Reencontro
9 Noxus é o meu Lar
Notas iniciais
Algumas pessoas perguntaram os motivos pra Riven ter ficado daquele jeito, aqui está o capítulo explicando o que aconteceu. :B
Espero que gostem! ♥
No que foi que eu me tornei? Essa pergunta aparece em minha cabeça de vez em quando. Mas não consigo responder.
Havia acordado com uma dor de cabeça insuportável, seguida por uma pontada em meu olho direito que estava enfaixado. Cassiopéia estava em minha tenda, reconheci por causa do barulho irritante que ela fazia com a sua língua. Não me lembrava bem do que tinha acontecido anteriormente. Só me recordava do momento em que Taliyah me acertou com algo na minha testa. Minha cabeça doía quando tentava lembrar mais, então desisti. — O que você faz na minha tenda? — perguntei. — Você não devia perguntar e sim agradecer por eu ter chegado a tempo de salvar o seu olho. — respondeu Cassiopéia — Você foi tola por não ter amarrado os braços daquela menina. Ela não é fraca que nem você.Uma raiva tomou conta da minha cabeça ao ser chamada de tola e fraca. Não era nada disso. Já fui conhecida como uma das pessoas mais fortes e honradas de Noxus. Isso era o pior dos insultos. Levantei-me, suando frio e sentindo a dor aumentar por conta do ódio. Precisava descontar aquilo em algo. Olhei rápido para a pequena mesa que haviam alguns pergaminhos, uma pequena vela apagada e um espelho. Não pensei na hora, apenas joguei-a longe. O barulho do vidro se quebrando no chão junto das outras coisas me acalmava um pouco, mas não era o suficiente. — AONDE ELA ESTÁ?! VOCÊ A PEGOU, NÃO PEGOU?— gritei, irritada. — Ela fugiu. — respondeu sem se importar com a minha reação. — Eu a vi correndo pela floresta. — E NÃO A TROUXE DE VOLTA?!— retruquei, o ódio subindo cada vez mais. Taliyah havia fugido. Como teria Yasuo e sua honra de volta sem ela?! — Seus assuntos com essa garota não são da minha conta. Não estarei perdendo nada caso ela morra, ou pelos animais da floresta ou até mesmo por você. — Sua filha da p-- Fui impedida de continuar a falar ao sentir o aço frio de uma adaga encostando em meu pescoço. Fiquei quieta, apesar do ódio ainda estar presente em minha expressão. — Escute bem. Eu não tenho nada a ver com os seus objetivos e muito menos com a relação que tinha com aquele criminoso. — apertou mais a adaga em meu pescoço, suspirei pesadamente — Então aprenda a ficar quieta e a cuidar melhor de seus prisioneiros. Ela abaixou a adaga e eu continuei calada, sem saber o que pensar ou como agir. — E a propósito, eu consegui fazer o que você pediu. — disse Cassiopéia, segurando um pequeno frasco com líquido azulado. — É uma recompensa por ter ajudado a atrair Sivir pra longe de Shurima. Peguei o frasco, satisfeita. Finalmente algo bom depois disso tudo. — Use isso nele quando quiser que a garota desperte os seus poderes em sua próxima invasão em Demacia e terá um grande estrago. — explicou a mulher metade cobra, ansiosa para ver no que disso daria — Quem sabe você possa ganhar um cargo decente no exército novamente. — E eu ganharei. — respondi pesadamente. — Então se apresse logo e faça seu trabalho. Já está quase no dia da invasão. — Cassiopéia disse, saindo da tenda. Apertei o pequeno frasco em minhas mãos, ainda quieta. Minha cabeça e olhos doíam muito. O ódio que sentia por aquela mulher era enorme, porém Cassiopéia vinha de uma família nobre em Noxus.Trata-la bem contribuía para que recebesse meu cargo de volta. Olhei para a bagunça que havia feito no meu ápice de raiva, vários pedaços de vidro e pergaminhos largados no chão. Me abaixei, pegando um pedaço grande do espelho quebrado e aproximando-se do meu rosto. Haviam alguns arranhões pela minha bochecha e um corte em minha testa. Meu olho estava enfaixado. — No que foi que eu me tornei? — sussurrei pra mim mesma, passando a mão por cima do olho enfaixado. Fiquei calada olhando para o meu próprio reflexo. Um vazio tomou conta do meu coração ao ter feito aquela pergunta. Repentinamente, minha cabeça passou a doer muito mais ao pensar sobre aquele assunto. Dei um grito de dor e apertei meus cabelos, tentando descontar aquilo que sentia de alguma maneira. Memórias que não me recordava mais vinham à tona em minha mente, enquanto eu gritava pedindo ajuda. Eram dolorosas demais. Não queria me lembrar mais. Yasuo me observava de uma maneira completamente diferente. Seus olhos estavam sem vida e vazios. Sua mão estava no punhal da espada que sempre levava consigo. Lágrimas pesadas escorriam pelos meus olhos ao ver aquela cena. — Você estava na invasão em Ionia, não estava? — perguntou. — Sim. — respondi. — As pessoas de Noxus falam muito sobre você. — ele falou pesadamente. — Yasuo, eu... — Você o matou. Matou as pessoas da minha vila! — ele gritou. — Eu não tive culpa! — falei de volta. — Falou comigo mesmo sabendo disso. Mesmo sabendo que eu era visto como um criminoso pelos meus amigos e familiares. — Eu só estava cumprindo meu papel! — Isso tudo que aconteceu é culpa sua. Eu estive te procurando o tempo todo. — P-Pare com isso. Se eu pudesse voltar pra consertar isso, eu voltaria. — falei baixo, as lágrimas caindo de meus olhos.
Fechei os olhos e solucei ao ouvir o som da espada de Yasuo sendo desembainhada. Quando os abri, ela estava apontada pra minha testa. — Para com isso... — pedi. — Você não me amava? — Eu também pedi e chorei pra que meu irmão e amigos acreditassem em mim. A maioria deles estão mortos agora. — ele falou pesadamente. — E eu os amava. Nunca mais vai repetir essas palavras secas e vazias. Você nunca poderá amar alguém. Ele levantou a espada, prestes a dar seu golpe final. Não consegui me mexer naquela hora. Fiquei apenas pareda, esperando por aquilo. Merecia a morte. Eu abri meus olhos ao ouvir o barulho da espada sendo jogada no chão, vendo Yasuo com as mãos em sua cabeça. Estava mais imponente do que nunca. Gritei e chorei ao ter aquelas recordações voltando à minha mente. Não queria me lembrar. Eram dolorosas. Me culpava por aquilo. Fora responsável por todas as dores e coisas horríveis que Yasuo passou. Eu o amava completamente, mas havia ferido-o. Havia destruído a vida dele. Olhei minhas próprias mãos trêmulas, essas que mataram muitas pessoas inocentes de Ionia em nome de Noxus. O que eu estava fazendo ao tentar reconquistar minha honra num lugar que nem sabia o significado disso? Minha cabeça doeu cada vez mais conforme mais memórias vinham à tona. Yasuo não conseguiu me matar. Ele se foi naquela mesma noite. Uma culpa enorme tomou conta do meu coração. Não podia mudar o passado, mas ao menos tentaria arranjar uma forma de encontrar perdão. Isso talvez também poderia fazer com que Yasuo me perdoasse algum dia. Me encontrei com Talon, um amigo de longa data. Ele era de grande confiança apesar da família egocêntrica que fazia parte. Era a única pessoa que podia recorrer e confiar. Contei sobre o que aconteceu com Yasuo e que queria encontrar perdão por todos os meus pecados. Ele me abraçou e secou minhas lágrimas. — Eu vou embora. Nunca mais vou voltar pra cá. — falei. — Você não pode fazer isso, Riven. — Talon disse, preocupado. — Eu tenho que fazer. — Sabe muito bem o que acontece com os soldados que deixam Noxus sem permissão. — ele disse. — Eu não me importo de morrer... — Você não pode morrer! — gritou ele. — Esse não é o meu lugar. — falei. — Você não pode... — Eu já tomei a minha decisão. — disse, virando as costas. Eu respirava com dificuldade e suava frio ao ter todas aquelas recordações escondidas agora reveladas. Não me lembrava daquilo. Nem sequer entendia direito a obsessão repentina por Yasuo. Havia esquecido de todos os momentos felizes que passei junto dele, quando ele não sabia da minha identidade. Peguei a minha espada, tremendo. Noxus não era o meu lar. Era uma exilada. Duas pessoas entraram pela aquela tenda, provavelmente por conta dos meus gritos desesperados. Uma delas era Cassiopéia. Fiquei nervosa ao reconhecer a pessoa que estava ao lado dela. Le Blanc. Líder da Rosa Negra, uma associação secreta de magos que tinham grande relação com a política suja de Noxus. Senti um calafrio quando mais recordações voltaram à minha mente. Quando estava prestes à sair da capital de Noxus, vi várias pessoas encapuzadas ao meu redor. — Meu nome é Le Blanc. Líder da Rosa Negra. — uma das pessoas encapuzadas disse. — Devia agradecer por Swain gostar de você. Senão seria morta. — Como você soube que eu iria fug--Minha visão ficou turva. — Diga adeus para as suas memórias. Noxus sempre será o seu lar. — ela falou. — Le Blanc. — disse seu nome, nervosa. — Ora, ora. Ela lembra do meu nome. — disse a farsante, com um sorriso no rosto. — Parece que você lembrou de tudo. Cassiopéia estava quieta, apenas observando a cena agradável que se formava ali. — Maldita.. Como você pôde fazer com que eu esquecesse disso tudo?! — gritei, partindo pra cima dela. Fiz um enorme corte em sua barriga, sangue jorrou da ferida. Ela não fez expressão alguma e eu não conseguia entender. Uma risada foi ouvida pelas minhas costas e ao me virar, estava Le Blanc. Intacta. Olhei pra frente rapidamente e o que aparentava ser seu corpo ferido desapareceu. Um clone. — Que rude me tratar assim. — ela falou, ainda com um sorriso no rosto. Apontou o seu cajado em minha cabeça, onde fez com que a dor piorasse cada vez mais. — Noxus é o seu lar. Você só se lembrará do necessário. É apenas uma soldada cumprindo o seu papel pelo bem da cidade. Fechei meus olhos que escorriam lágrimas, dando um grito de dor. Podia sentir as memórias sumindo na minha mente. Eram dolorosas, mas importantes. Não sentia mais nada além de raiva e um enorme vazio. — Noxus é o meu lar... — falei, sem sentir mais nada.
Notas finais
Quase todos os vilões tem uma história triste por trás de seus atos. O mesmo aconteceu com Riven.
Espero que tenham gostado e no próximo capítulo vamos ter mais YasuoxTaliyah! ♥
Continuem comentando e acompanhando, isso me incentiva a continuar.
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