Reescrito

1 único


Olivia era uma garota mansa e simples, que morava com os pais e os irmãos. Fazia o terceiro ano num colégio público e era uma boa aluna, assim como era também uma boa filha.

Ajudava a mãe nos afazeres de casa, como também puxava a orelha dos dois irmãos relapsos. Um estudava na mesma escola que a dela e Olivia estava cansada de ser avisada que seu irmão matava aula. Não entendia por que, mas achavam que dizendo a ela o que acontecia, seu irmão poderia parar de matar aulas.

Olivia não entendia por que era responsável por ele, nem ao menos era mais velha e era capaz até de ele não receber nenhuma advertência por já terem avisado a irmã.

Não se lembrava de quando as coisas fugiram do controle e fazia muitas perguntas. Por que achavam que ela era a mãe dele? Por que ela tinha que se responsabilizar por isso? O que faziam achar que ela resolveria algo? Olivia se importava com o irmão, claro. Mas parecia que era sua culpa, como se fosse ela que matasse aula.

Aos poucos ela percebeu que sua mãe era um tipo de fantasma por aparecer em segundo plano em todas as cenas do filme de sua família. Olivia percebeu isso num dia que aquele irmão mostrou a ela que não a conhecia bem e achou injusto, quando ela sabia tudo sobre ele, como não gostar de comer cebola, e preparava seus bifes sem.

Mas ele não sabia que ela era apaixonada por cinema, que havia visto vários filmes e até mesmo escrito roteiros, esse último até relevava porque era um segredo.

Então, ela percebeu que estava de segundo plano numa cena, exatamente como sua mãe e entrou em desespero, não queria se tornar como a mãe. Passiva e obediente.

No entanto, pensou se não era isso que seu irmão e as autoridades da escola pensavam dela e entendeu que sua mãe podia ter gostos pelas coisas como ela. Olivia teve que admitir que não sabia quem era sua mãe por não saber do que gostava. A mulher sempre ganhava de presente dos filhos e do marido algo relacionado com a casa, como uma frigideira ou uma misteira, algo assim. E sua mãe agradecia tudo num sorriso acolhedor.

Aproveitando que estava só as duas em casa, Olivia perguntou a mãe se gostaria de ver um filme.

— Filme? É como um livro narrado em imagens? Acho que posso gostar, na sua idade gostava muito de ler.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!