Notas iniciais
Oi, meninas! Voltei :) Queria agradecer a todas que comentaram o capitulo anterior. Estou amando ler os comentarios de vocês! Vamos ao capitulo? Espero que gostem, boa leitura

Edward beijava muito bem. Muito bem. Aquilo era um fato incontestável. E eu começava a entender toda a fascinação que as mulheres tinham por ele, porque se o beijo era bom daquele jeito...

—Que tal se formos para o restaurante? – a voz de Edward me sugou daqueles pensamentos nada convenientes.

Maneei a cabeça em negação, acho que mais para mim mesma do que para ele.

—Prefiro fazer a refeição no quarto. – sabia que o melhor a fazer era retirá-lo da multidão e levá-lo para a relativa segurança da suíte. Mas Edward balançou a cabeça negativamente e se levantou rumo ao restaurante, não me dando outra alternativa senão segui-lo.

Naturalmente, ao entrar no restaurante, Edward causou o mesmo impacto ocorrido minutos antes no bar. Quase todas as pessoas presentes viraram-se para observar o magnata, de pele alva, cabelo ruivo e olhos heterocromáticos, sendo conduzido para uma mesa mais discreta.

—Sente-se, por favor. – Edward pediu puxando a cadeira para que eu me sentasse, e por um segundo tive o privilégio de ver um dos sorrisos mais charmosos naquele rosto perfeito.

Mais uma vez me perguntei como iria sobreviver àquela situação. O olhar de Edward era tão cativante, sua companhia tão envolvente e deliciosa. Ficava difícil me concentrar e não esquecer da verdadeira razão por que estava ali. Esforçava-me para focar no trabalho e observar o ambiente em vez de hipnotizar-me pelos olhos dele.

O garçom se aproximou, serviu água, arrumou os guardanapos sobre as minhas pernas, enquanto Edward estudava a carta de vinho.

—Tinto?

—Só água, obrigada.

— Água? – Edward se mostrou decepcionado, mas ignorei sua careta e peguei o cardápio para me concentrar em algo, tarefa difícil depois do beijo ardente. Escolhi logo o primeiro item, um risoto. Edward preferiu uma picanha malpassada e quando o garçom se retirou, consegui dizer o que estava me incomodando.

—Não faça mais isso, Edward. Quando disser para irmos para o quarto, não me contrarie.

—Gosta de seu trabalho? — perguntou ignorando por completo minha irritação.

—Isso não vem ao caso, agora. – respondi com secura, observando o local. Relaxei um pouco ao ver que Mike e Tyler se sentavam a uma mesa próxima.

—Tome um pouco do vinho. – Edward ofereceu sua taça. —Está realmente muito bom.

—Não posso beber nada alcoólico. – o encarei por um instante pedindo mentalmente para que ele entendesse. Edward apenas franziu a testa.

—E seu namorado? O que acha do seu trabalho?

Dei um sorriso forçado com certa relutância em falar sobre aquilo com ele, mas se ficássemos em silêncio poderíamos levantar suspeitas.

—Meu ex-namorado odiava meu trabalho. – tomei cuidado para não me expor demais. —Apesar de ele também estar no ramo de joias. Ultimamente, tenho tido mais sorte que ele. Acho que acabou ficando incomodado com isso.

—Ou preocupado? – Edward argumentou. —Eu não gostaria que minha mulher trabalhasse nesse negócio.

—Sua mulher? – sorri com ironia. —Seja lá o que você quis dizer, Edward, a tradução não foi das melhores.

—Foi uma tradução perfeita. Não é um trabalho feminino, apesar de ter de admitir que você está linda. Esse vestido é muito sexy. – seus olhos eram tão sinceros quanto provocadores.

—Obrigada. – foi o melhor que pude responder diante a vibração em meu estômago.

—Você é... – Edward fez uma pausa acho que escolhendo a melhor palavra. —Uma dessas feministas? – sua pergunta soou um certo ar de inocente, se é que Edward Cullen poderia ser inocente de alguma forma.

—O que sou e no que acredito não lhe dizem respeito...

—Mas estamos namorando! – respondeu com um sorriso malicioso. —É normal que a gente queira se conhecer melhor, não acha?

Ele arrumara um bom argumento. Como meus colegas estavam por perto e o barulho do restaurante não permitia que a conversa fosse ouvida, quando a comida chegou, relaxei um pouco.

—E você gosta do que faz? – devolvi a pergunta provando o risoto.

—Na maioria das vezes. – mexeu a cabeça positivamente. —Mas não me deixa muito tempo livre para a vida pessoal... – encarei-o com as sobrancelhas arqueadas. Ele só poderia estar brincando. —É verdade!

—Pelo que andei lendo, você tem uma vida social incrivelmente ativa, Edward.

—Não é tão bom quanto os sites de fofoca tentam mostrar. A maioria do que a mídia chama de namoros não passaram de simples jantares.

Inclinei a cabeça em uma postura completamente debochada. Se ele estava tentando fazer algum joguinho comigo não iria funcionar. Algo em minha cara o fez rir alto. O som de sua risada era tão atraente quanto todo o resto dele.

—Tudo bem, não gosto de dormir sozinho. Mas não sabia que isso era um crime.

—Nunca disse que é. – contestei. —E sua família? – abaixei os olhos ao pisar em terreno mais arenoso. —Sua filha?

—O que tem?

—Preciso que me fale sobre eles. – dei de ombros fingindo naturalidade. —Aceitam bem suas namoradas?

Edward curvou os lábios em um biquinho pensativo e se colocou em silêncio por um instante. Tomei um pouco da água com gás enquanto esperava por sua resposta.

—Não apresento uma namorada para minha família há anos. – seus olhos reluziram sinceridade. —Você será a primeira desde que Melissa nasceu.

Mesmo não querendo aquilo me agradou bastante. Obviamente não tinha motivos, até porque aquele não era um relacionamento de verdade, mas me agradou muito.

—Ela tem quantos anos? – mudei um pouco o foco do assunto, já sabia a idade da menina e todas as outras informações necessárias, porém, era melhor manter a conversa em um patamar mais suave.

—Cinco. – abriu um sorriso ao responder. —Já viu fotos dela? Ela é linda. – o orgulho brilhou em seus olhos e foi impossível não corresponder o sorriso.

—Vi sim, Emmet me mostrou algumas.

E Melissa realmente era linda. O rostinho redondo parecia ter sido esculpido na mais rara porcelana, os lábios eram cheios e desenhados, o nariz arrebitado e os olhos... Os olhos tinham a mesma raridade dos do pai. Um era esverdeado, o outro azulado. Ambos emoldurados por cílios castanhos e longos. Uma franja simetricamente cortada era toque final para deixa-la ainda mais delicada. Parecia uma boneca de tão linda.

—Ela mora com você? – também já sabia a resposta, mas tinha gostado daquela postura que ele assumira ao falar da filha.

—Guarda compartilhada. – aquilo não o agradava muito. —Fica comigo quando estou em Miami. – tomou um gole do vinho antes de continuar. —Ela é maravilhosa. Vocês vão se dar bem.

Estreitei os olhos diante suas últimas palavras.

—Ela é mandona igual a você. – justificou perante minha falta de entendimento.

—Um cara machista, pai de uma futura feminista. – observei vendo-o rolar os olhos, não contive o riso.

—Não sou machista. – todos caras machistas negavam que eram machistas. —Você que é moderninha demais...

—Aham. – maneei a cabeça encarando-o ironicamente.

—E linda, tenho que admitir. – seu elogio me pegou de surpresa. Pigarrei um tanto quanto sem graça. Ele sorriu com o canto dos lábios sem tirar os olhos de mim.

—E sua ex-mulher? Vocês têm uma boa relação?

—Nos damos muito bem. – maneou a cabeça. —Sou amigo do atual marido dela. – continuou sem apresentar qualquer ressentimento.

Emmet já tinha apresentado aquele fato também, mas minha cabeça não parava de trabalhar em cima de todas as hipóteses.

—Não consegue pensar em ninguém que possa estar querendo fazer mal a você?

Edward apertou os lábios e endureceu a postura. Estava nítido que ele não gostava nem um pouco de falar sobre aquilo, talvez estivesse em negação.

—Já te disse que muitas pessoas não gostam de mim. Se fosse fazer uma lista levaria dias para por todos os nomes. – para a maioria das pessoas aquela parecia ter sido uma recuperação instantânea, mas notei que os olhos de Edward já não conseguiam fixar-se nos meus. Ele apanhou a taça de vinho e bebeu um gole, enquanto não me restava dúvidas de que aquela era uma tentativa de fugir do assunto.

—Eu sei. – respondi em um tom casual, tentando chegar com calma onde queria. —Mas é que na maioria desses casos... – voltei a olhar ao redor e, ao ver que não havia nenhum garçom por perto, decidi aprofundar a conversa. —Os mandantes dos crimes, são sempre pessoas próximas das vítimas.

—Não nesse caso. – proferiu rápido com a voz cerrada. Ele estava visivelmente irritado.

—Como pode ter tanta certeza? – rebati encarando-o fixamente.

—Tendo.

O breve momento de trégua entre nós dois cessara. O tom amigável esvaiu-se em silêncio. Terminamos a refeição sem trocar mais nenhuma palavra. A picanha ficara praticamente intacta no prato de Edward, que largou o garfo e a faca, limpando a boca com o guardanapo e jogando-o sobre a mesa.

—Pode me escoltar para o quarto, agora? – ele deu um sorriso insolente.

Não respondia a sua provocação, apenas me levantei e caminhei ao seu enlaço para fora do restaurante.

—Quer dar um pulo no jardim para um café ou um licor? – convidou já no hall principal. E mesmo suspeitando que a oferta não passava de mera educação como fazia com todas com quem saía para jantar, tive o pressentimento que Edward tentava adiar as coisas.

—Não. – balancei a cabeça. O jardim era o último lugar onde queria estar com alguém que corria risco de vida. —Acho melhor irmos para o quarto.

—E eu acho melhor tomar um licor. – Edward respondeu bruscamente e foi andando em direção ao jardim, ignorando as regras claramente explicadas.

O pânico cresceu em mim e tudo o que eu sabia era que se não tomasse as rédeas da situação naquele instante, só restaria abandonar a missão e mudar de profissão. Era bom que Edward aceitasse que quem iria dar as cartas pelos próximos dias era eu, ou a vida de nós dois estaria em perigo.

—Amor. – sorri com doçura, pegando as mãos de Edward, quando ele estava prestes a pedir um drinque à garçonete. —Estou realmente cansada. Vamos esquecer o licor e ir para o quarto.

Edward ficou mudo e empalideceu quando apertei seu polegar contra o punho. Aquela era uma técnica oriental que, apesar de sutil, era extremamente dolorosa, e que deixava muitos homens de joelhos em poucos segundos. Em instantes, nós dois já estávamos à espera do elevador. Durante todo o percurso, qualquer um diria que parecíamos um casal a caminho do quarto.

—Que merda foi aquilo? – Edward vociferou, quando as portas se fecharam e eu o soltei. Esbocei um sorriso ao vê-lo respirar ofegante e proferir palavrões aleatórios, enquanto se inclinava pressionando a mão dolorida entre as pernas. —Você quase quebrou meu dedo!

—Quando eu disser vamos embora, é para irmos embora, entendeu?

Ele não respondeu e saiu do elevador sem esperar por mim.

—Achei que fosse mais cavalheiro. – minha voz não escondia o divertimento que eu sentia.

—Você quer tudo, não é? – resmungou antes de abrir a porta. —Bem, você escolhe, Isabella, se quer se comportar como um homem em um bar, então, é assim que vou tratá-la, como um homem. Não venha bancar a durona e, de repente, esperar que eu segure a porta do elevador para você.

Dei de ombros sem lhe responder, apenas voltei a checar o ambiente, enquanto Edward estava parado contra a parede e os olhos semicerrados, possessos de raiva.

—Pediu serviço de quarto para amanhã de manhã? – quebrei o silêncio com uma pergunta curta que Edward não demonstrou a menor intenção de responder. —Preciso saber porque se alguém for entrar aqui amanhã de manhã, tenho que esconder meus equipamentos e destrancar a porta antes. – fiz uma breve pausa. —Tem de parecer que estamos dormindo juntos.

—Vão trazer café às sete da manhã. – ele finalmente respondeu soando feito um garotinho manhoso. —Se quiser, posso cancelar.

—Não precisa. – soltei um suspiro. —Não é necessário mudar sua rotina por minha causa.

—Talvez seja melhor pedir que tragam um saco com gelo. Posso precisar se sair da linha outra vez.

Me esforcei para conter o riso, mas foi impossível. Ele estava bastante chateado e aquilo quebrou toda a dureza que pretendia ter com ele.

—Não seja ridículo. – me aproximei uns passos. —Estava apenas fazendo o meu trabalho.

—Eu sei... – se virou para me olhar, estava visivelmente mais calmo. —Aquilo doeu, sabia?

—É para doer, mesmo. – deixei escapar um sorriso e uma risada ao me lembrar da cena. —Você está bem? – parei a sua frente encarando sua mão grande que estava levemente avermelhada. Um resquício de remorso apertou meu peito.

—Vou sobreviver... ainda não tenho certeza se é meu dedo ou meu ego que está ferido.

— Provavelmente, os dois. – sorri, desta vez, com vontade. —Me desculpe, mas não tive outra alternativa. Você não estava me ouvindo.

Edward sorriu torto e deu um passo em minha direção. Engoli a seco com a proximidade. Estávamos próximos o suficiente para que eu sentisse o calor de seu corpo e perfume que ele emanava.

—O que tem de baixinha, tem de brava. – ergueu a mão e colocou meu cabelo atrás da orelha. O resvalo de seus dedos em minha bochecha deixou minha pele eriçada. —E linda.

Seus olhos saíam dos meus e iam até minha boca. Engoli a seco mais uma vez precisando me esforçar para me afastar dele, daquela hipnose que ele me prendia.

—Suas cantadinhas baratas não vão funcionar comigo, Cullen. – empurrei-o pelo ombro antes de abrir uma distância segura entre nós.

Edward riu com vontade e abriu um sorriso bastante charmoso.

—Será? – provocou. —Eu não tenho tanta certeza.

Sentei na cama para tirar as sandálias sem responder as suas últimas palavras. Era melhor não entrar naquele jogo que ele sabia muito bem como jogar.

—Bem, vou me posicionar. Finja que não estou aqui.

—E se quiser tomar um banho? E se quiser pegar uma caixa de cerveja e assistir a um filme na TV?

—Pode fazer o que você quiser. Eu dormi a tarde toda, não estou nem um pouco cansada. Se quiser deixar a luz acesa a noite toda, está tudo bem, por mim. Se quiser pedir serviço de quarto, não tem importância. Faça tudo que faria se estivesse sozinho e esqueça que estou aqui.

—Esquecer? – sua risada irônica ressoou em meus ouvidos. Ele tirou o paletó, sentou-se na cama e jogou os sapatos no chão. Em seguida fez o mesmo com a gravata, certo de que alguém iria, na manhã seguinte, limpar toda bagunça.

Aquele homem lindo, temperamental e incrivelmente mimado faria parte da minha vida por um tempo, e eu não poderia esquecer disso nem por um instante.

Edward despiu o terno que devia valer alguns milhares de dólares e jogou-o no chão antes de ir para o banheiro.

Me esforcei para me concentrar no celular, no artigo que ensinava o que fazer para ser ter a sobrancelha perfeita, enquanto Edward andava de um lado para o outro do quarto, como um animal acossado.

Vestia apenas boxer branca. E preciso confessar, hora ou outra, me permitia uma espiadinha por aquele corpo forte e másculo que exalava perfume pós-banho. Ele se deitou na cama com o controle remoto na mão e trocava de canal como uma criança impaciente. Depois foi até o banheiro e pegou a barbeador elétrico.

O fitei de soslaio, quando ele começou a se barbear. Arrependi-me em seguida. De costas para o quarto, podia ver todos os músculos de seus ombros, de suas costas e sua bunda redonda que estava uma delícia naquela boxer justa. Mesmo de relance, podia ver as pernas bem definidas. De alguma forma, Edward Cullen conseguia fazer com que o ato de se barbear ficasse extremamente sexy.

Mesmo após terminar, Edward continuou inquieto. Enxugou as mãos, abriu a cortina de uma das janelas e ficou olhando a cidade iluminada. Eu o olhava disfarçadamente através do celular, e observava a expressão contrariada em seu rosto, notando a tensão nos ombros e maxilar.

—Sei que é uma situação incômoda, mas não precisa...

—Não estou incomodado. – respondeu antes que eu terminasse a frase.

—Você não para quieto. – tentei me manter focada na tela do celular, mas o volume robusto na cueca branca me parecia muito mais tentador.

—O que há nisso? – deu de ombros, sem tirar os olhos da janela. —Sou assim mesmo. – ergueu novamente os ombros. —Não durmo muito, isso a incomoda?

—De jeito nenhum. – afirmei.

—Quero café.

—Como? – olhei-o surpresa, agora entendia por que o homem não conseguia dormir. —Não está querendo que prepare um para você, está?

—Claro que não. – estava claramente irritado com a minha pergunta. —Mas se pedir o serviço de quarto, vai ter de esconder a arma, sair da cadeira e fingir que...

—Não tem importância. – falei tranquilamente. — Edward, pode chamar o serviço de quarto quantas vezes quiser. Não me custa nada sair da cadeira e guardar a arma.

—Eu mesmo vou fazer. – me interrompeu verdadeiramente decido, e voltei-me para o celular concluindo que, afinal de contas, preparar um pouco de café não era nenhum bicho-de-sete-cabeças.

A não ser para Edward Cullen!

Pelo barulho que vinha da pequena cozinha, parecia que vários pratos estavam sendo feitos ao mesmo tempo! Será que era tão difícil colocar pó de café em um filtro de papel, encher a cafeteira com um pouco de água e ligar a máquina?

Me levantei da poltrona com certa impaciência. Não era certo deixar o posto, mas de nada adiantaria protege-lo do inimigo se ele se matasse na cozinha.

—Antes de ligar, tem de pôr a água, Edward! – não acreditava no que estava vendo, a cozinha estava uma total bagunça. Uma criança de quatro anos seria mais organizada.

—Que diferença faz? – retrucou sem dar importância a minha informação.

Soltei o ar pela boca indo até o balcão para socorrê-lo. Nunca era tarde para alguém aprender a fazer café, além disso, quanto antes ficasse pronto aquele café, mas rápido ele iria para a cama.

— Se ligar antes, a água pode espirra em seu rosto. – expliquei pacientemente.

Edward me observou passar o café em silêncio, fitava tudo atentamente, com curiosidade e vontade de aprender. Chegava a ser cômico.

—Sei o que está pensando. – Edward levou a xícara com café fresco até a mesinha-de-cabeceira e se deitou na cama. Não estava olhando para ele, mas sentia que ele me olhava. —Está pensando que não sei fazer um simples café.

Voltei a me sentar na poltrona vendo-o sorrir com o canto dos lábios.

—Não estou pensando nada.

—Está, sim.

— Acredite se quiser, Edward. Não pensei em você em nenhum momento. Estava tentando ler.

Mentira.

Estava pensando nele sim, não em sua falha ao tentar fazer um simples café, mas em como seu corpo era lindo e absurdamente atraente.

—Achei que estivesse tomando conta de mim. – observou com a voz mais baixa.

—E estou. Posso ler e ouvir ao mesmo tempo.

—Só para que tenha conhecimento, sei fazer um café delicioso. Mas, normalmente, faço do jeito tradicional, no fogão, com filtro de pano.

Sua explicação me fez gargalhar. Porque ele ainda estava incomodado com o fato de não ter conseguido fazer o café?

—Posso saber o que é tão engraçado? – cerrou os olhos ao perguntar.

—Com certeza, é você mesmo quem corta a lenha. – provoquei voltando a rir de sua face incrédula.

—Como assim? – rolou os olhos e cruzou os braços.

—Para esquentar o fogão. – dei de ombros recuperando o fôlego perdido na crise de riso.

—Está zombando de mim? – seu semblante era pura incredulidade.

—Estou. – admiti encarando-o. —Já são duas da manhã, Edward. – fiz questão de informa-lo.

—Qual o problema? – deu de ombros demonstrando não se importar.

—Não acha que precisa descansar um pouco?

—Quase não durmo. – respondeu em tom de desânimo, enquanto bebia um gole do café.

—Não é ruim para você? Quer dizer, eu ficaria à beira de um ataque de nervos se tivesse uma reunião importante cedo sem ter pregado o olho a noite toda.

—Já estou acostumado. – bocejou e espreguiçou exibindo seus músculos peitorais potentes. Mordi meu lábios maneando a cabeça e desviando os olhos.

Tentação demais para uma mulher só.

— Talvez, se cortasse o café ajudaria...

— Quem sabe. – disse se deitando na cama. —De qualquer forma, ter uma detetive armada do meu lado e saber que tem alguém lá fora tentando me matar não ajudam muito.

—Touché. – não contive o sorriso.

—Na verdade... – ele voltou a bocejar, devia estar exausto. —Se estivesse em casa, já estaria dormindo há muito tempo. Não é você, nem a arma, ou as ameaças que me incomodam. É o hotel.

Sua confissão me pegou de surpresa. Arrumei o corpo na poltrona para encará-lo melhor.

—Mas é tudo tão lindo e confortável... Você está até pensando em comprá-lo. – aquilo não fazia sentido para mim.

—E vou comprar. – garantiu. —E vou ser o garoto-propaganda dos anúncios, chamando o hotel de lar para os executivos internacionais. Mas como isso pode ser chamado de casa, quando os minúsculos frascos de xampu estão sempre cheios...?

Não soube conter o sorriso, nem deixar de achar graça daquela lógica, obviamente tomada pelo sono. E talvez, depois de tantas viagens esses lugares devem deixar de ser novidades, mesmo.

Torcendo alguns fios de cabelo com os dedos estiquei as pernas. Estava tão relaxada que não reparei quando o roupão que havia colocado pouco depois de entrar no quarto se abriu um pouco, na altura dos seios. Estava entretida demais no homem intrigante, deitado a minha frente.

Agora só estava alerta ao perigo do lado de fora da suíte. O homem que me fazia companhia já não me amedrontava tanto quanto antes. Exausto, confuso pelo fuso horário, Edward estava visivelmente caindo de sono, e não demorou muito a fechar os olhos para cair no mundo dos sonhos.

Fiz de tudo para me concentrar no celular. Porém, o desejo de estudar o homem que dormia profundamente a minha frente era absurdo. O rosto divinamente esculpido estava tranquilo e em paz. Ele era muito lindo, o tipo de homem com quem jamais teria chances em um ambiente qualquer.

Maneei a cabeça ao sair da cadeira, quando finalmente a lua já havia se recolhido, quando a madrugada foi indo embora e o céu começava a entonar raios claros.

Posicionei a arma cuidadosamente embaixo do travesseiro e destranquei a porta. Retirei o roupão, que cobria uma camisola mínima de seda branca, e me deitei ao lado de Edward. Tremia por debaixo das cobertas ainda frias, à espera da camareira, antecipando qualquer situação de perigo.

O calor que seu corpo emanava era viciante e aqueceu completamente minhas costas. Respirei fundo e deixei o ar preso nos pulmões quando ele se aproximou de mim. A respiração compassada deixava claro que estava adormecido.

Sabia que aquilo era um instinto natural dele que quase nunca passava a noite desacompanhado. O braço pesado envolveu meu corpo, puxando-me para o lado aquecido por ele durante horas. Por um momento eu resisti, mas, cansada e com frio, acabei cedendo. Relaxei um pouco, sentindo os joelhos dele pressionando a parte de trás das minhas coxas. Em segundos, estava confortavelmente aconchegada ao corpo de Edward.

Soltei um suspiro me esforçando para lembrar que tudo não passava de um teatro. Tudo, menos aquela atração fortíssima que eu sentia por ele.

Notas finais
Esses doisssssss hahahahaha Gente, era pra eu ter atualizado Tentaçao Perigosa na quarta, mas tive um probleminha com o arquivo e por isso o capitulo vai demorar um pouco pra chegar. Sobre o grupo no whats, continuem me mandando os numeros de voces, logo mais to adicionando todo mundo. É isso, bom fim de semana! Beijos