Refém da Paixão

19 Histórias Absurdas


Notas iniciais
Oi, gente! Olha eu aqui de novo postando antes da hora, dessa vez para agradecer a duas leitoras maravilhosas que deixaram recomendações igualmente maravilhosas na fic: RKUsVsThem e Luíza Ferracioli! Minhas lindaaaasss, eu amei tanto as recomendações de vocês. Obrigada por todo o carinho, só consigo me sentir grata por ver meninas tão incríveis e doces lendo minhas histórias! Espero que gostem desse capítulo, ele vai todinho pra vocês ♥ Boa leitura!

O movimento no corredor que levava até a entrada da sauna estivera calmo na manhã daquele sábado. Hora ou outra algum cliente aparecera no vídeo filmado, e pude inclusive acompanhar a saída de Alice, e a chegada de Jasper pouco depois. Contudo, o que chamou nossa atenção fora a passagem de uma pessoa que não conseguimos identificar o gênero. Usava o roupão do hotel, o qual cobria todo o corpo. Na cabeça estava uma touca de banho que eram oferecidas pelo SPA.

Ela teria passado despercebida se não carregasse no bolso lateral do roupão alguns lírios amarelos. Os mesmos lírios de sempre. O maior sinal de todos.

Enquanto revíamos a imagem, sentia calafrios correr por meu corpo. O perigo que Edward corria nunca pareceu tão real e próximo. Por mais que a “vítima” daquela vez tivesse sido eu, sabia que o mais visado era ele.

—Como essas câmeras infelizes não captaram o rosto da pessoa? – Edward bufou irado e frustrado.

—As câmeras de frente ao SPA foram tiradas para serem substituídas. – Emmet explicou visivelmente inquieto. —Não acredito que isso foi acontecer! – com as mãos apoiadas na cadeira giratória, ele abaixou a cabeça e respirou fundo.

—Você vai me desculpar, Emmet, mas faz tempo que eu não via funcionários tão incompetentes quanto os seus. – Edward observou enquanto caminhava de um lado para o outro. —Tem o que? Sessenta seguranças espalhados pelo resort? Como nenhum deles viu isso?

—Eles estão focados na sua família! – Emmet rebateu, seu semblante demonstrava cansaço e preocupação. —Mas você está certo, até porque não é a primeira vez que conseguem furar a proteção.

Edward correu a mão pelo cabelo e respirou fundo, podia ver o quão tenso ele estava e a verdade é que eu partilhava do mesmo sentimento.

—Já cogitou a hipótese de ter algum agente duplo? – os dois se encararam por alguns segundos. —Já parou para pensar que pode haver um cavalo de troia entre nós?

Intercalando os olhos entre eles, senti todo meu corpo gelar com a possibilidade. Eu conhecia aqueles homens há anos, pelo menos a maioria que estava na missão, mas mais do que isso, confiava na escolha de Emmet. No entanto, eu sabia muito bem que algumas pessoas se vendiam por alguns milhões.

—Emmet, Edward pode ter razão. – os dois se viraram para me olhar. —Primeiro as flores em Melbourne, o café, o acidente de carro... Já era para termos alguma pista.

Emmet me encarou por longos segundos, seus olhos demonstravam o quão perdido ele estava. Perceber aquilo me deixou bastante temerosa. O inimigo estava se fortalecendo a cada dia, enquanto nós estávamos ruindo.

A hipótese de haver algum agente duplo entre nós fora finalmente considerada por Emmet, e após uma longa conversa decidimos que era melhor antecipar a volta para Miami. Mas nem mesmo nosso regresso conseguiu amenizar aquele clima tenso.

O acesso a Edward ficara um pouco mais restrito, Emmet decidira mover alguns agentes de posição deixando no convívio de Edward somente aqueles que gozavam de sua total confiança.

Os dias que seguiram aquela viagem para Maldivas foram extremamente tensos, relaxar era quase impossível, a única coisa positiva em meio a todo aquele caos era a minha relação com Edward.

Estávamos mais próximos do que nunca.

—Falou com Emmet hoje? – a pergunta atraiu minha atenção para o atual momento, maneei a cabeça e o encarei ao me libertar dos pensamentos repetitivos.

—Sim. Eles seguem examinando aquelas gravações, mas ainda não chegaram a nenhum resultado significativo. – soltei o ar pela boca sem esconder o quão cansada estava daquilo tudo.

Há quase sete dias que alguns especialistas inspecionavam as gravações de todo o resort, na busca de traçar o caminho feito pelo provável mal feitor que me prendera na sauna. A falta de respostas ou pistas me fazia ter a sensação de estar andando em círculos.

—Tirando você e a Alice, esse pessoal que trabalha para o Emmet é muito incompetente! – bufou e rolou os olhos. —Se fossem meus funcionários já teria os demitido.

Respirei fundo pelo nariz apoiando a cabeça na mão. No fundo eu concordava com ele. Era difícil admitir, mas o tralho estava sendo muito mal feito. Emmet precisava agir.

—Sabe quem vai nos acompanhar no jantar amanhã? – perguntou após empilhar mais um cubo na pilha que começava a ganhar uma boa altura.

—Alice, Emmet, Erick, Liam... – fiz uma pausa me esforçando para lembrar quem mais iria comparecer ao jantar de negócios que Edward precisava ir. —Se não me engano Mike e Jared.

Edward não escondeu a careta quando citei os dois últimos nomes, mas sabia que seu incomodo se devia a presença do meu ex.

—Já falei que eu detesto quando seu ex está presente? – perguntou com um bico nos lábios. —Não vou ficar surpreso se for ele quem está jogando nos dois lados.

Soltei uma risadinha diante seu ciúme. Ele ficava ainda mais lindo quando estava enciumado.

—Mike tem muitos defeitos, mas sei o quanto ele é honesto. – Edward revirou os olhos com minha defesa. —Além disso, Emmet não o colocaria próximo a você se não confiasse nele.

—Emmet não tem um bom histórico quando se trata de confiar em funcionários. Está cercado de incompetentes!

—Vai dar tudo certo. – disse ao tocar seu rosto, sua barba pinicou a ponta dos meus dedos. —Tenho certeza que logo tudo isso vai acabar! – me agarrei as minhas próprias palavras tentando me convencer daquilo também.

Edward virou o rosto e deixou um beijo demorado em meu pulso, seus olhos peculiares demonstravam uma preocupação profunda, o que me deixava ainda mais incomodada.

—Encontrei! – a voz doce de Melissa saiu um pouco mais alta, o que atraiu nossa atenção no mesmo segundo.

Nos viramos para vê-la erguer o pequeno triangulo de madeira e sorrir bastante vitoriosa.

Ela havia chegado há dois dias e sua presença angelical amenizava um pouco a tensão.

Sorridente, se levantou e fechou o enorme baú de brinquedos antes de correr em nossa direção. Estava ainda mais linda aquela tarde, em um vestido rosa de babados que pareciam flutuar. O cabelo estava preso em duas tranças embutidas e a tiara de flores era um encanto.

—Aqui está o telhado da torre! – disse satisfeita ao colocar a peça que faltava na pilha de cubos de madeira.

—Muito bem, você fez um trabalho incrível, Mel! – bati palmas ao elogiar seu castelo. O qual levamos algumas horas para montar, eram mais de duzentas peças e havia faltado apenas uma: o “telhado” da torre.

—Onde estava a peça que faltava, princesa? – a voz de Edward era puro amor. Entre todas as faces daquele homem, a que eu mais gostava era sua versão pai.

Vê-lo com Melissa aquecia meu coração.

—Ah, estava perdida no meio daquele baú bagunçado! – deu de ombros e colocou a mão na cintura, soltei um riso ficando ainda mais encantada. —Agora nós podemos brincar de contos de fada! – deu pulinhos fazendo sua franja perfeita chacoalhar.

Era exatamente aquilo que estava pedindo o dia todo. Queria que construíssemos um castelo para brincar de contos de fada. E só fui descobrir o que aquilo significava quando os papéis da brincadeira foram designados por ela.

Edward seria o príncipe, eu a princesa, e ela, a fada madrinha.

—Tia Bella, você vai ganhar um vestido de baile lindo para poder ir se encontrar com o meu papai. – proferiu enquanto agitava uma varinha brilhante que tinha uma estrela na ponta. —Isso depois que sua madrasta muito má rasgar seu vestido antigo.

—Entendi. – conter o sorriso era impossível. —Acho que conheço essa história.

Ela sorriu exibindo suas covinhas encantadoras, deu dois rodopios e parou a frente do pai dela. Os olhos de Edward transbordavam amor e encantamento, era incrível o quanto ele era apaixonado pela filha.

—Papai, você vai tirar a tia Bella para dançar. E vocês vão dançar assim, presta atenção. – pediu antes de começar a rodopiar pela sala de brinquedos, indo e vindo, com a postura perfeita. As vezes ficava nas pontas dos pés, as vezes se inclinava para frente, gesticulava os bracinhos graciosamente... Soltei um suspiro me perguntando se tinha como não amar aquela menina. —Entendeu, papai?

—Sim, senhorita. – Edward assentiu sorrindo.

—Ah, vocês só vão poder dançar até meia-noite, depois disso você vai virar um sapo, papai.

Cerrei os olhos sem deixar de rir daquela informação.

—Um sapo? Mas o príncipe da Cinderela não vira um sapo...

—Não, papai. Aqui não é a Cinderela. – cruzou os bracinho. —Aqui é o conto de fadas da Bella e do Ed! – cantarolou chacoalhando sua “varinha condão”. —E eu sou a fada madrinha. – ela estava muito feliz com seu papel. —Esse é o castelo da princesa! – apontou orgulhosa ao castelo que havíamos construído e então correu para a grande TV que estava a frente do painel branco.

Encantada, a vi pegar o controle e voltar saltitante para Edward.

—Coloca assim: música para dançar com o namorado. – foi específica, me surpreendendo mais uma vez com sua esperteza. As vezes era difícil acreditar que ela só tinha cinco anos. —Titia, pode ficar de pé. – me estendeu a mão e pediu que eu me levantasse.

Fazia algumas horas que Edward e eu estávamos sentados no chão e o resultado daquilo fora um formigamento incomodo no meu pé.

—Piririm, pimpim... – gesticulou sua varinha em minha direção. —Um lindo vestido de baile para a princesa Bella, eu dou sim! – ri alto com sua rima fofa dando um giro rápido para receber seu “encanto”.

Edward se colocou de pé, abriu ainda mais o sorriso enquanto intercalava os olhos entre nós duas, o sistema climatizado de som ecoou os primeiros acordes de Thinking out Loud, do Ed Sheeran.

—Príncipe Ed você tem até a meia-noite para dançar com sua princesa Bella. – Melissa proferiu baixinho. —Depois disso você volta a ser um sapo verruguento! – sua carinha se contraiu em uma careta de nojo.

Edward e eu rimos juntos.

—Vai dançar com ela! – deu alguns passos para trás deixando o caminho livre para que Edward se aproximasse.

Prendi o ar nos pulmões quando ele estendeu a mão, eu não era uma dançarina muito boa e por mais que aquilo fosse uma brincadeira não queria passar vergonha.

—Eu não danço muito bem... – assumi baixinho assim que ele me puxou.

—Relaxa, eu guio você. – me lançou uma piscadela firmando uma mão na minha cintura, a outra segurava meus dedos um pouco a cima dos meus ombros.

Encarei seus olhos peculiares, as luzes de led da sala de brinquedos ao deixava ainda mais claros, ainda mais belos. A voz de Ed Sheeran começou a embalar nossos passos calmos.

—Você está linda essa noite. – elogiou enquanto me girava em seus braços.

—Obrigada. – agradeci assim que voltamos a ficar de frente. —Você não está nada mal, também. – minha resposta o fez sorrir torto.

Nós valsamos no ritmo perfeito, meus pés seguiam os seus automaticamente. Nossa sincronia me surpreendeu positivamente. Edward me olhava profundamente e eu só conseguia retribuir. Senti seu aperto em minha cintura endurecer, me puxando para mais perto.

Sem perceber, me aproximei ainda mais dele, completamente hipnotizada em seu olhar.

Ele soltou minha cintura e erguendo minha mão me fez dar um giro completo, voltou a pegar em minha cintura no momento exato deixando nossa dança ainda mais perfeita.

—Você dança muito bem. – murmurou quando os acordes finais da música tocavam pela sala.

—Não. – maneei a cabeça. —Você quem guia muito bem. – lhe lancei uma piscadela fazendo-o rir levemente.

A música chegou ao fim e nós cessamos os passos, enquanto Melissa saltitava demonstrando bastante felicidade.

—Ah, vocês são tão fofinhos! – cantarolou colocando uma mão de cada lado de seu rosto. —Ainda dá tempo de outra dança, falta só dez segundos para meia-noite!

Seu errinho infantil me fez rir. Ela era a criança mais encantadora do mundo.

Edward pareceu gostar da ideia, pegou o controle da TV e estava pronto para colocar outra música, mas a chegada de Sioban o impediu.

—Desculpem interromper, mas seu celular está tocando há um bom tempo, senhorita Bella. – disse isso com o aparelho vibrando em suas mãos.

—Ah, obrigada Sioban. – lhe agradeci vendo a ligação de Alice surgir na tela, ela sorriu com a mesma cordialidade de sempre e se retirou após pedir licença. —Só um instante. – pedi a Edward e a Melissa, saindo da sala de brinquedos e ficando no corredor longo cheio de portas.

—Bella? Finalmente. – Alice suspirou aliviada. —Faz quase uma hora que estou tentando falar com você.

—Desculpe, eu não estava próxima do meu celular...

—Emmet já chegou aí? – me interrompeu, pude sentir a aflição em sua voz.

—Não, nem sabia que ele viria aqui hoje... O que aconteceu? – tinha certeza que não era nada de bom. Um arrepio correu todo meu corpo deixando-o frio.

—Ligaram da casa de repouso onde sua mãe está e pediram que fosse até lá, parece que ela não está muito bem. – prendi a respiração enquanto repassava mentalmente as palavras de Alice. —Não estava conseguindo falar com você, então liguei e pedi para Emmet ir aí te dar a notícia pessoalmente. – sua voz soou um tanto quanto longínqua. —Amiga, eu sinto muito.

Engoli a seco e precisei respirar fundo algumas vezes para poder sair daquele transe.

—Mas... O que houve? – meu timbre soou tão abatido quanto eu estava.

—Não entraram em detalhes, mas parece que foi um derrame. – Alice abaixou a voz e demonstrou cautela ao proferir a informação. —Mas ela está viva, ok? Só pediram para que fosse até lá.

Soltei o ar pela boca tentando acalmar as batidas descompassadas do meu coração. Era hora de ter calma!

—Ok, obrigada por avisar, Alie.

—Queria poder passar aí para ir com você. – soou frustrada. —Mas vou te encontrar lá, ok?

—Não precisa...

—Não vou te deixar sozinha. – bateu o pé, decidida. —Nos encontramos lá.

Encerrei a chamada com a Alice, e tive a sensação de estar vivendo em câmera lenta. Meus ouvidos também pareciam afetados, a única coisa que eu ouvia era um zumbido contínuo e angustiante.

Esfreguei as mãos no rosto e me obriguei a despertar. Não era hora de ficar travada.

—Bella? – Emmet me chamou me ajudando a quebrar de vez aquela sensação de inercia. Ele se aproximou com passos calmos e vi a preocupação em sua face. —Precisamos conversar...

—Alice acabou de me ligar. – ergui o celular. —Já sei o que aconteceu. – sorri amargamente. —Eu posso...

—Claro. – rolou os olhos diante a minha dúvida se ir podia ou não até a clínica de repouso. —Claro que pode ir. – repetiu. —Vim ficar com Edward... Você contou para ele?

—Não. – neguei com um suspiro. —E vou te pedir para não falar nada também. Ele já tem muita coisa na cabeça... – corri a mão pelo rosto e respirei fundo pela boca. —Tenho certeza que não vai ser nada demais.

—Tudo bem. – Emmet concordou empático. —Qualquer coisa que precisar, pode me ligar.

O lado bom de estar arrumada sempre é que era só descer até a garagem e sair. Brady já me esperava com as portas do carro abertas, e eu sabia que aquilo fora um pedido de Emmet.

Saí as pressas da casa de Edward, sem me despedir ou pegar minha bolsa, levando somente o celular. Pedia mentalmente aos céus que não fosse preciso nenhum documento, já não estava nem com a identidade.

Alice me esperava na porta de entrada da clínica e vê-la foi bastante reconfortante. Recebi seu abraço acolhedor sentindo-me um pouco mais leve.

—Oi. – cumprimentei a recepcionista que me olhou sorrindo. —Me ligaram mais cedo e pediram que eu viesse aqui para saber sobre minha mãe. – contei apoiando os braços no balcão de mármore falso.

—Qual o nome da paciente, querida?

—Renée Dwyer. – ela arrumou os óculos à frente do rosto antes de digitar no computador antigo.

—Só um momento. – pediu puxando o telefone do gancho. —Oi, é a Penny. A filha da senhora Dwyer está aqui... Ah, ok. – ela se movia com certa lerdeza e aquilo estava me deixando absurdamente impaciente. —Querida, pode subir até o quarto andar e aguardar na recepção.

Alice e eu praticamente corremos em direção ao elevador que, por sorte, estava vazio.

—Que hora te ligaram? – indaguei enquanto subíamos.

—Por volta das duas da tarde. – arrumou a bolsa no ombro.

Bufei alto ao ver que já passava das cinco e meia.

Eu deveria ter dado a eles o número do meu celular particular, não o da cada de Alice.

Chegamos ao quarto andar e o cheio hospitalar me deixou levemente enjoada. As paredes pintadas a tinta óleo refletiam a luz das lâmpadas led, deixando o ambiente ainda mais frio e impessoal.

Eu odiava hospitais!

A recepção do quarto andar era bem menor, e o moço que atendia parecia bastante entediado lá. Ele precisou de alguns dados pessoais e pediu que eu aguardasse o doutor.

Se tinha uma coisa que eu odiava com todas as minhas forças era esperar alguém, tudo só piorava quando se tratava de assuntos médicos. Alice e eu nos sentamos nas cadeiras desconfortáveis e esperamos por quase uma hora.

—Isabella Swan? – o homem de quase setenta anos chamou assim que passou pelas portas duplas.

—Sou eu. – me levantei rapidamente vendo-o se aproximar a passos lentos. Deixou alguns papeis sobre o balcão da recepção e arrumou o estetoscópio nos ombros.

—Sua mãe teve um AVC hoje a tarde. – foi direto. —Um AVC hemorrágico. – completou rapidamente. —No momento, estamos fazendo alguns exames para ver se é caso de cirurgia, mas tenho praticamente certeza que vai ser preciso operar sua mãe.

A sensação de estar vivendo em câmera lenta voltou a me assolar enquanto ouvia as explicações do médico. Alice fizera todas as perguntas que eu queria ter feito diante o meu silêncio absurdo.

Não sabia exatamente o que dizer a ele. Nem o que pensar. Era informação demais, risco demais...

Nós voltamos a sentar na cadeira desconfortável com a promessa de que logo voltariam para dar mais notícias, mas eu duvidava muito que o retorno ia ser breve.

—Quer que eu vá buscar um café? – Alice ofereceu segurando meus dedos ternamente.

—Não, obrigada. – forcei um sorriso ao erguer os olhos para encará-la, ao fundo a porta do elevador se abriu e acreditei estar delirando ao ver os dois homens saírem para o corredor. —Edward? Emmet?

Alice pareceu tão surpresa quanto eu ao se virar na cadeira.

—O que estão fazendo aqui? – intercalei os olhos entre eles. Emmet encolheu os ombros e Edward bufou alto parecendo verdadeiramente aborrecido.

—Tive que contar para ele, Bella... – Emmet começou a se justificar.

—Óbvio, não é? – Edward rolou os olhos. —Como você sai daquele jeito, sem me dizer nada?

Seus olhos peculiares me encararam fixamente, por mais que sua voz estivesse levemente irritada, não havia resquício de raiva em seus orbes brilhantes.

—Vou ir buscar o café. – Alice se colocou de pé.

—Vou com você. – Emmet fez questão de acompanha-la, deixando-me sozinha com Edward.

—Porque não me contou o que estava acontecendo? – se sentou ao meu lado, a voz estava mais calma, mais baixa.

Respirei fundo vendo seus dedos se encaixarem nos meus quando ele segurou minha mão.

—Você já tem muita coisa na cabeça...

—E você também. – rebateu ao rolar os olhos. —Bella, eu jamais iria deixar você sozinha em um momento como esse.

Seus olhos eram tão sinceros quanto sua voz, e aquilo desarmou qualquer barreira que havia em mim. Esticando o copo me afugentei em seu peito apreciando a sensação de segurança que seu abraço me passava.

Edward afagou meu cabelo e beijou meu rosto com carinho.

—O que aconteceu? – seus dedos deixavam afagos carinhosos em minha mão.

—Ela teve um AVC hemorrágico, estão fazendo uns exames, mas é quase certeza que vai ser preciso operar. – entreabri os lábios para tomar fôlego pela boca.

—Tenho certeza que vai dar tudo certo. — lhe forcei um sorriso. —Porque não me disse o que estava acontecendo? Porque não disse que sua mãe vivia aqui?

Encolhi os ombros me sentindo um tanto quanto incomodada. Aquele era um assunto que eu fugia desesperadamente.

—Não gosto muito de falar sobre isso... – me mexi no assento que pareceu um trono ortopédico quando comparado ao tema desconfortável. —Minha mãe... Me deixou com o meu pai para ir embora com outro homem quando eu tinha treze anos. Sumiu por anos, e só fui ter notícias quando ela sofreu um acidente de carro. – fiz uma pausa rápida para limpar a voz. —Ela ficou com sequelas graves e precisa de cuidados constantes... O que, por causa do meu trabalho, não consigo suprir.

Aquele era um resumo pouco detalhado de tudo o que havia acontecido. Não chegava nem perto de relatar todos os anos de sofrimento pelo abandono, preocupação e negligencia da parte dela.

—Quando disse que não falava com ela há ano pensei que haviam brigado. – o olhei por debaixo dos cílios me sentindo um tanto quanto envergonhada. —Porque não me contou?

Dei de ombro chacoalhando a perna diante a ansiedade e aflição.

—Vergonha, eu acho. Sua família é tão perfeita... – soltei o ar pela boca. —Além disso, não gosto de ficar falando sobre o que aconteceu. Prefiro não entrar no papel de vítima, de filha abandonada.... Odeio que sintam pena de mim.

Odiava mesmo, até porque eu havia conseguia me reerguer. Foram anos difíceis, depois viera a morte de Charlie, mas eu havia superado. Em partes, pelo menos.

—Você não precisa ter vergonha de me contar as coisas, e saber disso não me faz ter pena de você. – o olhei rapidamente. —Isso só me faz ver o quanto é forte. – puxou minha mãe e deixou um beijo em cada dedo meu. —Só para constar, minha família não é perfeita. Tem problemas como qualquer outra.

—Que problema sua família tem? – encarei-o sem conseguir acreditar. —Decidir em que país vão passar as férias de inverno?

Edward soltou um riso baixo e levemente amargurado. Seus olhos saíram dos meus por alguns segundos e quando voltaram me pareceram bastante tensos.

—Te garanto que são problemas maiores que esse.

—Por exemplo? – a curiosidade gritou forte dentro de mim. Não havia encontrado um defeito se quer sobre a família Cullen em toda a minha pesquisa para o caso. Eles eram tão certos e decentes.

—Eu vou te contar para que perceba que não há motivos para se envergonhar da sua história. – se arrumou na cadeira. —Mas não pode contar para ninguém, porque é algo que ninguém sabe.

—É tão grave assim? – não evitei a pergunta, diante sua cautela e postura tensa estava começando a acha que algum deles havia matado uma pessoa.

—É complicado. – suspirou. —O Carlisle não é meu pai. – soltou após um longo período em silêncio.

Cerrei os olhos e esperei pelo momento em que ele começasse a rir e me contasse que era uma brincadeira boba.

Mas aquilo não aconteceu. Pelo o contrário, seus olhos ficaram ansiosos e sua postura se endureceu ainda mais.

A incredulidade me assolou. Não podia acreditar no que estava ouvindo.

—Como assim ele não é seu pai? – gaguejei ainda perplexa pela informação. —Você se parece tanto com ele! Não é possível... – ainda não conseguia levar a sério aquilo. Tinha certeza que Edward havia inventado apenas para fazer com que eu me sentisse melhor.

—Nós nos parecemos porque o meu pai biológico é irmão dele. – o sorriso que apareceu em seus lábios fora tão amargo quanto sua voz.

Meu queixo caiu. Literalmente.

—Irmão? – soltei baixinho, completamente perdida. —Então o Carlisle é seu...

—Meu tio. – ergueu os dedos para fazer aspas no ar.

Neguei com a cabeça repetidamente.

—Não, você está mentindo! – exclamei empurrando-o pelo ombro. —Emmet teria me contado...

—Ele não sabe. Ninguém sabe. Só eu, Carlisle e Esme, é claro. – contraiu os lábios e pude ver o quanto aquilo mexia com ele. —Pode apostar, queria estar mentindo.

Encarei-o por longos segundos me obrigando a piscar várias vezes, só para ter certeza que aquilo tudo era real.

—Meu Deus, eu estou muito surpresa.... Nem sei o que dizer. – me virei na cadeira para olhá-lo melhor. —Você sempre soube ou...

—Descobri há uns dez anos. – completou minha pergunta com sua resposta. —Carlisle teve problema com ulcera e precisou fazer transfusão de sangue. Fui fazer o teste e advinha? – sorriu ironicamente. —Foi um susto. Fiquei sem chão.

—Eu tenho certeza que sim. – vê-lo tão abatido me deixou com o coração apertado. Jamais pensaria que aquela família tão linda escondesse algo tão pesado.

—Enfim, Carlisle e Esme resolveram me contar a verdade quando eu os pressionei. Segundo eles, depois que tiveram o Jasper e a Rose, passaram por uma crise feia no casamento e resolveram dar um tempo. – usou a mão livre para coçar o queixo visivelmente incomodado. —Então em uma certa noite, Esme estava sozinha em casa quando o irmão do Carlisle apareceu. Ele se aproveitou do fato de ela ser extremamente fraca para bebidas e a fez tomar uma garrafa de vinho para... Para poder transar com ela.

Aquilo me deixou horrorizada. Não sabia o que pensar, muito menos o que falar.

—Ela disse que acordou com a certeza de que havia sido... Violentada. – engoli a seco me penalizando por ela. —Mas quem acreditaria nela?

Provavelmente ninguém.

—Meus pais reataram e uma semana depois descobriram a gravidez. Só aí, Esme contou para ele o que havia acontecido. Ele atirou no irmão dele, mas só acertou a perna o infeliz. Desde então não se falam mais. E o Carlisle me assumiu como filho.

Edward encerrou seu relato, mas tudo parecia absurdo demais para ser real. Se outra pessoa me contasse, jamais acreditaria.

—Uau. – assobiei pasma. —Que loucura!

—Uhum. – assentiu. —Muita. – mordendo o lábio inferior, o vi respirar fundo pela boca. —Está vendo? Toda família tem problemas. A maioria tem histórias absurdas que quase ninguém sabe. Inclusive a minha.

Maneei a cabeça em concordância ainda perplexa demais para dizer qualquer coisa coerente.

Notas finais
Ook, vamos por partes... Primeiro, será que tem algum agente duplo? Não sei, só sei que é meio estranho eles "nadarem e morrerem na praia"! Bella tem uma história de vida complicada, o que muita gente já tinha desconfiado... Mas e a do Edward? Alguém pensava que isso fosse acontecer? Ou estão tão surpresas quanto a Bella? Bom, eu só digo uma coisa para vocês: DESCONFIEM DE TODO MUNDO E NÃO CONFIEM EM NINGUÉM hahahahahaha No próximo capítulo teremos o come back do Jacob, mais momentos fofos com a Melissa e um hot que meninas... Se preparem hahaha Amo vocês, até breve ♥