Refém da Paixão
17 Sem disfarce, sem mentira
Notas iniciais
Abri os olhos e a luz me incomodou no mesmo instante. Voltei a fecha-los, apertando-os para tentar aliviar um pouco toda aquela sensibilidade.
Tentei erguer o braço direito para pressionar minhas pálpebras, mas algo o manteve firme no lugar. Usei o esquerdo que pareceu pesar dez quilos.
Pisquei com força após abrir os olhos.
O cômodo claro e desconhecido tinha cheiro de álcool e... Sangue! Me sobressaltei ao ver o líquido vermelho correr pelo cateter e ir em direção a bolsa de soro pendurada.
Meu braço direito que não consegui mover estava todo atado em algodão e esparadrapo que mantinham a agulha no lugar. Aquilo ardia para porra!
—Bella? – ergui os olhos a tempo de ver Emmet se aproximar, seu semblante contraído suavizou um pouco. —Edward, ela acordou!
Acordei.
Eu não me lembrava de ter dormido.
Ainda atordoada vi Edward praticamente correr em minha direção. Seus olhos procuraram os meus e a preocupação era quase palpável, ele segurou meu rosto com ambas as mãos após se sentar ao meu lado na cama.
—Você está bem, meu amor? – sua voz estava aflita, seus olhos me estudavam atentos a todos os detalhes, era como se procurasse algo de errado em mim.
—Eu... – precisei pigarrear para limpar a voz. —Meu braço está ardendo. – fiz uma careta ao ver que começava a inchar.
—Emmet chame o médico. – mandou sem tirar os olhos de mim. —Você está sentindo alguma coisa? Está passando mal?
Tirei os fios de cabelo que pinicavam meu rosto e então neguei com a cabeça.
—Acho que estou bem. – só ia ter certeza quando me livrasse daquela agulha presa em meu braço.
Edward soltou o ar pela boca e esfregou a mão no rosto, seu semblante aliviou um pouco, mas ele continuou aflito.
—O que aconteceu, Edward?
Ele segurou minha mão livre beijou cada um dos meus dedos e quando estava prestes a falar, Emmet voltou para o quarto com o médico.
—Tudo bem? Você está bem? – o homem de meia idade tinha um sotaque carregado. Maneei a cabeça em concordância vendo-o tirar a agulha do meu braço, fez um pequeno curativo com algodão e esparadrapo. Ele examinou meus olhos, feriu minha pressão, mediu meu nível de glicose e a minha temperatura. —Ainda está um pouco desidratada, mas em algumas horas vai estar completamente recuperada.
—Tem certeza que ela vai ficar bem? – Edward encarou o médico que assentiu ao tirar as luvas descartáveis. —E se ela se sentir mal...
—Acredito que não vai, mas caso aconteça é só me chamar. – soou prestativo. —Beba bastante água. – pediu antes de se retirar com Emmet.
Respirei fundo e senti mina cabeça dar leves voltas ao me sentar na cama. Edward rapidamente me acomodou entre os travesseiros e me fez tomar um grande copo de água antes de voltar a sentar do meu lado.
—Tem certeza que está bem? – seus olhos me analisavam.
—Só estou um pouco tonta. – lhe abri um pequeno sorriso após concordar com a cabeça. —O que aconteceu?
—Você não se lembra? – neguei com a cabeça ignorando o pesar em minha nuca. —Ficou presa dentro da sauna por quase vinte minutos!
Claro, a sauna!
Os flashes do acontecido voltaram a minha cabeça e me arrepiei ao relembrar o desespero que senti.
—Como eu saí de lá? – minha voz saiu baixinha.
—Não saiu, felizmente o Jasper estava indo encontrar alguém ali perto e te achou. Você estava desacordada. – Edward pareceu horrorizado, tanto quanto eu fiquei.
Mordi meu lábio inferior sem conseguir lembrar o momento da minha total inconsciência.
—Eu não consigo me lembrar...
—Ficou muito desidratada, é normal essa falta de memória. – tocou meu rosto e colocou meu cabelo atrás da orelha. —Você não faz ideia do susto que eu levei. – seus olhos eram tão sinceros quando sua voz. —Achei que fosse perder você.
Meu coração bateu mais depressa ao ouvir seu desabafo verdadeiro e amoroso. Abri um sorriso antes de me inclinar e deitar a cabeça em seu peito.
—Eu estou bem. – fechei os olhos ouvindo as batidas ligeiras do seu coração. Seus braços fortes passaram por mim e então deixou um beijo demorado no alto da minha cabeça.
Soltei um suspiro profundo erguendo a cabeça para receber um rápido beijo na boca.
Emmet entrou no quarto após bater rapidamente na porta, Edward não se afastou de mim e nem deixou que eu o fizesse. Recebi o olhar curioso do meu chefe que logo se recompôs, entrou no cômodo e trancou a porta para nos garantir total privacidade.
—Você está melhor, Bella?
—Sim, um pouco zonza ainda, mas estou melhor. – proferi vendo-o se aproximar da cama.
—Que bom. Fico feliz que nada grave aconteceu...
—Emmet, ela desmaiou dentro de uma sauna fervente, como pode dizer que nada grave aconteceu? – Edward soou perplexo e levemente irritado. —Tem que ficar feliz por não ter acontecido o pior. – senti seu corpo estremecer diante a possibilidade.
—É verdade. – concordou antes de respirar fundo. —O médico pediu para ficar de repouso o resto do dia, então não vai poder acompanhar Edward no coquetel...
—Eu não vou a coquetel nenhum. – ele voltou a interromper Emmet. —Já cancelei todos os meus compromissos de hoje, vou ficar o dia todo de olhos em Bella.
—Edward, não precisa mudar seus planos por minha causa, eu estou melhor e...
—Vou ficar e ponto. Não vou correr o risco de te deixar e você passar mal. – seu tom foi firme, mas extremamente cuidadoso. Ele acariciou meu rosto e beijou minha testa. —Já avisei a equipe de segurança que quero as gravações das câmeras de segurança até o fim da noite, caso o contrário vou abrir processo contra o resort.
—Pelo o que soube a área está sem câmeras de segurança...
—Eu sei, e não me interessa. Eles vão olhar cada canto do resort até encontrar um suspeito, ou então vou alegar falha de manutenção da porta. – Edward estava verdadeiramente enfurecido. —Isso não vai passar em branco.
—Não acho que seja para tanto. Deve ter sido uma falha mecânica, não acho que vá ser alguém querendo me machucar.
—Bella, provavelmente é alguém usando você para atingir o Edward. – Emmet apertou os lábios e respirou fundo. —Essa pessoa é esperta o suficiente para saber que se ferir você, vai estar ferindo o Edward.
Prendi meu lábio inferior entre os dentes refletindo diante as palavras de Emmet.
—É por isso que eu quero que Bella saia da operação.
Ergui a cabeça para encarar Edward, ele fitava Emmet certo de sua decisão.
—O que? – não escondi minha surpresa. —Você está louco?
—Não, eu estaria louco se deixasse você continuar nisso. – me olhou decidido. —Não quero que faça parte disso, é praticamente um suicídio.
Rolei os olhos me afastando do seu peito e me arrumando na cama.
—Não é você quem decide isso, Edward.
—Na verdade sou eu sim, Emmet deixou claro que eu poderia tirar qualquer agente da operação a hora que eu quisesse.
Entreabri os lábios ainda mais perplexa e encarei Emmet. Ele deu um passo para trás e pareceu não querer se intrometer na nossa “discussão”.
—Emmet? – chamei. —Coloque um pouco de juízo na cabeça do seu amigo. Se eu sair agora vão fazer o que? Arrumar outra namorada para ele? – somente a ideia de outra mulher ocupando meu lugar me fazia tremer de ciúme. —Todo mundo iria desconfiar!
—Eu não ligo para o que vão pensar! O que me interessa é a sua segurança. Você está correndo risco de vida ficando comigo!
—Edward, quem corre risco de vida aqui é você! – falei de vagar na vaga esperança de ele ouvisse e entendesse aquilo. —Acorda, é a você que estão tentando matar! – ele bufou ao negar com a cabeça. —Emmet, você sabe que me tirar da operação é o mesmo que assinar o atestado de óbito dele, não sabe?
Emmet intercalou os olhos entre nós dois e respirou fundo antes de externar sua opinião.
—Edward, a Bella está certa. – soltei o ar pela boca bastante aliviada ao ouvir a colocação. —Tirá-la do esquema só vai trazer desconfiança e risco para você...
—Mas e quanto a ela?
—Ela é treinada, sabe se defender....
—Ah, por favor! Olha o que aconteceu hoje, ela podia ter morrido! – seu tom aumentou consideravelmente e aquilo deixou claro que não entraríamos em um acordo tão cedo.
—O que houve hoje foi grave, mas o que vem acontecendo com você há quase um ano é mais grave ainda. – Emmet manteve a voz controlada. —Você é meu melhor amigo, meu irmão, pai da minha afilhada, e eu não posso correr o risco de deixá-lo ainda mais exposto. – Edward bufou alto e correu a mão pelo cabelo, mas não disse uma só palavra. —Bella você continua no caso. – assenti com um breve aceno. —Já pedi para reforçarem a segurança ao redor de vocês. Vou deixá-los a sós para que conversem e descansem.
Emmet saiu do quarto e fechou a porta atrás de si deixando-nos em um silêncio extremamente incômodo.
Edward encarava um ponto qualquer do piso de madeira, os olhos estavam perdidos e o semblante contraído. Saber que ele se preocupava comigo fazia meu coração encher de esperança, mas jamais o deixaria em um momento tão crítico.
—Edward...
—Não quero conversar, Bella. – me interrompeu sem me olhar.
Soltei o ar pela boca e me aproximei ignorando sua recusa. Toquei seu braço forte com a mão e recostei o queixo em seu ombro.
—Não quero brigar de novo. Você precisa entender que esse é o meu trabalho, e que meu dever é proteger você.
—E quem te protege? – me olhou e esperou uma resposta, a qual eu não tinha. —Esta vendo? Até você sabe o risco que corre... Isso é um absurdo!
—Eu sempre estive ciente dos riscos, Edward. E estou preparada para corre-los...
—Mas eu não! – rebateu com a voz levemente alterada pela preocupação. —Será que você não entende? Eu não posso correr o risco de te perder. Eu não quero te perder. – se virou para poder me encarar melhor. —Eu me apaixonei por você, Bella. Só de pensar que algo ruim pode acontecer, eu perco a cabeça!
Entreabri os lábios verdadeiramente impactada com suas palavras. As repassei mentalmente em um loop constante só para ter certeza de que havia escutado direito.
—Você se apaixonou por mim? – eu precisava ouvir de novo, precisava ter certeza que aquilo não foi um devaneio da minha mente desidratada.
—Porra, Bella! Não é óbvio? – correu a mão pelo cabelo. —Eu me apaixonei na primeira semana que passamos juntos. Você é a mulher mais incrível que eu já conheci.
Só descobri que eu precisava ouvir aquelas palavras depois que Edward as disse, de peito aberto, em toda sua sinceridade, com os olhos reluzindo medo e a face contorcida pela preocupação.
Era tudo tão sincero quanto o sentimento que eu nutria por ele. Me ajoelhei na cama para ficarmos da mesma altura, tomei seu rosto entre as mãos e o puxei para mim.
—Não adianta tentar me convencer com beijo...
—Fica quieto. – rolei os olhos sentando em seu colo. —Você é o homem mais babaca do mundo, mas é o mais lindo também. – o sorriso nasceu no canto dos seus lábios. —Eu também me apaixonei por você, e foi difícil assumir isso para mim mesma, no fundo eu tinha medo de ser unilateral e...
—Unilateral? – Edward soou abismado. —O que te fez pensar que eu não ficaria louco por você?
—Não sei. – dei de ombros com o estômago gelado e o peito aquecido. —Eu sou muito diferente das outras mulheres que você teve...
—É exatamente isso que eu mais amo em você. – murmurou com os olhos nos meus me fazendo sorrir largo.
Quando minha boca se encontrou com a sua, pensei que fosse explodir de felicidade. Tudo aquilo parecia um sonho.
O poderoso Edward Cullen, o homem mais lindo e desejado de Miami, estava apaixonado por mim!
Embrenhei as mãos em seu cabelo aprofundando nosso beijo, Edward passou os braços fortes por meu corpo e me abraçou com vontade.
Podia sentir as batidas do seu coração se encontrando com as do meu. Naquele momento nada mais existia, nada mais tinha importância, a não ser nós dois e todo aquele sentimento que nos unia.
Edward se levantou comigo em seu colo apenas para poder me deitar na cama, seu corpo cobriu o meu e senti-lo sobre mim esquentou cada uma das minhas células.
Puxei sua camisa para poder infiltrar as mãos por baixo da seda e correr as unhas por sua pele.
Abracei seu pescoço e puxei para beijá-lo de novo, tentando passar tudo o que eu sentia através daquele toque tão íntimo.
Nós já havíamos transado diversas vezes, mas o que aconteceu naquela tarde ensolarada fora muito mais do que sexo. Fora algo que eu nunca tinha sentido na vida. Fora amor.
Com a cabeça apoiada em seu peito aproveitei o carinho que seus dedos deixavam em meu cabelo enquanto observava o vai e vem das ondas do mar.
—Precisamos pedir alguma coisa para você comer. – o peito de Edward vibrou quando ele falou após longos minutos de silêncio.
Deitei de bruços para poder olhá-lo e foi impossível conter o suspiro. Ele era tão lindo! Mal conseguia acreditar que aquele Deus grego estava apaixonado por mim!
—Estou sem fome. – minha resposta o fez rolar os olhos.
—Você tem que comer, principalmente depois do que aconteceu. – seus dedos traçaram linhas imaginárias por meu rosto. —O que eu preciso fazer para te convencer a deixar isso, hein? – sua voz voltou a assumir a aflição de antes.
Respirei fundo antes de me inclinar para beijar sua boca.
—Eu não vou sair do caso. – deixei claro. —O risco que você corre é muito maior do que o meu, quando vai entender isso?
Ele respirou fundo algumas vezes enquanto parecia refletir.
—Eu sei o risco que eu corro, mas há um bando de gente armada ate os dentes para me proteger... E você? Quem te protege?
Ok, toda aquela sua preocupação era fofa. Admito!
—Esse é o meu emprego, Edward. É o que eu gosto de fazer, assim como você gosta de comprar hotéis. – tentei explicar mais uma vez.
—Não corro risco de vida comprando hotéis. – cerrei os olhos ao encará-lo. —Não por esse o motivo, pelo menos. – completou diante os fatos. —A questão é que isso está ficando cada vez mais perigoso.
—É exatamente por isso que eu não posso me afastar agora. Você precisa de mim.
—Preciso. – concordou nos girando na cama para deitar sobre mim. —Preciso de você viva, bem, com saúde. – encostou a testa na minha e tomou fôlego pela boca. —Eu jamais vou me perdoar se algo ruim acontecer com você.
Engoli a seco sentindo toda a tensão de sua voz.
—Nada ruim vai acontecer comigo. Nem com você. – garanti o abraçando com força.
Aquela era a primeira vez que via aquele homem grande e poderoso demonstrar fragilidade. Ele estava inseguro, com medo e preocupado, contudo, por mais que eu odiasse vê-lo assim não podia fazer o que ele me pedia.
Ele pediu que trouxessem nosso almoço fazendo questão de que eu comesse na cama. Por mais que já estivesse me sentindo bem melhor, estava amando ser paparicada daquele jeito.
—Emmet sabe sobre nós dois? – aquela questão rondava minha mente há dias.
Edward puxou um dos camarões salteados e colocou na boca, um pouco do molho sujou o canto dos seus lábios e ele usou a língua para limpar.
Respirei de vagar diante a cena.
Ele era sexy até comendo!
—Ele sabe que eu gosto de você. – ele foi cuidadoso ao pegar um pouco da lula, meu fruto do mar favorito, e me dar na boca. Limpou os resquícios da comida em meus lábios com o guardanapo o que me fez ficar ainda mais boba.
Jamais pensei que ele fosse tão carinhoso e cuidadoso.
—Mas ele sabe que nós...
—Transamos? – completou com um sorriso. —Ele não é idiota. – deu de ombros. —Porque? Ele saber te incomoda?
—Não. Só fico com medo dele pensar que não estou sendo profissional ou coisa do tipo. – na verdade aquilo me causava pavor.
Edward riu de alguma piada que não foi contada a mim, estreitei os olhos encarando-o sem entender.
—Eu te asseguro que ele não pensa isso, pelo contrário, ele te acha foda para caralho... E eu também! – me lançou uma piscadela charmosa a qual derretia o coração de qualquer mulher. —Ele meio que mandou eu valorizar a mulher maravilhosa que você é.
—Como assim?
—Quando voltamos de Melbourne ele me disse que não era para eu te magoar, que por mais que soubesse se defender, você era uma mulher sensível, e incrível demais. Era para eu valorizar isso. – aquilo me surpreendeu positivamente, era bom saber que Emmet me via daquela maneira. —Mal sabia ele que eu já tinha sentido o quanto você sabe se defender!
Foi impossível não rir ao relembrar das duas vezes que caímos em confrontos diretos e eu precisei usar a força para ser respeitada. Aquilo parecia tão distante, tão longe da atual realidade.
—Você mereceu aquele tapa. – encolhi os ombros ao justificar.
—Mereci. – concordou rápido. —Mas antes disso você quase quebrou meu dedo. – sua carinha magoada me fez rir alto. —Porra, doeu para caralho aquilo!
—Eu sei o quanto dói, me desculpe, mas não tive opção. – arqueei as mãos rindo mais uma vez ao lembrar do acontecido. —Parece que faz tanto tempo que isso aconteceu.
Edward mordeu o lábio inferior ao concordar com a cabeça.
—É, também sinto isso. – empurrou a bandeja com os pratos praticamente vazios para o pé da cama e me puxou pela cintura. —E ao mesmo tempo sinto que eu te conheço a vida toda. – meu coração bateu mais forte. —Apesar de não saber nada sobre você. – demonstrou bastante chateação sobre aquele fato.
Não contive o riso, suas expressões eram tão verdadeiras quanto seus sentimentos. Edward estava tão aberto, sem travas, ou máscaras, que eu mal o reconhecia.
—Não tem muito o que saber. – dei de ombros sentindo sua barba pinicar a ponta dos meus dedos. —Minha vida não é interessante como a sua.
Ele rolou os olhos veementemente.
—Ok. – soltei o ar pela boca diante sua espera. —Eu sou filha de pais separados, fiz bacharelado em justiça criminal e mestrado em criminologia, na universidade Columbia em Nova York. – aquilo pareceu impressionar Edward. —Voltei para Flórida, conheci o Emmet em um programa de treinamento há cinco ou seis anos, e trabalho para ele desde então.
—Tem irmãos? – neguei com a cabeça rapidamente. —O que seus pais acham da sua profissão suicida?
—Meu pai faleceu há uns dez anos, mas ele era policial então acho que ia me apoiar. – tomei ar pela boca antes de continuar. —E a minha mãe... Bom, eu não falo com ela há muito tempo.
Edward apertou os lábios visivelmente penalizado pela história da minha família.
—Eu sinto muito. – seus olhos deixavam claro que ele sentia.
—Tudo bem, eu já superei. – forcei um sorriso. —Te disse que não tinha nada de interessante...
—Tudo que diz respeito a você é interessante para mim. – me interrompeu meio indignado. —Você conheceu o bosta do seu ex através do Emmet?
—Foi. – confirmei sem conter o riso pelo jeito que ele se referira a Mike. —Não só ele, Alice também. Somos muito amigas. Moramos juntas por quase um ano antes de Mike e eu começarmos a namorar.
—Ela é bem simpática, fala bastante.
—Sim. – concordei rindo. —Ela é demais. – suspirei. —E pelo jeito vai entrar para sua família...
—Como assim? – cerrou os olhos sem entender.
—Ela e Jasper estão se conhecendo melhor. – Edward pareceu bastante surpreso. —Alice me contou hoje na sauna, eles iam se encontrar, por isso ela saiu antes de mim.
—Sério? – assenti com a cabeça. —Uau... Alice e Jasper.
—Pois é! Espero que dê certo. – Alice era a pessoa mais incrível do mundo e Jasper era um cara legal. Eles mereciam muito ser felizes!
—E nós dois? – sua pergunta me pegou de surpresa, com o coração disparado o encarei.
—O que tem?
—Espera que dê certo? – a expectativa brilhava em seus olhos.
Enchi meus pulmões de ar enquanto meu coração cantava um coro positivo, mas sabia que precisava ser racional. Nós precisávamos.
—Eu quero que dê certo, Edward. – comecei deixando aquilo claro. —Mas desse jeito, em cima de mentiras e disfarces... Sabe uma hora o teatro vai acabar e eu vou voltar a ser a Bella de antes. – ele me ouvia em silêncio. —A que vive a base de café e dispensa salto alto. Minha vida não tem glamour, minha profissão exige muito de mim...
—Eu sei de tudo isso, e não tem importância. – me interrompeu chegando um pouco mais perto de mim. —Bella, eu gosto de você, da pessoa que você é. Sei que somos diferentes, mas estou disposto a superar isso. – olhando dentro dos meus olhos, ele afagou meu rosto. —Eu quero você. Sem mentiras, sem disfarce. De verdade.
A intensidade de suas palavras me deixou sem fala, sem reação, sem ar. Abaixei os olhos enquanto tentava alinhar meus pensamentos, tomei fôlego pela boca e sorri ao encará-lo novamente.
—Eu também quero você. Quero superar as diferenças, fazer dar certo...
—Mas? – perguntou me incentivando.
—Mas precisamos ir com calma. Existem certas travas dentro de mim em relação a nós dois, acho que elas só vão ir embora depois que tudo isso acabar... – suspirei um pouco aflita. —Depois que você me conhecer de verdade.
Mordi meu lábio inferior enquanto esperava uma resposta de Edward, ele parecia refletir o que eu dissera e o medo de que ele se afastasse me apertou por dentro.
—Ok, eu concordo. – soltei o ar pela boca completamente aliviada. —Com uma condição.
—Qual?
—Quero te conhecer de verdade, saber como você é de verdade, e quero começar fazendo isso em um encontro.
—Em um encontro? – perguntei me simpatizando com a ideia.
—É. Quero sair com a Bella detetive, que estudou em Nova York, e que ama café. – sua descrição me fez sorrir. —Quero que se vista como se sentir melhor, de camiseta e tênis, de chinelo... Não importa. Quero te ver sem disfarce, sem máscara. – fez uma rápida pausa para beijar minha mão. —E não é porque preciso ter certeza do que eu sinto, é só para você se sentir mais confiante. Para que entenda que eu gosto de você, que eu quero você, independente de roupa, de maquiagem, de qualquer coisa.
O sorriso que delineou minha boca fora grande, mas nada se comparado a toda felicidade que eu sentia. Nem mesmo nos meus melhores sonhos imaginei ouvir aquilo algum dia, principalmente de um homem como ele.
Sua mudança de atitude e comportamento era tão clara que era impossível não me sentir mais confiante.
Recusar aquele convite fofo e sincero, se quer foi cogitado por mim. Eu estava completamente apaixonada por ele, saber e sentir que era recíproco me deixava em êxtase. Por mais que tivesse medo de me machucar, iria nos dar aquela chance.
Mesmo que eu já estivesse me sentindo muito bem, Edward se recusou a sair do quarto, por isso nosso encontro seria ali mesmo: na suíte presidencial. Nós tomamos banho juntos e enquanto secava meu cabelo, ele se vestiu.
Não consegui ver como ele estava, já que se isolara no closet reservado para suas roupas.
Com o estômago gelado pela ansiedade comecei a me arrumar. Era difícil me vestir com o meu estilo, ou com a falta dele, quando havia peças tão lindas e exclusivas no closet, contudo, era um bom jeito de começar.
Entre as tantas calças de tecido fino e barra de sino, encontrei uma jeans do jeitinho que eu gostava: preta e justa. Não havia nenhuma blusa parecida com as que eu usava costumeiramente, mas achei um body lindo, de renda preta, com alças finas e decote profundo, que eu provavelmente compraria se o visse em alguma loja.
Decidir qual sapato eu usaria foi uma das partes mais difíceis, na maioria do tempo eu usava tênis, e em ocasiões muito especiais usava um scarpin. Encarei o par de scarpin preto meio indecisa.
Aquela com certeza era uma ocasião especial!
Depois de escolher o que usaria, me encarei no espelho sem saber como arrumaria meu cabelo e se passaria alguma maquiagem. Era difícil me lembrar de como eu era antes de Edward. Minha vida estava toda bagunçada, estava passando por mudanças, quase não saia de casa... Respirei fundo tentando me lembrar como eu me arrumava para sair com Mike.
Um pouco de base para cobrir algumas machinhas e imperfeições da pele. Pó para selar e blush para dar aquele ar de saúde. Rímel para levantar o olhar... E o delineador...
Mordi meus lábios encarando o cosmético sem saber se o usaria. Não o usava antes, até porque não sabia, mas depois que havia aprendido tinha amado o efeito que ele causava...
—Um delineado não vai mudar quem eu sou! – proferi a mim mesma me decidindo por fazer o contorno.
Cobri minha boca com batom vermelho vivo, por mais incoerente que fosse, eu sempre amei batom vermelho! Dando alguns passos para trás me encarei no espelho e fiquei contente com o resultado.
Meu cabelo era liso, apenas um secador e ele estava pronto! Deixá-lo preso causava algumas ondas o que só valorizava o corte recente. A maquiagem estava boa e a roupa caíra com perfeição. O body era sensual, valorizava meus seios e a cintura alta da calça modelou meu corpo. O scarpin... Bom, scarpin é sempre sexy!
Saindo do closet me sentia satisfeita. Por mais que eu não conseguisse me lembrar de como eu era antes de tudo aquilo, naquela noite eu não estava disfarçada. Havia encontrado um meio termo perfeito entre a Bella detetive e a Bella designer de joias.
—Uau. – assobiei assim que saí no deque do quarto. Com vista para a piscina privativa de borda infinita, a mesa estava perfeitamente arrumada com taças de cristal, pratos lindíssimos, velas e rosas.
O sol começava a se por naquele oceano cristalino e era o que bastava para deixar o clima perfeito.
—Nossa! – a voz de Edward soou atrás de mim, me virei a tempo de vê-lo abrindo o vinho. Seus olhos subiram e desceram por meu corpo e o sorriso apareceu em sua boca. —Então essa é você... – se aproximou com passos lentos e deixou a garrafa sobre a mesa.
—É... Acho que sim. – suspirei completamente nervosa. —Um pouco diferente do que você está acostumado a ver...
—Nunca te vi tão linda. – me interrompeu parando a minha frente. —Você tinha razão ao pensar que quando eu te visse assim as coisas iam mudar. – meu coração pulou uma batida. —Estou mais apaixonado agora.
—Ah, bobo! – o empurrei pelo ombro soltando o ar que nem sabia que tinha prendido. O alivio varreu meu corpo. —Você também está lindo! – elogiei ao vê-lo por completo.
Usava uma blusa preta com as mangas três quartos que evidenciava cada um dos seus músculos, a calça da mesma cor alongava suas coxas fortes e o tênis vermelho era moderno e despojado.
—Não sabia que usava tênis. – comentei fazendo-o sorrir.
—É raro, mas uso. – deu de ombros e me guiou para a mesa, educado puxou a cadeira para que eu me sentasse.
Ele nos serviu vinho e pude perceber o quanto estava mais leve, mais calmo... Não tenho certeza se foi a roupa ou o modo com que penteou o cabelo, mas parecia até mais jovem.
Abaixo do céu estralado e de frente para o oceano calmo que reluzia a luz da lua, nós nos entregamos sem travas, sem mentiras.
Era apenas eu, na minha melhor e mais nova versão, e Edward, mais perfeito do que nunca.
Fale com o autor