Reencontro
5 Capitulo 4
Caminhei com a espada nas costas e uma arma no coldre da perna, encontrei com todos em volta de um mapa. Iriamos sair, Michonne, Dan, Mark, Daryl e eu.
Eu reprovava a ida de Mark, mas não poderia bani-lo, tentei convencer o cabeça dura do meu filho a ficar, é claro que ele disse que iria. Sentia que hoje seria o dia de confusão. Daryl ergueu os olhos do mapa e nos encarou enquanto nos aproximávamos.
— Estão atrasados. — Mark resmungou.
— Não sabia que você era o líder. — Dan retrucou sorrindo.
Lancei um olhar de advertência ao meu filho, ele ignorou claro.
— Vamos ate essa cidade. — Michonne explicou apontando no mapa. — Queremos entrar nesse shopping e ver se ainda tem alguma coisa util.
— Ok. — Respondi.
Conversamos mais um pouco depois entramos no carro, Michonne foi dirigindo e Mark sentou no banco do passageiro. Dan e eu fomos atrás enquanto Daryl ia de moto na frente. Observei seu corpo, seus músculos. Os cabelos grandes caindo sobre os olhos, a barba mais fechada com fios brancos no queixo. Estava sexy. Mas ainda assim selvagem.
"Observei o cara marrento encostado no bar bebendo sem parar. Ele mau se mantinha em pé.
Era bonito, tinha um ar selvagem. As roupas eram desleixadas, os ombros largos. Tinha músculos nos braços e um cabelo com um corte desparelho.
Confusão. Tudo nele dizia confusão.
Mas eu me senti atraída. Aqueles lábios finos. Na verdade tudo ali era confusão. Aquele bar sujo e fedorento cheio de bêbados e vadias se esfregando neles. Era algo totalmente fora do comum.
Mas eu estava cansada do comum. Estava cansada da minha vida de tudo certo.
E eu queria aquele cara. Algo nele chamava a minha atenção. Talvez fosse por que era o único cara daquele lugar que não estava me olhando. O vi dar passos cambaleantes para a porta e terminei de beber minha cerveja. Levantei e o segui.
Loucura? Completamente. Era a terceira vez que estava naquele lugar, a terceira vez que via aquele cara. E a terceira vez que não me lançava um olhar. Era meio que questão de honra.
Ele se apoiou na caminhonete vermelho desbotada e colocou a mão no bolso procurando as chaves, me abaixei e agarrei as chaves que estavam no chão.
— Aqui. — Estendi a chave para ele que se virou para me encarar.
Aqueles olhos azuis. A barba rala por fazer. Estendi a chave para ele que a pegou brusco.
— O que você quer? — Perguntou.
— Só entreguei as chaves. — Ergui as mãos e sorri. — Nada demais. Afinal não vou violar um bêbado.
— Violar? Garotinha que idade você tem?
— Garotinha? Tenho 20 anos.
— Continua sendo uma garotinha. — Me observou desde minha sandália preta subindo pelo vestido vermelho e chegando aos meus cabelos cor de fogo depois balançou a cabeça e abriu a porta da caminhonete.
— Hey espera. — Agarrei seu braço e seus olhos azuis encararam os meus.
Não me importei muito bem se pegaria alguma doença, não me importei com o cheiro de cigarro ou bafo de cerveja, me estiquei e o beijei.
No segundo seguinte meu corpo foi empurrado, meu tornozelo bateu na calçada e eu cai sentada no chão. Lancei um olhar nada amigável para ele que entrou na caminhonete e dirigiu para longe.
Levantei juntando minha dignidade e caminhei ate meu carro, voltei para casa e tomei um banho.
No outro dia acordei com um pouco de dor nas pernas e na bunda da queda.
Senti meu rosto ficar vermelho só de imaginar alguém vendo aquela cena.
Vesti uma saia estampada de preto e branco, blusa de alcinha branca, blazer preto e sapato bico de tubarão salto agulha preto, peguei minha bolsa e dirigi ate a cafeteria da esquina. Não estava com animo para preparar algo para comer.
Para minha grande surpresa assim que entrei encontrei o cara sentado tomando um café, sua expressão era de ressaca. E mau humor.
— Seria melhor um analgésico do que café preto. — Comentei sentando a sua frente na mesa.
Ele me encarou e franziu a testa.
— Te conheço?
— Nossa. — Coloquei a mão no peito me fingindo de ofendida. — Achei que você não fazia o tipo que transa depois esquece ate da pessoa. O nome ate que é normal.
— Eu transei com você? — Seus olhos arregalaram e eu me inclinei na mesa sorrindo.
— Sim. Foi bem interessante você me pegando de quatro.
— Eu não fiz isso. Eu lembraria se eu fizesse. — Sorri me encostando no banco.
— Não, você não fez isso. Somente me empurrou quando o beijei e eu cai na calçada. Foi bem estupido na verdade. Mas tudo bem. Eu fui estupida em beija-lo contra a vontade tambem. Só não me chame de garotinha nunca mais. — Levantei e segui ate o balcão.
Sorri para o garçom que se aproximou.
— Para você?
— Um... Suco de morango. E um pedaço de torta por favor.
Ele assentiu e se afastou. Lancei um olhar por cima do ombro e vi o cara me observando. Depois desse dia ele sempre olhava quando eu passava."
Voltei a realidade do momento e acabei sorrindo. Apesar de tudo. Eu tinha saudade daquela época.
Depois de umas 2 horas finalmente chegamos ao shopping. Saímos do carro e Michonne puxou a espada já matando dois zumbis que estavam caminhando em nossa direção.
Daryl foi ate a porta do shopping e bateu chamando atenção. Alguns zumbis se empilharam, Michonne cutucou minhas costelas com o cotovelo e passou em direção a porta. Puxei minha espada e a segui.
Nos posicionamos uma de cada lado, Daryl abriu a porta e nós agimos rápido. Quando finalmente acabamos entramos no lugar, os outros nos seguiram. Limpei a lamina em minha calça e avancei pelo local.
Dan se aproximou de mim e fomos em dupla pegando tudo que era necessário.
Arrumamos as coisas para levar ate o carro, Dan foi o primeiro a sair. O barulho de tiro soou alto e Dan caiu no chão, uma mancha de sangue espalhou no chão ao seu lado. Agarrei a arma e apontei para o prédio.
Meu coração estava batendo agitado, eu mal conseguia me concentrar. Mas era a vida do meu filho que estava em risco. Um tiro acertou na porta de vidro ao meu lado fazendo virar em pedaços. Localizei o atirador.
— Daryl. — Chamei e ele se aproximou com uma arma na mão.
— Quer cobertura?
— Não. Eu vou te dar cobertura. — Encarei firmemente. — Leve nosso filho pro carro. — Ele assentiu. — Confia em mim?
— Sim. — Um tiro passou raspando ao meu lado acertando o chão.
Agarrei firmemente a arma e sai para a rua mirando o homem. Enquanto Daryl corria na direção do meu filho eu disparei três vezes, acertei seu ombro e me escondi em um poste de luz. Lancei um olhar para Daryl que arrastava Dan para trás do carro enquanto tentava estancar o ferimento.
O homem sumiu e eu corri atravessando a rua e entrando no prédio. Não estava raciocinando. Subi as escadas correndo com a arma em punho e chutei a porta, o homem estava encostado na parede segurando o ferimento.
Ele tentou erguer a arma, mas acertei sua mão. Ele urrou de dor e eu sorri me aproximando dele.
— Vamos. Anda! — Mandei quando ele ergueu as mãos para cima. — Torça para o meu filho ficar bem do contrario, você vai preferir ser comido por um zumbi. Agora anda. Na minha frente!
Ele saiu caminhando e eu o segui. Descemos as escadas e saimos para a rua onde os outros estavam cuidando de Dan.
Joguei a arma para Michonne que apontou para o cara. Daryl me deu espaço e eu verifiquei o machucado.
— Atravessou. — Falei.
— Sou sortudo não é? — Dan murmurou.
— Deve ta doendo como o inferno.
— Ate que não. — Sorriu. — Fumar um cigarro seria ótimo nesse momento.
Atrás de mim Daryl estava dando um socos no homem tentando faze-lo falar.
Abri a porta do carro e puxei a minha mochila, joguei no chão procurando a bolsa dos primeiros socorros. Dan sentou e eu rasguei sua camiseta. Consegui limpar, suturar e costurar. Ouvi alguns palavrões, mas relevei.
Os outros carregaram tudo dentro do carro, antes de entrar dentro do carro ergui a arma.
— Seu filho esta bem. — Ele gritou desesperado.
— Sim. Por isso vai ter uma morte rápida. — Atirei o derrubando no chão.
Entrei e fechei a porta.
Quando chegamos em Alexandria, levei Dan ate a enfermaria. La eles limparam melhor o machucado e verificaram se estava tudo bem. Dan estava mau humorado. E só se acalmou quando Seline apareceu para saber noticias dele.
Quando cheguei no carro Daryl estava terminando de tirar as coisas e eu o ajudei.
— Você teve sangue frio para agir.
— Por fora, por dentro estava desesperada. — Entramos no galpão onde ficava as comidas.
— Onde esta aquela garota delicada que vivia tropeçando na floresta atrás de mim, que tinha pena dos animais mortos e ficava implicando com os meus cigarros. — Sorri.
— Ficou em um passado distante. Tive que crescer Daryl, me tornei forte por mim e por Dan. E agora sei viver nesse mundo. — Virei as costas e sai o deixando para trás.
A garota delicada que precisava de proteção tinha ficado esquecida no passado.
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