Era uma sexta-feira a noite, no céu a lua estava cheia e brilhante. Por causa das luzes na cidade, poucas estrelas apareciam. Andando sozinho e sem rumo certo estava Kaori, havia acabado de terminar com sua namorada mas não chorava pois desde criança fora ensinado pelo pai que homens de verdade não choravam.

Depois de andar no que pareceram horas, parou diante de uma casa, percebeu que sua caminhada sem rumo o levou para onde seu melhor amigo morava. Pensou em bater na porta, mas preferiu não incomodar o amigo visto que já estava um pouco tarde. Sentou na calçada e ficou a observar os carros que por ali passavam. Um gato passou por ele diversas vezes, parava, eriçava os pelos, e depois ia embora.

Um casal de namorados entraram numa casa em frente. Trinta minutos se passaram. Kaori olha em seu relógio: 22 horas e 57 minutos. Não estava muito tarde, mas como estava longe de casa, resolve mandar uma mensagem para o pai dizendo que ia dormir na casa de uma amiga. Se dissesse que iria dormir na casa de um amigo seu velho o trataria como gay pois era extremamente homofóbico e, infelizmente, passara isso para o filho.

Mais 5 minutos se passaram desde que enviou a mensagem para o pai (que respondeu dizendo: ok filho, manda a ver). De repente Kaori escuta passos, alguém se aproximava dele mas não arriscou olhar, seu instinto de proteção se manteve em alerta, então os passos cessaram e em seu lugar uma voz conhecida surge.

– Kaori? O que faz aqui? Você está parecendo um mendigo — O dono da voz começa a rir

Finalmente o moreno olha para o jovem parado ao seu lado, um garoto de 15 anos, loiro, olhos azuis, magro e sorridente. Kaori já o conhecia a 5 anos e nunca o virá sem o sorriso no rosto, mesmo que ele estivesse triste continuava sorrindo e isso fazia Kaori se acalmar um pouco.

– Ah... Oi Danilo... Você me assustou, eu vim aqui te visitar mas você não estava, por isso resolvi te esperar — mentiu

– A esta hora? Não acha que está um pouco tarde não? São mais de 23 horas. O que aconteceu, Kao? Você parece triste...

Um vizinho sai de sua casa e briga com os garotos dizendo que queria dormir mas eles estavam conversando alto e atrapalhando o seu sono. Kaori pede perdão,apesar de não acreditar no homem pois a alguns minutos o mesmo havia entrado na casa com uma garota muito bonita e duvidava que ele estava apenas tentando dormir. Os dois jovens entram na casa do mais novo, os pais dele ainda estavam acordados, Kaori educadamente cumprimenta ambos e então vai para o quarto como amigo.

– E então? O que aconteceu?

– Nada... — O mais velho olha para aquele quarto que já conhecia e um dvd de jogo lhe chama a atenção — Espere um pouco... Desde quando você tem o jogo Assassin's Creed?!? — Rapidamente o mais velho pega o dvd do jogo, coloca no video-game e senta na cadeira já com o joystick na mão. Sua atitude arranca risos do loiro.

– Eu sabia que você ia gostar, comprei hoje mais cedo, eu não gosto de jogos assim, mas você gosta, por isso comprei para quando você viesse aqui — Kaori agradece e Danilo sorri, mas logo fica sério, conhecia o amigo mais do que o mesmo imaginava e sabia que ele não estava bem. — Então... O que está acontecendo? Não adianta fingir que está tudo bem, pois percebo que não está, pare de bancar o "machão"!

Era isso... Kaori não conseguia mentir para o amigo, ele conhecia o moreno perfeitamente, era até um pouco assustador. O loiro puxa uma segunda cadeira e se senta ao lado do mais velho. O silêncio reina por algum tempo, ouve-se apenas o som dos automóveis passando e os botões do joystick sendo pressionados. E então o moreno nega novamente que tem algo o incomodando fazendo o mais novo revirar os olhos e olhar para o jogo

– Tudo bem... Mas por que você deixou os soldados pegarem o Ezzio? Você é o melhor jogador de Assassin's Creed que eu conheço, não perderia tão facilmente, a não ser que algo esteja te incomodando.

Kaori murmura algo que o loiro não consegue ouvir, pausa o jogo mas não tira os olhos da tela da TV.

– Annie me traiu... Eu vi com meus próprios olhos... Então terminei com ela! — Fala o maior sem nenhum pouco de humor

– O que?! Mas que... filha da mãe

A notícia chocou o mais novo, porém ele ficou mais aliviado. Não via Kaori como um simples amigo, desde que o viu pela primeira vez sentiu algo mais forte, seus pais diziam que era apenas coisa de criança, mas com o passar do tempo esse sentimento foi se intensificando, entretanto Danilo sabia como o amigo era e preferiu reprimir o que sentia.

– Eu pensei que era só mais um lance que eu tinha, mas foi diferente dessa vez... eu realmente a amava... — Kaori não conseguiu segurar mais e algumas lágrimas surgiram dos seus olhos negros que logo se transformaram em um pranto.

Isso fez o coração do menor partir em mil pedaços, nunca vira o amigo chorar, ele vivia dizendo que homem não podia chorar, mas agora lá estava ele... na frente do loiro... chorando completamente desolado. Danilo não se conteve e abraçou o amigo fazendo-o estranhar, mas depois abraça-lo também.

– Não fique assim, Kao. Você encontrará alguém bem melhor, que irá ser fiel como você merece... e essa pessoa pode estar mais próxima do que você imagina.

Mais uma vez o moreno estranha e desfaz o abraço.

– Dan? Do que você está fal... — sua fala é interrompida pelo celular do loiro que toca, Danilo pede licença e atende o telefone.

– Alô?... Ah, é você Nick.... Eu estou com um amigo meu aqui, por que?... É, é só um amigo... Amanhã?... Qual restaurante você quer ir?... Sim, dá sim... Também estou com saudades... Beijos, tchau. — O mais novo desliga o celular, olha para o amigo que estava boquiaberto e ri.

– Você vai acabar engolindo um besouro desse jeito.

– Você está namorando? — Kaori ignora a fala de Danilo.

– Não é bem um namoro, a gente só ficou por enquanto — ele cora.

Num pulo o moreno se levanta e abre um sorriso, esquecendo de Annie. Finalmente seu amigo arranjou alguém, estava feliz. Já o loiro ficou sem graça, não queria falar sobre com quem estava ficando.

– Me fala, como ela é? Nick? Deve se chamar Nicole obviamente, ela é bonita? É loira, morena, ruiva...?

– Bem... Acho que você está um pouco enganado. — fala ainda corado e olha para o chão

O sorriso de Kaori se desfaz.

– Como assim enganado? — Fica confuso

– Não é Nicole... É Nicolas... — Ele olha fundo nos olhos do amigo — Kaori, tem algo que eu queria te contar já faz um bom tempo, mas fiquei com medo... Eu sou gay.

Assim que Danilo diz isso, Kaori ri um pouco sem humor, pensando que o amigo estava a brincar.

–Ei, o que os outros falam de você não precisa de afectar tanto, você pode ser um pouco afeminado, mas eu sei que você não é gay... -Danilo continua sério, isso faz Kaori começar a ficar sério também e logo explodir- VOCÊ O QUE?!?!?!!??

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.