Refém da Paixão
15 Teatro
Notas iniciais
Encarei a tela do celular a tempo de ver os números marcarem sete em ponto. Eram sete horas de uma manhã que vi despertar. Acordada, andando de um lado para o outro, e tentando não me desesperar com o sumiço de Edward.
A noite passada tinha sido um desastre completo. Rosalie, Jacob, Mike, aquela briga feia e desnecessária... Eu sabia que tinha exagerado. Havia me perdido naquela confusão de pensamentos, sentimentos e explodido com Edward.
Apertei os olhos massageando minhas têmporas. Minha cabeça parecia que ia explodir cada vez que eu me lembrava das palavras duras e desnecessárias que disse a ele. As coisas entre nós dois já não eram as mais fáceis, e eu sabia que depois de ontem tudo pioraria.
—Algum sinal dele? – Emmet perguntou em um misto de aflição e ansiedade. Ergui a cabeça e neguei com um breve aceno. Ele respirou fundo, a preocupação delineou cada um de seus traços. Abaixei os olhos até os chinelos que eu usava, estava envergonhada demais para encarar Emmet.
Aquela briga, que nunca deveria ter acontecido, refletia em todos os pontos da minha vida. No meu “relacionamento” com Edward e no meu trabalho. Era meu dever segui-lo por onde quer que fosse, e naquele momento eu não fazia a menor ideia de onde ele estava.
—Com licença, Emmet. – Sioban pediu com a mesma educação de sempre. Vi-a se aproximar olhando de soslaio. Ela sabia do nosso desentendimento, mas acreditava que o motivo de todo aquele transtorno fora a minha dança com Jacob e aquilo me deixava extremamente envergonhada. —O senhor Jasper não sabe onde Edward possa estar, já a senhorita Rosalie não quis atender a ligação.
Emmet contraiu a face em uma careta, pelo o que ele me disse, Edward e eu não fomos os únicos a brigarem na noite passada.
—Obrigado, Sioban. – agradeceu emitindo um micro sorriso a ela.
—Não tem que agradecer. – maneou a cabeça parecendo pensar por alguns segundos. —Se me permite a intromissão, não deveriam estar tão preocupados, Edward vive pernoitando fora de casa.
Entreabri os lábios e tomei fôlego pela boca. Se Sioban soubesse nossos reais motivos provavelmente estaria partilhando da mesma preocupação.
—Ele saiu de cabeça quente, tememos que possa fazer algo sem pensar...
—Quem vai fazer algo sem pensar? – a voz arrastada saiu curiosa e levemente debochada. O alívio percorreu todo meu corpo assim que girei a cabeça e o vi entrar na sala. Sã e salvo. Aparentemente sem nenhum arranhão.
Jogou o celular e carteira no sofá largo e desabotoou alguns botões da camisa branca que estava levemente amarrotada. Meu coração pulou algumas batidas entrando em um compasso acelerado.
Senti uma vontade enorme de abraça-lo, mas ele não me olhou em momento nenhum. Pediu que Sioban lhe trouxesse um comprimido para dor de cabeça e se sentou na poltrona receptiva com os olhos fixos em Emmet.
—Onde estava? – Emmet perguntou visivelmente irritado.
—Por aí. – deu de ombros fazendo o amigo bufar. Contive a vontade de questioná-lo também. Sabia que seria melhor falar com ele quando estivéssemos a sós. —O que foi?
—Você sumiu durante a noite toda! Tem noção de como ficamos preocupados?
Edward parecia não se importar com o que poderia ter acontecido. Na verdade, sua postura indiferente me fazia lembrar de todo aquele começo difícil, onde ele não dava a mínima para o que estava acontecendo.
—Eu estava com Brady... E além disso nada demais aconteceu. Sem motivos para alarde. – soltou um riso irônico ainda ignorando minha presença. Aquilo estava começando a me incomodar.
—Com Brady que acabou de receber alta médica? – Emmet soou perplexo, Edward assentiu com a cabeça. Seu desinteresse era quase palpável. —Você só pode estar brincando!
Emmet bufou alto e caminhou sem direção dando voltas naquela imensa que recebia uma iluminação natural lindíssima. A frustração que delineava seu rosto era a mesma que eu sentia. Ou Edward estava fingindo muito bem, ou havíamos regredido.
—Estou com dor de cabeça e cansado... Será que posso subir para o meu quarto? – ele fingiu pedir permissão.
Emmet que se esforçava para manter a calma apenas gesticulou com a cabeça. Edward se levantou no instante em que Sioban regressou, tomou o remédio a seco e saiu da sala do mesmo jeito silencioso que chegou.
—Bella, eu não sei o que está acontecendo entre vocês dois, mas acho que precisam se entender. – Emmet foi firme ao me dizer aquelas palavras. —As coisas não podem ficar assim.
—Vou falar com ele. – garanti ao me colocar de pé.
Emmet assentiu com a cabeça e deixou que eu subisse, mas a verdade é que eu não queria confrontar Edward naquele momento. Não queria confrontá-lo em momento algum.
Meu coração começou a bater mais rápido assim que entrei na suíte, a trilha de roupas deixadas no chão me indicou que ele estava no banheiro, segui até o cômodo com passos lentos. Minha barriga doía e meu estômago estava gelado.
Tomei fôlego pela boca antes de entrar no ambiente vaporizado pela água quente da ducha. Meus olhos migraram para o corpo forte e foi quase impossível não me perder nas trilhas que a água fazia por aquelas voltas musculosas.
Maneei a cabeça e me obriguei a retomar o foco. Por mais hipnotizante que o corpo de Edward fosse, não era hora de ficar admirando-o. Eu sabia o que tinha que fazer, e faria.
—Edward... – pigarreei para limpar a voz, ele me olhou rapidamente por baixo dos cílios. Seus olhos demonstraram uma indiferença incômoda de sentir. —Nós precisamos conversar.
—Precisamos? – se fez de desentendido após desligar o chuveiro. Apertei os lábios tentando não me abalar com sua postura fria.
—Precisamos falar sobre o que aconteceu ontem. – proferi ignorando a angustia crescente que apertava meu peito.
Ele puxou a toalha da barra de metal e secou rapidamente o cabelo antes de passa-la por sua cintura.
—Estou ouvindo. – falou ao passar por mim e ir para o quarto. Sua pele exalou o perfume do sabote, e a vontade que eu sentia de tocá-lo me queimava por dentro.
—Me desculpe pelo o que eu disse ontem, estava estressada e confusa...
—Não. – me interrompeu virando-se para me encarar. —Você não tem que pedir desculpas. – aquilo me pegou de surpresa. —A verdade é que você estava certa, tudo isso é uma farsa. Nós não temos nada além desse teatro. – sua voz era calma e fria. —Eu não te conheço, não sei nada ou quase nada, sobre sua vida. – abriu um sorriso escarnio. —Mas isso não importa, não tem relevância, como você já disse inúmeras vezes... Então você não precisa se desculpar. Tenho certeza que logo, logo, isso vai acabar.
Ele não esperou por minha resposta, me deu as costas e entrou no closet. Pisquei algumas vezes tentando sair daquele transe que suas palavras me causaram. Edward nunca havia sido tão frio, tão indiferente. E por mais que eu tentasse negar, sua postura impessoal me feriu.
Até tentei me convencer de que aquilo era reflexo da discussão recente, mas quanto mais os dias passavam, mais ele se afastava.
Eu fazia meu trabalho quando estávamos em público e por mais que ele me tocasse e beijasse, as coisas não eram como antes. Estava tudo estranho e frio. Principalmente quando ficávamos sozinhos, ele se quer me olhava e só falava comigo quando era extremamente necessário.
Nem mesmo a presença de Melissa conseguiu aliviar as coisas. A verdade é que eu sentia falta do antigo Edward, mas é claro que jamais iria assumir aquilo para ele.
—Eu espero que todos estejam realmente atentos, não há espaço para falhas nessa viajem. – a voz de Emmet rompeu a bolha de pensamentos em que me prendi. Erguendo a cabeça, precisei fazer um rápido esforço para me lembrar qual era o assunto tratado. —Toda família Cullen vai estar nesse Resort, quero que sejam vigiados vinte e quatro horas.
Ah, claro! A viagem para a Maldivas!
Edward resolvera convidar os pais para a viagem, e consequentemente os irmãos resolveram ir também. No começo aquilo me pareceu uma ideia terrível, mas era melhor todos estarem juntos e bem vigiados do que cada um para um lado.
—Edward já conversou com o proprietário do resort? – Emmet manteve os olhos fixos em mim, mesmo estando em uma chamada de vídeo podia ver o quão estressado ele estava. E eu partilhava do mesmo sentimento.
—Sim, ele ficou de acordo quando disse que levaria alguns empregados de confiança para ver como tudo funciona. – a desculpa era perfeita, Emmet as vezes me impressionava com seu raciocínio rápido e sem falhas. —Já está tudo certo.
—Muito bom. – Emmet tomou um pouco da água antes de prosseguir. —Já enviei para o seu e-mail o mapa do quarto e o esconderijo de cada arma. – assenti com a cabeça e esperei que ele continuasse. —Espero que tudo corra bem nessa viagem...
—Eu também. – soltei o ar pela boca, me sentia tão cansada de tudo aquilo.
—Por enquanto é isso. Qualquer novidade volto a ligar. Até amanhã.
—Até amanhã.
Acenei com a mão antes de encerrar a chamada via Skype e fechar o MacBook. O silêncio do escritório só fez por aumentar minha angústia. Tinha tanta coisa na cabeça, e saber que viajaríamos nas primeiras horas da manhã seguinte me deixava ainda mais nervosa. Por mais que o resort não fosse grande e que mais de quarenta detetives fossem se camuflar pela comodidades, me sentia bastante insegura. Toda e qualquer mudança era difícil de acompanhar, não havia o menor espaço para erros.
Saí do escritório de Edward sentindo minha cabeça pesada. Era muita coisa para assimilar ao mesmo tempo, estava difícil acompanhar tudo.
Edward encerrou a ligação no celular assim que me viu entrar na sala de estar. Ultimamente era sempre assim, ele vivia pendurado em ligações e as encerrava no mesmo instante em que eu aparecia.
Tinha certeza absoluta que ele falava com alguma mulher, e por mais que tentasse negar, aquilo me deixava absurdamente irritada.
Brady abriu a porta para que entrássemos no carro blindado, o qual permaneceu em um silêncio profundo assim que sentamos no banco de couro branco. Por mais que aquela lei do silêncio estivesse acontecendo há uns dias, era impossível não me sentir incomodada.
Tudo havia mudado muito rápido. E estava sentindo falta de como as coisas eram antes daquela briga idiota.
Nós chegamos à casa dos pais de Edward e não sei dizer se fiquei feliz ou ainda mais angustiada por ter que representar. Estava sentindo falta do seu toque, dos seus beijos, e de ter seus olhos sobre mim, mas quando os recebia em público só conseguia ficar aflita e desconfortável.
—Ainda não acredito que a Mel não vai conosco. – Esme lamentou mais uma vez a ausência da neta na viagem.
Aquele fora um assunto que debatemos bastante antes de tomar qualquer decisão. Edward queria levar a filha a todo custo, e levou um tempo considerável até o convencermos de que aquela viagem era mais perigosa para Melissa do que para qualquer outra pessoa.
—Ela não vai perder muita coisa, mãe. Já vive na praia. – Rosalie comentou sem tirar os olhos do celular.
Ela estava muito bonita naquela noite, usava um conjunto rosa pink que caíra perfeitamente seu corpo, porém o que tinha de linda, tinha de chata.
—Quero leva-la para Orlando no final do ano. Pretendo comprar um hotel perto dos parques temáticos e batizar com o nome dela. – Edward contou aquilo com a maior naturalidade do mundo como se fosse comprar um trailer ou coisa do tipo.
Por mais que já estivesse com ele há dois meses e pouco, ainda me surpreendia com o dinheiro absurdo que ele tinha. Era de longe o mais bem sucedido da família.
—Ela vai amar! – os olhos de Esme brilharam. —Acho que seu pai se afogou no banho. – brincou após encarar o relógio em seu pulso. —Vou ir apressá-lo, Bella deve estar com fome, coitadinha!
—Ah, imagina... – senti meu rosto arder. —Não se preocupe comigo, Esme. Estou bem.
—Querida, Edward me disse que não comeu nada o dia todo... – ela entregou o filho ao se colocar de pé, Edward se mexeu desconfortável e tomou um grande gole do whisky em seu copo. —Deve estar faminta!
—Não se preocupe...
—Vou chamar o Carl, e pedirei para servirem o jantar. – me interrompeu com o mesmo sorriso doce de sempre.
Por mais que estivesse envergonhada fora impossível não retribuir ao sorriso de Esme. Ela era a pessoa mais doce e terna que eu já havia conhecido.
—Não precisava contar a sua mãe que não comi nada durante o dia. – proferi baixo ao voltar a me recostar em seu braço.
—Eu menti, por acaso? – Edward abaixou os olhos até os meus e senti minha espinha gelar.
—Não, mas não precisava ter contado. – tive de pigarrear para limpar a voz. Edward rolou os olhos antes de tomar o resto do whisky que havia em seu copo. —Até porque você também não comeu.
—Estava sem fome. – deu de ombros mantendo o tom baixo. Baixo e envolvente.
—Eu também. – minha resposta o fez rolar os olhos mais uma vez. —Ah, só você pode ficar sem fome agora?
—Não, mas você precisa comer. Precisa se alimentar bem. – senti um leve resquício de preocupação em sua voz, algo que não aparecia há quase dez dias. Aquilo fez meu coração bater ainda mais rápido, a esperança de que tudo voltasse a ser como era antes me deixou estranhamente feliz.
—Não precisa se preocupar...
Minhas palavras despertaram alguma coisa dentro dele. Algo que fez um brilho estranho refletir em seus olhos heterocromáticos. Ele pigarreou, contraiu os lábios e se recompôs, voltando a assumir aquela postura fria e impessoal novamente.
—É, eu sei.
Murchei feito um bolo tirado do forno antes do tempo.
Porque eu tinha que ser tão estúpida? Ainda não tinha aprendido com tudo o que havia acontecido?
—Que horas nós vamos sair amanhã? – Rosalie perguntou saindo da imersão do celular pela primeira vez na noite.
Edward e eu nos arrumamos no sofá, estávamos mais perto do que pensamos.
—As cinco, eu acho. – Edward se inclinou para deixar o copo sobre a mesa de centro e meu olfato fora inundado por seu perfume inebriante.
Engoli a seco enquanto lembranças quentes invadiam meu subconsciente.
—Preciso confirmar com o Emmet. – completou visivelmente confuso.
—Hm... Quem vai mesmo? – Rosalie destilou certo veneno em sua pergunta, aquilo já me deixou em alerta, principalmente depois que Edward forçou alguns pigarros.
Intercalei os olhos entre os dois. Rosalie era a face da perversidade, Edward estava visivelmente incomodado.
—Você sabe... – tentou desconversar dando de ombros.
—Quem vai, Edward? – fiz a pergunta me virando no sofá para encará-lo fixamente.
Edward soltou os primeiros botões da camisa branca que usava e já me preparei para o pior.
—Minha família, você, eu...
—E a Tanya. – Rosalie completou com gosto.
Iniciei uma conta mental enquanto lutava para manter minha respiração controlada. De soslaio vi a cobra venenosa levantar e alegar que alguém estava lhe chamando. O que era obviamente uma mentira.
A vontade que eu sentia era de colar Edward, Tanya e Rosalie em um avião e despachá-los para o quinto dos infernos.
—Tanya? É sério?
—Ela vai a trabalho, Bella.
—Ah, e qual vai ser o trabalho dela? – a raiva que eu sentia só aumentava. Eu queria estapear aquele rosto harmonizado. —Trepar com você?
—O que? Claro que não!
—Claro que sim! – minha voz subiu uma oitava, então precisei parar e respirar fundo.
Deus, me dê paciência!
—Você acha que eu sou idiota? Eu percebo o jeito que ela te olha, o jeito que ela se joga para cima de você. – praticamente cuspi as palavras. —Eu tenho certeza que estão saindo... Aliás, tenho certeza que aquele dia que você sumiu vocês estavam juntos!
Edward ficou me encarando por longos segundos, e por um momento acreditei ver o contentamento brilhar em seus olhos. Aquilo me deixou ainda mais irada.
—Ela vai tirar fotos no resort, vai divulgar nas redes sociais... Você sabe que ela é influencer, não é?
—O que eu sei é que ela não presta! – bufei alto. —E nem você!
—Eu? – me encarou surpreso, vi a diversão delinear seus traços. A vontade de estapeá-lo só aumentou.
—Você! – apontei com veemência. —Acha que eu sou idiota, e que vou acreditar nessa história de que ela vai a trabalho, que é influencer... O caralho que é isso! Ela vai com outra missão... E você sabe muito bem qual é!
Edward mordeu o lábio inferior enquanto me encarava. Eu sabia que ele estava tentando conter o riso, e perceber que estava se divertido a minhas custas me deixou ainda mais irritada.
—Você é um babaca! – fazia tempo que eu não o ligava aquela palavra e naquele momento era o adjetivo mais leve que passava pela minha mente.
—E você está com ciúme. – rebateu vangloriando-se.
Ciúme!
Rolei os olhos repassando aquela palavra mentalmente.
Ciúme... Talvez estivesse. Talvez sentisse ciúme dele com aquela... Tanya.
—É, estou com ciúme. – seus olhos brilharam quando assumi. —Do mesmo jeito que você ficou quando dancei com Jacob. – daquela vez, quem ganhara fui eu. E me senti muito bem ao ver o incomodo aparecer em seus olhos.
Ele recuou o corpo e contraiu os lábios. Me deliciei com a cena. Era bom fazê-lo provar do próprio veneno.
—É diferente...
—Porque seria? – o desafiei com os olhos.
—O Black não vale nada...
—Tenho certeza que a Tanya também não! – rebati rapidamente fazendo-o bufar.
Edward me encarou, correu a mão pelo cabelo e pareceu pensar em busca de outro ponto contra Jacob.
—Ele pode estar tentando me matar.
Touché.
Entreabri os lábios várias vezes querendo contradizê-lo, mas não havia o que dizer. As chances de Tanya estar por trás disso eram tão pequenas quanto a preservação de seus traços naturais.
Ele continuou me encarando fixamente, aos poucos o ar vitorioso foi se esvaindo, e foi impossível não me perder naquelas joias que ele chamava de olhos.
Ainda não conseguia assimilar toda a perfeição daqueles orbes vibrantes e profundos. Eram tão mistérios quanto receptivos.
Absurdamente hipnotizantes.
Com os olhos fixos nos seus, como não ficava há vários dias, sentia nossa aproximação gradual e continua. Seu hálito colidiu em minha bochecha e meus olhos tomaram a péssima decisão de fitar sua boca.
Engoli a seco vendo os lábios entreabertos e tão chamativos.
Edward se aproximou um pouco mais, sua mão pousou em minha perna e um arrepio correu meu corpo. Ele estava me tocando de verdade, não era mais um ato do nosso teatro perfeito e ensaiado. Era real.
Meu coração bateu mais forte, subi a mão até seu rosto e fechei os olhos apenas esperando o momento em que sua boca encaixaria na minha.
Contudo, no momento em que nosso beijo iria acontecer, Saint apareceu rompendo nossa bolha feito um alfinete estourando um balão.
—Perdoe-me a interrupção. – pediu completamente envergonhado, não mais que eu, é claro. —Mas a senhora Esme os espera para jantar.
Edward tentou disfarçar a frustração, mas não conseguiu. Ele se levantou e me ofereceu a mão, o encarei rapidamente ao me por de pé e me incomodei ao perceber que aquela face distante havia voltado.
Maneei a cabeça seguindo até a sala de jantar externa que ficava a beira de uma piscina com borda infinita.
Era hora de voltar a representar. Era hora de continuar aquele teatro.
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