Reencontro
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Parada em frente ao espelho, Hinata ajeitava os cabelos enquanto respirava fundo. Estava um pouco nervosa, não tinha como negar, pois seu coração palpitava de ansiedade.
O dia era especial e exatamente por isso a Hyuuga não conseguia manter a calmaria de sempre. Fechou os olhos, aspirando todo o ar e contando até quatro, logo repetindo o processo ao expirar.
— Não há por que ficar tão nervosa... Vou parecer uma boba. — Sussurrou para si mesma, juntando os cabelos e amarrando-os em um rabo de cavalo simples.
Saiu do quarto, passando pelo pequeno corredor e descendo as escadas, indo em direção à cozinha. Sorriu ao sentir aquele cheiro gostoso. Seu primo estava cozinhando com seus temperos estranhos de novo, inventando na cozinha.
— Não sabia que já tinha voltado, Nii-san. — Disse o primo, enquanto ia até ele e beijava levemente seu rosto.
— Eu já sabia o que iria comprar. — Ele a respondeu, enquanto terminava de preparar um ovo mexido com vários temperos na frigideira. Apesar do visual não ser o melhor, o gosto era maravilhoso e o rapaz sempre preparava para comer antes mesmo do almoço. — A Temari chega hoje de viagem. — Avisou a mais nova, passando sua obra culinária para um prato, buscando um garfo e se sentando a mesa para comer.
— Eu sei. Nos falamos por telefone. — Comentou com ele, enquanto ia servir o almoço que já havia preparado. — Ela disse que você está aprontando algo que não quer contar... O que é, Neji-nii-san? — Perguntou toda curiosa, sentando-se na cadeira em frente à dele.
— Não é da sua conta, Hinata. — O mais velho comentou, bebendo um pouco de água.
A jovem já não se incomodava com a forma que o primo falava consigo, afinal, sabia que aquele era seu jeito. Por mais que pudesse ser frio e aparentar não se importar, Hyuuga Neji era protetor e cuidadoso.
Apesar de estar sempre sério e não ser simpático como a prima, Neji era uma boa pessoa. O Hyuuga morava com a namorada Temari e, após seu tio Hiashi falecer em um acidente, Hinata fora morar com ambos.
Quando o tio morreu, ele tomou Hinata como sua responsabilidade, cuidou da mesma e se certificou que ela teria uma boa vida ao seu lado e de sua namorada. A loira também fez de tudo para que Hinata se sentisse em casa e visse em si alguém em quem confiar.
— Eu queria saber se você poderia me dar uma carona quando for buscar a Temari no aeroporto. — Hinata comentou, enquanto comia e mirava os olhos no prato. Neji começaria com perguntas e já tinha que se preparar para tal.
— Carona? Aonde você vai? — O rapaz a questionou, parando os hashis em meio ao caminho para sua boca e estreitando os olhos.
— Vou dar um passeio... — A pequena disse um pouco hesitante, não querendo olhá-lo pois já tinha noção do que ele pensava.
— Duvido que fará um passeio sozinha. — Um tanto sugestivo e impaciente Neji a encarou bem. — Vai Hinata, desembucha. — Mandou, apesar da voz ainda estar baixa e parecer tranquila. Neji dificilmente perdia a compostura.
— H-hoje eu... Irei sair c-com o... Kiba-kun... — Falou um tanto corada, brincando com a comida no prato, não querendo ouvir um sermão.
A verdade é que Neji nunca gostara da família Inuzuka e o fato de o jovem Kiba ter uma personalidade irritante, aos olhos do Hyuuga, só fazia esse desgosto aumentar. Hinata era diferente do primo: doce e delicada e, justamente por isso, conseguia enxergar a beleza e bondade das pessoas.
— Você não toma jeito, não é mesmo? — Neji empurrou seu prato para frente, dando um suspiro. — Eu não sei que diabos você vê nesse moleque. Achei que esse tempo que ele passou longe faria você enxergar as coisas direito, Hinata, mas não... Você insiste nisso, insiste nele.
— Nii-san, eu entendo que não goste dele, mas não entendo porquê eu não posso gostar. — Tentou argumentar, tímida. — Kiba-kun é um bom rapaz e me trata muito bem...
— Bem? Você chama aquilo de tratar bem? — O mais velho se exaltou um pouco, perdendo até mesmo o apetite.
— Eu não sou mais uma criança, Neji. Por favor, não me trate assim. — Pediu, continuando sua refeição. — Me desculpe por ter pedido a carona. Não precisa me levar. — A morena concluiu por fim, dando um sorriso meigo.
Hinata gostava de Kiba. Não era uma paixão nova, muito pelo contrário. Apesar de não concordar de forma alguma com essa paixãozinha de Hinata pelo moleque, Neji sabia que não havia muito o que se fazer, a não ser ficar de olho e protegê-la, caso fosse necessário.
E foi exatamente por isso que, momentos após a conversa no almoço, estavam parados em frente a um café onde Hinata e Kiba se encontrariam. Neji enxia a prima de instruções, Hinata rolava os olhos dando uma risadinha. As instruções eram absurdas, e após escutar todas, jurou para Neji que as seguiria. Deu um beijo no rosto dele e saiu do carro, começando a andar a passos suaves pela calçada.
A morena ajeitava o cachecol verde que envolvia seu pescoço, mais por ansiedade do que de fato por necessidade de o ajeitar. E parou de fazê-lo quando seus olhos avistaram o que tanto desejaram por tempo.
Os lábios se abriram num sorriso tímido, podendo sentir o rosto esquentar. Ainda assim a moça não se conteve e andou em passos apressados, colocando os braços em volta do pescoço do rapaz e o abraçando com saudade.
— Kiba-kun... — Sussurrou o apertando bem, sentindo seu cheiro. — Kiba-kun, eu senti tanta saudade!
O Inuzuka também sentiu saudades da jovem Hyuuga. O tempo que passaram longe o fez ter certeza que queria ficar com ela. Kiba apertou a morena pela cintura, aconchegando-a em seu abraço e a erguendo um pouco do chão.
— Eu também senti sua falta, Hina-chan. — A voz soou mais firme e grossa do que a última vez que se viram, apesar de perceptível nas inúmeras ligações que fizeram durante esse tempo. Ouvi-lo tão perto de si era ainda melhor. — Você está tão linda. — A elogiou, afastando o rosto para poder a ver melhor e dando um de seus melhores sorrisos.
— O-Obrigada. — Agradeceu um tanto sem jeito, passando os dedos nervosamente no cachecol, respirando fundo. Lá estava ela parecendo exatamente o que não queria: uma boba. — Eu estou tão feliz em te ver!
A verdade é que tinham muito o que contar um para o outro. Um ano e meio podia parecer pouco para outras pessoas, no entanto, foi um tempo longo para Hinata e Kiba que ansiavam se reencontrar.
A família do jovem havia se mudado para o outro lado do país devido problemas familiares, e apesar de nunca terem se encontrado durante esse tempo, Hinata e Kiba não perderam o contato. Antes da ida, ambos tinham prometido que esperariam um pelo outro. Uma promessa que mantiveram sem mesmo saber o quanto esse reencontro poderia demorar.
A Hyuuga não conseguia lembrar de sua infância sem que Kiba estivesse próximo a si. O rapaz, que era alguns meses mais velho que a morena, era um amigo próximo, por quem a jovem sempre teve bons sentimentos.
Mas foi no início da adolescência, quando suas amigas começaram a arrumar namoradinhos, que Hinata percebeu que não queria que ninguém namorasse com o amigo. Ela mesma sentia certa felicidade lhe preencher quando se via nessa posição. No entanto, eram muito novos e a morena tímida demais para se confessar para o outro.
Kiba, por outro lado, sequer pensava sobre namoricos naquele início de puberdade. O rapaz gostava mesmo era do basquete, do futebol e um bom vídeo game. Garotas era um assunto secundário. Até chegara a receber algumas declarações de coleguinhas da escola, mas todas foram rejeitadas.
O jovem Inuzuka foi se atentar para isso apenas mais a frente, quando os hormônios começaram a lhe perturbar, foi quando começou a achar as garotas bonitas. Até se masturbava com alguns vídeos pornôs e, por vezes, a imagem de sua amiga mais próxima vinha em sua mente nesses momentos.
Quando pensava em namorar, era Hinata que invadia seus pensamentos novamente. Não tendo mais para onde fugir, Inuzuka Kiba resolveu se declarar para a moça.
~ ~ ~
— K-Kiba-kun! Espere... — Hinata disse ofegante enquanto era puxada pela mão pelos corredores do colégio de forma apressada.
Kiba disse que precisava falar algo muito importante, logo a puxando pela mão e andando sem a olhar, calado. A situação assustou a jovem de quinze anos, pois a mesma achava que podia ter feito algo que tinha irritado o rapaz, ou pior: algo que pudesse tê-lo magoado.
— O que aconteceu? — Voltou a perguntar, sem ter nenhuma resposta do outro. Respirou fundo quando pararam, sentindo o coração acelerar. — Kiba-kun, eu f-fiz algo errado? — Perguntou com a voz dando uma leve falha. — Se eu fiz, por favor, me diga!
— Não... Não fez nada. Esse é o problema... — Kiba começou, respirando fundo.
Estava se sentindo um pateta. Nunca havia se declarado para nenhuma menina antes, nunca aceitou nenhuma declaração, e exatamente por isso não sabia o que viria a seguir. Hinata poderia rejeitar seus sentimentos ou até mesmo sua amizade.
— Eu só... Eu só não sei ainda como dizer.
— Apenas diga! — Falou aflita, tocando o ombro do amigo.
Com o silêncio sendo a resposta no momento, Hinata deixou-o decidir quando era melhor para lhe encarar e ficou surpresa ao vê-lo corado quando finalmente se virou. Eram raras as situações que o deixavam daquela forma.
— V-Você está bem? Está se sentindo mal? — Ela perguntou, levando a mão a testa dele, preocupada. — Kiba-kun, você...
— Eu gosto de você! — Disse de vez, segurando a mão que ela havia usado para medir sua temperatura. — É isso que tenho para dizer. – Se era para se declarar, que fosse direto e deixasse claro o que era. Não seria um covarde após ter chegado ali. — Eu penso em você além da conta e de formas... — Mordeu o lábio, tentando ser delicado. Hinata não precisava saber que se masturbava pensando nela, não ainda. — De formas que vão além da amizade. Eu quero poder te namorar e fazer coisas de namorados. — Falou, reparando que a morena ficava ainda mais vermelha. Não sabia dizer se era por causa da timidez ou se Hinata tinha se assustado. — Você aceita meus sentimentos? Você os retribui?
Ele a indagou, mas logo se desesperando quando a amiga desmaiou, ficando quase roxeada. Kiba esteve muito preocupado com Hinata após aquele desmaio, mas tudo ocorreu bem. Ufa! Não tinha matado a Hyuuga!
Depois daquele dia as coisas permaneceram normais e, apesar de Hinata não ter dito que retribuía os sentimentos do amigo, isso ficou claro com os acontecimentos tão naturais que seguiram. Aos poucos foram pegando um na mão do outro, faziam carícias discretamente com os dedos quando estavam perto dos amigos.
O primeiro beijo veio após alguns encontros — encontros de verdade, como Kiba gostava de chamar —, e claro, Hinata desmaiou novamente ao sentir os lábios de seu primeiro namorado pela primeira vez.
~ ~ ~
— N-Não foi assim que aconteceu!
Hinata o repreendeu, corada. Estavam se lembrando de quando Kiba se declarou. Aquilo havia sido um desastre. Os dois tinham conversando um pouco no café, mas logo decidiram passear pelo parque e tomar um sorvete.
— Claro que foi, Hina! Eu achei que tinha te matado. — Contou dando uma risada gostosa. — Isso faz eu me lembrar que você nunca me deu uma resposta de fato. Você não vai desmaiar de novo, não é? — O rapaz perguntou enquanto andava ao lado dela, a olhando pelo canto dos olhos.
— D-Desmaiar? E por que eu desmaiaria? — Hinata perguntou toda corada, tentando esconder o rosto no cachecol, o que era impossível.
— Não sei... Talvez porque tem tempo que não nos vemos. — Kiba sugeriu, levando a mão a dela e a segurando, fazendo uma carícia boa ali. — Talvez porque não nos beijamos desde que fui embora.
Aos poucos Kiba se aproximou de sua namorada. Acariciou-a no rosto, abaixando um pouco o cachecol que ela tentava se esconder. Passou os dedos pelos fios maiores da franja dela, dando um sorriso sapeca e cheio de saudade. Amava quando Hinata corava por coisas bobas.
Passou o nariz no dela, roçando os lábios de leve e os selando delicadamente. Hinata apertou os dedos nas pontas da própria blusa, podendo sentir todo o calor em suas bochechas. Não demorou para aprofundarem os lábios um no outro, matando um pouco da saudade que sentiram.
Não poderiam ficar separados mais. Não seriam capazes de se separar novamente. Os sorrisos entre o beijo e o abraço que era retribuído por ambos denunciava a falta que sentiram. A morena encostou o rosto no ombro do mais alto, enquanto o mesmo dava uma risadinha divertida.
— Ainda inteira? — Kiba perguntou, sorrindo travesso.
— V-Viu? Eu d-disse que não aconteceria de n-novo... — Hinata murmurou extremamente corada, se referindo a desmaiar.
Jurou a si mesma que não perderia os sentidos quando fosse beijada de novo pelo seu amor e manteria sua promessa. Pois tudo que desejava era se manter firme e não perder nada do que aquele sentimento maravilhoso poderia proporcionar a ambos.
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