Reencontro

7 Mestre e Aprendiz


Notas iniciais
Foi muuito divertido/emocionante ter escrito essa cena da Taliyah com o Yasuo. Estava imaginando ela a semanas e tava doida pra que chegasse nessa parte da fanfic pra escrever logo. Espero que gostem! ♥

Um silêncio reconfortante tomou conta do ambiente. Só era possível ouvir as respirações pesadas dos dois, misturadas aos soluços de Taliyah. Yasuo sentiu-se mal pelo o que havia feito a menina passar, deixando ela chorar em seu peito. Apesar de ser forte e estar sempre feliz, Taliyah também era uma garota sensível. Não conseguia imaginar as coisas que poderiam ter acontecido, ainda mais que Riven estava completamente desequilibrada.Estava desapontado consigo mesmo por não ter sido protetor o suficiente e irritado pelo o que Riven poderia ter feito com ela. Um sentimento angustiante tomou conta de sua mente ao pensar se ela tivesse sido morta antes de chegar a tempo para salva-la. Apertou o toque e a puxou para mais perto dele, provando que ela estava ali. Viva.

— Me desculpe pelo o que eu te fiz passar. — ele disse com uma tristeza que era visível em sua fala.

Jamais deixaria algo assim acontecer novamente. Nem se tivesse que morrer para evitar isso. Levou uma de suas mãos até o pescoço da menina e assustou-se ao sentir o quão quente estava. Logo sentiu que o corpo de Taliyah estava ficando cada vez mais pesado. Pegou em seus ombros gentilmente e fez com que apoiasse suas costas na parede fria da caverna. Encostou a sua mão na testa da menina e a sentiu mais quente ainda. Notou que respirava com dificuldade e que suava. Uma péssima hora para sentir febre. Assustou-se ao ver o corte profundo na mão da morena. Que tipo de mestre era aquele ao não ter notado no mesmo instante que ela estava ferida?

Pegou a sua espada e cortou uma tira de tecido de suas roupas, pegando a mão lesionada com gentileza e fazendo um curativo improvisado para estancar o sangue. Escutou um gemido de dor baixinho vindo dela, junto com uma careta.

— Riven... ela queria me matar. — respondeu fracamente, fechando os olhos — Eu consegui fugir dela, mas uma mulher estranha apareceu no meio da floresta e me acertou.

— Cassiopéia... — Yasuo disse o nome com ódio — Merda, é por isso que você está assim.

— Assim...? — ela perguntou, um pouco lerda.

— Onde ela te acertou? Ela usou veneno! — ele perguntou rapidamente enquanto pensava em milhares de maneiras de tirar o veneno ou amenizar o efeito.

Taliyah apontou para a sua coxa, não conseguindo mais falar direito. Estava tonta e com muito sono, tanto que nem sentia mais a dor de sua mão ferida.

— ...Eu estou com sono, Yasuo. — sussurrou Taliyah, fechando os olhos.

— Me perdoe por isso.

Yasuo levou suas mãos até a cintura de Taliyah, descendo a sua calça apertada o mais devagar possível para não incomodar a garota. Ela remexeu-se e sentiu seu rosto esquentar ao ver o que ele fazia.

— ...Y-Yasuo?! O q-que você tá fazendo? — ela perguntou, envergonhada.

Ele segurou a perna lesionada e a apoiou em seu joelho, enquanto continuava despindo a garota. Seu rosto também estava vermelho ao ver as pernas expostas e torneadas dela. Suspirava a cada cinco segundos, tentando se concentrar. Sua respiração estava acelerada, provando o quão nervoso estava ao fazer aquilo. Era um homem e as tentações batiam na porta em situações como aquela. Sua mão coçava para tocar mais e o seu corpo pedia por atenção. Agradecia pela túnica da garota ser comprida o suficiente para evitar que visse algo que não devia. Sentia-se um depravado por pensar coisas assim de sua aprendiz. Suspirou pesadamente ao sentir o arrepio dela ao passar o dedo indicador pela sua coxa, tentando encontrar o ferimento. Precisava acabar logo com aquilo antes que fizesse alguma besteira. Levou a sua boca até o local, sugando o veneno.

Ela deixou escapar um leve gemido ao sentir o toque dele dos seus lábios em sua coxa. Macio. Seus olhos estavam entreabertos, o rosto extremamente corado e respirava com dificuldade. Estava lerda demais para entender o que ele queria fazendo isso, enquanto uma sensação esquisita tomou conta do seu corpo. Gostava daquilo e se culpava por sentir algo assim pelo o seu mestre.

Yasuo arrepiou-se ao escutar os sons quase inaudíveis que Taliyah fazia. Sua mente começava a pedir e desejar coisas que não podia fazer. Sentiu uma enorme vontade de agarra-la ali mesmo e sentir seus lábios tocando os dele. De acabar com a distância que tanto tinham um do outro. Ela o atraía com a sua bondade e inocência, mas tentava negar isso por conta da relação de aprendiz e mestre que possuíam. Ele afastou o seu rosto das pernas tentadoras da morena e olhou para o seu rosto corado.

— ...Por que você parou? — perguntou Taliyah timidamente.

Ele deu um suspiro derrotado e avançou no pescoço da garota. Beijando ali e dando algumas mordidas leves. Ela sorria gostosamente com aquilo, abraçando-o. Taliyah se sentia tão bem com aquela proximidade repentina. Mentiria se dissesse que nunca havia imaginado os dois daquele jeito. Sentiu tanta falta dele durante todos os anos que estiveram distantes. Sentiu falta da voz rouca dele, dos seus cabelos compridos presos pela fita que ela mesma havia dado para ele, de como ele conseguia ser tão protetor com ela. Ela não o via mais como um mestre. Era mais como um homem que ela gostaria de ter por perto pra sempre. Ele afastou-se e olhou para o rosto da garota novamente. Estava com um sorriso tímido no rosto enquanto retribuía a troca de olhares. Tocou o seu rosto moreno e macio com algumas sardas na área do nariz, aproximando seus lábios aos dela. Uma culpa enorme tomou conta da sua mente e o recordou do que ele era.

Ele não podia fazer algo assim.

Ela ainda estava sob o efeito de um veneno e era sua aprendiz. Talvez nem tivesse noção das coisas que ele fazia ali. E era um criminoso. Nunca sabia o que poderia acontecer no dia seguinte.

Deu um suspiro entristecido e colocou o manto que usava no pescoço da garota, afastando-se.

— Descanse por agora, passarinho. Você estará segura aqui, eu voltarei logo. — ele disse enquanto saía da caverna, a tristeza e decepção consigo mesmo expressa em sua voz.

Taliyah sentiu uma pontada em seu coração ao ver ele se afastando. Tentou levantar para ir atrás dele, falhando miseravelmente. Ainda estava fraca e cansada. Sentia um mal estar em sua barriga, sua respiração e batimentos estavam acelerados. Queria que ele tivesse continuado. Apoiou a sua cabeça na parede fria e fechou seus olhos, tentando não pensar naquilo.

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Sivir sentou-se ao redor do acampamento improvisado feito por Nasus e Renekton, exausta. Deixou seu bumerangue de lado e olhou para a fogueira recém acesa. Estavam seguindo até Noxus com muita pressa, fazendo pausas para comer e dormir por algumas horas. Pegou o seu cantil de água e bebeu seu conteúdo aos poucos.

— Quem vai fazer a vigia dessa noite? — perguntou Renekton, num misto de preguiça e cansaço.

— Eu fico dessa vez. Depois trocamos. — respondeu Nasus, sentando-se ao lado de Sivir.

— Eu estava pensando... Nasus. — refletiu Sivir, enquanto olhava para a fogueira.

— O que?

— O que você quis dizer quando falou que os poderes da Taliyah não haviam despertado? — perguntou.

— Já existiu uma pessoa com o dom semelhante ao dela. Seu nome era Nayla. — disse Nasus, olhando para o céu estrelado em meio a estrada deserta — Ela não tinha muito controle com os seus poderes e eu me ofereci para ajuda-la. Pedi a ajuda de Xerath e com uma magia desconhecida, conseguiu tirar aquilo que parecia ser uma maldição dela. Ela não queria aquele poder em suas mãos. Ela seguiu a sua vida como uma garota normal. Até o dia em que seu pai que era um soldado, morreu numa batalha por território.

— ...E o que aconteceu?

— Um sentimento de culpa e vingança tomou conta do coração dela. Numa noite, ela decidiu ir até o local da batalha e sua dor só se intensificou cada vez mais. Despertou seus verdadeiros poderes que só haviam sido adormecidos por Xerath. Causou um enorme tremor seguido por terremotos. Destruiu uma cidade inteira.

— Pelos Deuses... — Sivir fez uma cara assustada ao ligar os pontos daquela história — Não me diga que algo assim pode acontecer com Taliyah?!

— Temo que os Noxianos saibam dessa história. — respondeu Nasus, preocupado.

— E o que aconteceu no fim disso tudo? O que houve com a menina? — perguntou Sivir, nervosa.

— Seu corpo não aguentou toda a energia descontrolada que fora usada naquela hora. — disse Renekton.

— Isso não pode acontecer...

— É por isso que vamos impedir isso. Ela pode destruir Demacia inteira se quiser. — falou Renekton por fim.

— Descansem por agora e não pensem nisso. Chegaremos a tempo de algo assim acontecer. — disse Nasus.

— Esteja bem, Taliyah... — pensou Sivir antes de fechar seus olhos e entregar-se ao cansaço que sentia.

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Riven acordou em sua tenda, sentindo uma enorme dor em seu olho direito. Passou a mão por cima levemente, notando que estava enfaixado e arrependendo-se por ter feito aquilo. O toque intensificou a dor que sentia, fazendo uma careta com aquilo. Viu que havia outra pessoa ali dentro e logo soube quem era por conta do barulho irritante que fazia com sua língua. Não se lembrara bem do que tinha acontecido anteriormente.

— O que você faz aqui? — perguntou Riven, incomodada.

— Você não devia perguntar e sim agradecer por eu ter chegado a tempo de salvar o seu olho. — respondeu Cassiopéia — Você foi tola por não ter amarrado os braços daquela menina. Ela não é fraca que nem você.

Riven levantou-se com raiva e jogou longe a pequena e única mesa que havia em seu aposento improvisado, derrubando tudo que estava em cima dela. Ameaçando até em atirar algo em Cassiopéia.

AONDE ELA ESTÁ?! VOCÊ A PEGOU, NÃO PEGOU?— Riven gritou, irritada.

— Ela fugiu. — respondeu sem se importar com a reação da espadachim. — Eu a vi correndo pela floresta.

E NÃO A TROUXE DE VOLTA?!

— Seus assuntos com essa garota não são da minha conta. Não estarei perdendo nada caso ela morra, ou pelos animais da floresta ou até mesmo por você.

— Sua filha da p--

Riven foi impedida de continuar a falar ao sentir uma adaga encostando no seu pescoço.

— Escute bem. Eu não tenho nada a ver com os seus objetivos e muito menos com a relação que tinha com aquele criminoso. — apertou mais a adaga ao pescoço de Riven, que suspirou pesadamente — Então aprenda a ficar quieta e a cuidar melhor de seus prisioneiros.

— ....

— E a propósito, eu consegui fazer o que você pediu. — disse Cassiopéia, segurando um pequeno frasco com líquido azulado. — É uma recompensa por ter ajudado a atrair Sivir pra longe de Shurima.

Riven pegou o frasco e acalmou-se, satisfeita com o que via.

— Use isso nele quando quiser que a garota desperte os seus poderes em sua próxima invasão em Demacia e terá um grande estrago. — explicou a mulher metade cobra, ansiosa para ver no que disso daria — Quem sabe você possa ganhar um cargo decente no exército novamente.

— E eu ganharei. — respondeu Riven, pesadamente. — Só preciso pegar a garota de volta.

Notas finais
Espero que tenham gostado! ♥ Até o próximo capítulo!!