna.
—Tudo o que eu quero é te comer contra essa parede. – sussurrou com os olhos nos meus. —É te erguer... – fez uma pausa para puxar meu corpo para cima.
Rapidamente passei as pernas por seu quadril e gemi alto quando nossas partes intimas se tocaram.
—Segurar suas mãos assim. – soltou meu cabelo para segurar minhas mãos contra a parede acima de minha cabeça. —E te foder com toda minha força.
Ofeguei alto quando seus dedos mergulharam em mim, tocando-me no ponto mais sensível do meu corpo. Apertei os olhos e tentei mexer o quadril em busca de qualquer resquício de prazer, mas ele me impediu. Ele estava no controle.
—Edward... – choraminguei precisando piscar algumas vezes para focar minha visão turvada pelo tesão excessivo.
—O que? – sorriu com malicia inclinando a cabeça e puxando meu lábio inferior com os dentes. Arqueei o corpo e novamente impediu meus movimentos. —Me diz o que você quer. – com os olhos nos meus, voltou a mandar.
—Eu... – minha voz falhou. —Eu quero gozar.
Ele abriu um sorriso grande, um sorriso de predador. Soltou minhas mãos, mas não me deixou descer. Seus brilharam com força e beijou minha boca rapidamente antes de me responder.
—Tudo bem. Vou dar o que você quer.
E ele me deu. Várias e várias vezes. Me fez ir ao céu e voltar, cada vez mais impressionada com a intensidade do prazer que alcançávamos juntos.
Ter aqueles momentos com ele era a válvula de escape que nós tanto precisávamos e quando despertei naquela manhã, me sentia muito mais disposta para encarar todos os problemas que nos esperavam.
Ainda sonolenta me sentei na cama assim que percebi que estava sozinha na grande suíte. Me inclinei em direção ao chão e alcancei a camisa de Edward, vestindo-a assim que a porta do quarto fora empurrada.
Melissa saltitou para dentro um segundo depois que cobri meus seios.
—Bom dia, tia Bella! – pulou na cama e se jogou em minha direção para beijar meu rosto.
—Bom dia, meu amor. – a apertei em um abraço longo. —Como você está?
—Bem e você?
—Estou bem, princesa. – sorri diante sua educação exemplar. —Onde está o seu pai? – perguntei enquanto puxava meu cabelo e o prendia em um coque frouxo.
Melissa abriu os lábios para responder, mas Edward chegou antes. Entrou no quarto com uma bandeja enorme de café da manhã. Estava sem camisa e o cabelo completamente bagunçado.
Muito sexy!
—Bom dia. – me desejou deixando a bandeja a minha frente e beijando minha boca rapidamente.
—Bom dia, amor. – ele me lançou um sorriso antes de se sentar ao meu lado. —Uau, que jeito especial de acordar...
—Uhum, muito especial! – Melissa bateu palminhas enquanto se arrumava na cama ajoelhando atrás de mim.
Cerrei os olhos percebendo a troca de olhares entre Edward e ela. Algo estava acontecendo ali, algo que eu não sabia o que era.
—Titia, você vai fechar os olhos. – Mel proferiu cobrindo meus olhos com suas mãozinhas pequenas. —Não vale espiar, hein!
—Uh... Ok. – concordei ainda sem entender.
O barulho das pratarias se chocando escoou pelo quanto juntamente da risada sapeca de Melissa. De repente me senti ansiosa para saber o que aqueles dois estavam tramando.
—Tudo pronto, papai?
—Tudo pronto, princesa. – Edward confirmou e então Melissa liberou minha visão.
Precisei piscar algumas vezes para que meus olhos focassem no que estava acontecendo a minha frente. Havia um prato branco arrumado na bandeja que Edward trouxera, mas sobre a porcelana fina não havia um dos muffins, ou uma panqueca... Sobre a porcelana cara, estava apenas uma anel de brilhantes.
—O que é isso? – ergui os olhos até Edward que me encarava com um sorrisinho no canto dos lábios.
—Nós queremos te fazer um pedido, titia. – Mel respondeu completamente animada.
—Um pedido? – intercalei os olhos entre pai e filha, que assentiram com a cabeça juntos.
—Eu quero saber se você quer fazer parte da nossa família para sempre. – seus olhinhos peculiares me fitaram com ânimo.
—E eu... – Edward começou esticando a mão para pegar o anel de cima do prato. —Quero saber se você aceita se casar comigo.
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