Refém da Paixão
18 Mágica
Notas iniciais
—Então... É Isabella...?
—Swan. Esse é o meu sobrenome mesmo.
—Por enquanto. – analisou e mentalmente me perguntei o que ele queria dizer.
—É. – concordei tomando um pouco do vinho doce.
—Você tem quantos anos? – pegou a taça grande e a levou aos lábios sem tirar os olhos de mim.
Ele conseguia ser sexy até bebendo! Como podia?
—Faço trinta em dezembro.
Por mais diretas que as perguntas fossem, nossa conversa não perdeu o tom natural. Edward fez questão de saber qual era minha comida, cor e música favorita. Perguntou sobre meu histórico com homens e fez uma careta quando lhe contei sobre meus ex-namorados.
Aquele assunto sobre amores antigos me fez lembrar do seu casamento com Victória e da história que Emmet me contara. A curiosidade vibrou forte dentro de mim e resolvi aproveitar o momento para lhe perguntar o que realmente havia acontecido.
—Emmet te contou?
—Não entrou em detalhes. – dei de ombros, Edward correu a mão pelo cabelo e respirou fundo. —Se não se sentir à vontade para falar eu entendo...
—Está tudo bem. – garantiu com um meio sorriso. —Jacob e eu crescemos juntos, éramos muito amigos, até entrarmos na faculdade. – limpou a voz em pigarro antes de continuar. —Ele conheceu a Vic em um grupo de estudo ou algo do tipo, não lembro direito, e assim que fomos apresentados começamos a ficar. Desde o primeiro dia. – frisou a última informação. —Só que o Jacob se apaixonou por ela, e para não magoar ele, mantemos nosso relacionamento em segredo... Até que um dia ele descobriu e ficou puto. Depois disso nunca mais me deu paz.
Repassei a história mentalmente, me aliviando um pouco por saber que Edward não magoara Jacob de propósito.
—Ele me disse que você roubou uma coisa preciosa dele. – Edward rolou os olhos e bufou alto.
—Eu não sabia que ele gostava dela, quando soube já era tarde. E ele escolheu me odiar, porque a Victória ele perdoou. E agora está aí, tentando me matar...
—Você acha que é ele? – ignorei o frio na barriga causado por sua última frase.
—Eu tenho certeza que é ele. Há anos que faz de tudo para me atingir, e acho muita coincidência ele ter te conhecido pouco antes do que houve hoje. – apertou os lábios com o semblante contorcido pela raiva.
—Não sei... – soltei o ar pela boca. —Não acho que seja ele. – Edward me encarou com os olhos cerrados. —O que foi?
—Você simpatizou com ele, não é? – sua voz saiu destilando ironia. —Ainda não me esqueci da dancinha de vocês...
O ciúme delineou seus traços, deixando-o emburrado.
—Não dancei com ele porque quis, já te expliquei. E ele foi gentil comigo, soou debochado quando o assunto era você, mas foi respeitoso...
—Vai ficar defendendo-o? – me encarou fixamente deixando explícito o quanto aquilo o incomodava.
—Não estou defendendo-o. – limpei os lábios com o guardanapo agradecendo aos céus pela durabilidade do batom mate. —É que... Alguma coisa não faz sentido, sabe?
—Sei. O fato de ter dançado com ele, por exemplo. – repetiu me fazendo rir.
Edward com ciúme era uma das coisas mais lindas do mundo, mas não queria elevar demais aquele sentimento já que a chance de ele emburrar era grande.
Ele voltou o assunto para mim e respondi a maioria das suas perguntas, evitando somente as que estavam ligadas à minha família. Não queria que nenhum sentimento negativo pairasse sobre a nossa noite, a qual foi de longe a mais mágica de toda a minha vida.
Nós terminamos de jantar quando a lua cheia estava alta no céu estrelado, e quando voltamos para dentro, Edward me proporcionou muito mais do que alguns momentos de prazer.
Foi diferente, foi mais intenso, mais real... O melhor sexo da vida!
Estiquei o corpo na espreguiçadeira e coloquei os óculos escuros sobre meus olhos. O sol estava alto e forte, mas havia uma brisa fresca que deixava o clima perfeito.
Fechei os olhos apreciando o som da natureza paradisíaca.
As ondas do mar, o cantar dos passarinhos, o barulho das palmeiras se agitando com o vento...
Não contive o suspiro relaxando completamente. Estava me sentindo tão bem, tão relaxada e em paz, que mal conseguia me lembrar do incidente na sauna.
É claro que toda aquela minha paz de espírito estava ligada a noite perfeita que tive com Edward. No geral, era raro as pessoas me surpreenderem positivamente, mas ele havia conseguido.
Jamais imaginara que por trás daquela postura arrogante e levemente grossa, havia um homem tão cuidadoso e encantador. Ele me ouviu falar por horas, escutou cada detalhe que lhe contei sobre a minha vida como se fosse o assunto mais interessante do mundo, seus olhos resplendiam ternura, e havia paixão em cada movimento seu.
Se no começo de tudo isso alguém me contasse que aquele homem maravilhoso iria se apaixonar por mim, certamente eu cairia na risada. Ele era lindo demais, sua beleza fugia de qualquer realidade, e depois daquela noite mágica, eu havia me encantado ainda mais por ele.
A inseguranças ainda existia dentro de mim, mas em uma proporção bem menor. Ele fizera questão de repetir várias vezes durante a noite o quanto me achava incrível, e por mais que eu não me achasse aquilo tudo, estava acreditando em suas palavras.
Soltei um suspiro profundo apreciando a sensação dos raios solares batendo contra a minha pele.
A pressa para encontrar quem estava por trás de todos aqueles atentados havia aumentado consideravelmente, porque ter consciência de que estavam tentando matar o homem que eu amava, me causava arrepios.
—Espero que tenha usado e abusado do protetor solar. – a voz de Jasper rompeu aquela bolha de pensamentos onde eu estava enfiada. Abri os olhos e girei a cabeça a tempo de vê-lo se sentar na espreguiçadeira ao meu lado.
Estava completamente enxarcado e o cheiro de mar preencheu meu olfato quando ele agitou os dedos em seu cabelo loiro para tirar o excesso de água.
—Acabei de retocar. – precisei pigarrear para limpar a voz. —Não posso me dar o luxo de ficar sem.
Jasper riu ao concordar com a cabeça. Coloquei os óculos escuros em cima da minha cabeça e me sentei na espreguiçadeira para poder olhá-lo melhor. Ainda não havia agradecido por ter me tirado da sauna e aquele era o momento perfeito.
—Você está melhor? – foi mais rápido ao me fazer a pergunta.
—Estou. – sorri com o canto dos lábios. —A propósito, obrigada por ter me tirado da sauna, eu não sei o que teria acontecido se você não tivesse aparecido...
—Não tem que agradecer. – seus olhos demonstravam bastante sinceridade. —Mas eu preciso te dizer que fiquei bastante preocupado, aquele lugar estava fervendo e você quase não tinha pulso mais. – contraiu os lábios ao se lembrar. —É por isso que odeio saunas.
Sua confissão me fez rir, mas ouvir seu relato sobre o acontecido me deixou com o estômago queimando.
—Acho que vou evita-las também. – nunca havia falado tão sério em toda minha vida.
—Faz bem. – sorriu ameno. —Está sozinha aqui? Onde está todo mundo?
—Seus pais foram mergulhar, Emmet e Rosalie saíram, Tanya... – tentei não demonstrar muito nojo ao citá-la, mas pelo risinho de Jasper acho que não consegui. —Não tenho noção de onde ela está. E o Edward está em reunião.
—Para variar um pouco, não é? – puxou a toalha que estava sobre a espreguiçadeira e a agitou em seu cabelo. —Edward puxou ao papai, é obcecado pelo trabalho. – senti o ar de reprovação em seu tom de voz. —Eu já sou bem mais tranquilo, sabe? – rapidamente concordei com a cabeça. —Carlisle não aprova, mas eu gosto de curtir a vida.
—Está certo, se é isso que te faz feliz...
—Muito feliz. – fez questão de dizer. —Faço questão de aproveitar o máximo da vida, a gente nunca sabe quando vai embora... – fez uma pausa para respirar fundo. —Veja só onde estamos, é um paraíso. – ergueu os braços para gesticular. —E o Edward não dá a mínima. Podia estar curtindo com você, mas passa praticamente o tempo todo em reunião. – gesticulou com a cabeça reprovando o irmão. —Não que ela deva deixar de trabalhar, mas podia trabalhar menos, entende?
—Acho que sim. – respondi com cautela. Por um lado, eu entendia o ponto de vista de Jasper, contudo não podia atirar pedras em Edward quando fazia exatamente o mesmo que ele.
—Eu já disse para ele relaxar inúmeras vezes, mas não adianta. Está sempre de um lado para o outro. Acho que ele já foi em todos os países do mundo, mas pergunta quantas vezes tirou um dia para descansar e aproveitar o lugar... – correu a mão pelo cabelo jogando as mexas molhadas para trás. —Como irmão mais velho, é meu dever alertá-lo. A vida passa muito rápido e tem certas oportunidades que são únicas.
—Eu entendo seu ponto de vista, Edward precisa mesmo de uma pausa de tudo isso, mas eu não posso falar muito... Ultimamente tenho vivido para o trabalho!
—Ah, qual é?! – soltou o ar pela boca. —Não vale a pena. Logo vai descobrir isso. – alertou sabiamente. —E antes que pense que eu sou um desocupado, vida louca e irresponsável... – não contive o riso, o jeito com que ele se expressava era bastante engraçado. —Eu tenho meu trabalho, minha fonte de renda.
—Edward me contou sobre suas casas noturnas. – mentira, eu havia recebido um relatório detalhado sobre a vida de cada um dos Cullen.
—Pois é, tenho minhas casas noturnas e vou te confessar uma coisa: Raramente vou nelas.
—Ué, porque? – aquilo me surpreendeu.
—Toda vez que vou aparece algum problema, algo para resolver... Eu gosto é de aproveitar a noite, não de trabalhar! Por isso visito a concorrência, vejo o que há de melhor e incremento nas minhas. – ele pareceu muito orgulhoso de si mesmo. —Quando voltarmos para Miami quero levar Edward e você para curtir uma noite!
Eu não tinha certeza se Edward iria aceitar, mas a ideia me pareceu bastante atraente. Depois que resolvêssemos todo aquele conflito, claro!
—Vou adorar! – ele sorriu grande com minha resposta.
—Ótimo, vamos marcar! – afirmou antes de soltar o ar pela boca. —Acho que vou entrar e tomar um banho, o sal do mar está começando a me queimar.
—Também vou entrar, preciso me arrumar para encontrar seu irmão.
Nós levantamos juntos e caminhamos até a área gourmet que ficava entre as três residências.
—Foi bom conversar com você, Bella. – Jasper demonstrou muita sinceridade. —Espero que dê tudo certo entre você e meu irmão.
—Obrigada, Jasper. – sorri um pouco envergonhada. —É bom saber que pelo menos um dos irmãos do Edward gosta de mim.
Jasper gargalhou alto diante minha confissão. Tentei ignorar o calor em minhas bochechas, mas corar era um ato involuntário para mim.
—Rose é difícil, mas logo vai ver a mulher incrível que você é. – me lançou uma piscadela. —Até mais tarde! – jogou a toalha por cima do ombro e seguiu em direção a casa que estava dividindo com Emmet, Rosalie e Tanya.
Se eu fosse escolher uma palavra para descrever Rosalie não usaria “difícil”, seria algo como “insuportável”, “mal-amada”, “venenosa” ...
Maneei a cabeça espantando aqueles pensamentos negativos. Era melhor ignorar Rosalie do que cultivar aquele ranço que estava nascendo dentro de mim. Girei o corpo e me preparei para seguir em direção a casa, mas a voz da pessoa que eu mais detestava no mundo me impediu.
—Olha só quem saiu do quarto! – Tanya cantarolou com deboche.
Ergui os olhos e a vi desfilar pelo corredor, usava um biquini amarelo micro, a canga branca que estava amarrada em sua cintura balançava conforme ela caminhava, assim como seu cabelo solto.
Ela era um inferno de pessoa, mas não podia negar que era linda. Por mais plásticas que tivesse feito.
—Como você está? – indagou parando a minha frente. —Fiquei sabendo que quase virou frango assado!
Sua fala me soou tão irônica quanto cruel, mas o que eu podia esperar de uma mulher tão baixa quanto ela?
—Eu estou muito bem, Tanya. – forcei o sorriso. —Melhor do que nunca, alias. – ela manteve o sorrisinho sínico nos lábios preenchidos. —Meu namorado cuidou de mim a noite inteira, é impossível não estar bem depois de tanto amor e carinho.
Apreciei com deleito a careta que se formou em sua face, era uma pena que ela estivesse de óculos escuros!
—É, sei bem como os cuidados do Edward são... Revigorantes. – provocou sorrindo maliciosamente.
—Acho que não sabe. – rebati sentindo o ciúme fervilhar por dentro. —Estou falando de uma coisa que você claramente nunca recebeu dele: amor. – fiz questão de entonar a última palavra.
A ironia ficou clara no rosto de Tanya. Ela tirou os óculos do rosto e seus olhos exibiram um ar de superioridade, o sorriso que apareceu em seus lábios era puro deboche.
—Na minha opinião você deveria baixar um pouco a bola... – proferiu em tom calmo e dissimulado.
—E você cuidar da sua vida. – rebati rapidamente com o peito cheio de raiva.
Como eu detestava aquela mulher!
—Estou cuidando, o Ed faz parte da minha vida. – eu sabia que ela estava tentando me provocar, e estava conseguindo. —Você chegou na vida dele agora, não sabe como nossa relação funciona!
—Vocês não têm relação nenhuma! – minha voz saiu entredentes o que pareceu agradá-la. —Eu sou a namorada dele, é comigo que ele dorme todas as noites....
Tanya maneou a cabeça em puro descaso e voltou a colocar os óculos no rosto.
—É, pode até ser. Mas é a mim que ele procura quando está entediado. – sorriu com malícia. —E a última vez que isso aconteceu, vocês já estavam juntos.
—Está mentindo. – tentei dar de ombros e fingir que aquilo não havia me abalado, mas a verdade é que eu estava pronta para voar no pescoço dela.
—Pergunte a ele onde passou a noite depois da festa de Victória. – soltou um riso satisfeito. —Vamos ver quem vai mentir para você.
—Não vou cair nos seus joguinhos. – a verdade é que eu já havia caído. —Preciso ir, porque ele vai levar a mim, a namorada dele, para conhecer o resort.
Não lhe dei tempo para rebater com mais alguma de suas provocações, virei as costas e marchei para dentro de casa com o coração batendo em um compasso sufocante.
Tudo o que preenchia minha cabeça era a fala daquela cobra venenosa.
“...É a mim que ele procura quando está entediado.”
“... A última vez que isso aconteceu, vocês já estavam juntos.”
“...Pergunte a ele onde passou a noite depois da festa de Victória. Vamos ver quem vai mentir para você. “
Sua voz irritante estava viva dentro da minha cabeça e repetia tudo aquilo em um loop sem fim. O pior de tudo, que me deixava ainda mais irritada, era saber que ela podia estar falando a verdade.
Edward havia sumido depois da festa fatídica de Victória. Emmet e eu havíamos passado a noite em claro procurando por ele que surgiu com a cara mais relaxada do mundo!
Corri as mãos por meu rosto enquanto a água do chuveiro corria por meu corpo.
Tanya tinha conseguido me abalar e tirar toda a paz que a noite passada havia me dado, mas eu sabia que tudo aquilo era culpa do Edward. Se ele realmente houvesse ido encontra-la, eu iria acabar com ele!
Focar no banho fora algo realmente complicado, mas nada se comparado ao trabalho que tive para arrumar o cabelo e fazer a maquiagem. Estava tremendo de raiva e simplesmente não conseguia me acalmar.
Me encarei no espelho só para ter certeza de que o vestido amarelo ficara bom no meu corpo, e por mais que estivesse ligeiramente apertado nos seios, não me importei.
Havia questões muito mais importantes que eu precisava lidar naquele momento.
Saí do closet um segundo antes de Edward entrar no quarto. Ele jogou o paletó no sofá que havia na pequena sala de estar, e correu os olhos por meu corpo.
—Uau. – assobiou. —Você está maravilhosa! – elogiou enquanto se livrava da gravata cinza. —Só acho que o decote está mostrando demais... Não quero ninguém olhando muito para a minha mulher!
Rolei os olhos, ficando um pouquinho mais irritada com suas palavras, e com o fato de que meu coração estúpido bateu mais rápido assim que ele se aproximou.
—O que foi? – perguntou visivelmente sem entender quando virei o rosto para recusar seu beijo.
—Onde você estava naquela noite que sumiu? – fui direta cruzando os braços. —Na noite da festa da Victória. – especifiquei vendo-o dar um passo para trás.
Ele mordeu o lábio inferior e seus olhos demonstraram bastante surpresa, vi a dúvida aparecer em seu semblante. Soltou um pigarro leve e coçou a nuca. Sua demora para responder me irritou ainda mais.
—Porque isso agora? Nós não combinamos de esquecer aquele dia...
—Edward, onde você estava? – refiz a pergunta interrompendo suas desculpinhas.
—Ok. – soltou o ar pela boca. —Antes de contar, eu quero deixar claro que não aconteceu nada demais e...
—Então é verdade. – minha voz baixou uma oitava interrompendo as justificativas. —Você foi se encontrar com a Tanya. – esconder a decepção não era uma opção para mim naquele momento.
—Como você soube? – rolei os olhos com sua pergunta e soltei o ar pela boca.
—Você é um idiota, Edward...
—Hey, espera, me deia explicar. – segurou firme em meu braço assim que fiz menção de me afastar.
—Explicar o que? O que você e sua priminha oferecida fizeram enquanto eu te procurava igual uma estúpida? – puxei meu braço e dei um passo para trás me afastando dele. —Não quero saber, obrigada!
—Bella, não aconteceu nada entre Tanya e eu! – ele me seguiu quando fui até o banheiro.
Apoiei as mãos na bancada de mármore e respirei fundo. Não queria ouvir suas desculpinhas esfarrapadas, na verdade não queria nem ficar perto dele.
—Será que você pode me deixar explicar? – a aflição em sua voz era quase palpável.
Fechei os olhos e respirei fundo enchendo meu pulmão de ar. A vontade que eu sentia de colocar os dois em um bote furado e abandonar no meio do oceano só crescia dentro de mim.
—Eu só fui procura-la para te afetar...
—E conseguiu. – o interrompi virando o rosto para encará-lo. —Parabéns!
—Caralho, será que dá para você me ouvir sem me interromper? – correu a mão pelo cabelo em plena frustração.
—Não estou afim de ouvir suas desculpinhas esfarrapadas, Edward...
—Você vai ouvir sim. – foi firme olhando dentro dos meus olhos. —Só procurei a Tanya aquela noite porque queria que sentisse um pouco de tudo o que eu senti quando te vi com Jacob. – disse a frase em um fôlego só. —Eu fiquei possuído de ciúme quando vi vocês dançando, e depois ainda teve aquela discussão...
—Nada justifica. – o interrompi com o queixo arqueado. —Dancei com Jacob porque o Emmet pediu, já te expliquei mil vezes...
—Eu sei, Bella. – soltou o ar pela boca. —Mas eu fiquei com ciúme, e depois você disse aquelas coisas... – vi a mágoa ressurgir em seus olhos e aquilo suavizou um pouco da raiva que eu sentia. —Fiquei com raiva e quis te deixar com raiva também.
—Você conseguiu mais do que isso! – ele contraiu os lábios diante minha fala. —Essa Tanya vive me provocando, vive fazendo insinuações maliciosas, e você só ajudou a piorar isso.
—Eu sei, mas não estava pensando direito aquela noite. Tinha bebido, fiquei com ciúme, nós brigamos.... – bufou alto visivelmente frustrado. —Me arrependi de ir encontra-la no segundo em que cheguei no bar.
—Se arrependeu e passou a noite toda com ela...
—Não. – negou rapidamente. —Não foi a noite toda, nós conversamos por uma ou duas horas... – pareceu não ter certeza, bati o pé no chão com a ira correndo todo meu corpo. —Pode perguntar ao Brady, ele esteve conosco o tempo todo!
—Não vou perguntar nada a ninguém. – minha voz saiu impaciente. —Isso foi bom para eu ver como as coisas funcionam...
—Como assim?
—Sempre que acontecer algo que não gosta, você vai correr para ela. Vai usá-la para me afetar, para me irritar... E vai ser sempre esse ciclo.
—Não, você está errada. – sua voz demonstrou certeza. —Isso só aconteceu porque discutimos, porque você disse que tudo o que tínhamos não passava de uma farsa. – acusou seriamente, não deixei de sentir remorso por ter dito aquelas coisas, elas haviam feito um estrago feio. No entanto, nada justificava ele ter ido procurar Tanya. —Agora é diferente...
—Porque seria? – o desafiei com os olhos.
—Porque agora eu tenho certeza de que o que nós temos é real. E você não pode negar mais que estamos juntos, que gosta de mim... Porque você mesma assumiu ontem à noite, ou não se lembra? – um sorrisinho vitorioso surgiu no canto de seus lábios quando não esbocei reação.
O que eu podia dizer também? Por mais que ainda quisesse socá-lo, sabia que ele tinha razão.
—Ouça bem o que eu vou te dizer, Edward. – pedi dando alguns passos para trás enquanto ele se aproximava aos poucos. —Não vou aceitar que você me faça de palhaça de novo. Se eu imaginar que aconteceu algo a mais aquela noite...
—Não aconteceu.
—Se eu imaginar que aconteceu algo a mais aquela noite, nunca vou te perdoar. – repeti as palavras só para deixar claro o que ia acontecer. —E acho bom você entender que vai ser a sua priminha, ou eu.
—É você. – afirmou sem a menor sombra de dúvidas. —É de você que eu gosto... Quando isso vai entrar na sua cabeça?
Ele olhou dentro dos meus olhos e a verdade brilhava em seus orbes peculiares. Aquilo conseguiu me desarmar, por mais que ainda estivesse brava e chateada, acreditava que em seu sentimento por mim.
Edward me encurralou contra a parede com seu corpo e segurou em minha cintura, estava pronto para me puxar e me beijar, mas o toque do seu celular nos impediu.
Respirou frustrado quando me afastei para que ele atendesse a chamada de Emmet.
—Oi. – foi seco. —Estou com ela, porque? – mordeu o lábio inferior e esperou que Emmet continuasse. Encarei-o curiosa e vi seus olhos refletirem um brilho estranho, conforme sua postura ficava tensa e preocupada. —Estamos indo até aí. – ele encerrou a ligação e me encarou sério.
—O que foi?
—Emmet pediu para irmos até a sala de segurança do Resort, averiguaram as câmeras de segurança, e parece que acharam um suspeito.
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