Reencontro
7 Capitulo 6
"Estava saindo da cafeteria perto da minha casa quando encontrei Daryl dentro de sua caminhonete fumando. Recuei olhando no reflexo do vidro da janela. Estava com um vestido verde de alcinha e decote v, blazer preto e sapato bico de tubarão preto salto agulha. Estava tudo ok então sai para a calçada.
Passei pela caminhonete de Daryl fingindo não vê-lo. Desde o dia no café ele estava sempre me olhando, mas nunca tinha vindo falar comigo. Nos encontramos na cafeteria algumas vezes e no bar mais algumas vezes.
— Hey patricinha? — Virei para Daryl que estava debruçado na janela da caminhonete.
— Fala caipira. — Retruquei sorrindo.
— Quer dar uma volta?
Me aproximei dele que estava com o cigarro entre os lábios, sorri ao tirar o cigarro e joga-lo no chão. Pisei em cima depois o encarei.
— É claro. — Fiz a volta e entrei na caminhonete. — Para onde vai me levar?
— Não tem lugar certo. Quer ir onde?
— Vai me deixar escolher? — Sorri diabólica e ele ficou serio.
Eu o conhecia perfeitamente para saber que ele não tinha dinheiro para me levar em determinados lugares.
— Me leve ate a praça perto da minha casa. Tem um cara que vende o melhor cachorro quente da região. Você vai gostar.
— Cachorro quente?
— Sim. Vamos?
— Me passa o endereço. — Ligou a caminhonete.
Chegamos ao local e eu tirei o blazer deixando dentro da caminhonete, descemos e fomos comprar os cachorros quentes, nos sentamos no chão da praça mesmo e começamos a comer.
— Quem diria toda patricinha comendo cachorro quente sentada no chão mesmo.
— Você julga demais um livro pela capa, caipira. — Retruquei o encarando.
Foi uma cena clichê, mas ele limpou o canto da minha boca com o polegar depois o levou ate a boca. Clichê e sexy.
— Esta me seduzindo? — Perguntei e ele juntou as sobrancelhas me encarando confuso.
— Não.
— Esta sim. Foi muito sexy o que você fez. — Notei seu desconforto. — Esta interessado, não esta?
— Não vejo por que você estaria interessada em um fodido como eu.
— Por que não estaria?
— Nós vivemos em mundos diferentes, Alice.
— Acho que a gente pode se encaixar no nosso próprio mundo.
— Eu acredito que não.
— Se não quer então por que esta aqui? Por que me convidou para dar uma volta?
Daryl ficou em silencio então respirou fundo e me encarou.
— Por que não consigo parar de pensar em você. De olhar para você. Não consigo ficar longe de você.
— É só não ficar. — Respondi me aproximando.
Nossos lábios se encontraram e desta vez ele não recuou. Na verdade ele me abraçou desajeitadamente e correspondeu o beijo. Quando se afastou um sorriso brincou em seus lábios.
— Agora não vou conseguir parar de beija-la.
— Ótimo. — Voltei a beija-lo deixando meu cachorro quente de lado.
Daryl era mais quente e delicioso."
— Senti sua falta todos os dias. — Daryl murmurou. — Tentei procura-la, mas você sumiu.
— Pelo menos você seguiu em frente.
— Segui em frente? Minha vida continuou a mesma merda que era. Aquele desgraçado infernizando a minha vida, Merle arrumando encrenca.
— Você nunca teria abandonado eles.
— Por você, eu teria.
— Vamos ser sinceros. Não teria. Você nunca gostou de mudanças. Namorar comigo já foi uma grande mudança. Transar todos os dias só comigo. Morar na mesma casa que eu. Foi uma grande mudança.
— E quando eu estava com você ficava satisfeito, feliz.
— Mas não conseguiria largar sua antiga vida completamente.
— Queria que as coisas tivessem sido diferentes.
— As coisa aconteceram como devia acontecer.
— Ainda amo você.
— Daryl, não... Não faça isso. Vamos nos machucar de novo. As coisas mudaram. Temos um filho.
— Tudo pode ter mudado. Menos esse sentimento. Amo você, Alice.
Ele agarrou minha nuca e puxou meu rosto para o dele. Seus lábios cobriram os meus e meu coração acelerou. Senti um embrulho na barriga.
Fazia tanto tempo.
Um barulho na porta fez eu me afastar. Dan entrou carregando uma mochila grande enquanto Seline trazia uma pequena. Meu filho falava sem parar enquanto Seline assentia e sorria. Eles subiram as escadas naquele ritmo e sumiram no corredor de cima.
Encarei Daryl que tinha seus olhos em mim, seu dedo enrolando em meu cabelo ruivo. Quantas vezes ele fez aquilo.
— Quem é a garotinha loira que você tinha no colo esses dias?
— Judith. Filha do Rick. E tem o RJ tambem. Você poderia conhece-los.
— Ela parece bem apegada em você.
— Sim. Ela nasceu quando estávamos morando em uma prisão. Sua mãe morreu no parto e Rick teve uns dias meio... Biruta. Ajudei a cuidar dela e do seu filho mais velho Carl. Infelizmente perdemos Carl para esse mundo. Faz um ano ou mais. — Seu semblante ficou triste. — Era um bom garoto. Ia se torna um bom líder. E agora ele tem o RJ com a Michonne. — Seus olhos me encararam. — Achou que ela fosse minha? — Dei de ombros.
— Vi ela no seu colo.
— Se quer saber se eu tive alguém depois que você partiu, a resposta é não.
— Vai dizer que ficou intocável por 18 anos.
— Não... Você sabe como eu era.
— Só queria um par de pernas para se enfiar, aliviar sua vontade e pronto? — Ficou desconfortável e eu sorri. — Jura que você ainda fica desconfortável em conversar sobre isso? Queria ver você explicando isso a um garoto de 13 anos cheios de hormônios e vontade de aliviar o desejo tambem.
— Dan perdeu a virgindade com 13 anos?
— Com 14. — Corrigi fazendo careta. — Depois disso foi inúmeras namoradas, ficantes e garotas de uma noite só, que ele fazia questão de levar para casa. Era mais fácil aceitar do que não saber onde seu filho andava.
— Você tirou isso de letra.
— Nem tanto. Foram tempos bem complicados. Mas passamos.
Ficamos em silencio por um tempo ate ele falar.
— Pensei em levar Dan para caçar. Ele aceitaria?
— Não sei. Acho que sim.
Dan e Seline desceram as escadas conversando e sorrindo cumplices.
— Daniel, sua mãe e eu estávamos conversando. Queria convida-lo para ir caçar comigo.
Dan virou para Daryl e o encarou depois assentiu.
— Vai ser legal, coroa.
— E Carol... Perguntou se você não quer conhecer o filho dela, Henry.
— Não sou bom com novas amizades.
— Dan, você vai gostar dele. Henry é bem legal. É mais novo que nós. — Seline o encarou com os olhos brilhando.
Dan assentiu a encarando abobalhado e ela sorriu.
— Isso é ótimo. Vamos. — Ela o puxou para a porta e Dan me lançou um olhar.
Sorri acenando com a cabeça para ele ir.
Assim que saíram virei para Daryl.
— Ela o tem na palma na mão.
Sorri e assenti.
— Sempre foi assim. Não sei como acharam que era só amizade.
— As vezes as pessoas não enxergam o que esta na frente delas. — Respondeu me encarando nos olhos.
Era um jogo perigoso que eu não queria correr o risco de jogar.
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